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	<title>Caio Túlio Costa &#187; Nova Mídia</title>
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		<title>Poder sem responsabilidade</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jul 2011 19:33:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado originalmente no blog da MVL Comunicação e no site do Observatório da Imprensa, ambos em 20/07/2011
Caio Túlio Costa
Estive nesta terça-feira (19/7) no programa Entre Aspas, da Globo News. Rupert Murdoch acabara de comparecer ao Parlamento britânico para dar respostas aos deputados, na esteira das revelações lamacentas que envolvem métodos de investigação jornalística de seus jornais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado originalmente no blog da <a href="http://www.mvl.com.br/blog/poder-sem-responsabilidade/" target="_blank">MVL Comunicação</a> e no site do <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/poder-sem-responsabilidade" target="_blank">Observatório da Imprensa</a>, ambos em 20/07/2011</em></p>
<p><strong>Caio Túlio Costa<br />
</strong>Estive nesta terça-feira (19/7) no programa <a href="http://g1.globo.com/videos/globo-news/entre-aspas/v/jornalistas-brasileiros-analisam-o-escandalo-dos-tabloides-britanicos/1569957/#/Todos os Vídeos/page/1" target="_blank">Entre Aspas</a>, da Globo News. Rupert Murdoch acabara de comparecer ao Parlamento britânico para dar respostas aos deputados, na esteira das revelações lamacentas que envolvem métodos de investigação jornalística de seus jornais, o finado News of the World na berlinda.<br />
Monica Waldvogel queria saber se Murdoch tinha se saído bem. Eu e Ricardo Gandour, do Estadão, nos propusemos a analisar o caso.<br />
Tudo que veio à tona nos últimos dias extrapola, de longe, todo o pior que se pode esperar de um jornal comandado pelo clã dos Murdoch.<br />
Keith Rupert Murdoch é figura conhecida dos críticos da mídia. Em 1981, por exemplo, saiu a primeira edição do livro &#8220;Power without Responsibility&#8221;, ou Poder sem Responsabilidade, de James Curran, cuja capa original mostra Murdoch espetando o globo terrestre. Repare: essa imagem tem 30 anos.<br />
Há três décadas se discute os métodos do australiano que ganhou um jornal do pai na cidade de Adelaide e, desde os anos 50, expandiu os domínios construindo um império de comunicação na Europa e nos EUA.<br />
A expressão cunhada por Curran – poder sem responsabilidade &#8211; define bem o tipo de jornalismo praticado pelos Murdoch , que vai da extrema direita (Fox News), passando por uma tentativa de aquisição de respeitabilidade (Wall Street Journal) e desaba nas cloacas inglesas (The Sun, News of The World) que exploram em especial a fofoca, as traições, as revelações íntimas de celebridades, o <em>bas-fond</em> da política.<br />
Se as pesquisas de mercado mostram um vácuo de publicações no jornalismo conservador, Mudorch lança uma emissora de TV conservadora. Se há<span style="color: #800080;"> </span>mercado para algo mais liberal, ele compra o Wall Street Journal. Se o público adora futrica, então é com ele mesmo, espalha tablóides por<span style="color: #800080;"> </span>todos os cantos. Para conseguir a futrica, não importa que sejam necessários métodos que ele diz desconhecer, praticados por subordinados seus que se viram enganados pelos próprios subordinados – numa bem estruturada sequência de respostas ensaiada com a ajuda de seus advogados.<br />
Ele tem muito poder com as suas publicações – daí ser recebido pela porta dos fundos no gabinete do primeiro-ministro britânico, outro poderoso bastante chamuscado com este caso.<br />
Ou seja, Murdoch tem poder, não tem nenhuma responsabilidade. Nas duas acepções: a da responsabilidade direta nos grampos e a substantiva responsabilidade do publisher frente à acuidade ética na captação e divulgação da notícia, do que é notícia.<br />
O filho Jaime – responsável pelas empresas do pai na Europa, eis aí mais um reforço do substantivo responsabilidade – estava ao seu lado no Parlamento. Não conseguiu explicar por que sua empresa continua pagando os advogados do detetive particular que o tablóide contratara e do jornalista igualmente grampeador. Se deplora o que foi feito, por que ainda sustenta a sua defesa? Não explicou.<br />
Murdoch começou o depoimento de paletó é gravata, fez questão de interromper o filho para exclamar ser aquele o dia &#8220;mais humilhante&#8221; de sua vida, respondeu a todas as questões e, quase no final, levou uma &#8220;tortada&#8221; de creme de barbear lançada por um humorista desconhecido,<br />
Marbles. Tirou o paletó, manchado de creme, e continuou seco e direto nas respostas. No final, Rupert Murdoch se saiu bem no Parlamento – há quem diga que esta batalha ele teria ganho.<br />
O que chama atenção neste caso é a velocidade com a qual as notícias se espalharam mundo a fora, em especial no ambiente da internet. Foi no começo de julho que o jornal inglês The Guardian mostrou evidências de que as escutas telefônicas eram generalizadas no News of the World e que sua empresa-mãe pagara mais de 1 milhão de libras esterlinas para resolver os casos jurídicos ligados a esta prática.<br />
Detalhe: o tal Jonnie Marbles, por exemplo, tinha mil seguidores no Twitter. Ganhou 14 mil na sequência da &#8220;tortada&#8221;, ação antecipada no microblog: &#8220;It is a far better thing that I do now than I have ever done before&#8221;. Algo como: &#8220;De longe, o que eu farei agora é a melhor coisa que jamais fiz&#8221;. Wendi Deng, a jovem esposa de Murdoch que saiu em sua defesa contra o agressor, acabou a noite de terça-feira listada nos trending topics (a lista dos assuntos ou de nomes em maior evidência) do Twitter, chamada de &#8220;ninja&#8221;, em alusão à sua origem asiática e a rapidez com que partiu pra cima de Marbles.<br />
Cloaca aberta, responsabilidade maior negada, o que sobra disso tudo?<br />
A preocupação é a de que a obsessão legisladora recrudesça em todo o mundo. Há uma idéia, generalizada, difusa, da necessidade de &#8220;controle&#8221;. No entanto, o Reino Unido deu uma lição ao mundo. Ali existe tanto a regulação unindo Estado e sociedade civil no Ofcom (o Office of Communications), quanto a autorregulação, via Press Complaints Commission (a comissão de queixas à imprensa), órgão criado e mantido pela própria imprensa. Ambas as instituições estão sendo criticadas por terem sido negligentes neste caso.<br />
No entanto, atente para o fato de que foi um jornal, o Guardian, quem levantou o assunto de novo agora (ele existe desde 2002 quando a menina Milly Bowler foi assassinada e seu celular grampeado pelo jornal de Murdoch) e o colocou no pé que está.<br />
Em duas semanas, as ações da News Corp baixaram, um jornal foi fechado, investigação parlamentar foi aberta, prisões foram feitas, um jornalista morreu, as responsabilidades estão sob investigação policial e o mundo acompanha online o caso, livremente.<br />
Sem liberdade de expressão, sem liberdade de imprensa, sem concorrência, sem imprensa preocupada em incomodar os poderosos, não existiria nada disso. O toque macabro é que nada parece indicar que a imprensa que chafurda no esgoto esteja condenada – os outros tablóides passaram a vender mais depois do fechamento do News of the World.</p>
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		<title>O papel da internet na conquista dos votos de Marina Silva</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Apr 2011 13:03:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NA REVISTA INTERESSE NACIONAL (Ano 4, Número 13, abril-junho de 2011), págs. 59 a 75.
Caio Túlio Costa*
A internet tem potencial para mudar radicalmente o fazer político. No Brasil, isso começou a ficar mais claro em 2010 e a atuação de Marina Silva na internet representou o maior diferencial na campanha presidencial. Ferramenta imprescindível na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: small;"><span><em>PUBLICADO NA REVISTA INTERESSE NACIONAL (Ano 4, Número 13, abril-junho de 2011), págs. 59 a 75.</em></span></span></div>
<p><span style="font-size: small;"><span>Caio Túlio Costa*</span></span></p>
<p>A internet tem potencial para mudar radicalmente o fazer político. No Brasil, isso começou a ficar mais claro em 2010 e a atuação de Marina Silva na internet representou o maior diferencial na campanha presidencial. Ferramenta imprescindível na disseminação da causa do desenvolvimento sustentável, a internet teve papel estratégico na composição dos 19.636.359 votos do número 43, de Marina Silva, digitado nas urnas eletrônicas no primeiro turno. [<a href="http://ecorelease.files.wordpress.com/2011/04/paper-marina-silva-14042011.pdf">Clique aqui para baixar o PDF</a>]</p>
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		<title>Duas ou três coisas sobre o Google</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 19:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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O deslumbramento da mídia com a empresa mascara seu real negócio monopolista. A crise com a china só aumentou o fascínio 
Caio Túlio Costa*
O mundo se ajoelha frente ao Google. O conglomerado que lhe dá forma conquistou em 12 anos de vida um deslumbramento geral. O fascínio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PUBLICADO NA REVISTA ÉPOCA NEGÓCIOS DE JUNHO DE 2010 </p>
<p><em>O deslumbramento da mídia com a empresa mascara seu real negócio monopolista. A crise com a china só aumentou o fascínio </em></p>
<p><strong>Caio Túlio Costa</strong>*</p>
<p>O mundo se ajoelha frente ao Google. O conglomerado que lhe dá forma conquistou em 12 anos de vida um deslumbramento geral. O fascínio se ampliou com o recente embate entre o Google e o governo chinês. Este embevecimento é mais fácil de ser percebido nos meios de comunicação, tanto na mídia clássica (televisões, jornais, revistas, rádios) quanto nos veículos da nova mídia (portais, sites, blogs, posts, comentários). Como o maniqueísmo faz parte do DNA da mídia, ambas, a clássica e a nova, trafegam numa via de mão dupla: santificam ou demonizam. No caso do Google, ele caminha para a canonização em vida.</p>
<p>O público internauta que manipula seu mecanismo de busca ou suas ferramentas de rede social tem com ele uma relação utilitária. Usa-o sem necessitar refletir acerca de seu valor como farejador de dados, documentos, pessoas, imagens, vídeos&#8230; Procurou, achou. As autoridades, democráticas ou autoritárias, têm o Google sob estrita vigilância, por conta dos problemas ligados às invasões de privacidade, pedofilia, pornografia, grupos de ódio, em especial no YouTube e no Orkut – e mais ainda no Brasil, onde este último ganhou sua maior popularidade.</p>
<p>Mas o Google não é apenas o que aparenta ser. Certa feita, questionado sobre os pilares que norteiam o concorrente Yahoo – busca, personalização, comunidade, informação – e indagado sobre os pilares do Google, o seu homem forte comercial, Omid Kodestani, saiu-se com essa: “Nós dizemos que organizamos a informação em rede mundial. Bobagem! Nós somos é uma empresa de publicidade!”</p>
<p>Caiu a ficha? Quando você entra no Google e digita a palavra “carro”, receberá uma página de resultados com várias indicações sobre carros. Atente: o primeiro resultado pode ser um “link patrocinado” em fundo colorido, um anúncio em forma de texto. Do lado direito da página vão aparecer outros anúncios empilhados, todos em forma de texto e que remetem a carros: novos e usados, lançamentos da indústria automobilística e pequenos reclames antes cativos da indústria de classificados. Se você quiser vender seu automóvel e se dispuser a pagar algum dinheirinho para o Google, o seu anúncio pode aparecer ali do lado direito da página.</p>
<p>Esta descrição é banal para quem conhece o mecanismo. O que não é banal é o ganho do Google com esses pequenos anúncios desde que passou a vender palavras-chave na sua busca, em 1999. De uma empresa nascida sem modelo de negócio, acabou catapultada à liderança do mercado de propaganda. Arrebentou com o mercado tradicional de anúncios e praticamente criou um monopólio na busca em rede. Utilizou para tanto uma extraordinária inteligência no uso da força de trabalho (gratuita!) dos internautas. Eles o ajudam a confeccionar o mais poderoso banco de dados do planeta.</p>
<p>A coisa funciona mais ou menos assim: ao pressionar em qualquer resultado de uma busca, o endereço clicado vai para um banco de dados. Assim, de clique em clique, a empresa vai formando uma lista de endereços e contabilizando automaticamente quem aparece mais, ou seja, qual tem mais relevância, quantas vezes e em quantas páginas existe aquele mesmo endereço, quantos links existem nas páginas da internet direcionam para ele. Relevância é a palavra, o coração do mecanismo. Quanto mais cliques, quanto mais links apontam para um endereço, mais este endereço tem importância e mais em cima ele vai aparecer nos resultados da busca – porque ele é mais relevante.</p>
<p>O que os meninos do Google (Sergey Brin e Larry Page) conseguiram conceber, e milhares de engenheiros contratados por eles conseguiram aperfeiçoar, foram os algoritmos capazes de revelar essa relevância e devolver resultados pertinentes. Isso é aprimorado a cada dia. Ao mesmo tempo, uma espécie de robô bate de porta em porta nos sites da rede e indexa no banco de dados do Google, formado por milhares de servidores, todas as palavras de todas as páginas abertas na rede. Simples?</p>
<p>Não. Até aqui, ninguém, nenhuma companhia que tenha investido em busca conseguiu algoritmos tão poderosos. Desde seu nascimento, o Google foi deixando para trás empresas como Excite, Lycos, AltaVista, Inktomi, AskJeeves, Overture (a criadora da busca paga), Yahoo e até o mais recente Bing (da Microsoft). Algumas dessas marcas soam hoje pré-históricas para quem conhece a internet desde o seu nascedouro comercial, nos idos de 1995. Nada dizem (exceto Yahoo e Bing) para a geração de agora e para quem o Google é o mais natural mecanismo de busca que se possa imaginar.</p>
<p>A empresa não ultrapassou apenas os competidores na indústria dos motores de busca. Também deixou para trás monumentos empresariais. Dá um trabalho danado para as agências de publicidade, tritura o mercado de classificados dos jornais (olhe como diminuiu o peso do seu jornal de domingo), destrói concorrentes na nova mídia, como a America Online, e supera de longe, em valor de mercado, tiranossauros da mídia clássica como a Time Warner, a Disney ou a News Corporation – para ficar em três das maiores empresas de mídia do planeta.</p>
<p>O Google faturou US$ 23,6 bilhões de dólares no ano passado. Há expectativas, reforçadas por analistas de mercado, de ir além de US$ 36 bilhões em 2012. Cerca de 50% desse faturamento vêm dos pequenos anúncios, dos internautas que compram palavras-chave. 15% vêm da venda direta do Google, por telefone, junto às pequenas e médias empresas. 35% vêm dos grandes anunciantes (só aqui existe uma parte de anunciantes intermediados por agências de publicidade). A esmagadora maioria dos seus anúncios é vendida diretamente, sem intermediação. Ele é ao mesmo tempo o veículo e a agência. Percebe-se fácil o quanto de descontentamento isso deve gerar no mercado de agências de publicidade.</p>
<p>Comparado à Amazon, ao eBay e ao iTunes, o Google é quem melhor tira proveito da cauda longa, aquele fenômeno no qual se vendem muitos produtos de baixa procura porque estão agrupados num mesmo local e este local consegue arrebanhar compradores para tudo. Esses produtos teriam pouca venda se não existisse a comercialização em rede cuja escala a digitalização facilita.</p>
<p>O Google comercializa anúncios digitais em forma de texto. Vende-os tanto para grandes empresas que podem lhe pagar contratos anuais de milhões de dólares quanto para um blogueiro que pode lhe pagar míseros US$ 250 num único mês. Com isso, desbaratou a indústria tradicional de classificados e dá trabalho para a indústria da propaganda.</p>
<p>Compare o faturamento do Google, sempre crescente, com o faturamento das empresas de publicidade. Um dos maiores grupos desta indústria, o Omnicom, perdeu 12% de seu faturamento no último ano. Caiu de US$ 13,3 bilhões em 2008 para US$ 11,7 bilhões em 2009. Ou seja, um grupo solidamente estabelecido, composto de empresas, como a BBDO, fundada em 1928, fatura menos da metade do que o Google conseguiu em 12 anos. O grupo WPP, outro gigante, conseguiu aumentar seu faturamento em apenas 2,7% em 2009. O Google abriu 2010 crescendo em 24% sua receita trimestral contra o primeiro trimestre de 2009.</p>
<p>No caso das empresas de comunicação, compare a receita do Google com a da Time Warner, maior empresa de mídia do planeta em receita e ativos. Ela faturou US$ 44 bilhões em 2009, quase o dobro do Google. Mas o valor de mercado da Time Warner é de US$ 33 bilhões. Atenção: isto é cinco vezes menor do que o valor de mercado do Google: US$ 167 bilhões! Um ícone da velha mídia tem valor de mercado menor do que o seu faturamento. O ícone da nova mídia multiplica por sete o seu faturamento quando se fala no valor da empresa.</p>
<p>Portanto há razões de sobra para o embevecimento em relação ao Google. O auge da carência de criticidade em relação à companhia se deu com a recente crise com a China. Aos fatos.</p>
<p>Em 2002, o Google não tinha representação na China, estava na web, normalmente. Foi quando a China, no dia 4 de setembro, bloqueou o acesso ao Google pela primeira vez. Não houve anúncio oficial nem nada. Os internautas chineses ficaram duas semanas sem conseguir usar o google.com. As autoridades já estavam trabalhando no Grande Firewall da China, o equivalente da Muralha da China para a internet. Um mecanismo capaz de bloquear qualquer endereço na internet doméstica.</p>
<p>Em novembro de 2003, as autoridades chinesas lançaram o mecanismo e conseguiram eficiência no bloqueio dos conteúdos proibidos. Esta ferramenta estreou com a ajuda de uma força-tarefa de 30 mil policiais que passava dia e noite pesquisando e analisando todo o conteúdo na rede de cunho antigovernamental. Ou seja, os programas de busca não eram censurados, eram usados para encontrar material “subversivo”. Em decorrência, aí sim com a ajuda do Grande Firewall, bloquearam os sites que apareciam nos resultados e exibiam conteúdo “suspeito”.</p>
<p>Isto posto, e muito bem entendido, o Google deflagrou a sua estratégia para conquistar o maior mercado de internet do mundo. A China tem hoje 385 milhões de internautas, nada se compara a isso. Assim, em 16 de junho de 2004, o Google adquiriu participação minoritária na Baidu, o motor de busca líder em língua chinesa, sua cópia escancarada. Em setembro, o Google News não conseguiu fazer com que sites “problemáticos” do interior do país aparecessem nos seus resultados. O Google justificou a falha como “problema técnico”. Analistas de mercado não acreditaram. O Google teria se submetido à pressão de Pequim e se deixado censurar.</p>
<p>Em 25 de janeiro de 2006, a empresa lançou a versão em chinês de sua busca, google.cn. O mecanismo nasceu censurado, conforme determinações do governo chinês. Ou seja, para conquistar mercado, o Google aceitou a censura. Enfrentou, pela primeira vez, protestos em frente à sua sede, viu-se acusado de colaborar com um “regime nazista&#8221;. Um mês depois, foi criticado no Congresso americano por ceder às pressões da China. A empresa vendeu então sua participação no Baidu, mas seguiu firme com o plano de dominar o mercado chinês.</p>
<p>No entanto, em 2007, um ano após o lançamento da versão chinesa censurada, o Google não conseguiu obter boa posição e nem conseguiu reproduzir a mesma velocidade com que foi conquistando grandes fatias de mercado no ocidente. Conseguiu apenas 19% de participação contra 63% do Baidu. Então decidiu investir em outras companhias no país. Começou a trabalhar com China Mobile, a empresa estatal de telecomunicações, para oferecer conteúdo para telefones celulares.</p>
<p>Em janeiro de 2009, o Google e mais 18 empresas foram criticadas pelo governo chinês por não se esforçarem o suficiente para barrar pornografia na rede. Dois meses depois, em 24 de março, as autoridades bloquearam o acesso ao YouTube porque o site exibiu vídeo no qual a polícia chinesa batia em manifestantes no Tibete. O bloqueio durou quatro dias. No dia 19 de junho de 2009, as autoridades mandaram desativar algumas funções de busca no google.cn. A desculpa era que elas levavam a conteúdo pornográfico e ofensivo. Além disso, o serviço de e-mail do Google, o Gmail, permaneceu inacessível por mais de uma hora.</p>
<p>Em julho de 2009, o Google conseguiu exibir uma pequena vitória. Elevou sua participação no mercado de busca doméstico chinês a 30%, mas ainda metade dos 60% do líder Baidu. Na mesma época, teria sofrido ataques vindos da China, mas sem revelá-los.</p>
<p>A situação se deteriorou rapidamente. Em 12 de janeiro de 2010, o Google tomou coragem e anunciou ter sido vítima de um ataque cibernético “altamente sofisticado e direcionado”, originário da China. O ataque visava contas de e-mail de chineses defensores dos direitos humanos. O Google anunciou “revisão” de suas operações no país, e disse “não estar mais disposto” a continuar a censurar os seus resultados. Sugeriu que isso poderia significar o fim de seus negócios no país. O governo chinês respondeu que a alegação era “infundada”.</p>
<p>Em 4 de fevereiro, três semanas após o grave anúncio, o Google anunciou ter feito &#8220;zero mudanças&#8221; na busca chinesa e que estariam sendo positivas suas discussões com Pequim. Em 12 de março, Li Yizhong, ministro da indústria e tecnologia da informação, disse que o Google estaria sendo “hostil e irresponsável”. Após dois meses de negociações, os chineses deixaram escapar a notícia de que o google.cn poderia ser fechado.</p>
<p>Em 22 de março, o Google anunciou ter transferido suas operações de Pequim para Hong-Kong, onde não se aplicariam as regras de censura. Nascia naquele momento o grande defensor da liberdade de expressão. Manifestações do governo americano exibiram-no como “exemplo para empresas e governos”. Hillary Clinton, secretária de Estado, declarou: “Esperamos que as autoridades chinesas revejam sua posição sobre as intrusões que levaram o Google a tomar a atitude que tomou”.</p>
<p>Timothy Garton Ash, cientista político e professor de Oxford, resumiu o sentimento esparramado na velha e na nova mídia: “A batalha do Google contra a China é uma história que define nossa época”. Falou da oposição entre um leão e um crocodilo: “o poder brando do Google contra o duro poder territorial do estado chinês”.</p>
<p>Nada indica que as razões do Google sejam tão moralmente defensáveis quanto parece. Para adentrar o mercado chinês, repare bem, o Google aceitou proativamente as imposições autoritárias de Pequim. Aceitou e se calou. Sua disposição para a briga cresceu na exata proporção em que sua participação de mercado não cresceu como ele queria. Imaginava conseguir capturar o poderio do Baidu, dominar o mercado como consegue fazer onde está – com exceção do Japão, onde o Yahoo é o líder, em parceria com o japonês SoftBank.</p>
<p>Nos derradeiros seis meses nos quais ainda estava baseado em Pequim, o Google vinha mostrando dificuldade em crescer. Conforme as estatísticas visíveis no Alexa, um mecanismo do próprio Google que monitora a audiência mundial na internet, o Google conseguiu crescer 48% contra 53% do Baidu. Parece muito, mas ele não conseguia “comer” a participação do Baidu. Crescia em cima dos outros concorrentes como Yahoo China, Sogou, Zhong Sou, SoSo ou NetEase Yudao. Em pouco tempo estagnaria.</p>
<p>As receitas totais de busca na China (conforme projeção possível a partir de dados trimestrais de do primeiro semestre de 2009 divulgados no site especializado eMarketer), podem ter alcançado algo equivalente a US$ 1,3 bilhão no último ano. O Baidu abocanhou 60% disso (US$ 771 milhões) e o Google US$ 385 milhões – e isso é pouco num mercado daquele porte.</p>
<p>Ou seja, não se pode desconectar a retirada da China da questão econômica. A maior empresa de publicidade do mundo abre mão de seus compromissos éticos e tolera a censura quando interessa abocanhar um mercado gigante. Não é detalhe: durante quatro anos o Google aceitou a censura, caladinho. Baixou a cabeça para tentar fazer o negócio dar certo. Não deu. Então convoquem a liberdade de expressão. Comigo não, violão!</p>
<p>*<strong>Caio Túlio Costa</strong> é jornalista, professor de jornalismo e consultor de novas mídias.</p>
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		<title>Sobre o diploma de jornalismo</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 14:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caio Túlio Costa
Quero registrar considerações a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal (em 17/06/2009) de derrubar a exigência de diploma de jornalista para o exercício da profissão.
1. O estudo universitário, a formação acadêmica, é fundamental para qualquer um exercer a profissão de jornalista.
2. Para ser bom jornalista ninguém precisa de diploma específico fornecido pela escola de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Caio Túlio Costa<br />
</strong>Quero registrar considerações a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal (em 17/06/2009) de derrubar a exigência de diploma de jornalista para o exercício da profissão.<br />
1. O estudo universitário, a formação acadêmica, é fundamental para qualquer um exercer a profissão de jornalista.<br />
2. Para ser bom jornalista ninguém precisa de diploma específico fornecido pela escola de jornalismo. Por conta da maneira precária como se estruturou a maioria crescente e galopante dos cursos de jornalismo no Brasil, eles não conseguem dar conta das quatro habilidades imprescindíveis para o ofício, além da vocação:<br />
  a. sólida formação humanística,<br />
  b. sólida formação em filosofia moral,<br />
  c. distanciamento crítico e<br />
  d. domínio da técnica.<br />
3. A formação nas escolas de jornalismo, em geral, é tão insuficiente que muitas empresas de comunicação criaram cursos de treinamento para trazer os recém-formados às necessidades da profissão. Em São Paulo, por exemplo, Abril, <em>Estadão</em> e <em>Folha</em> mantêm programas de treinamento.<br />
4. É importante dizer que existem boas escolas. Eu me formei numa delas, ECA-USP (mas fui cursar filosofia porque senti falta de uma formação mais específica). Dei aula em outra muito boa, a PUC-SP. Dou aula em outra escola também excelente, a Cásper Líbero. Há exceções. Condeno aquelas escolas que formam jornalistas a rodo, todos os que chegam ao mercado incapacitados não só de escrever, mas de ler.<br />
5. A não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão pode ser benéfica. As escolas terão que rever seus cursos para formar melhor os profissionais, fazê-los disputados pelo mercado de comunicação. (Este, a propósito, enfrenta uma profunda mudança, uma revolução no que toca às conquistas da tecnologia e da multidirecionalidade da comunicação, da inclusão de novos atores com poder de mídia, da revisão de modelos de negócio em decadência e do aparecimento de novos modelos – como o da própria internet, o da comunicação sem fio e o que mais vier no rastro das transformações que exigem cada vez mais profissionais bem formados, críticos, eticamente capacitados e com perfeito domínio das ferramentas de trabalho.)<br />
6. Se alguém tem vocação para o jornalismo, poderá exercer a profissão com competência se vier bem formado em qualquer área do saber – seja mais genérica seja mais específica. Um egresso de letras terá melhor domínio da linguagem que um formado em jornalismo; quem vem da economia terá melhor domínio da questão econômica que um formado em jornalismo; um engenheiro de produção terá mais condições de tratar da logística de uma edição, dos fatos que requerem conhecimento de matemática e de processos do que um formado em jornalismo; um advogado seguramente não confundirá mandado com mandato e não escreverá que juiz dá “parecer”&#8230;<br />
7. Para os que defendem a necessidade de formação específica em jornalismo (edição, ética, tratamento dos fatos, técnica jornalística&#8230;), há a possibilidade cada vez mais próxima de que se possa adotar no Brasil uma espécie de curso de educação seqüencial no qual o egresso de qualquer curso universitário possa se especializar em jornalismo. Sem falar nos já existentes cursos de pós-graduação, tanto lato senso quanto stricto senso. As escolas podem desde já planejar cursos de jornalismo no nível da pós-graduação. Estes cursos deverão estar baseados no estudo da filosofia moral e das técnicas da profissão.<br />
8. As técnicas da profissão também podem ser aprendidas nos cursos específicos providos por empresas de comunicação. Ou então aprendidas na prática – como sempre foi e era antes de o governo militar tornar obrigatório o diploma para o exercício da profissão e, com isso, ter incentivado a proliferação de inúmeras escolas de jornalismo que acabaram se enrolando num insuficiente bê-á-bá de introduções, na má formação de profissionais e na criação da uma vergonhosa indústria de diploma de jornalismo.<br />
9. Quanto às boas escolas de jornalismo, não há o que temer. Elas se fortalecerão.<br />
10. Em tempo: a obrigatoriedade do diploma é contestada desde o início dos anos 80. A <em>Folha de S. Paulo</em>, de certa forma, liderou este movimento. Vários de seus profissionais defenderam em público a não exigência do diploma. Há um artigo importante de Boris Casoy, então editor responsável da <em>Folha</em>, publicado em <em>Veja</em>. Eu era secretário de redação da <em>Folha</em>, escrevi artigo contra a obrigatoriedade publicado no próprio jornal e defendi a idéia em encontros com jornalistas em várias cidades do país.</p>
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		<title>Sem internet, Obama perderia a eleição</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 20:10:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dona de um dos blogs mais lidos dos EUA fala da força da web na eleição
A grega Arianna Huffington mostrou no congresso da Web 2.0, realizado em São Francisco, Califórnia, de 5 a 7 de novembro de 2008, porque tem um dos blogs mais influentes da política americana.
No painel Web e Política, no congresso de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_513" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-513" title="obamaelection" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/obamaelection-300x249.jpg" alt="Arianna Huffington e Gavin Newsom, durante o Web 2.0 Summit " width="300" height="249" /><p class="wp-caption-text">Arianna Huffington e Gavin Newsom, durante o Web 2.0 Summit </p></div>
<p>Dona de um dos blogs mais lidos dos EUA fala da força da web na eleição</p>
<p>A grega Arianna Huffington mostrou no congresso da Web 2.0, realizado em São Francisco, Califórnia, de 5 a 7 de novembro de 2008, porque tem um dos blogs mais influentes da política americana.</p>
<p>No painel Web e Política, no congresso de cúpula da Web 2.0, Arianna Huffington, dona de um dos mais influentes blogs e sites sobre política, o <a href="http://www.huffingtonpost.com/" target="_blank">Huffington Post</a>, afirmou que sem a internet Barack Obama não teria sido eleito.</p>
<p>Para Arianna, a internet matou a velha política de Karl Rove &#8211; o responsável pelas campanhas eleitorais de McCain e George W. Bush.</p>
<p>Sua fala poderia também ser traduzida assim: a internet matou os marqueteiros tradicionais de campanha eleitoral.</p>
<p>“A campanha de McCain não tinha a menor idéia de como usar a internet”, afirmou ela. Foi além: “O problema da campanha republicana não era que o candidato era velho, mas que suas idéias eram velhas”.</p>
<p>A escritora e jornalista frisou que seis milhões de pessoas assistiram os 37 minutos do discurso do presidente-eleito dos Estados Unidos pela internet.</p>
<p>Joe Trippi, assessor de campanhas políticas, participante do mesmo painel, lembrou que Obama conseguiu que as pessoas assistissem via internet o total de 14,5 milhões de horas de seus vídeos de campanha. Isso equivaleria a US$ 45 milhões na aquisição de espaço na TV americana.</p>
<p>Outra conseqüência do impressionante impacto da internet nas eleições norte-americanas é a diminuição da dependência dos políticos em relação aos partidos tradicionais – principalmente dos dois que praticamente dividem os americanos, o partido Republicano e o Democrata.</p>
<p>O jornalista John Heileman, moderador do debate, aposta que o presidente eleito pode usar a rede de apoiadores que conseguiu montar pela internet para governar com mais independência inclusive em relação ao seu próprio partido Democrata.</p>
<p>Gavin Newsom, prefeito de São Francisco e quarto participante do painel, se disse obcecado pelo <a href="http://pt-br.facebook.com/" target="_blank">Facebook </a>(rede social similar ao <a href="http://www.orkut.com/" target="_blank">Orkut</a>). Ele tem 11 mil “amigos” no site.</p>
<p>Para Newson, hoje um político precisa ter muito cuidado com o que fala em público, pois tudo está sendo registrado pelas próprias pessoas. “Uma vez que está na Internet, fica lá para sempre.”</p>
<p>Trippi, com experiência em várias campanhas, reconhece que as ferramentas da internet evoluíram muito nos últimos anos. “Há quatro anos, não tínhamos nem Google Maps.” Arcescentou: “Nesta campanha era possível organizar grupos de apoiadores até pelo CEP deles.”</p>
<p>Tudo muito distante e muito além da política brasileira – que ainda proíbe políticos de terem qualquer coisa além de uma única página na internet em tempos de eleição.</p>
<p><strong>Quem é Arianna</strong></p>
<p>Arianna Huffington – forte sotaque grego, cabelos loiros de raiz escura com reflexo dourado, brincos grandes que parecem bijouteria de acrílico, colar de prata, casaqueto creme justo, camisa e pantalonas pretas, botas – era uma das presenças mais aguardadas no congresso de cúpula da Web 2.0.</p>
<p>Arianna é uma mulher grega.</p>
<p>Mulher grega no sentido geográfico, não no sentido metafísico. Porque na velha Grécia as gregas não falavam em público e de forma desabusada como ela fala hoje.</p>
<p>As mulheres gregas orientavam os maridos sem aparecer.</p>
<p>Arianna não orienta mais o marido rico e famoso com o qual se casou e lhe deu o sobrenome, porque se separou dele.</p>
<p>Ela orienta os americanos. Em público. Via internet.</p>
<p>Com seu blog, Arianna impulsiona a política americana democrata, ou o que se pode chamar aqui de política “de esquerda” – no Brasil seria algo próximo da política tucana.</p>
<p>Nasceu Ariánna Stassinópulos, em 1950, em Atenas. Completou 58 anos em julho passado.</p>
<p>Estudou economia na Inglaterra.</p>
<p>Em Londres, morou com um jornalista de televisão (Bernard Levin) o qual conheceu enquanto participante de um show de televisão, mas largou-o logo.</p>
<p>Mudou-se para Nova York em 1980.</p>
<p>Na América, envolveu-se com grupos religiosos e com políticos democratas.</p>
<p>Conheceu o milionário americano Michael Huffington e com ele se casou em 1986. Ele lhe deu o sobrenome que a tornou vitoriosa nos Estados Unidos.</p>
<p>Morou em Washington, onde trabalhou para o governo.</p>
<p>Mudou-se para a Califórnia, onde está até hoje.</p>
<p>O marido, milionário e conservador, elegeu-se deputado pelo Partido Republicano e depois perdeu a eleição para o Senado.</p>
<p>Ela se divorciou de Michael em 1997 – logo depois o marido revelou sua bissexualidade.</p>
<p>Na Wikipedia se diz que ela sabia das preferências sexuais do marido e que o contrato de divórcio lhe garante uma boa saúde financeira. Em todo caso, ela optou por conservar o sobrenome que lhe deu fama.</p>
<p>Ela é autora de 12 livros (como uma biografia de Maria Callas – obra pela qual foi acusada de plágio e depois inocentada), colunista (na National Review, por exemplo) e aclamada escritora de séries de TV.</p>
<p>Seu maior sucesso, no entanto, é o site <a href="http://www.huffingtonpost.com/">The Huffington Post</a>. Ali ela escreve diariamente e convida escritores de renome (renome aqui nos EUA, é bom frisar) para escreverem blogs.</p>
<p>Arianna Huffington é uma das presenças inquestionáveis e obrigatórias na web americana de hoje. Em 2006 a revista Time incluiu-a na lista das cem personalidades mais influentes do mundo.</p>
<p>No seu post de sexta-feira, 7 de novembro, no entanto, ela está bastante comportada.</p>
<p>Afirma que, além de Barack Obama, existe um segundo grande vencedor da eleição americana: a democracia. Porque 133 milhões de americanos foram às urnas, 11 milhões a mais do que em 2004.</p>
<p><em>Texto produzido em conjunto com Caique Severo e publicado no iG Tecnologia em 07/11/2008</em></p>
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		<title>Abertura do Web 2.0 se faz sob o signo da mudança</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 20:03:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Conversa com Larry Brilliant, do Google.org, abre o encontro sobre Web 2.0 de 2008 em São Francisco
Sob o signo de que se pode acreditar em mudança (“Change, we can believe in”) abriu-se na tarde de quarta-feira a quinta edição do Web 2.0 Summit, em São Francisco, Califórnia.
O convidado para o primeiro papo com Tim O&#8217;Reilly [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conversa com Larry Brilliant, do Google.org, abre o encontro sobre Web 2.0 de 2008 em São Francisco</p>
<p>Sob o signo de que se pode acreditar em mudança (“Change, we can believe in”) abriu-se na tarde de quarta-feira a quinta edição do <a href="http://en.oreilly.com/web2008/public/content/home" target="_blank">Web 2.0 Summit</a>, em São Francisco, Califórnia.</p>
<p>O convidado para o primeiro papo com Tim O&#8217;Reilly e John Battelle, os organizadores do encontro, foi o Dr. Larry Brilliant, diretor executivo do <a href="http://www.google.org/" target="_blank">Google.org.</a></p>
<p>Brilliant explicou que a idéia de montar uma iniciativa filantrópica no Google surgiu antes mesmo do IPO (quando a empresa colocou suas ações na bolsa de valores nos EUA). O <a href="http://www.google.org/" target="_blank">Google.org</a> é financiado com 1% de todos os lucros do <a href="http://www.google.com.br/" target="_blank">Google</a>, além de 1% do tempo dos funcionários da empresa. Segundo ele, não é uma atividade que incomoda os investidores da empresa. A atitude que empresa tomou, em suas palavras, foi “se você não concorda com esse modelo, não compre nossas ações.”</p>
<p>Segundo Brilliant, o objetivo do <a href="http://www.google.org/" target="_blank">Google.org</a> é (simplesmente&#8230;) ajudar a resolver os principais problemas do mundo. A instituição utiliza um processo típico de investidores de risco, selecionando idéias a partir de um conjunto inicial de centenas de propostas. Para estar entre os finalistas, o problema que solução proposta pretende resolver deve ser grande e as soluções, escaláveis.</p>
<p>Até agora a empresa conseguiu definir três iniciativas principais, investindo US$ 100 milhões. A primeira delas se chama Informar e Dar poder, que tem o objetivo de melhorar os serviços públicos e aumentar a capacidade da população de exigir serviços públicos melhores, como a qualidade das escolas e da água.</p>
<p>A segunda linha de atuação é Prever e Prevenir, que significa ajudar a desenvolver a capacidade de identificar e agir antes contra ameaças globais, como epidemias. Uma das ações envolve usar dados online sobre doenças de diversas fontes, como sites de jornais e cruzar essas informações com ferramentas do Google, como o <a href="http://maps.google.com/" target="_blank">Google Maps</a>. “Queremos usar a tecnologia como antídoto contra doenças emergentes”, explica o executivo.</p>
<p>A terceira área de interesse é a de desenvolvimento de energia renovável mais barata que o carvão. Nesse caso, a empresa se dedica a investir em empresas que possam inventar e dar escala econômica para tecnologias que possam substituir ou diminuir a dependência atual de combustíveis que geram aquecimento global. Até agora, o<a href="http://www.google.org/" target="_blank"> Google.org</a> já investiu em duas empresas de geração de energia solar.</p>
<p><em>Texto produzido em conunto com Caique Severo e publicado no iG Tecnologia em 05/11/2008</em></p>
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		<title>Ainda o &#8220;seu&#8221; Frias</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 19:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Caio Túlio Costa relembra lições ensinadas por Octavio Frias
Dia 29 de maio de 2008 faz um mês da morte de Octavio Frias de Oliveira, “o homem mais inteligente que eu conheço”, como me disse várias vezes o jornalista Cláudio Abramo. Existem ainda mais episódios que você merece saber para aprender um pedacinho do muito que aprendi [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_408" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-408" title="mostra_imagemphp1" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/mostra_imagemphp1-300x248.jpg" alt="Octavio Frias de Oliveira, proprietário do grupo Folha, que faleceu em abril" width="300" height="248" /><p class="wp-caption-text">Octavio Frias de Oliveira, proprietário do grupo Folha, que faleceu em abril</p></div>
<p><strong>Caio Túlio Costa relembra lições ensinadas por Octavio Frias</strong></p>
<p>Dia 29 de maio de 2008 faz um mês da morte de Octavio Frias de Oliveira, “o homem mais inteligente que eu conheço”, como me disse várias vezes o jornalista Cláudio Abramo. Existem ainda mais episódios que você merece saber para aprender um pedacinho do muito que aprendi nos doze anos em que estive em contato direto com ele, um dos poucos visionários da velha mídia que abraçaram com gosto a nova mídia.</p>
<p>Quando aceitei a incumbência de criar a <em>Revista da Folha</em>, eu soube que deveria cuidar também da área industrial e, principalmente, da área comercial, além da redação. A revista teria de sobreviver apenas com a receita de publicidade. O “seu” Frias decidiu então me dar aulas semanais de venda toda sexta-feira, depois do almoço.</p>
<p>Na primeira aula ele pediu para eu contar como havia feito a venda de uma página de publicidade publicada na revista. Eu relatei as dificuldades que tivera na conversa com o anunciante para explicar que a revista seria boa mesmo impressa em papel jornal, coisa que o anunciante não gostava, achava feio, de baixa qualidade, incomparável com o papel de melhor qualidade comum às revistas. Falei de meu esforço em explicar o quanto era útil uma revista encartada em jornal e expliquei o quanto o anunciante estava enganado em relação ao modelo de revista que tinha em mente. “Seu” Frias escutou atentamente, me fez repetir alguns diálogos e concluiu:</p>
<p>“Você conseguiu vender. Das próximas vezes não será assim fácil porque se continuar querendo vender anúncio e ter razão ao mesmo tempo não dará certo. Da próxima vez, deixe a razão com o cliente e fique com o dinheiro. Com as duas coisas você não pode ficar&#8230;”</p>
<p>Na segunda aula, outra lição: nunca alongar o assunto da venda depois de consumada a transação:</p>
<p>“Fechou o pedido, tranque a pasta e vá embora. Não explique mais, não mostre vantagens que você por acaso se esqueceu de dizer. O risco de o comprador se arrepender enquanto você fala é muito grande. O melhor a fazer é mudar de assunto, ou ir embora”.</p>
<p>Na terceira, aprendi a planejar; na quarta, aprendi a ser direto; na quinta a ser pragmático&#8230; Fui aprendendo e continuei a aprender. O principal resultado estava ali, na forma de uma atenção única para um jornalista que começava a se transformar num executivo e se metia na área da publicidade sem a menor experiência no ramo.</p>
<p>E, por falar em jornalista, houve intermináveis momentos em que o “seu” Frias foi muito mais jornalista do que toda a redação somada. Quando fui secretário de redação da Folha, nos anos oitenta, tinha obrigação de “fechar” o jornal às 22h30 e quase nunca o conseguia. Na véspera da posse de Tancredo Neves na presidência da República, a redação conseguiu fechar o jornal às 22h32. Neste preciso instante, o do envio da última chamada de capa para as oficinas, “seu” Frias me ligou e deu-se o seguinte diálogo:</p>
<p>“Caio, já fechou?”</p>
<p>“Sim, fechamos com dois minutos de atraso”, respondi feliz, no aguardo de um belo elogio.</p>
<p>“Pois ligue para a oficina e mande segurar a rodagem. Não deixe imprimir nenhum exemplar. Não haverá posse. O Tancredo vai ser operado. Mude já a primeira página para não atrasar a edição”.</p>
<p>“Seu Frias, o senhor está em sua casa?”</p>
<p>“Claro que estou, mas trate de cuidar disso e&#8230;”</p>
<p>“Eu ligo para o senhor em seguida” – disse isso e desliguei. Pensei tratar-se de um trote do Boris Casoy, o editor-chefe do jornal e insuperável imitador de vozes. Liguei de volta para a casa do “seu” Frias e era ele mesmo na linha. Peguei os detalhes que a televisão e as rádios só iriam dar dali uns vinte minutos e que permitiram a mudança imediata da capa do jornal. O “seu” Frias conseguira a informação antes de todo mundo. Como conseguiu também a notícia de que o mesmo Tancredo tivera um tumor enquanto todos os jornalistas juravam por todos os médicos e deuses que era diverticulite. Teve a coragem de bancar a cobertura do caso Tancredo com informações absolutamente contrárias a toda mídia, porque tinha a melhor fonte.</p>
<p>E, ainda por falar em jornalista, ele teve também a enorme coragem em publicar, em 1987, o material de Janio de Freitas provando que os resultados da concorrência para a construção da ferrovia Norte-Sul, no governo Sarney, estavam previamente acertados entre as empreiteiras&#8230; Um executivo profissional talvez hesitasse nessa hora.</p>
<p>Muitas outras façanhas eu vi e não cabem mais aqui, como no dia em que levei a maior carraspana de toda a minha vida profissional – até agora. Se você quiser saber qual foi, dê uma olhada no capítulo sobre o caso Cabral no livro no qual conto a minha experiência como primeiro ombudsman da Folha. Foi a única vez que eu achei que a figura do ombudsman poderia acabar na Folha. Não acabou graças à firmeza do “seu” Frias e, cá entre nós, também por conta de um conselho que ele havia me dado fazia tempo: “Teima, mas não aposta”.</p>
<p><em>*Caio Túlio Costa é jornalista, presidente do Internet Group, que reúne o iG, o iBest e o BrTurbo. Publicado originalmente no semanário Meio &amp; Mensagem, edição de 14/5/07, pág. 10.</em></p>
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		<title>Boas novas da América</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 20:11:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque 3]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto publicado no Meio &#38; Mensagem de 17/11/2008
Web 2.0 Summit mostra ganhos de audiência e traz notícias positivas sobre propaganda online
As redes sociais, as vedetes da web 2.0, crescem em audiência de forma exponencial. Também crescem em importância estratégica e ajudam a construir valor. Suplantam endereços tradicionais e ganham audiência em cima deles.
Em consumo de minutos globais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_852" class="wp-caption alignleft" style="width: 342px"><a href="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/grafico2.jpg"><img class="size-full wp-image-852" title="grafico2" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/grafico2.jpg" alt="grafico2" width="332" height="269" /></a><p class="wp-caption-text">Gráfico produzido pela Morgan Stanley</p></div>
<p>Texto publicado no <em>Meio &amp; Mensagem</em> de 17/11/2008</p>
<p><em>Web 2.0 Summit mostra ganhos de audiência e traz notícias positivas sobre propaganda online</em></p>
<p>As redes sociais, as vedetes da web 2.0, crescem em audiência de forma exponencial. Também crescem em importância estratégica e ajudam a construir valor. Suplantam endereços tradicionais e ganham audiência em cima deles.</p>
<p>Em consumo de minutos globais, por exemplo, a MSN perdeu três pontos percentuais e o Yahoo caiu dois pontos entre 2006 e 2008. No mesmo tempo, o YouTube ganhou três pontos, idem para o Facebook. Ambos formam redes sociais. Os dados vêm de pesquisa da ComScore.</p>
<p>A quinta edição do encontro anual de cúpula do setor, o Web 2.0 Summit, que acontece anualmente em São Francisco, Califórnia, deixou claro que a indústria da internet ainda tem muito a crescer com conteúdos participativos – em especial em celulares e mais especialmente ainda nos iPhones – mas agora tem pouco a acrescentar em termos criativos.</p>
<p>Outra boa notícia, dada por Mary Meeker, a principal analista de internet dos EUA, do Morgan Stanley, foi a de que apesar da queda nos crescimento trimestral dos investimentos em publicidade (tanto geral quanto na internet), o mercado não vive de forma alguma a bolha que viveu em 200 e 2001 e, portanto, os investimentos em publicidade online não deverão despencar na atual crise como despencaram depois da bolha.</p>
<p>Se nos anos anteriores as estrelas eram os aplicativos interativos – como Facebook, que dominou o encontro no ano passado –, este ano as estrelas foram conteúdos recheados de participação.</p>
<p>Como o GoodGuide, um site que nasceu inspirado pela filha de seu fundador. Ela usou um produto com ingredientes nocivos e lhe deu a idéia de criar um site para ajudar as pessoas – com base na análise científica de especialistas – a achar via internet produtos seguros e saudáveis, social e ambientalmente responsáveis.</p>
<p>Ou como um dos blogs políticos de notícias e vídeos mais respeitados dos EUA, o huffingtonpost.com, animado pela grega Arianna Huffington, uma das atrações mais aplaudidas – a mais ovacionada mesmo foi a participação de Al Gore, que repetiu banalidades como “a internet democratiza a informação”.</p>
<p>Arianna Huffington, no entanto, deu o toque relevante da ocasião: sem a internet, Barack Obama não teria ganho a eleição americana. A atmosfera do evento, que começou no dia seguinte à vitória de Obama, exalava expectativas. A palavra de ordem era “mudança”.</p>
<p>Tanto que os organizadores se preocuparam muito mais com as mudanças necessárias para que o mundo resolva os problemas chamados de NP-Hard, ou seja, os mais graves entre os mais graves problemas. (NP quer dizer “Non-deterministic Polynomial-time”, conforme classificação da teoria da computação que investiga problemas relacionados com o amontoado de recursos exigidos para a confecção de alguma tarefa pelo computador.)</p>
<p>O Google, por exemplo, dedica 1% de seus lucros para iniciativas filantrópicas, a maioria delas dedicada a problemas NP-Hard. Os US$ 100 milhões investidos até agora pelo Google em campanhas sociais foram dedicados a procurar melhorar os serviços públicos e aumentar a capacidade da população de exigir serviços governamentais melhores, como a qualidade das escolas e da água; a um programa que ajuda a desenvolver a capacidade de identificar e agir antes contra ameaças globais, como epidemias e a um projeto de desenvolvimento de energia renovável mais barata que o carvão.</p>
<p>E o que vem pela frente? É a web 3.0 – da qual muito se fala, mas pouco se esclarece. Kevin Kelly, fundador da revista Wired, seu ex-editor, foi quem ficou coma tarefa de debulhar o conceito. Naquele dia, fazia exatamente 6.527 dias que o protocolo da internet fora inventado, quando se deu o primeiro grande passo: o compartilhamento de computadores.</p>
<p>O segundo passo veio com o compartilhamento de links, de páginas, de documentos.</p>
<p>O terceiro passo será o da web 3.0, o momento do compartilhamento total de dados.</p>
<p>A web 3.0 define a internet como o mais poderoso dos bancos de dados, quando todos os dados de cada página poderão ser compartilhados, pesquisados, revistos, reescritos, recuperados, remexidos e remixados indefinidamente.</p>
<p>Para Kevin Kelly, tudo que usa energia fará parte da rede.</p>
<p>Isso afetará a economia que terá uma espécie de coração financeiro único, batendo no mesmo ritmo. As conseqüências de se estar desconectado se tornarão cada vez mais graves.</p>
<p>&#8220;Nós começamos compartilhando computadores, depois compartilhamos links e agora vamos compartilhar dados&#8221;, disse Kevin. &#8220;A web será dona de todos os bits&#8221;.</p>
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		<title>O protagonismo na internet</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 20:06:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Livro de Juliano Spyer (lançado em 06/09/2007) discute a web 2.0 com propriedade
Uma bela defesa da web 2.0 está à venda nas livrarias. Foi escrito por um brasileiro nascido em 1971, Juliano Spyer, e se chama Conectado – O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela (Jorge Zahar Editor, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_510" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-510" title="conectado" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/conectado-300x248.jpg" alt="A capa do livro de Juliano Spyder, que aborda pontos relevantes da web 2.0" width="300" height="248" /><p class="wp-caption-text">A capa do livro de Juliano Spyder, que aborda pontos relevantes da web 2.0</p></div>
<p>Livro de Juliano Spyer (lançado em 06/09/2007) discute a web 2.0 com propriedade</p>
<p>Uma bela defesa da web 2.0 está à venda nas livrarias. Foi escrito por um brasileiro nascido em 1971, Juliano Spyer, e se chama Conectado – O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela (Jorge Zahar Editor, R$ 39,90).</p>
<p>Juliano me convidou para prefaciar o livro. Divido com vocês alguns trechos do texto sobre uma obra de méritos inegáveis. Um deles foi entender a importância do bate-papo na internet, embrião da mídia social, das comunidades que agora fazem o maior sucesso na rede. Outro mérito é o de explicar o quanto os provedores não deram importância, logo no início da internet comercial, para uma plataforma que era muito mais do que a possibilidade de colocar duas pessoas falando juntas sobre qualquer assunto, que já era a plataforma da interatividade que marca a web 2.0.</p>
<p>Nascido no Brasil, Juliano se alfabetizou em espanhol porque morou na Argentina quando o pai, o jornalista Marcos Wilson, era correspondente em Buenos Aires. Parte do curso colegial ele o fez nos Estados Unidos. Depois, estudou história na Universidade de São Paulo e ainda voltou a morar nos EUA – seu pai foi implantar um canal de comunicação latino-americano para a CBS em Miami. Em 1997, acabou contratado pela Starmedia (engolida pela bolha) onde cuidou do projeto Starmedia Eventos, uma espécie de canal de bate-papo com convidados de toda a América Latina. Em 2001 recebeu proposta ser o gerente de comunidades da America Online, empresa que ele deixou em 2003, dois anos antes de ela morrer aqui no Brasil. Convidado para desenvolver o projeto Leia Livro na secretaria de cultura do Estado de São Paulo, cuidou também do Viva São Paulo, que se ouvia na paulistana Rádio Eldorado. Agora está na TV Cultura, sempre metido com redes sociais.</p>
<p>Quando começou a escrever este livro, não sabia onde iria terminar. Queria encerrar um ciclo iniciado em dezembro de 97 quando foi contratado para editar o site de notícias em português da Starmedia. Também nessa época, de passagem pelo escritório da Starmedia no Brasil, viu a equipe de chat com convidados trabalhar. Foi fácil para Juliano arquitetar e implementar um chat com celebridades para o público de fala hispânica da Starmedia – coisa inexistente até então. Trabalhou com duas limitações, as diferenças de fusos horários e as diferenças culturais, uma vez que a celebridade de um país não seria necessariamente celebridade nos outros. Um mecanismo de administração dos horários foi criado e ele arrebanhou os convidados. Como gerente de comunidades da AOL em Porto Rico, Juliano viveu quinze meses no Caribe fazendo reflexões sobre sua profissão. “O que é isso que eu faço? Como é o nome dessa profissão? Como a gente anuncia isso na seção de classificados de um jornal? Qual é a relação dela com o jornalismo e em que ela se diferencia?” Ele se perguntava e a sensação era de tatear no escuro. O livro nasce deste olhar para o passado, da memória da sua experiência desde o encontro com um totem de videotexto no Shopping Eldorado, em São Paulo, no começo dos anos 80 – sua primeira e impactante experiência com a interação.</p>
<p>Registrou por escrito a memória de oito anos de trabalho. Tinha então uma história. Sentiu a necessidade de explicar de maneira mais técnica esse trabalho. Descreveu sua rotina, a convivência como produtor de canais, o relacionamento com arquitetos, programadores, e pessoal de negócios. Depois decidiu, porque fazia total sentido, apresentar as ferramentas de chat, de fórum, de criação compartilhada de conteúdos e todas as outras que estão no livro.</p>
<p>Dividido em três partes (1. Teoria e Tecnologia; 2. Prática e 3. Casos e Debates) o livro passa por todos os pontos relevantes daquilo de mais importante que a internet carrega, a possibilidade de o usuário não somente se comunicar universalmente em rede, mas também de ser capaz de gerar conteúdo próprio. Nele, o leitor vai saber muito mais do que sabe intuitivamente sobre chats, comunicadores instantâneos, fóruns, listas de discussões, blogs, ferramentas wiki, agregadores de conteúdo, folksonomia, algoritmos sociais, automoderação, cross-midia e os efeitos colaterais de uma sociedade informatizada porque, como nota Juliano, os aspectos negativos da rede sempre atraem mais atenção da mídia.</p>
<p>No fim, ele mesmo se pergunta se a internet é um destino e um desafio, arrola ingenuidades e monstruosidades que envolvem o debate sobre esta indústria e apela para o bom senso dos indivíduos. É um livro técnico e humanista, didático e profundo, além de obra das mais abrangentes sobre esta nova indústria.</p>
<p><em>Texto publicado no semanário </em>Meio &amp; Mensagem <em>de 14/01/2008.</em></p>
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		<title>Web 3.0 entra em cena pelas mãos de ex-editor da Wired</title>
		<link>http://caiotulio.com/web-30-entra-em-cena-pelas-maos-de-ex-editor-da-wired/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 20:05:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[No Web 2.0 Summit, realizado em São Francisco, próximo passo da internet é apresentado
Kevin Kelly, fundador e ex-editor da revista Wired fez as contas. Há 6.527 dias se inventou o protocolo da internet. Esse foi o primeiro grande passo da internet, o compartilhamento de computadores.
O segundo passo foi o do compartilhamento de links, de páginas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_507" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-507" title="web30" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/web30-300x249.jpg" alt="Fundador da revista Wired, Kevin Kelly, faz previsões sobre internet vindoura " width="300" height="249" /><p class="wp-caption-text">Fundador da revista Wired, Kevin Kelly, faz previsões sobre internet vindoura </p></div>
<p>No Web 2.0 Summit, realizado em São Francisco, próximo passo da internet é apresentado</p>
<p>Kevin Kelly, fundador e ex-editor da revista Wired fez as contas. Há 6.527 dias se inventou o protocolo da internet. Esse foi o primeiro grande passo da internet, o compartilhamento de computadores.</p>
<p>O segundo passo foi o do compartilhamento de links, de páginas, de documentos. O terceiro passo será o da web 3.0.</p>
<p>Então? Todos esperavam mais uma definição de um conceito ainda rarefeito. Kevin definiu. A web 3.0 será aquele momento de compartilhamento de dados e mais dados.</p>
<p>Aquele momento em que a internet será um poderoso banco de dados e todos os dados de cada página, de cada link, de cada dado recôndito no mais profundo lugar de um servidor, poderão ser compartilhados, pesquisados, revistos, reescritos, recuperados, remexidos.</p>
<p>Para Kevin Kelly, tudo que usa energia vai fazer parte da rede. &#8220;Teremos um banco de dados de coisas.&#8221; Ele imaginou, então, como serão os próximos 6.500 dias da internet.</p>
<p>Não teremos apenas a web melhorada.</p>
<p>Todas as telas de todos os dispositivos estarão olhando para a mesma máquina. Será uma única máquina como zilhões de processadores independentes. A Web será o sistema operacional de uma nuvem de serviços.</p>
<p>Ele diz: &#8220;Imagino a web como um buraco negro, que irá sugar todas as informações. E eu realmente quero dizer todas as informações. Todos os tipos de informação estarão regidas pela mesma lei.&#8221;</p>
<p>Isso afetará também a economia que terá uma espécie de coração financeiro único, batendo no mesmo ritmo. Todas as informações serão organizadas em bases de dados, pois é a única forma de se poder compartilhar. Se uma informação não pode ser compartilhada, ela não importa. E as consequências de se estar desconectado se tornarão cada vez mais graves.</p>
<p>Isso irá criar um &#8220;ser extendido&#8221; &#8211; um novo conceito surgiu em São Francisco. &#8220;Nós começamos compartilhando computadores, depois compartilhamos links e agora vamos compartilhar dados&#8221;, diz Kevin.</p>
<p>Ele afirma mais e mais firme: &#8220;a web será dona de todos os bits&#8221;.</p>
<p>Kevin finalizou com mais uma frase de impacto: acha que todos devem acreditar ainda mais no impossível.</p>
<p><em>Texto produzido em conjunto com Caique Severo e publicado no iG Tecnologia em 06/11/2008.</em></p>
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