14:22 - 10/05/2012 | NO SEMINÁRIO DA PROXXIMA 2012
The Guardian: lição de jornalismo aberto
PUBLICADO NO SITE DA PROXXIMA 2012 EM 09/05/2012 ÀS 12:32
Executivo da área Digital do jornal britânico, Piers Jones mostrou à plateia do ProXXIma que abrir as portas para os leitores pode ser o segredo do sucesso para os veículos
BÁRBARA SACCHITIELLO
Digital first. Essas palavras, ditas logo no início do seminário de Piers Jones, gerente de produtos para plataformas digitais e redes sociais do The Guardian, deram uma síntese do que o público da edição de 2012 do ProXXima pode acompanhar: um exemplo concreto de um jornal que, apesar de sua tradição de mais um centenário de existência, não teve medo de inovar de acordo com o ritmo das novas tecnologias e forma de consumo de mídia.
Com a presença do jornalista, sócio da MVL Comunicação, Caio Tulio Costa, o seminário de Piers Jones foi uma apresentação das estratégias do The Guardian para manter o interesse e a atenção do público, em diferentes plataformas. O representante do veiculo inglês deixou claro que todo esse exemplo de inovação reside, primeiramente, na premissa de se tratar o digital como prioridade. “Quando recebemos uma noticia ou informação importante, não existe mais a duvida de coloca-la na internet ou de guarda-la para o papel. O Digital sempre vem à frente”, resume Jones.
Ele aproveitou o seminário para expor exemplos dos produtos digitais do jornal, como o site, os aplicativos para smartphones e tablets e os perfis do título nas redes sociais. O destaque dessa parte da apresentação foi o aplicativo do The Guardian para o Facebook, que foi desenvolvido após dois meses de trabalho, com o objetivo de criar uma maneira diferente de dar as noticias e entrar em contato com a audiência. Desde setembro de 2011, quando foi lançado, o aplicativo já foi baixado por mais de 11 milhões de pessoas.
Os leitores, alias, são tratados praticamente como colaboradores diretos dos jornalistas do The Guardian. Com enquetes, sugestão de noticias, discussão de assuntos, compartilhamento de informações, participação em eventos promovidos pelo jornal e outros canais de contato, os leitores são, constantemente, estimulados a participar e a colaborar com o conteúdo do grupo de mídia. “Nosso objetivo é fazer com que as pessoas passem mais tempo conosco. Esse crescimento da audiência, consequentemente, nos dá uma maior base para trabalhar comercialmente nossos produtos e conseguir gerar receita”, esclarece Jones.
Cabeça no futuro
Exemplo de publicação que segue na trilha do fornecimento gratuito de conteúdo – financiado pela publicidade – o The Guardian acaba indo na contra-mão de boa parte dos grandes jornais do mundo, que vêm estruturando seu modelo de negócios com base na cobrança pelo acesso ao conteúdo digital. Esse posicionamento do jornal britânico, segundo o jornalista Caio Tulio Costa, é um exemplo claro de que o The Guardian conseguiu enxergar algo que muitos veículos ainda relutam a ver: “O jornalista não é mais o ator principal da notícia. Ele precisa dividir esse palco com os leitores, que colaboram diretamente com o conteúdo”, frisou Costa.
Questionado sobre a aparente contradição entre priorizar o Digital enquanto a maior parte de sua receita publicitária ainda provem do jornal impresso, Piers Jones respondeu representando a filosofia de um título que, mesmo nascido em 1821, tem os dois pés e a cabeça no futuro: “Priorizar o Digital nada mais é do que reconhecer a mudança estrutural. O impresso ainda pode ser a maior fonte de receita, mas isso não será para sempre. Não sabemos se estamos construindo um modelo correto. Considerando, porém, a rápida evolução da tecnologia e dos leitores, acredito que vale a pena arriscar”, finalizou.
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12:25 - 24/04/2012 | RANKING 2012
Google é a terceira maior empresa de mídia do planeta
Caio Túlio Costa
Com um faturamnento de US$ 37,9 bilhões no ano passado, o Google entrou para o ranking das maiores empresas de comunicações do mundo, em terceiro lugar.
A lista das 50 maiores empresas de comunicação acaba de ser divulgada na Alemanha pelo IfM, o Institut für Medien-und Kommunikationpolitik, ou Instituto para Políticas de Mídia e de Comunicação.
O campeão da lista é o conglomerado que reúne Comcast, NBC e Universal, da Philadelphia, nos Estados Unidos, com faturamento recorde US$ 55,8 bilhões.
O segundo lugar é da Disney, que faturou US$ 40,8 bi.
O Google nunca havia entrado na lista, apesar de estar faturando alto há anos.
O fato mais importante é que, entre as 50 maiores, somente dez entre elas são resposáveis por 54% do faturamento global.
As 50 maiores empresas de mídia do planeta faturam no total US$ 563 bilhões. As dez primeiras, cada uma com receita acima de US$ 15 bilhões, faturam US$ 303 bilhões, mais da metade do todo.
Os montantes de faturamento compilados se referem ao ano passado.
Outro dado relevante, desde 2010, é o fato de que a até então primeira colocada, a Time-Warner, ter despencado para o quinto lugar.
A úinica empresa brasileira na lista é a Globo, com US$ 6,5 bilhões de faturamento.
Entre as dez maiores, as seis primeiras são americanas: Comcast, Disney, Google, News Corp., Viacom e Time Warner.
A sétima é japonesa, a Sony.
A oitava é alemã, a Bertelsmann.
A nona é francesa, a Vivendi; e a décima volta a ser americana, a Cox.
O ranking foi feito em Euros, mas veja aqui abaixo a lista completa na ordem e com o respectivo faturamento em bilhões de dólares:
1. Comcast/NBCUniversal, LLC (Philadelphia / USA): US$55,841 bilhões.
2. The Walt Disney Company (Burbank / USA): $40,893
3. Google Inc. (Mountain View/ USA): $37,906
4. News Corp. Ltd. (New York/ USA): $33,405
5. Viacom Inc./CBS Corp. (New York / USA): $29,160
6. Time Warner Inc. (New York / USA): $28,974
7. Sony Entertainment (Tokyo / JP ): $22,987
8. Bertelsmann AG (Gütersloh/GER): $21,232
9. Vivendi S.A. (Paris/ Frankreich): $17,381
10. Cox Enterprises Inc. (Atlanta / USA): $15,330
11. Dish Network Corporation (Englewood, CO / USA): $14,048
12. Thomson Reuters Corporation (New York/ USA): $13,807
13. Liberty Media Corp./Liberty Interactive (Englewood, CO / USA): $12,639
14. Rogers Comm. (Toronto / CA): $12,571
15. Lagardère Media (Paris/ Frankreich): $10,659
16. Reed Elsevier PLC (London/ GB): $9,608
17. Pearson plc (London / UK): $9,402
18. ARD (Berlin, München/GER): $8,660
19. Nippon Hoso Kyokai (Tokyo / Japan): $8,346
20. BBC (London / UK): $7,773
21. Bloomberg L.P. (New York / USA): $7,600
22. Fuji Media Holdings, Inc. (Tokyo / JP): $7,252
23. Charter Comm. Inc. (St. Louis/ USA): $7,204
24. Cablevision Systems Corp. (Bethpage, NY/ USA): $6,701
25. Globo Communicação e Participações S.A. (Rio de Janeiro/ BRA): $6,581
26. Advance Publications (Staten Island, New York / USA): $6,549
27. The McGraw-Hill Comp. Inc. (New York/USA): $6,246
28. Clear Channel Comm. (San Antonio / USA): $6,161
29. Mediaset SpA (Mailand / IT): $5,916
30. The Nielsen Company (Haarlem/ NL): $5,532
31. Gannett Co. Inc. (McLean, Virginia / USA): $5,239
32. Grupo Televisa (Álvaro Obregón / MX): $5,039
33. Yahoo! Inc. (Sunnyvale/ USA): $4,983
34. The Naspers Group (Kapstadt / ZA): $4,797
35. Shaw Communications (Calgary /CA): $4,795
36. Wolters Kluwer nv (Amsterdam / NL): $4,669
37. Bonnier AB (Stockholm / SWE): $4,596
38. Axel Springer AG (Berlin /GER): $4,434
39. France Télévisions S.A. (Paris/ FRA): $4,371
40. Discovery Communications (Silver Spring/ USA): $4,234
41. Tokyo Broadcasting System Holdings, Inc. (Tokyo / Japan): $4,215
42. The Washington Post Company (Washington D.C. / USA): $4,215
43. RAI Radiotelevisione Italiana Holding S.p.A. (Rom / IT): $4,193
44. Quebecor Inc. (Montreal/ CA): $4,079
45. ITV plc (London / GB): $3,900
46. ProSiebenSat.1 (Unterföhring/ GER): $3,836
47. Sanoma Group (Helsinki / FI): $3,822
48. The Hearst Corporation (New York/ USA): $3,800
49. Grupo PRISA (Madrid / ES): $3,778
50. TF1 S.A. (Boulogne, Cedex / FRA): $3,647
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20:23 - 24/03/2012 | Resenha
‘História da Imprensa Paulista’ nasce clássica
PUBLICADO NA FOLHA DE S.PAULO DE 24/03/2012, PÁG E-7
CAIO TÚLIO COSTA
ESPECIAL PARA A FOLHA
A universidade brasileira produz uma literatura rarefeita sobre jornalismo. Costuma perder-se em minúcias, em teses absolutamente descartáveis sobre aspectos pueris do fazer comunicação.
A boa notícia é que existem profissionais dispostos a correr por fora e produzir conhecimento sobre o jornalismo.
É o caso de Oscar Pilagallo, que dedicou anos à pesquisa resultante nesta história do jornalismo paulista, cosida completamente à margem da academia.
Ele produziu uma obra de fôlego, bem escrita, concisa. Vem composta por incontáveis leituras, entrevistas e documentação. É a “História da Imprensa Paulista”, publicada por Três Estrelas, novo selo editorial do Grupo Folha.
Nasce clássica e preenche lacunas que a “História da Imprensa no Brasil”, de Nelson Werneck Sodré, não conseguia suprir em relação ao papel da imprensa paulista no cenário nacional.
No fundo, é a história de uma imprensa que começou atrasada no tempo e na tecnologia, ganhou espaço e protagonismo, mas ainda não se encontrou integralmente do ponto de vista da convergência tecnológica. Não é demérito só dela, mas da maioria dos jornais mundo afora, que ainda busca se situar em relação aos desafios da comunicação em rede.
O primeiro jornal da então província, “O Paulista”, estreou em 1823. Ou seja, 15 anos depois do primeiro jornal impresso no Brasil, no Rio e, pior, em vez de usar os tipos móveis inventados havia quase 400 anos por Gutenberg, surgiu caligrafado por amanuenses -mesmo com tipografias em quase todas as províncias do império.
Pilagallo mostra como a grande imprensa paulistana, ou a dita imprensa burguesa, ganha relevância e então centraliza a produção jornalística de reconhecida qualidade editorial, em grande medida e por muito tempo lastreada no Rio, em especial nos anos dourados do “Jornal do Brasil” (anos 1950 e 1960).
A maioria das atitudes e movimentações políticas relatadas sobre a imprensa paulista provém da leitura dos editoriais, revisitados com acuidade pelo autor ao traçar uma linha do tempo que reflete um processo mais conservador do que liberal.
Há exceções, conhecidas, como “O Estado de S. Paulo” contra a censura (anos 1970) ou a Folha a partir dos anos 1980 (Diretas Já).
É esclarecedora a divisão dos capítulos, que se amalgamam à ordem cronológica. Se de 1823 a 1889 há “Pioneiros, Panfletários e Cabriões” -os importunadores, atividade que o jornalismo paulista sempre cultivou no varejo-, de 1889 a 1930 perfila “A República Empastelada”.
De 1930 a 1945, a “Resistência e Cooptação sob Vargas”. De 1945 a 1964, a “Conspiração Contra o Perigo Escarlate” -o perigo comunista, cuja bandeira é de cor vermelha muito viva. De 1964 a 1984 se exibem os anos do “Jornalismo Possível na Ditadura”.
De 1984 a 1992, o autor vê “O Protagonismo das Redações”. Finalmente, de 1992 até 2010, a imprensa paulista está “Entre a Convergência e a Polarização”.
O uso do cachimbo costuma entortar a boca. Talvez por ter trabalhado tanto tempo na Folha, jornal no qual se formou, foi um dos editores e do qual foi correspondente na Inglaterra, há Folha demais e “O Estado de S. Paulo” de menos, como há Diários Associados de menos.
Justiça seja feita, Pilagallo não foge do delicado assunto que liga a “Folha da Tarde” à ditadura militar. Também não quero bancar o cri-cri ao apontar errinhos menores, mas Pilagallo peca ao considerar que o “Suplemento Literário” de “O Estado de S. Paulo” “serviria de modelo aos congêneres surgidos na grande imprensa brasileira”.
Apesar da extraordinária qualidade crítico-literária do caderno cultural paulistano, o modelo foi o “Suplemento Dominical” do “Jornal do Brasil”, do Rio, criado por Reynaldo Jardim no mesmo ano do paulista projetado por Antonio Candido: 1956.
CAIO TÚLIO COSTA é jornalista, professor na ESPM e sócio da MVL Comunicação.
HISTÓRIA DA IMPRENSA PAULISTA
AUTOR Oscar Pilagallo
EDITORA Três Estrelas
QUANTO R$ 59,90 (368 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo
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19:00 - 06/03/2012 | No Roda Viva
Biógrafo de Jobs no Roda Viva
O biógrafo de Steve Jobs, o jornalista e executivo americano Walter Isaacson, foi o entrevistado do Roda Viva, na TV Cultura, em 5 de março. Caio Túlio Costa foi um dos entrevistadores ao lado do apresentador Mario Sergio Conti, de Ethevaldo Siqueira (colunista especializado em tecnologias digitais do jornal O Estado de S. Paulo); Paula Leite (editora assistente do caderno Mercado do jornal Folha de S. Paulo); Carlos Eduardo Lins da Silva (professor de pós-graduação de Jornalismo da ESPM e editor da revista Política Externa) e Todd Benson (diretor de redação da agência Reuters no Brasil).
Ex-presidente da rede americana de TV CNN e ex-editor da revista Time, Isaacson já escreveu biografias de personalidades como Albert Einstein, Benjamin Franklin e Henry Kissinger. Atualmente, ele é o presidente do Aspen Institute, um dos mais relevantes think tanks voltados à formação de estrategistas e à educação.
Conforme informou o site da TV Cultura, o Roda Viva foi o único programa na imprensa brasileira a entrevistar Isaacson em sua curta passagem pelo Brasil no mês de março de 2012.
O livro já vendeu mais de 10 milhões de exemplares nos EUA (a metade disso em versão digital), 2 milhões na China e mais de 120 mil no Brasil.
Ainda no site da TV Cultura se lê que a obra de Isaacson seria o mais definitivo perfil do líder da Apple. Sobre o homem que teve a imagem partida entre os cultuadores que o definem como “gênio” e outros tantos que questionam sua originalidade, Isaacson conclui: “A saga de Steve Jobs é o mito de criação do Vale do Silício em letras graúdas… Ele não inventava muitas coisas de estalo, mas era um mestre em juntar ideias, arte e tecnologia de um jeito que inventava o futuro”.
A entrevista foi gravada no sábado, 3 de março. Ele esteve apenas dois dias no Brasil por conta de compromisso do Aspen Institute e dedicou-se ao Roda Viva antes de embarcar de volta para os EUA.
Os entrevistadores perguntam em português e as respostas de Isaacson, em inglês, são legendadas.
Isaacson não se recusou a responder nenhuma das perguntas e deu vários detalhes sobre a feitura da biografia de Jobs, falou de jornalismo e tecnologia, do futuro dos jornais e revistas em papel (ele considera que continuarão existindo), de direitos autorais na web (que precisam ser respeitados), da formação do jornalista, do trabalho em governos, de ações humanitárias e do ofício do biógrafo.
Leia também resenha do livro sobre Jobs escrita por Caio Túlio Costa.
Veja a íntegra do programa com Walter Isaacson.
Enviado por: Caio Túlio Costa - Categoria(s): Blog, Destaque 2
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20:06 - 04/03/2012 | Seminário na FAPESP
Alberto Dines aos 80 anos
Em fevereiro de 2012 o jornalista brasileiro Alberto Dines completou 80 anos.
Entre as comemorações previstas está previsto para 22 de março, na Fapesp em São Paulo, o seminário “Conhecimento científico do jornalismo no Brasil:
a contribuição de Alberto Dines”.
Com a participação de Celso Lafer, Fernando Gabeira, José Marques de Melo, Carlos Eduardo Lins da Silva, Eugênio Bucci, Carlos Vogt, Luiz Egypto, Caio Túlio Costa e do próprio Dines, o seminário é aberto ao público que pode se inscrever online.
Nele, a tentativa será a de explorar a carreira e decifrar a exuberante personalidade do pioneiro e maior incentivador da crítica da mídia (media criticism) no Brasil.
Criador e diretor do Observatório da Imprensa (tanto na versão web quanto nas versões radiofônica e televisiva), o primeiro veículo transmídia do país, Alberto Dnies é o autor de um dos maiores clássicos da literatura acadêmica sobre jornalismo, “O Papel do Jornal”, há mais de 40 anos adotado na bibliografia de quase todos os cursos de graduação e pós-graduação em jornalismo no país.
Na Universidade de Campinas, ele foi um dos responsáveis pela criação do Labjor (Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo), um centro de referência, no país e na América Latina, para a formação e para os estudos em divulgação científica e cultural, além de comandar redações (como a do Jornal do Brasil nos anos 60) e trabalhar nos principais veículos de comunicação do país.
Programação do Seminário sobre Alberto Dines:
8h30: Recepção e café.
9h: Abertura por Celso Lafer, presidente da FAPESP.
9h30: Criação do Departamento de Pesquisa do Jornal do Brasil por Fernando Gabeira, jornalista, escritor, ex-deputado federal.
10h: Estruturação das disciplinas de Jornalismo Comparado e Teoria da Imprensa por José Marques de Melo, professor emérito da ECA/USP.
10h30: Jornalismo e biografia: a construção de “Morte no Paraíso: A Tragédia de Stefan Zweig” por Sérgio Vilas-Boas, doutor em comunicação pela USP.
11h: Cadernos de Jornalismo e Comunicação por Carlos Eduardo Lins da Silva, livre-docente e doutor em Comunicação pela USP.
11h30: Perguntas e respostas.
12h: Almoço.
13h30: Crítica da imprensa (Jornal dos Jornais, revista Imprensa, Jornal da Cesta e Observatório da Imprensa) por Caio Túlio Costa, doutor em Comunicação pela USP e professor da Faculdade Cásper Líbero.
14h: Livro “O Papel do Jornal”, um dos mais importantes estudos sobre o jornalismo no Brasil por Eugênio Bucci, doutor em Comunicação pela USP e professor da ECA/USP.
14h30 A experiência do Labjor na Unicamp por Carlos Vogt, doutor em Ciências pela UNICAMP, ex-reitor da UNICAMP, ex-presidente da FAPESP.
15h: Intervalo para café.
15h30: Jornalismo na internet por Luiz Egypto, jornalista, mestre em História pela PUC-SP.
16h: Perguntas e respostas.
16h30: Encerramento por Alberto Dines, diretor editorial do Projor.
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18:00 - 06/02/2012 | Ética Jornalística
Programa do curso de ética para 2012
Aqui você encontra o programa de 2012 do Curso de Ética Jornalística que o professor Caio Túlio Costa ministra na Cásper Líbero para os alunos do quarto ano (matutino) de jornalismo.
Além da ementa do curso – que abrange o ano todo e a bibliografia – estão disponíveis, em separado, o cronograma das aulas e o sistema de avaliação.
Recomenda-se aos alunos que leiam atentamente o programa bem como as indicações de avaliação.
Tanto o programa quanto o sistema de avaliação são objetos de discussão e análise nas primeiras aulas do curso.
Professor e alunos devem chegar a bom termo e à concordância quanto à maneira da condução das atividades escolares.
Recomenda-se também aos alunos que não faltem às aulas iniciais quando todo o processo do curso é discutido e combinado.
Atenção: o cronograma pode sofrer alterações em função do dia da aula magna (prevista para março de 2012) promovida pela faculdade e da Semana de Jornalismo (prevista para o segundo semestre de 2012). Todas as alterações serão informadas neste site.
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18:33 - 24/07/2011 | Interview | Caio Túlio Costa
How far should you go to cover a story?
Publicada no site do Knight Center of Jornalism in the Americas em 22/07/2100
By Natalia Mazotte/JV
Lea en Español Leia em Português
In the midst of the bribery and phone-hacking scandal involving CEO Rupert Murdoch’s News Corp., media analysts continue to debate the ethical challenges of reporting. Are their limits to what a journalist should do in the search for a scoop?
According to Caio Túlio Costa, who has a doctorate in political science from the Universidade de São Paulo (USP) and currently teaches journalism ethics at the Faculdade Cásper Líbero, journalism has a “provisional morality” that can adjusted at any moment and for any need that the media industry has. Phone hacking and bribery are extreme examples of this moral framework.
Costa worked 21 years at Grupo Folha, the owner of Folha de S. Paulo newspaper, and was the founding director of UOL, Latin America’s first major internet portal. In an interview with the Knight Center for Journalism in the Americas, he spoke about the News Corp. scandal and said that digital media was not causing major changes to how journalism should be ethically practiced.
Could you explain the concept of “provisional morality” that you discuss in your most recent book?
The idea behind this concept is showing consumers of journalistic information that, depending on the situation and on the facts, there are different ways to approach, analyze, divulge, and evaluate news items. These variations reflect, from an ethical point of view, what could be more or less principled procedures for publishing news. Journalists could, using “public interest” as a justification, for example, disguise themselves and lie in order to gather information. They may not think that it is right to lie during their daily lives, but they could believe it is acceptable in that moment in order to obtain a specific fact. This is what I call provisional morality.
Then can anything be justified if it is serving the public interest?
No, definitely not. But I am not a dictator or a line judge on what is or is not justifiable, I don’t think that is my role. This concept is not intended to define how journalism should be, but to show how it is being practiced.
What is your opinion about the News Corp. scandal?
This is a striking example of provisional morality, that is even more remarkable, because, from what we’ve seen on the news, all boundaries were crossed. We are not only talking about public figures, we are talking about citizens whose phones have been tapped, we are talking about journalistic work that is hindering police investigations and causing brutal anguish to the victims’ families.
Are you afraid that these events will prompt more legal and judicial control over the press?
Yes, thanks to the enormous irresponsibility of the Murdoch clan. A consolation is that without freedom of expression and the press, the British daily the Guardian would not have been able to reconstruct this story and make it known to the public. In two weeks, News Corp.’s stock’s have plummeted, a newspaper was closed, a parliamentary investigation was opened, arrests were made, a journalist died, the responsible parties are under police investigation, and the entire word is following the case online, without restrictions. We must work to make press freedom endure.
Is it possible to establish clear ethical boundaries without curtailing journalistic work?
Yes, without a doubt. The BBC, for example, practices some of the most accurate journalism. There they don’t use hidden cameras nor do they go after illegal recordings.
What changes with provisional morality when applying the concept to digital media?
When I am discussing provisional morality, I am thinking of a professionals who are technically trained to practice journalism. They have a defense for ethical misconduct if it is in service of what they understand to be journalism’s role in serving the public interest. When one works with digital media, the morality of the technician mixes with the morality of a citizen. In this sense, there is a certain “vulgarization” of provisional morality. For good journalism, all that applies previously continues to remain relevant, there are no major changes.
Several media outlets have launched guidelines for the use of social media by journalists and some have even barred them from using these spaces. What do you think of this practice?
This phenomenon is simply another attempt to control workers’ opinions. We need to ensure that people can express themselves. However, a journalist, like any other employee, needs to follow codes of conduct that make the organization’s boundaries clear. It doesn’t do to be naïve and believe that journalists are unable to adapt to a business’ rules. Now, these limits also need to be guided by ethical standards, they cannot seek to curtail speech.
In terms of journalism ethics, have they changed as a result of the data releases by WikiLeaks?
Leaks always feed journalism – the internet only amplifies this effect, as we have seen with WikiLeaks. What has changed is that now we have competitors in the new digital media era. We are no longer the owners of information and the only ones who handle leaks. The challenges are competitive, as the internet has taken away the media’s absolute power. The principle question is no longer ethical, but in terms of competition. We, journalists, are not doing anything very different from what we have already become used to doing.
Enviado por: Caio Túlio Costa - Categoria(s): Blog, Entrevistas
Tags relacionadas: ethics, journalism, Murdoch, new media, News Corp, old media, provisional morality
18:25 - 24/07/2011 | Entrevista | Caio Túlio Costa
¿Hasta dónde es posible llegar por obtener una información?
Publicada no site do Knight Center of Jornalism in the Americas em 21/07/2100
Por Natalia Mazotte/IB
En medio del escándalo de escuchas ilegales y sobornos que involucra al gigante multimedios News Corp., propiedad del magnate Rupert Murdoch, la discusión sobre ética gana fuerza entre los profesionales de la prensa. ¿Cuáles son los límites del periodismo en su búsqueda por información?
Según Caio Túlio Costa, doctor en Ciencias de la Comunicación por la Universidad de São Paulo y profesor de ética en la Universidad Cásper Líbero, el periodismo tiene una “moral provisional”, que se adapta en cada momento y según cada necesidad de la industria de la comunicación. El espionaje telefónico y los sobornos son ejemplos extremos de esa moral.
Costa trabajó durante 21 años en el Grupo Folha, fue fundador y director general del portal UOL y fue el primer ombudsman o defensor del lector en la prensa brasileña. En una entrevista con el Centro Knight para el Periodismo en las Américas, habló del escándalo de News Corp. y planteó que no ve grandes cambios en la forma de hacer periodismo de los medios digitales.
¿De qué se trata esta “moral provisional” del periodismo de la que habla usted en su último libro?
La idea de ese concepto es mostrar al consumidor de información periodística que, dependiendo de la situación, dependiendo del hecho, hay formas diferentes de abordar, analizar, divulgar y evaluar las noticias. Esas variaciones reflejan, desde el punto de vista ético, procesos más o menos correctos en función de los intereses de la publicación. El periodista puede justificar en el interés público, por ejemplo, disfrazarse y mentir para obtener una información. Él no puede considerar correcto el mentir en el día a día, pero cree que en ese momento en particular sí es correcto, para obtener un dato determinado. Eso es lo que llamo moral provisional.
¿Entonces todo es justificable en pro del interés público?
No, de ninguna manera. Pero yo no me coloco como un dictador o un juez que determina el límite entre qué es justifcable y qué no lo es. Creo que ése no es mi papel. Este concepto no pretende decir cómo se debe hacer el periodismo, sino mostrar sus prácticas.
¿Cuál es su opinión sobre los escándalos que involucran a News Corp.?
Ése es un ejemplo evidente del uso de esa moral provisional en un nivel aún más dramático, pues por lo que se ha visto, todos los límites fueron sobrepasados. No estamos hablando de apenas personas públicas, sino de ciudadanos cuyos teléfonos fueron intervenidos, de un trabajo periodístico obstaculizando el trabajo policial y llevando a una angustia brutal a familias de víctimas de atentados como el del 11 de septiembre.
¿Teme usted a intentos por contar con un mayor control legal y judicial de las actividades de la prensa ante estos acontecimentos?
Sí, gracias a la enorme irresponsabilidad del clan de los Murdoch. Lo que me consuela es que sin las libertades de expresión y de prensa, el diario británico The Guardian no habría conseguido reconstruir esta historia y darla a conocer. En dos semanas, las acciones de News Corp. bajaron, se cerró un diario, se abrió una investigación parlamentaria, se hicieron arrestos, un periodista murió, la policía investiga quiénes son los responsables y el mundo entero sigue el caso, libremente. Debemos trabajar para que la libertad de prensa perdure.
¿Es posible establecer límites éticos claros sin cercenar la actividad periodística?
Sí, sin duda alguna. Uno de los periodismos más precisos que existen es el practicado por la BBC, por ejemplo. Ahí no se usan cámaras escondidas ni se da rienda suelta a grabaciones ilegales.
¿Qué cambia en esta moral provisional con los medios digitales?
Cuando yo hablo de moral provisional, estoy pensado en aquel profesional que está capacitado para practicar el periodismo. Incluso él tiene una defensa para los desvíos éticos en función de lo que entiende que es una moralidad pública del periodismo. Cuando usted entra en los medios digitales, la moralidad del técnico se mezcla con la moral practicada por el ciudadano. Entonces hay una cierta “vulgarización” de la moral provisional. Para el buen periodismo, todo lo que se aplicaba antes continúa [en los medios digitales]; no hay grandes cambios.
Varios medios han lanzado guías con directrices para el uso de redes sociales por parte de periodistas y algunos incluso llegan a prohibir la expresión de opiniones en estos espacios. ¿Qué opina usted de estas prácticas?
Ése es un fenómeno nuevo por intentar controlar a los empleados desde el punto de vista de sus opiniones. Tenemos que asegurarnos de que la gente pueda expresarse. Sin embargo, el periodista, como cualquier otro empleado, tiene que seguir los códigos de conducta que dejen en claro los límites empresariales. No se puede ser tan ingenuo como para pensar que el periodista no tiene que adaptarse a los límites de la empresa. Ahora bien, estos límites también deben guiarse por principios éticos [y] no por querer restringir la palabra.
La ética periodística, ¿cambió a partir de las filtraciones de datos hechas por WikiLeaks?
Las filtraciones de información siempre alimentaron al periodismo e Internet sólo aumentó eso, como pudimos ver con WikiLeaks. Lo que cambió es que ahora tenemos nuevos competidores en los nuevos medios digitales. Ya no somos los dueños de la información ni los únicos que manejan las filtraciones. El tema principal no es la ética, sino la competencia. Nosotros, los periodistas, no vivimos con nada muy diferente de aquello a lo que ya estábamos acostumbrados.
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18:18 - 24/07/2011 | Entrevista | Caio Túlio Costa
Até onde é possível ir pela informação?
Publicada no site do Knight Center of Jornalism in the Americas em 20/07/2100 às 15:53
Por Natalia Mazotte
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Em meio ao escândalo de escutas ilegais e subornos envolvendo o grupo de mídia de Rupert Murdoch, News Corporation, a discussão sobre ética ganha fôlego entre profissionais da imprensa. Há limites no jornalismo em sua busca por informações?
Segundo Caio Túlio Costa, doutor em ciências da comunicação pela USP e professor de ética jornalística na Faculdade Cásper Líbero, o jornalismo apresenta uma “moral provisória”, moldada para caber em cada momento e em cada necessidade da indústria de comunicação em sua produção de notícias. Grampos e subornos são os exemplos extremos dessa moral.
Costa trabalhou durante 21 anos no Grupo Folha, foi fundador e diretor geral do Universo Online (UOL) e o primeiro ombudsman da imprensa brasileira. Em entrevista ao Centro Knight para o jornalismo nas Américas, ele comenta o caso News Corp. e diz não ver grandes mudanças na forma de fazer jornalismo com as mídias digitais.
O que é essa “moral provisória” do jornalismo que você aborda em seu último livro?
A ideia desse conceito é mostrar ao consumidor de informação jornalística que dependendo da situação, dependendo do fato, há formas diferenciadas de abordagem, análise, divulgação e apuração. Essas variações refletem, do ponto de vista ético, processos mais corretos ou menos corretos, em função dos interesses da publicação. O jornalista pode, sob a justificativa do interesse público, por exemplo, se disfarçar e contar uma mentira para obter uma informação. Ele pode não achar correto mentir no dia a dia, mas acha naquele momento, pra obter determinado dado. É isso que eu chamo de moral provisória.
Então tudo é justificável em prol do interesse público?
Não, de modo algum. Mas eu não me coloco como um ditador ou julgador do limite entre o que é ou não justificável, acho que esse não é o meu papel. Esse conceito não pretende dizer como o jornalismo deve ser feito, e sim mostrar as suas práticas.
Qual a sua opinião a respeito dos escândalos envolvendo a News Corp.?
Esse é um exemplo flagrante do uso dessa moral provisória em um nível ainda mais dramático, pois, pelo que a gente vê no noticiário, todos os limites foram ultrapassados. Nós não estamos falando apenas de pessoas públicas, estamos falando de cidadãos que tiveram seus telefones grampeados, estamos falando do trabalho jornalístico atrapalhando o trabalho da investigação policial e levando uma angústia brutal a famílias de vítimas de atentados como o de 11 de setembro.
Você teme tentativas de maior controle legal e judicial sobre a atividade da imprensa diante desses acontecimentos?
Sim, graças à enorme irresponsabilidade do clã dos Murdoch. O que consola é que sem as liberdades de expressão e de imprensa, o jornal britânico Guardian não teria conseguido reerguer essa história e, assim, trazê-la à realidade. Em duas semanas, as ações da News Corp. baixaram, um jornal foi fechado, uma investigação parlamentar foi aberta, prisões foram feitas, um jornalista morreu, as responsabilidades estão sob investigação policial e o mundo acompanha online o caso, livremente. Devemos trabalhar para que a liberdade de imprensa perdure.
É possível estabelecer limites éticos claros sem cercear a atividade jornalística?
Sim, sem dúvida nenhuma. Um dos jornalismos mais acurados que existe é o praticado pela BBC, por exemplo. Ali não se usa câmera escondida e não se dá vazão a grampos criminosos.
O que muda nessa moral provisória com a mídia digital?
Quando eu falo de moral provisória, estou pensando naquele profissional que está tecnicamente capacitado a praticar o jornalismo. Inclusive ele tem uma defesa para os desvios éticos em função do que ele entende que seja uma moralidade pública do jornalismo. Quando você entra nas mídias digitais, a moralidade do técnico se mistura com a moral praticada pelo cidadão. Então há uma certa “vulgarização” da moral provisória. Para o bom jornalismo, tudo que se aplicava antes continua, não há grandes mudanças.
Vários veículos têm lançado cartilhas com normas para o uso das redes sociais por jornalistas e alguns chegam até a proibir a opinião nesses espaços. O que você acha dessa prática?
Esse é um fenômeno novo de tentativa de controlar os funcionários do ponto de vista da sua expressão. Nós temos que zelar para que as pessoas possam expressar suas opiniões. No entanto, o jornalista, como qualquer empregado, tem que seguir códigos de conduta que deixem claros os limites empresariais. Não dá pra ser ingênuo a ponto de achar que o jornalista não tem que se adaptar aos limites da empresa. Agora, esses limites também precisam estar pautados por normas éticas, não podem querer cercear a palavra.
A ética jornalística mudou a partir dos vazamentos feitos pelo Wikileaks?
Vazamentos sempre alimentaram o jornalismo, a internet apenas ampliou isso, como podemos ver com o Wikileaks. O que mudou é que agora nós temos concorrentes na nova mídia digital. Não somos mais os donos da informação e os únicos a manipular os vazamentos. Os desafios são concorrenciais, pois a internet tirou das empresas de comunicação o poder absoluto de mídia. A questão principal não é ética, mas concorrencial. Nós, jornalistas, não estamos vivendo com nada muito diferente do que já estávamos acostumados.
Enviado por: Caio Túlio Costa - Categoria(s): Blog, Destaque 3, Entrevistas
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17:33 - 20/07/2011 | O Clã dos Murdoch
Poder sem responsabilidade
Publicado originalmente no blog da MVL Comunicação e no site do Observatório da Imprensa, ambos em 20/07/2011
Caio Túlio Costa
Estive nesta terça-feira (19/7) no programa Entre Aspas, da Globo News. Rupert Murdoch acabara de comparecer ao Parlamento britânico para dar respostas aos deputados, na esteira das revelações lamacentas que envolvem métodos de investigação jornalística de seus jornais, o finado News of the World na berlinda.
Monica Waldvogel queria saber se Murdoch tinha se saído bem. Eu e Ricardo Gandour, do Estadão, nos propusemos a analisar o caso.
Tudo que veio à tona nos últimos dias extrapola, de longe, todo o pior que se pode esperar de um jornal comandado pelo clã dos Murdoch.
Keith Rupert Murdoch é figura conhecida dos críticos da mídia. Em 1981, por exemplo, saiu a primeira edição do livro “Power without Responsibility”, ou Poder sem Responsabilidade, de James Curran, cuja capa original mostra Murdoch espetando o globo terrestre. Repare: essa imagem tem 30 anos.
Há três décadas se discute os métodos do australiano que ganhou um jornal do pai na cidade de Adelaide e, desde os anos 50, expandiu os domínios construindo um império de comunicação na Europa e nos EUA.
A expressão cunhada por Curran – poder sem responsabilidade – define bem o tipo de jornalismo praticado pelos Murdoch , que vai da extrema direita (Fox News), passando por uma tentativa de aquisição de respeitabilidade (Wall Street Journal) e desaba nas cloacas inglesas (The Sun, News of The World) que exploram em especial a fofoca, as traições, as revelações íntimas de celebridades, o bas-fond da política.
Se as pesquisas de mercado mostram um vácuo de publicações no jornalismo conservador, Mudorch lança uma emissora de TV conservadora. Se há mercado para algo mais liberal, ele compra o Wall Street Journal. Se o público adora futrica, então é com ele mesmo, espalha tablóides por todos os cantos. Para conseguir a futrica, não importa que sejam necessários métodos que ele diz desconhecer, praticados por subordinados seus que se viram enganados pelos próprios subordinados – numa bem estruturada sequência de respostas ensaiada com a ajuda de seus advogados.
Ele tem muito poder com as suas publicações – daí ser recebido pela porta dos fundos no gabinete do primeiro-ministro britânico, outro poderoso bastante chamuscado com este caso.
Ou seja, Murdoch tem poder, não tem nenhuma responsabilidade. Nas duas acepções: a da responsabilidade direta nos grampos e a substantiva responsabilidade do publisher frente à acuidade ética na captação e divulgação da notícia, do que é notícia.
O filho Jaime – responsável pelas empresas do pai na Europa, eis aí mais um reforço do substantivo responsabilidade – estava ao seu lado no Parlamento. Não conseguiu explicar por que sua empresa continua pagando os advogados do detetive particular que o tablóide contratara e do jornalista igualmente grampeador. Se deplora o que foi feito, por que ainda sustenta a sua defesa? Não explicou.
Murdoch começou o depoimento de paletó é gravata, fez questão de interromper o filho para exclamar ser aquele o dia “mais humilhante” de sua vida, respondeu a todas as questões e, quase no final, levou uma “tortada” de creme de barbear lançada por um humorista desconhecido,
Marbles. Tirou o paletó, manchado de creme, e continuou seco e direto nas respostas. No final, Rupert Murdoch se saiu bem no Parlamento – há quem diga que esta batalha ele teria ganho.
O que chama atenção neste caso é a velocidade com a qual as notícias se espalharam mundo a fora, em especial no ambiente da internet. Foi no começo de julho que o jornal inglês The Guardian mostrou evidências de que as escutas telefônicas eram generalizadas no News of the World e que sua empresa-mãe pagara mais de 1 milhão de libras esterlinas para resolver os casos jurídicos ligados a esta prática.
Detalhe: o tal Jonnie Marbles, por exemplo, tinha mil seguidores no Twitter. Ganhou 14 mil na sequência da “tortada”, ação antecipada no microblog: “It is a far better thing that I do now than I have ever done before”. Algo como: “De longe, o que eu farei agora é a melhor coisa que jamais fiz”. Wendi Deng, a jovem esposa de Murdoch que saiu em sua defesa contra o agressor, acabou a noite de terça-feira listada nos trending topics (a lista dos assuntos ou de nomes em maior evidência) do Twitter, chamada de “ninja”, em alusão à sua origem asiática e a rapidez com que partiu pra cima de Marbles.
Cloaca aberta, responsabilidade maior negada, o que sobra disso tudo?
A preocupação é a de que a obsessão legisladora recrudesça em todo o mundo. Há uma idéia, generalizada, difusa, da necessidade de “controle”. No entanto, o Reino Unido deu uma lição ao mundo. Ali existe tanto a regulação unindo Estado e sociedade civil no Ofcom (o Office of Communications), quanto a autorregulação, via Press Complaints Commission (a comissão de queixas à imprensa), órgão criado e mantido pela própria imprensa. Ambas as instituições estão sendo criticadas por terem sido negligentes neste caso.
No entanto, atente para o fato de que foi um jornal, o Guardian, quem levantou o assunto de novo agora (ele existe desde 2002 quando a menina Milly Bowler foi assassinada e seu celular grampeado pelo jornal de Murdoch) e o colocou no pé que está.
Em duas semanas, as ações da News Corp baixaram, um jornal foi fechado, investigação parlamentar foi aberta, prisões foram feitas, um jornalista morreu, as responsabilidades estão sob investigação policial e o mundo acompanha online o caso, livremente.
Sem liberdade de expressão, sem liberdade de imprensa, sem concorrência, sem imprensa preocupada em incomodar os poderosos, não existiria nada disso. O toque macabro é que nada parece indicar que a imprensa que chafurda no esgoto esteja condenada – os outros tablóides passaram a vender mais depois do fechamento do News of the World.
Enviado por: Caio Túlio Costa - Categoria(s): Artigos, Blog, Destaque 2, Nova Mídia
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