<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Caio Túlio Costa &#187; Cursos de Ética</title>
	<atom:link href="http://caiotulio.com/categoria/curso-de-etica/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://caiotulio.com</link>
	<description>Novas mídias, internet, ética, moral, jornalismo</description>
	<lastBuildDate>Thu, 10 May 2012 16:22:04 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.8.4</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Cronograma das aulas</title>
		<link>http://caiotulio.com/roteiro-das-aulas/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/roteiro-das-aulas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 14:30:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Programa]]></category>
		<category><![CDATA[adorno]]></category>
		<category><![CDATA[caio túlio]]></category>
		<category><![CDATA[cioran]]></category>
		<category><![CDATA[cronograma]]></category>
		<category><![CDATA[Cursos de Ética]]></category>
		<category><![CDATA[faustino]]></category>
		<category><![CDATA[fernando pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[guy debord]]></category>
		<category><![CDATA[karl kraus]]></category>
		<category><![CDATA[malcolm]]></category>
		<category><![CDATA[max weber]]></category>
		<category><![CDATA[moral]]></category>
		<category><![CDATA[moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[programa]]></category>
		<category><![CDATA[susan sontag]]></category>
		<category><![CDATA[umberto eco]]></category>
		<category><![CDATA[wittgenstein]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://caiotulio.com/blog/?p=632</guid>
		<description><![CDATA[CURSO DE ÉTICA JORNALÍSTICA
FACULDADE CÁSPER LÍBERO – Graduação em Jornalismo
 
Roteiro das aulas – 1º Semestre de 2012
15/02 &#8211; Atividade 1: O professor conversa com os alunos para conhecer cada um e se coloca à disposição para responder a perguntas.
29/02 &#8211; Atividade 2: Apresentação do Programa e discussão do sistema de controle de faltas, de avaliação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CURSO DE ÉTICA JORNALÍSTICA</strong></p>
<p><strong>FACULDADE CÁSPER LÍBERO – Graduação em Jornalismo<br />
</strong><strong> </strong></p>
<p><strong>Roteiro das aulas – 1º Semestre de 2012</strong></p>
<p><strong>15/02</strong> &#8211; Atividade 1: O professor conversa com os alunos para conhecer cada um e se coloca à disposição para responder a perguntas.</p>
<p><strong>29/02</strong> &#8211; Atividade 2: Apresentação do Programa e discussão do sistema de controle de faltas, de avaliação e da bibliografia do curso.</p>
<p><strong>07/03</strong> &#8211; Atividade 3: Discussão em classe do texto de Borges/Bioy Casares: “O Inimigo número 1 da censura”. Exposição dos temas fundamentais do texto: a hierarquização; a censura.</p>
<p><strong>14/03</strong> &#8211; Atividade 4: Discussão em classe da tese <em>De relationibus novellis (Os relatos jornalísticos)</em>, de Tobias Peucer. Exposição dos temas fundamentais do texto: os primórdios do jornalismo; o tripé ética, verdade e justiça.</p>
<p><strong>21/03</strong> – Atividade 5: Discussão em classe e do texto de Octavio Ianni: “O Príncipe Eletrônico”. Exposição dos temas fundamentais do texto: A mídia hoje; Modernidade e Pós Modernidade; a questão ética na pós-modernidade.</p>
<p><strong>28/03 – </strong>Atividade 6: Exercício de ética aplicada.<strong></strong></p>
<p><strong>04/4 &#8211; Atividade 7: Prova Bimestral.</strong></p>
<p><strong>11/04</strong> – Atividade 8: Análise, discussão da prova e entrega das notas.</p>
<p><strong>18/04</strong> &#8211; Atividade 9: <em>Antígona</em>, de Sófocles. Exposição do tema fundamental do texto: razões de família; razões de Estado; a tragédia do não-diálogo (conforme E. Bucci).</p>
<p><strong>25/04</strong> &#8211; Não haverá aula, o professor deverá faltar.</p>
<p><strong>02/05</strong> &#8211; Atividade 10: O julgamento de Sócrates, por Platão e Xenofonte. Exposição dos temas fundamentais de ambos os textos: O julgamento; o valor da verdade; razões da condenação; noção da democracia ateniense.</p>
<p><strong>09/05</strong> &#8211; Atividade 11: Os jardins de Epicuro. Exposição dos temas fundamentais do texto: o declínio da política; uma ética voltada para o prazer; o prazer como elevação, não submissão às paixões.</p>
<p><strong>16/05</strong> &#8211; Atividade 13: Montaigne, “A covardia é a mãe da crueldade”. Exposição do tema fundamental do texto: a covardia.</p>
<p><strong>23/05</strong> &#8211; Atividade 14: <em>Hamlet</em>, de Shakespeare. Exposição dos temas fundamentais do texto: a angústia; o dilema, o planejamento: como fundamentar a escola ética?</p>
<p><strong>30/05</strong> &#8211; Atividade 15: Velázquez e ”Las Meninas” via Michel Foucault. Exposição dos temas fundamentais do texto: inserção de “Las Meninas” no contexto histórico; o jornalismo como representação da representação.</p>
<p><strong>06/06</strong> &#8211; Atividade 16: Kant e o imperativo categórico. Exposição dos temas fundamentais do autor para a disciplina: o imperativo categórico; condições para o imperativo categórico; relações possíveis entre o imperativo categórico e a deontologia do jornalismo.</p>
<p><strong>13/06</strong> &#8211; Atividade 17: <em>As Ilusões Perdidas</em>, de Balzac. Exposição dos temas fundamentais do texto: o nascimento da indústria cultural; o jornalismo de encomenda; a flexibilidade da palavra.</p>
<p><strong>20/06 &#8211; Atividade 18: Prova bimestral.</strong></p>
<p><strong>27/06</strong> &#8211; Atividade 19: Análise, discussão da prova e entrega das notas. Data final para entrega dos relatórios da Atividade Complementar.</p>
<p><strong>Roteiro das aulas – 2º Semestre de 2012</strong></p>
<p><strong>01/08</strong> &#8211; Atividade 1:  Apresentação do curso no 2º semestre.  Apresentação e discussão da bibliografia.</p>
<p><strong>08/08</strong> – Atividade 2: Fernando Pessoa x Mario Faustino. Chamada dos alunos que apontarão destaques e antagonismos entre os poemas para o debate ético: o super-herói ético; o anti-herói ético.</p>
<p><strong>15/08</strong> &#8211; Atividade 3: Max Weber. Exposição dos temas fundamentais do texto: a ética da convicção; a ética da responsabilidade.</p>
<p><strong>22/08</strong> &#8211; Atividade 4: Karl Kraus. Exposição dos temas fundamentais do texto: aforismo; crítica; radicalidade.</p>
<p><strong>29/08 </strong>– Atividade 5: Exercício de ética aplicada.<strong></strong></p>
<p><strong>05/09</strong> &#8211; Atividade 6: Ludwig Wittgenstein. Exposição dos temas fundamentais do texto: ética do indizível, linguagem.</p>
<p><strong>12/09 &#8211; </strong>Atividade 7: Indústria Cultural / Theodor Adorno / Max Horkheimer. Exposição dos temas fundamentais do texto: implicações éticas a partir dos mecanismos da indústria cultural.</p>
<p><strong>19/09 – Atividade 8: Prova bimestral.</strong></p>
<p><strong>26/09</strong> &#8211; Atividade 9: Análise, discussão da prova e entrega das notas.</p>
<p><strong>03/10</strong> &#8211; Atividade 10: Sociedade do Espetáculo / Guy Debord. Exposição do tema fundamental do texto: o “capital que se torna imagem”.</p>
<p><strong>17/10 </strong>– Atividade 11: Exercício de ética aplicada.</p>
<p><strong>24/10</strong> &#8211; Atividade 12: E. M. Cioran / Susan Sontag. Exposição dos temas fundamentais do texto: o pensar contra si mesmo.</p>
<p><strong>31/10</strong> &#8211; Atividade 13: Janet Malcolm. Exposição do tema fundamental do texto: o jornalismo como profissão indefensável.</p>
<p><strong>07/11 &#8211; Atividade 14: Prova bimestral</strong></p>
<p><strong>14/11</strong> &#8211; Atividade 15: Entrega das provas e discussão das mesmas.</p>
<p><strong>21/11 – </strong>Atividade 16: Alunos avaliam o curso. Data final para entrega dos relatórios da Atividade Complementar.</p>
<p><strong>28/11</strong> &#8211; Atividade 17: Reposição de aula (se necessário).</p>
<p><strong>05/12 &#8211; Atividade 18: Prova substitutiva. </strong></p>
<p><strong>12/12 &#8211; Atividade 19: Exame final.</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/roteiro-das-aulas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Programa do curso 2012</title>
		<link>http://caiotulio.com/conheca-o-programa-completo/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/conheca-o-programa-completo/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 20:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Programa]]></category>
		<category><![CDATA[caio túlio]]></category>
		<category><![CDATA[Cásper Líbero]]></category>
		<category><![CDATA[curso ética]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[moral]]></category>
		<category><![CDATA[moralidade]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[programa ética]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://10.128.5.207/wordpress/?p=101</guid>
		<description><![CDATA[Curso de Ética Jornalística / Ementa e Cronograma de 2012
Faculdade Cásper Líbero / Coordenadoria de Jornalismo
Professor Doutor Caio Túlio Costa
Carga horária: 68 H/A + Atividade Complementar
4º ano de Jornalismo matutino
1º Semestre de 2012
1. Objetivos:
Numa adaptação do curso de Jornalismo do Professor Eugênio Bucci, a quem substituo desde 2003, os objetivos do primeiro semestre são os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Curso de Ética Jornalística / Ementa e Cronograma de 2012</strong></p>
<p>Faculdade Cásper Líbero / Coordenadoria de Jornalismo</p>
<p>Professor Doutor Caio Túlio Costa</p>
<p>Carga horária: 68 H/A + Atividade Complementar</p>
<p>4º ano de Jornalismo matutino</p>
<p><strong>1º Semestre de 2012</strong></p>
<p><strong>1. Objetivos:</strong></p>
<p>Numa adaptação do curso de Jornalismo do Professor Eugênio Bucci, a quem substituo desde 2003, os objetivos do primeiro semestre são os seguintes:</p>
<p>1.1. Ajudar o aluno a compreender a profissão de jornalista de forma crítica e como uma ética fundada no direito à informação e na liberdade de expressão, cujo valor maior é procurar apresentar ao público que o jornalista procurou buscar as verdades factuais e as opiniões controversas e/ou plurais que convivem na sociedade.</p>
<p>1.2. Fornecer ao aluno conceitos elementares e parâmetros básicos para que ele saiba equacionar os dilemas éticos vividos pelos jornalistas.</p>
<p><strong>2. Ementa:</strong></p>
<p>2.1. Proporcionar ao aluno um contato inicial com textos controversos para que ele possa diagnosticar os dilemas éticos bem como os fundamentos da Ética (campo de conhecimento) além de apreender as noções contemporâneas da ética aplicada ao jornalismo.</p>
<p>2.2. Proporcionar ao aluno um contato inicial com as referências práticas para a solução de dilemas éticos do jornalismo: desde os conflitos de interesse, tanto no plano empresarial como no plano da consciência de cada um, até os vícios mais comuns da profissão, como distorções, invasão da privacidade e relacionamento com as fontes de informação.</p>
<p><strong>3. Programa:</strong></p>
<p>3.1. O que significa falar de ética: noções clássicas via textos clássicos, literários e jornalísticos.</p>
<p>3.2. A ética no plano da decisão individual; a ética no plano dos costumes.</p>
<p>3.3. Independência editorial e independência individual frente ao mercado:</p>
<p>3.3.1. Conflitos de interesse de ordem econômica.</p>
<p>3.3.2. Conflitos de interesse de consciência.</p>
<p>3.3.3. Partidarismos.</p>
<p>3.4. Os deslizes éticos mais freqüentes no ofício do jornalista:</p>
<p>3.4.1. Distorção dos fatos por má-fé, preguiça ou incompetência.</p>
<p>3.4.2. Invasão de privacidade.</p>
<p>3.4.3. Reprodução de estereótipos.</p>
<p>3.4.4. Prejulgamento e destruição de reputações.</p>
<p>3.4.5. Extremismos: “governismo”, “anti-governismo” ou negativismo.</p>
<p>3.4.6. O mau uso do “off-the-record”, promiscuidade com as fontes.</p>
<p>3.4.7. Abuso de poder.</p>
<p>3.5. A validade ou a inutilidade dos códigos de ética.</p>
<p>3.6. A necessidade do método.</p>
<p><strong>4. Metodologia:</strong></p>
<p>4.1. Aulas com discussões a partir de textos específicos.</p>
<p>4.2. Aulas na quais se discutem dilemas éticos da atualidade.</p>
<p>4.3. Testes em aula.</p>
<p>4.4. Provas escritas em aula.</p>
<p>5. Atividade Complementar</p>
<p>5.1. Leitura do romance As Ilusões Perdidas, de Balzac, para discussão e exercício em classe no final do segundo bimestre.</p>
<p><strong>6. Critérios de Avaliação:</strong></p>
<p>6.1. Provas escritas em cada bimestre. As provas serão avaliadas tendo em vista a compreensão dos textos indicados bem como a compreensão das conclusões (ou indagações) tiradas em classe. O português e a lógica do texto também serão avaliados. Notas variam de zero a dez.</p>
<p>6.2. Presença e desempenho do aluno na classe durante a discussão a partir da leitura dos textos indicados. Notas variam de zero a dez.</p>
<p>6.3. Eventual participação em seminários e discussões sobre dilemas éticos.</p>
<p>6.4. A nota bimestral é a média aritmética da prova e da avaliação individual feita pelo professor em função da presença, interesse e participação.</p>
<p><strong> </strong><strong>7. Bibliografia básica:</strong></p>
<p>7.1. COSTA, Caio Túlio. <em>Ética, Jornalismo e Nova Mídia – Uma moral provisória</em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. Os alunos também têm à disposição, na biblioteca da Cásper Líbero, a tese de Doutorado: <em>Moral provisória – Ética e jornalismo: da gênese à nova mídia</em>, de 2008.</p>
<p>7.2. BUCCI, Eugênio. <em>Sobre Ética e Imprensa.</em> São Paulo: Companhia das Letras, 2000.</p>
<p><strong> 8. Material didático:</strong></p>
<p>8.1. Conto “El Enemigo número 1 de la Censura” in <em>Nuevos Cuentos de Bustos Domecq</em> de Jorge Luis Borges em colaboração com Adolfo Bioy Casares. Buenos Aires: Librería La Ciudad, 1977 [Tradução de Caio Túlio Costa - literal - está à disponível na central de cópias da faculdade e no site do professor: http://caiotulio.com/o-inimigo-numero-1-da-censura/].</p>
<p>8.2. PEUCER, Tobias. <em>De relationibus novellis (Os relatos jornalísticos)</em>: Tese, Doutorado em Periodística – Universidade de Leipzig, 1690. Tradução de Paulo da Rocha Dias. São Bernardo do Campo: PósCom-Umesp, 1999 [Mimeo], também publicada pela na Revista Comunicação &amp; Sociedade. São Bernardo do Campo: Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), número 33, 2000, p.199- 214. Disponível no site do professor: http://caiotulio.com/os-relatos-jornalisticos/</p>
<p>8.3. Texto “O Príncipe Eletrônico” de Otavio Ianni, in <em>Enigmas da modernidade mundo</em>. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.</p>
<p>8.4. SÓFOCLES. <em>Antígona</em>. Tradução de Millôr Fernandes. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.</p>
<p>8.5. SÓCRATES. “Defesa de Sócrates”, por Platão; e “Apologia de Sócrates”, de Xenofonte in <em>Sócrates</em> (Coleção Os Pensadores). São Paulo: Nova Cultural/ Círculo do Livro, 1996.</p>
<p>8.6. MOTTA PESSANHA, José Américo. “As delícias do jardim” in NOVAES, Adauto (org.). <em>Ética</em>. São Paulo: Companhia das Letras. 1992.</p>
<p>8.7. MONTAIGNE, Michel de. Texto “A covardia é a mãe da crueldade” in Ensaios. São Paulo: Coleção Os Pensadores, Abril Cultural, s/d. Disponível no site do professor: http://caiotulio.com/a-covardia-e-a-mae-da-crueldade/</p>
<p>8.8. SHAKESPEARE, William. <em>Hamlet</em>. Tradução de Millôr Fernandes. Porto Alegre: L&amp;PM, 2002.</p>
<p>8.9. FOUCAULT, Michel. “Las Meninas”, primeiro capítulo do livro <em>As palavras e as coisas</em>, de Michel Foucault. Lisboa: Portugália Editora, s/d.</p>
<p>8.10. KANT, Immanuel. Texto “Fundamentação da metafísica dos costumes” in <em>Crítica da Razão Pura e outros escritos</em>. São Paulo: Coleção Os Pensadores, Abril Cultural, 1974.</p>
<p>8.11. BALZAC, Honoré de. Capítulo 25, “A primeira luta”, in <em>As Ilusões Perdidas</em>. São Paulo: Abril Cultural, 1978.</p>
<p>9. Bibliografia complementar:</p>
<p>9.1.FREITAG, Bárbara. <em>Itinerários de Antígona: a questão da moralidade</em>. Campinas: Papiros, 1992.</p>
<p>9.2.ROSENFIELD, Kathrin H. <em>Sófocles &amp; Antígona</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.</p>
<p>9.3.SÓFOCLES. <em>Édipo-rei</em>. Tradução de Millôr Fernandes. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.</p>
<p>9.4.CHAUÍ, Marilena. <em>Convite à Filosofia</em>. São Paulo: Ática, 2001.</p>
<p>9.5.SILVESTONE, Roger. <em>Por que estudar a Mídia?</em> São Paulo: Loyola, 2002.</p>
<p>9.6.KARAM, Francisco José. <em>Jornalismo, Ética e Liberdade</em>. São Paulo: Summus, 1997.</p>
<p>9.7.Goodwin, H. Eugene. <em>Procura-se ética no jornalismo</em>. Rio de Janeiro: Nórdica, 1993.</p>
<p>9.8.MEYER, Philip. <em>A ética no jornalismo</em>. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1989.</p>
<p><strong>10. Roteiro das aulas/atividades:</strong></p>
<p><strong>15/02</strong> &#8211; Atividade 1: O professor conversa com os alunos para conhecer cada um e se coloca à disposição para responder a perguntas.</p>
<p><strong>29/02</strong> &#8211; Atividade 2: Apresentação do Programa e discussão do sistema de controle de faltas, de avaliação e da bibliografia do curso.</p>
<p><strong>07/03</strong> &#8211; Atividade 3: Discussão em classe do texto de Borges/Bioy Casares: “O Inimigo número 1 da censura”. Exposição dos temas fundamentais do texto: a hierarquização; a censura.</p>
<p><strong>14/03</strong> &#8211; Atividade 4: Discussão em classe da tese <em>De relationibus novellis (Os relatos jornalísticos)</em>, de Tobias Peucer. Exposição dos temas fundamentais do texto: os primórdios do jornalismo; o tripé ética, verdade e justiça.</p>
<p><strong>21/03</strong> – Atividade 5: Discussão em classe e do texto de Octavio Ianni: “O Príncipe Eletrônico”. Exposição dos temas fundamentais do texto: A mídia hoje; Modernidade e Pós Modernidade; a questão ética na pós-modernidade.</p>
<p><strong>28/03 – </strong>Atividade 6: Exercício de ética aplicada.<strong></strong></p>
<p><strong>04/4 &#8211; Atividade 7: Prova Bimestral.</strong></p>
<p><strong>11/04</strong> – Atividade 8: Análise, discussão da prova e entrega das notas.</p>
<p><strong>18/04</strong> &#8211; Atividade 9: <em>Antígona</em>, de Sófocles. Exposição do tema fundamental do texto: razões de família; razões de Estado; a tragédia do não-diálogo (conforme E. Bucci).</p>
<p><strong>25/04</strong> &#8211; Neste dia não haverá aula, o professor deverá faltar.</p>
<p><strong>02/05 </strong>- Atividade 10: O julgamento de Sócrates, por Platão e Xenofonte. Exposição dos temas fundamentais de ambos os textos: O julgamento; o valor da verdade; razões da condenação; noção da democracia ateniense.</p>
<p><strong>09/05</strong> &#8211; Atividade 11: Os jardins de Epicuro. Exposição dos temas fundamentais do texto: o declínio da política; uma ética voltada para o prazer; o prazer como elevação, não submissão às paixões.</p>
<p><strong>16/05</strong> &#8211; Atividade 13: Montaigne, “A covardia é a mãe da crueldade”. Exposição do tema fundamental do texto: a covardia.</p>
<p><strong>23/05</strong> &#8211; Atividade 14: <em>Hamlet</em>, de Shakespeare. Exposição dos temas fundamentais do texto: a angústia; o dilema, o planejamento: como fundamentar a escola ética?</p>
<p><strong>30/05</strong> &#8211; Atividade 15: Velázquez e ”Las Meninas” via Michel Foucault. Exposição dos temas fundamentais do texto: inserção de “Las Meninas” no contexto histórico; o jornalismo como representação da representação.</p>
<p><strong>06/06</strong> &#8211; Atividade 16: Kant e o imperativo categórico. Exposição dos temas fundamentais do autor para a disciplina: o imperativo categórico; condições para o imperativo categórico; relações possíveis entre o imperativo categórico e a deontologia do jornalismo.</p>
<p><strong>13/06</strong> &#8211; Atividade 17: <em>As Ilusões Perdidas</em>, de Balzac. Exposição dos temas fundamentais do texto: o nascimento da indústria cultural; o jornalismo de encomenda; a flexibilidade da palavra.</p>
<p><strong>20/06 &#8211; Atividade 18: Prova bimestral.</strong></p>
<p><strong>27/06</strong> &#8211; Atividade 19: Análise, discussão da prova e entrega das notas. Data final para entrega dos relatórios da Atividade Complementar.</p>
<p><strong>Atividade Complementar – 1º semestre de 2012</strong></p>
<p>A atividade complementar do curso de Ética Jornalística no 1º semestre (três horas no primeiro bimestre e duas horas no segundo) consiste em produzir um Relatório – 50 linhas no máximo – que atenda aos seguintes requisitos:</p>
<p>Contenha o depoimento de um jornalista profissional sobre o impacto que lhe causou, na profissão, a leitura do livro As Ilusões Perdidas, de Balzac.</p>
<p>A atividade consiste em procurar e encontrar um jornalista que tenha lido o livro e que tenha sido impactado por esta leitura de alguma forma.</p>
<p>Os alunos devem se organizar para evitar depoimentos repetidos. Depoimentos de um mesmo jornalista – mesmo colhidos em classes diferentes – não serão aceitos.</p>
<p>O Relatório deve conter, além do depoimento, um breve currículo do jornalista depoente no sentido de mostrar qual é (ou foi) a sua atuação na profissão.</p>
<p>O depoente deve ser experiente e ter exercido a profissão por dez anos, no mínimo.</p>
<p><strong> </strong><strong>2º Semestre de 2012</strong></p>
<p>4º ano de Jornalismo matutino</p>
<p>Carga horária: 68 H/A + Atividade Complementar</p>
<p><strong>1. Objetivos:</strong></p>
<p>Em prosseguimento à disciplina “Ética Jornalística – primeiro semestre”, na qual a profissão foi pensada criticamente, a disciplina no segundo semestre tem duas metas:</p>
<p>1.1. Ajudar o aluno a aprofundar o conhecimento no campo da Ética, dentro do campo da Filosofia, encontrando aí os fundamentos da própria ética aplicada à profissão.</p>
<p>1.2. Proporcionar ao aluno, por meio da experiência de leitura e de revisão de valores e de convicções morais, novos ângulos para que ele enfrente os dilemas éticos do cotidiano do jornalismo.</p>
<p><strong>2. Ementa:</strong></p>
<p>2.1. Aprofundar, no “mundo das idéias”, o contato com o pensamento que funda o campo da Ética desde a cultura clássica e, por meio desse contato, agregar consistência às noções éticas de cunho prático-profissional adquiridas no semestre anterior.</p>
<p>2.2. Buscar pontes com o “mundo real”, propondo ao aluno exercícios e jogos de situações concretas em que seja possível enxergar os conceitos da Ética se manifestando nos dilemas cotidianos dos jornalistas.</p>
<p><strong>3. Programa:</strong></p>
<p>3.1. O super-herói ético versus o anti-herói ético.</p>
<p>3.2. Weber: convicção e responsabilidade.</p>
<p>3.3. Wittgenstein e a fundamentação ética.</p>
<p>3.4. Karl Kraus e o apocalipse permanente.</p>
<p>3.5. Ética e indústria cultural.</p>
<p>3.6. Ética e espetáculo.</p>
<p>3.7. Negar a si mesmo.</p>
<p>3.8. A profissão indefensável.</p>
<p><strong>4. Metodologia:</strong></p>
<p>4.1. Aulas com discussões a partir de textos específicos.</p>
<p>4.2. Aulas na quais se discutem dilemas éticos da atualidade a partir da escolha dos alunos.</p>
<p>4.3. Testes em aula.</p>
<p>4.4. Provas escritas em aula.</p>
<p><strong>5. Atividade Complementar</strong></p>
<p>5.1. Leitura do ensaio <em>O jornalista e o assassino</em>, de Janet Malcolm, para discussão e exercício em classe no final do quarto bimestre.</p>
<p><strong>6. Critérios de Avaliação:</strong></p>
<p>6.1. Provas escritas bimestrais. As provas serão avaliadas tendo em vista a compreensão dos textos indicados bem como a compreensão das conclusões (ou indagações) tiradas em classe. O português e a lógica do texto também serão avaliados. Notas variam de zero a dez.</p>
<p>6.2. Presença e desempenho do aluno na classe durante a discussão a partir da leitura dos textos indicados. Notas variam de zero a dez.</p>
<p><strong>7. Bibliografia básica</strong></p>
<p>7.1. COSTA, Caio Túlio. <em>Ética, Jornalismo e Nova Mídia – Uma moral provisória</em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2009. Os alunos também têm à disposição, na biblioteca da Cásper Líbero, a tese de Doutorado: <em>Moral provisória – Ética e jornalismo: da gênese à nova mídia</em>, de 2008.</p>
<p>7.2. BUCCI, Eugênio. <em>Sobre Ética e Imprensa.</em> São Paulo: Companhia das Letras, 2000.</p>
<p><strong>8. Material Didático:</strong></p>
<p>8.1. FAUSTINO, Mario. Poema “Balada” in <em>O Homem e a Sua Hora e outros poemas</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. Disponível no site do professor: http://caiotulio.com/balada/</p>
<p>8.2. PESSOA, Fernando. “Poema em linha reta” in <em>Obra poética de Fernando Pessoa</em>. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. Disponível no site do professor: http://caiotulio.com/poema-em-linha-reta-2/</p>
<p>8.3. WEBER, Max. “A política como vocação” in Ciência e Política, duas vocações. São Paulo: Cultrix, 2000.</p>
<p>8.4. WITTGENSTEIN, Ludwig. “Conferência sobre Ética” (1929). Tradução de Darlei Dall’Agnol. Disponível no site do professor: http://caiotulio.com/conferencia-sobre-etica/</p>
<p>8.5. KRAUS, Karl. Capítulo “Imprensa, estupidez, política” in <em>Ditos e Desditos</em>. São Paulo: Brasiliense, 1988. Disponível no site do professor: http://caiotulio.com/imprensa-estupidez-politica/</p>
<p>8.6. ADORNO, Theodor W. e HORKHEIMER, Max. “A indústria cultural: o esclarecimento como mistificação das massas” in ADORNO, Theodor W. e HORKHEIMER, Max. <em>Dialética do Esclarecimento</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.</p>
<p>8.7. DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997. O primeiro capítulo está disponível no site do professor: http://caiotulio.com/a-sociedade-do-espetaculo/ </p>
<p>8.8. SONTAG, Susan. “Pensar contra si próprio: reflexões sobre Cioran” in <em>A vontade radical</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.</p>
<p>8.9. CIORAN, E. M. <em>Silogismos da Amargura</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1991.</p>
<p>8.10. MALCOLM, Janet. Págs. 11 a 17 do livro <em>O Jornalista e o Assassino</em>, de Janet Malcolm. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.</p>
<p><strong>9. Bibliografia Complementar:</strong></p>
<p>9.1. FAUSTINO, Mario. <em>Poesia Experiência</em>. São Paulo: Perspectiva, 1977.</p>
<p>9.2. CIORAN, Emil Michel. <em>História e Utopia</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.</p>
<p>9.3. ________. <em>Exercícios de admiração (Ensaios e perfis)</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.</p>
<p>9.4. ________. <em>Silogismos da Amargura</em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1991.</p>
<p>9.5. SONTAG, Susan. <em>Diante da dor dos outros</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.</p>
<p><strong>10. Roteiro das aulas:</strong></p>
<p><strong>01/08</strong> &#8211; Atividade 1:  Apresentação do curso no 2º semestre.  Apresentação e discussão da bibliografia.</p>
<p><strong>08/08</strong> – Atividade 2: Fernando Pessoa x Mario Faustino. Chamada dos alunos que apontarão destaques e antagonismos entre os poemas para o debate ético: o super-herói ético; o anti-herói ético.</p>
<p><strong>15/08</strong> &#8211; Atividade 3: Max Weber. Exposição dos temas fundamentais do texto: a ética da convicção; a ética da responsabilidade.</p>
<p><strong>22/08</strong> &#8211; Atividade 4: Karl Kraus. Exposição dos temas fundamentais do texto: aforismo; crítica; radicalidade.</p>
<p><strong>29/08 </strong>– Atividade 5: Exercício de ética aplicada.<strong></strong></p>
<p><strong>05/09</strong> &#8211; Atividade 6: Ludwig Wittgenstein. Exposição dos temas fundamentais do texto: ética do indizível, linguagem.</p>
<p><strong>12/09 &#8211; </strong>Atividade 7: Indústria Cultural / Theodor Adorno / Max Horkheimer. Exposição dos temas fundamentais do texto: implicações éticas a partir dos mecanismos da indústria cultural.</p>
<p><strong>19/09 – Atividade 8: Prova bimestral.</strong></p>
<p><strong>26/09</strong> &#8211; Atividade 9: Análise, discussão da prova e entrega das notas.</p>
<p><strong>03/10</strong> &#8211; Atividade 10: Sociedade do Espetáculo / Guy Debord. Exposição do tema fundamental do texto: o “capital que se torna imagem”.</p>
<p><strong>17/10 </strong>– Atividade 11: Exercício de ética aplicada.</p>
<p><strong>24/10</strong> &#8211; Atividade 12: E. M. Cioran / Susan Sontag. Exposição dos temas fundamentais do texto: o pensar contra si mesmo.</p>
<p><strong>31/10</strong> &#8211; Atividade 13: Janet Malcolm. Exposição do tema fundamental do texto: o jornalismo como profissão indefensável.</p>
<p><strong>07/11 &#8211; Atividade 14: Prova bimestral</strong></p>
<p><strong>14/11</strong> &#8211; Atividade 15: Entrega das provas e discussão das mesmas.</p>
<p><strong>21/11 – </strong>Atividade 16: Alunos avaliam o curso. Data final para entrega dos relatórios da Atividade Complementar.</p>
<p><strong>28/11</strong> &#8211; Atividade 17: Reposição de aula (se necessário).</p>
<p><strong>05/12 &#8211; Atividade 18: Prova substitutiva. </strong></p>
<p><strong>12/12 &#8211; Atividade 19: Exame final.</strong></p>
<p><strong>Atividade Complementar – 2º semestre de 2012</strong></p>
<p>A atividade complementar do curso de Ética Jornalística no 2º semestre (quatro horas ao todo, duas horas por bimestre) consiste em produzir um Relatório – 50 linhas no máximo – que atenda aos seguintes requisitos:</p>
<p>Contenha o depoimento de um jornalista profissional sobre o impacto que lhe causou, na profissão, a leitura do livro O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm.</p>
<p>A atividade consiste em procurar e encontrar um jornalista que tenha lido o livro e que tenha sido impactado por esta leitura de alguma forma.</p>
<p>Os alunos devem se organizar para evitar depoimentos repetidos. Depoimentos de um mesmo jornalista – mesmo colhidos em classes diferentes – não serão aceitos.</p>
<p>O Relatório deve conter, além do depoimento, um breve currículo do jornalista depoente no sentido de mostrar qual é (ou foi) a sua atuação na profissão.</p>
<p>O depoente deve ser experiente e ter exercido a profissão por dez anos, no mínimo.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/conheca-o-programa-completo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O inimigo número 1 da censura</title>
		<link>http://caiotulio.com/o-inimigo-numero-1-da-censura/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/o-inimigo-numero-1-da-censura/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 20:41:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
		<category><![CDATA[Bioy Casares]]></category>
		<category><![CDATA[Borges]]></category>
		<category><![CDATA[censura]]></category>
		<category><![CDATA[inimigo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://10.128.5.207/wordpress/?p=108</guid>
		<description><![CDATA[Perfil de Ernesto Gomensoro para servir como prólogo à sua Antologia
Conto de Jorge Luis Borges e Adolpho Bioy Casares
Tradução de Caio Túlio Costa
Sobrepondo-me ao sentimento que o coração me dita, escrevo com a Remington este perfil de Ernesto Gomensoro, para servir como prólogo à sua Antologia. Por um lado tenho um certo remorso de não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Perfil de Ernesto Gomensoro para servir como prólogo à sua Antologia</h2>
<p><strong>Conto de Jorge Luis Borges e Adolpho Bioy Casares</strong></p>
<p>Tradução de Caio Túlio Costa</p>
<p>Sobrepondo-me ao sentimento que o coração me dita, escrevo com a Remington este perfil de Ernesto Gomensoro, para servir como prólogo à sua Antologia. Por um lado tenho um certo remorso de não poder cumprir de modo cabal com a ordem de um defunto; por outro me dou o gostinho melancólico de retratar esse homem de valor que os pacíficos vizinhos de Maschwitz (1) ainda hoje recordam sob o nome de Ernesto Gomensoro. Não esquecerei muito facilmente daquela tarde em que ele me acolheu, com chá-mate e biscoitinhos, na varanda de sua casa, perto da linha do trem. A razão de eu me bandear até aquele fim de mundo foi a comoção natural de ter sido objeto de uma correspondência dirigida à minha casa, convidando-me a figurar na Antologia que ele então incubava. O fino olfato de tão extraordinário mecenas despertou meu sempre espevitado interesse. Ademais, quis tomar sua palavra ao vivo, sem arrependimentos, e decidi levar em mãos a colaboração, para evitar as clássicas demoras que se imputam aos nossos correios. (2)</p>
<p>A cabeça calva, o olhar perdido no horizonte rural, o rosto largo de barba grisalha, a boca em geral encaixada na bombilha do mate, o lenço asseado sob o queixo, o tórax de touro e um terno leve de linho mal passado constituíram meu primeiro instantâneo. Sentado na poltrona de vime, o atrativo conjunto de nosso anfitrião complementou-se rápido com a voz afável que me indicou o banquinho de cozinha para que eu me sentasse. Com a certeza de pisar caminho firme agitei o cartão-convite na frente de seus olhos, ufanista e tenaz.</p>
<p>– Sim – disse com displicência –, mandei a circular para todo mundo.</p>
<p>Semelhante sinceridade me desvaneceu.</p>
<p>Em tais casos, a melhor política é se congraçar com o homem que tem nossa sorte em suas mãos. Declarei-lhe com total franqueza que eu era repórter de artes e letras da Última hora e que meu verdadeiro propósito era consagrar-lhe uma reportagem. Não se fez de rogado. Pigarreou para limpar a garganta e disse com a sinceridade comum às figuras distintas:</p>
<p>– Avalio seu propósito de coração. Previno-o que não vou falar de censura, porque todo mundo anda repetindo que sou monotemático e que a guerra contra a censura se transformou em minha idéia fixa. Você rebaterá com a objeção de que hoje em dia poucos temas apaixonam tanto quanto este. Não é pra menos.</p>
<p>– Como o sei – suspirei –, o pornógrafo mais sem preconceito vê todo dia mais um bloqueio em seu campo de ação.</p>
<p>Sua resposta me deixou sem outro recurso que o de abrir a boca.</p>
<p>– Eu já maliciava que você agarraria por este lado. Reconheço prontamente que não é muito simpático falar em colocar restrições ao pornógrafo. Mas esse caso tão cacarejado não é mais do que café-com-leite, uma faceta do assunto. Gastamos tanta saliva contra a censura moral e contra a censura política que passamos por cima de outras variedades que são muito mais atentatórias. Minha vida, se você me permite chamá-la assim, é um exemplo pedagógico. Filho e neto de progenitores que foram invariavelmente justiçados pela mesa de exame me vi desde menino preparado para as mais diversas tarefas. Foi assim que me arrastou o redemoinho da escola primária, a corretagem de malas de couro e, em tempinhos roubados da faina diária, a composição de um ou outro verso. Este último fato, tão carente de interesse, atiçou a curiosidade dos espíritos inquietos de Maschwitz e não demorou a se espalhar e ganhar corpo no boca-a-boca. Senti, como quem vê subir a maré, que o povo em consenso, sem distinção de sexo nem idade, veria com alívio o fato de eu começar a publicar nos jornais. Semelhante apoio me impeliu a mandar pelos correios, para revistas especializadas, a ode En camino! A resposta foi a conspiração do silêncio, com a honrosa exceção de um suplemento que a devolveu sem nada dizer.</p>
<p>Aí pude ver o envelope, em uma moldura.</p>
<p>– Não me deixei desanimar. Minha segunda carga assumiu uma natureza maciça; remeti simultaneamente a não menos de quarenta órgãos o soneto En Belén e depois, continuando o bombardeio, as décimas Yo alecciono. Para a miscelânea literária (3) La alfombra de esmeralda e o novelinho (4) Pan de centeno lhes coube, você não vai acreditar, a mesma sorte. Esta estranha aventura foi acompanhada, em simpático suspense, pelas autoridades e pelo pessoal dos correios, que se apressaram em divulgá-la. O resultado era previsível: o doutor Palau me nomeou diretor do diretor do suplemento literário das quintas-feiras do diário La opinión.</p>
<p>Desempenhei essa magistratura civil durante quase um ano, quando me tiraram de lá. Fui, acima de tudo, imparcial. Caro Bustos, nada pode intranqüilizar minha consciência nas altas horas. Se somente uma única vez dei guarida a um filho de minha musa – o novelinho Pan de centeno, que deslanchou uma persistente campanha de oferecidos e anônimos – o fiz sob o pseudônimo de Capitão Nemo, numa alusão, que nem todos captaram, a Julio Verne. Não foi só por isso que me puseram no olho da rua; não teve um animal vivo que não me impingiu a culpa de que a edição das quintas-feiras era uma lata de lixo ou, se você preferir, a última farsa. Aludiam, quando muito, à qualidade ínfima das colaborações expostas. A acusação, sem dúvida, era justa; sem a compreensão do critério que me dei como bússola. Mais náusea do que dos piores críticos continuo tendo quando faço a leitura retrospectiva daqueles papeluchos sem tom nem som que eu sequer deixava o senhor gerente da gráfica folhear. Eu lhe falo, como você vê, com o coração nas mãos: passar do envelope à linotipo era automático e eu nem me dava ao trabalho de averiguar se eram em prosa ou verso. Peço-lhe que acredite em mim: meu arquivo guarda um exemplar no qual se repete duas ou três vezes a mesma fábula, copiada de Iriarte (5) e assinada de maneira contraditória. Anúncios de Chá Sol e de Erva Gato se alternavam gratuitamente com o resto das colaborações, não faltaram nem esses versinhos que os desocupados deixam no banheiro. Apareciam também nomes femininos da maior respeitabilidade, com o número do telefone.</p>
<p>Como já previa a minha senhora, o doutor Palau acabou encolerizando-se (6) e me disse cara-a-cara que a folha literária se acabou e que não podia me dizer que me agradecia pelos serviços prestados porque não estava de brincadeiras e que eu fosse embora no trote.</p>
<p>Sou-lhe sincero: para mim a demissão deve ser atribuída, por incrível que pareça, à publicação fortuita da notável miscelânea literária El malón, que revive um episódio muito querido na região, a devastadora incursão dos índios pampas, que não deixaram títere com cabeça. A história do flagelo foi posta em dúvida por mais de um iconoclasta de Zárate (7); o indiscutível é que insuflou os valentes versos de Lucas Palau, leiloeiro e sobrinho de nosso diretor. Jovem, quando você estiver para pegar o trem, o que falta pouco, eu te mostrarei a miscelânea literária a que aludi, porque a tenho emoldurada. Eu a havia publicado, segundo minha norma, sem fixar-me na assinatura nem no texto. O poeta, me disseram, investiu com outros versos que aguardavam sua vez e que não saíram porque nunca deixei de respeitar a ordem de chegada. Despropósito por despropósito, eu os ia postergando; o nepotismo e a impaciência venceram e então tive de encontrar a porta de saída. Retirei-me.</p>
<p>Em toda esta tirada Gomensoro falou-me sem amargura e com evidente sinceridade. Meu rosto exibia o reconhecimento de alguém que contempla um porco voando e levei um certo tempo para articular:</p>
<p>– Devo ser um obtuso, não o capto por inteiro. Quero entender. Quero entender.</p>
<p>– Ainda não chegou a sua hora – foi a resposta. Pelo que vejo você não é de uma região capaz de atrair todos os meus amores, mas obtuso – para repetir sua opinião, não menos objetiva do que severa – bem poderia sê-lo, por não ter entendido nada do que lhe estou afiançando. Mais um testemunho dessa difundida incompreensão foi o fato de a Comissão de Honra dos Jogos Florais, que tanta honra deram à nossa pujante localidade, ter me convidado para ser jurado da mesma. Não haviam entendido nada! Como era meu dever, declinei. A ameaça e o suborno se estilhaçaram contra minha decisão de homem livre.</p>
<p>Neste ponto, como quem já havia entregado a chave do enigma, sugou de novo o mate e se encastelou em seu foro interior.</p>
<p>Quando se esgotaram os biscoitos atrevi-me a sussurrar com voz de flauta:</p>
<p>– Não consigo, meu chefe, compreendê-lo.</p>
<p>– Tudo bem, colocarei em palavras do seu nível. Aqueles que socavam com a pena as bases dos bons costumes ou do Estado não desconhecem, ou melhor, expõem-se a enfrentar frente a frente o rigor da censura. Este fato é inqualificável, mas comporta certas regras de jogo e aquele que as infringe sabe o que faz. Por outro lado vejamos o que se passa quando você aparece numa redação com um original que é, por onde se quiser olhá-lo, uma verdadeira salada. Lêem-no, devolvem-no e lhe dizem que o coloque onde quiser. Aposto que você sai com a certeza de que fizeram de você a vítima da mais desapiedada censura. Suponhamos agora o inverossímil. O texto submetido por você não é uma cretinice e o editor o leva em consideração e manda imprimi-lo. Bancas e livrarias o colocarão ao alcance dos incautos. Para você, tudo é êxito, mas a irretorquível verdade, meu estimado jovem, é que o seu original, mal-jeitoso ou não, passou pela humilhação (8) da censura. Alguém o observou, mesmo que apenas de uma olhada, que tenha só dado uma olhada, alguém o julgou, alguém o meteu num baú ou encaminhou para a tipografia. Por mais infamante que pareça, este fato se repete continuadamente, em todo jornal, em toda revista. Sempre topamos com um censor que elege ou descarta. É isso o que não agüento nem agüentarei. Você começa a entender meu critério quando eu estava na direção do Suplemento? Nada revisei nem julguei; tudo encontrou guarida no Suplemento. Nestes dias a sorte, na forma de uma súbita herança, acabou me permitindo confeccionar a Primeira antologia aberta da literatura nacional. Assessorado pela lista telefônica e outros guias dirigi-me a todas as pessoas vivas, você inclusive, solicitando que me mandem aquilo que lhes dá ganas. Observarei, com a maior eqüidade, a ordem alfabética. Fique tranqüilo: tudo sairá em letra de imprensa, por mais porcaria que seja. Não quero retê-lo. Já estou ouvindo o apito do trem que vai reintegrá-lo à sua faina diária.</p>
<p>Saí daquela vez pensando em quem me havia dito que essa primeira visita a Gomensoro seria também a última. O diálogo cordial com o amigo e mestre não voltaria a acontecer, ao menos nesta margem da lagoa Estige (9). Meses depois a Parca (10) o arrebatou de sua casa de Maschwitz.</p>
<p>Com sua repugnância a qualquer ato que envolvesse um mínimo de eleição, me disseram que Gomensoro embaralhou em uma barrica os nomes dos colaboradores e desta tômbola saiu agraciado meu nome. Tocou-me uma fortuna cujo montante superava meus mais brilhantes sonhos de cobiça, sob a única obrigação de publicar com brevidade a antologia completa. Aceitei com o apuro que era de se supor e me transladei até a casa que me acolhera onde me cansei de contar galpões cheios de manuscritos que já beiravam a letra C.</p>
<p>Senti como se tivesse sido atingido por um raio quando conversei com o gráfico. Mesmo em papel serpentina e em letra de lupa a fortuna deixada não dava para passar além de Añañ!</p>
<p>Já publiquei em brochura toda essa fornada de volumes. Os excluídos, de Añañ para frente, me deixam meio louco com processos e querelas. Meu advogado, o doutor González Baralt, alega em vão, como prova de retidão, que eu também, cujo nome começa com B, fiquei fora, para não falar da impossibilidade material de incluir outras letras. Ele me aconselha, neste ínterim, que eu busque refúgio no hotel O Novo Imparcial, com um nome falso.</p>
<p><strong>Notas</strong></p>
<p>(1) Cidade argentina. [N.d.T.]</p>
<p>(2) O texto que levei foi “El hijo de su amigo”, que o investigador encontrará no corpus deste volume, à venda nas boas livrarias. [Nota dos autores]</p>
<p>(3) “Silva”, traduzido aqui como miscelânea literária: composição poética em que se alternam versos de dez sílabas com versos de seis sem rima certa e regular e admitindo até alguns versos soltos. [N.d.T.]</p>
<p>(4) Novelinho (“ovillejo”) é uma combinação métrica de três versos octassílabos, cruzados com três pés-quebrados que rimam com os versos e de uma redondilha final cujo último verso se compõe dos três pés-quebrados. [N.d.T.]</p>
<p>(5) Provavelmente Tomás Iriarte (1750 -1791) [N.d.T.]</p>
<p>(6) No original “montar el picazo”, que significa encolerizar-se na expressão argentina. [N.d.T.]</p>
<p>(7) Cidade ao norte de Buenos Aires. [N.d.T.]</p>
<p>(8) “Uno pasó pelas horcas caudinas de la censura”, em sentido figurado, quer dizer que alguém sofreu a vergonha de fazer por força o que não queria. [N.d.T.]</p>
<p>(9) Na mitologia grega a lagoa Estige separava o reino dos vivos do reino dos mortos. [N.d.T.]</p>
<p>(10) Parca: na mitologia grega é cada uma das três deusas (Cloto, Láquesis e Átropos) que determinam o curso da vida humana, em sentido figurado significa a morte. [N.d.T.]</p>
<p>• • •</p>
<p>Publicado em BORGES, Jorge Luis &amp; BIOY CASARES, Adolfo. Nuevos cuentos de Bustos Domecq. Madri. Siruela, 1986. Traduzido por Caio Túlio Costa em 2003 para uso no curso de Ética Jornalística.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/o-inimigo-numero-1-da-censura/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Os relatos jornalísticos</title>
		<link>http://caiotulio.com/os-relatos-jornalisticos/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/os-relatos-jornalisticos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 20:40:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://10.128.5.207/wordpress/?p=166</guid>
		<description><![CDATA[PEUCER, Tobias. De relationibus novellis. Leipzig: Tese (Doutorado em Periodística) &#8211; Universidade de Leipzig, 1690. Tradução de Paulo da Rocha Dias. São Bernardo do Campo: PósCom-Umesp, 1999. [Mimeo].¹
Preâmbulo do tradutor 
Tobias Peucer faz parte de um grupo que, na primeira metade do século XVII, começara a pesquisar e a publicar os resultados de suas investigações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: 11pt;">PEUCER, Tobias. De </span><em><span style="font-size: 11pt;">relationibus novellis. </span></em><span style="font-size: 11pt;">Leipzig: Tese (Doutorado em Periodística) &#8211; Universidade de Leipzig, 1690. Tradução de Paulo da Rocha Dias. São Bernardo do Campo: PósCom-Umesp, 1999. [Mimeo].¹</span></p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"><strong><em><span style="font-size: 11pt;">Preâmbulo do tradutor </span></em></strong></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">Tobias Peucer faz parte de um grupo que, na primeira metade do século XVII, começara a pesquisar e a publicar os resultados de suas investigações nas universidades alemãs. Este fato coloca a Ale­manha no ponto inicial de uma rica tradição de pesquisa em jorna­lismo, continuada no presente século por pesquisadores insignes como Otto Groth e Max Weber. Confirma também a &#8220;Periodistika&#8221; como o primeiro e mais antigo ramo das Ciências da Comunicação e da Informação. </span><span style="font-size: 11pt;">É <span>na Alemanha, e justamente em Leipzig, que surgiu o primeiro diário da história da imprensa, o </span><em><span>Leipziger Zeitung. </span></em></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">A versão em língua portuguesa da tese de Peucer que ora apre­sentamos tem como base a tradução para o Catalão feita pelo profes­sor Josep Maria Casasús, presidente da Societat Catalana de Comuni­cació. Casasús, por sua vez, fez uso do texto original em Latim e da versão do mesmo em alemão. </span><span style="font-size: 11pt;">Cabe dizer aqui que esta tradução é o resultado de um desafio lançado por José Marques de Melo. Há muito que, ao se estudar a &#8220;Zeitungswissenschaft&#8221; nos cursos de pós-graduação em Comunicação, fazia-se apenas referências à pesquisa de Tobias Peucer ou se passava a conhecê-la por meio de fontes indiretas. </span><span style="font-size: 11pt;">É, <span>portanto, útil e oportuno publicar esta versão em português não só por ser um meio de conhecer diretamente o trabalho de Peucer, mas também pela atualidade perene desta investigação realizada há mais de três séculos. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">Aqueles que têm familiaridade com a pesquisa em jornalismo, irão perceber que a maioria dos temas hoje sistematizados e aos quais se recorre permanentemente quando se faz pesquisa nesta área, foram então observados e investigados de forma científica por Tobias Peucer. O trabalho pioneiro desse alemão de Görlitz deu início, em </span><span style="font-size: 11pt;">1690, </span><span style="font-size: 11pt;">na cidade de Leipzig, ao conhecimento acumulado e sistemático de uma ciência que hoje se encontra em fase de amadurecimento e autonomia. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">A leitura dessa tese leva-nos às origens das teorias de jornalismo hoje em voga nos centros de estudos avançados de Comunicação. Ler esses vinte e nove parágrafos será uma busca das origens do pensa­mento moderno em Comunicação. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">Com a permissão benévola de Deus. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;" align="left"><em><span style="font-size: 11pt;">Paulo da Rocha Dias &#8211; </span></em><span style="font-size: 9pt;">Doutorando em Comunicação Social pela Umesp, </span><span style="font-size: 9pt;">Universidade Metodista de São Paulo. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;"><strong><span style="font-size: large;">Os relatos jornalísticos (De relationibus novellis)²</span></strong></span></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">I. Atesto que não há nada que satisfaça tanto a alma humana como a história, seja qual for a maneira como tenha sido escrita. Pode ser que não oferecerei ao leitor uma obra ingrata se elaboro um comentário sobre as publicações de notícias </span><em><span style="font-size: 11pt;">(novellae) </span></em><span style="font-size: 11pt;">das quais há hoje uma grande abundância. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23.25pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <strong><span>II. </span></strong><span>Quanto ao termo em si, é sabido por todos que </span><em><span>novellae </span></em><span>tem a mesma acepção de Novos Periódicos </span><em><span>(Neue Zeitungen); </span></em><span>porém, este significado não se encontra entre os escritores latinos clássicos. Com efeito, Charles du Fresne, em seu </span><em><span>Glossarium ad scriptores media e et infimae Iatinitatis, </span></em><span>observa que nas glosas manuscritas dos códex dos Concílios, a palavra </span><em><span>novellae, </span></em><span>por si só, significa &#8220;nova comunicação&#8221;, cita aí um exemplo do códex que se encontra na biblioteca real: &#8220;Eodem tempore, cum multi novellis gauderent quod Constantinus baptizatus a Silvestro Episcopo urbis Romae, emundatus fuisset a lepra etc.” ³ </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23.25pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">Depois, porém, os monges passaram a empregar o termo &#8220;no­tícia&#8221;. Isto se pode inferir do manuscrito, em verso, sobre a vida de Saint Mur: &#8220;Est pater in cella, cum nascitur ista novella.&#8221; (4) </span></p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">Daí a palavra </span><em><span style="font-size: 11pt;">nouvelle </span></em><span style="font-size: 11pt;">de uso corrente entre os franceses. Antonius Augustinus nota que com esta palavra os imperadores de­signavam as disposições mais recentes. Nós, por proporcionar mais clareza, empregaremos a palavra &#8220;relatos&#8221; </span><em><span style="font-size: 11pt;">(relationes). </span></em></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ III. <span>Porém, como consta nos critérios do meu projeto, em pri­meiro lugar gostaria de dizer algumas coisas sobre as diversas formas da história. Uma dessas formas se ordena como um fio contínuo, con­servando a sucessão precisa dos fatos históricos. Esta forma é denomi­nada universal, particular ou singular. Uma outra, em troca, discorre e resenha em uma determinada ordem os fatos ou as palavras escolhidas e dignas de serem contadas que se extraiu separadamente da narração contínua dos fatos históricos. Isto se faz na medida em que cada coisa </span><em><span>vai </span></em><span>se apresentando. Parece pertencer a esta forma da história as &#8220;coisas esparsas&#8221; </span><em><span>(tá sporáden) </span></em><span>de </span><em><span>Aristógenes; </span></em><span>igualmente as histórias sem ordem de </span><span>Pescenni </span><span>Fest, das quais relembra Lactâncio, </span><em><span>Livro </span></em><span>I,<strong> </strong></span><em><span>DefaIs. relig., </span></em><span>c. XXI e de outros. Segundo Voss, </span><em><span>De art. hist., </span></em><span>c. VII. Uma outra forma, finalmente, é a confusa. Os gregos chamam-na &#8220;miscelânea </span><em><span>(symmictica), </span></em><span>ou seja, &#8220;história variada&#8221; ou &#8220;multiforme&#8221; (poikíle radena pantodapé historía) dado que não há também nesta forma nenhum </span><em><span>critério </span></em><span>de ordem, é chamada também de &#8220;coisas desordenadas&#8221; (átacta). </span><em><span>Foi </span></em><span>desta forma que escreveu </span><em><span>Aristóteles </span></em><span>a sua obra, segundo o testemunho de Laercio, </span><em><span>livro </span></em><span>V, p. 317. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>IV. Esta última classe ou </span><em><span>tipo </span></em><span>de </span><em><span>relationes </span></em><span>são relatos periodísticos </span><em><span>(Relationes novellae) </span></em><span>que contêm a notificação de coisas diversas acontecidas recentemente em qualquer lugar que seja. Estes relatos, com </span><em><span>efeito, </span></em><span>têm mais em conta a sucessão exata dos fatos que estão interrelacionados e suas causas, limitando-se somente a uma </span><em><span>simples </span></em><span>exposição, unicamente a bem do reconhecimento dos fatos </span><em><span>históricos </span></em><span>mais importantes, ou até mesmo misturam coisas de temas diferentes, como acontece na vida diária ou como são propagadas pela voz pública, para que o </span><em><span>leitor </span></em><span>curioso se sinta atraído pela va­riedade de caráter ameno e preste atenção. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>V. Agora cabe expor mais extensamente suas </span><em><span>origens </span></em><span>e as causas de sua composição, para que sejam mais plenamente conhe­cidas sua estrutura e sua utilidade na vida literária e cívica. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>VI. No que se refere à </span><em><span>origem </span></em><span>desses relatos, não é possível assinalar um ano determinado e é difícil afirmar quando, por primeira vez, surgiu esta maneira de escrever este </span><em><span>tipo </span></em><span>de notícias e de relatos, digamos, precipitados. Antigamente, entre os gregos, antes da guerra de Tróia, de acordo com o que </span><em><span>diz Diodor </span></em><span>de Sicília no </span><em><span>início </span></em><span>de sua </span><em><span>Bibliotheca historica, </span></em><span>não era dada nenhuma atenção à história. Muito pelo contrário, antes das Olimpíadas, tudo restava desconhecido e envolto em faltas. Segundo </span><em><span>Censori, De die natali, </span></em><span>c. XXI. Também entre os romanos, nos primeiros séculos depois da fundação da cida­de, a literatura foi muito rara. Tampouco aqui (na Alemanha) havia sequer pessoas que pusessem por </span><em><span>escrito </span></em><span>a memória dos acontecimen­tos. Pode ser exceção aquilo que era registrado nos comentários dos pontífices e em outros documentos públicos e privados (veja </span><em><span>Livi, </span></em><span>livro VI). Esta negligência dos antigos foi compensada depois por </span><em><span>escritores </span></em><span>insignes, tanto gregos como latinos, que, de uma só vez, estabeleceram as bases dos comentários da história escrita. Entre os alemães, antes dos tempos de Carlos Magno, não </span><em><span>creio </span></em><span>que seja possível demonstrar com nenhum tipo de documentos exatos que se </span><span>tenha cultivado o estudo da história. Porém, quando Carlos Magno estendeu seu poder sobre os afazeres da Alemanha, teve início o ensino da história, assim como as outras artes, sobretudo por parte dos monges, que, apesar das dificuldades da época, deixaram por primeira vez uma relação dos fatos históricos em uma crônica. Do mesmo modo, quando no início do século passado começou a brilhar a luz da literatura, homens sérios e doutos se aplicaram novamente com muita assiduidade à tarefa de estabelecer as bases da história. Com isso a sua glória atingiu um tipo de ressurgimento de maneira que muitos se dedicaram a escrever história. Depois, alguns não mais instruídos, querendo imitá-los, recopilaram uns relatos grotescos sobre fatos acontecidos recentemente aqui e acolá, obras precipitadas ex­traídas dos escritos dos palácios, dos mercadores, ou da boato público de sorte que favoreciam a curiosidade do povo, geralmente inclinada, ao conhecimento das coisas novas. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">VII. Desde então, os itálicos e os gauleses, e depois os belgas e os germânicos, devido ãs guerras que então promoviam com sortes variáveis, parece que afeiçoaram-se rapidamente a este gênero fun­cional de escrita. Em primeiro lugar porque de forma inesperada serão instituídos os correios públicos e postais, como são denomina­dos, e assim se podia conhecer com facilidade o que sucedeu em lugares distantes. Os correios haviam sido instituídos por Augusto pela primeira vez no império romano, segundo Suetônio, </span><em><span style="font-size: 11pt;">Augustus, </span></em><span style="font-size: 11pt;">c. 49. Os correios serão ordenados mais adequadamente no império por Carlos V. Na Gália, Luis XI irá instituir os correios a fim de saber com mais rapidez e conhecer mais facilmente o que se passava em qual­quer que fosse das províncias de seu império. </span><em><span style="font-size: 11pt;">Limn. juro publ., </span></em><span style="font-size: 11pt;">livro </span><span style="font-size: 11pt;">II, </span><span style="font-size: 11pt;">c. IX, n. 135. Finalmente, por obra de Gotard Arthusius, de Gdansk, no ano de 1609, apareceram os mercúrios franco-belgas, que, apesar de anunciar fábulas falsas junto com histórias verdadeiras, consegui­ram a graça da curiosa novidade encontrar credibilidade aos olhos de muitos de maneira indiscriminada. Porque, como diz Lucrécio, livro IV, &#8220;toda a linhagem humana está excessivamente ávida de cativar os ouvidos.&#8221; E, tal como disse Sêneca no livro VII, </span><span style="font-size: 11pt;">C. </span><span style="font-size: 11pt;">16 das </span><em><span style="font-size: 11pt;">Naturales questiones, </span></em><span style="font-size: 11pt;">&#8220;alguns são crédulos, outros descuidados. Outros são enganados de boa fé pela mentira. Outros se deixam seduzir por ela. Uns não a evitam, outros a procuram. Toda esta raça tem em comum o defeito de crer que a sua obra não se fará aceitar nem se tornará popular se não for misturada com fábulas&#8221;. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>VIII. Assim então, as causas da aparição dos periódicos impres­sos com tempestiva freqüência hoje em dia, são em parte a curiosi</span><span>dade humana e em parte a busca de lucro, tanto da parte dos que confeccionam os periódicos, como da parte daqueles que os comer­ciam, vendem. Assim se poderia demonstrar com exemplos óbvios a cada passo, mas pareceria tedioso entreter-se extensamente em uma coisa conhecida, e poderia afinal ser enfadonho para alguns. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">IX. Cabe-nos então avançar primeiramente às causas pelas quais se compõem tais relatos; em primeiro lugar cabe tratar dos autores (que na escola é denominado &#8220;causa eficiente&#8221;). Se alguém espera encontrar nestas umas notícias </span><em><span style="font-size: 11pt;">(novellae) </span></em><span style="font-size: 11pt;">verdadeiras e úteis (empregaremos por enquanto o termo </span><em><span style="font-size: 11pt;">novellae </span></em><span style="font-size: 11pt;">em sentido comum, vulgar), são necessárias diversas coisas. Indicaremos as qualidades do bom historiador; em parte cabe relacioná-las com o intelecto e em parte com a vontade. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>X. Cabe ao intelecto o conhecimento das coisas que serão registradas nos relatos públicos. Estas são obtidas por inspeção pró­pria </span><em>(autopsia) </em><span>quando o sujeito é espectador </span><em>(autóptes) </em><span>dos aconte­cimentos, ou por transmissão, quando uns explicam aos outros os fatos que presenciaram. E nisso qualquer pessoa concordará sem nenhum problema que é merecedor de mais credibilidade o testemu­nho &#8220;presencial&#8221; </span><em>(autóptes) </em><span>que o receptor de uma transmissão de outro. Assim como nos julgamentos costuma-se dar mais crédito a um testemunho ocular que a um testemunho de ouvidos, assim também se dá mais crédito ao narrador &#8220;presencial&#8221; </span><em>(autóptes) </em><span>que a quem cuja narrativa foi extraída de outro. Pode ser também por esta causa que Verri Flac, no livro </span><em>De verborum significatione, </em><span>citado por Gelli, livro V, c. 18, pretende que a história propriamente seja a narração daquelas coisas de que o indivíduo tenha sido espectador </span><em>(autóptes). </em><span>Porém, Voss, </span><em>De art. bist., </em><span>c. 1, observa com acerto que assim a his­tória é tomada em um sentido mais estrito. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XI. Depois, na confecção deste tipo/classe de relatos, faz falta o juízo, a mais exímia qualidade do intelecto, para que, por meio dele, as coisas dignas de crédito sejam separadas dos rumores infun­dados que se fazem correr; as leves suspeitas e as coisas e ações diárias sejam separadas das coisas públicas e daquelas que merecem ser contadas. Este juízo faltou em outros tempos sobretudo aos mon­ges, assim como a muitos escritores, ou seja, aos autores das crônicas, e também falta freqüentemente aos redatores de periódicos quando procuram falar de banalidades </span><em><span style="font-size: 11pt;">(micrologia) </span></em><span style="font-size: 11pt;">e minúcias </span><em><span style="font-size: 11pt;">(tá </span></em><em><span style="font-size: 11pt;">lepta) </span></em><span style="font-size: 11pt;">e omitem o que seria útil e fácil de ler, envernizam com documentos o que ouviram dizer por outros e, por fim, quando não têm coisas exatas, fazem passar por história as suspeitas e conjecturas dos outros. Muitas coisas desse quilate chegam do estrangeiro. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XII. Sobre este defeito, comum nos historiadores, advertiu em outros tempos Lúcia na obra </span><em>De hist. scrib.: </em><span>&#8220;há muitos que deixam de lado os fatos históricos maiores e mais dignos de ser contados, ou a eles se referem apenas superficialmente; isto acontece por falta de instrução ou de critérios e por ignorância em relação ao que cabe dizer ou silenciar, inquirem sobre as coisas mais insignificantes, de­tendo-se nelas de maneira extremamente prolixa e laboriosa. Como se um não visse nem ouvisse toda a beleza de Júpiter d&#8217;Olímpia, que é tão grande e tão excelsa, e não explica nada aos que a desconhe­cem, enquanto admiram em troca a retidão e polidez do pedestal e a harmonia da sandália (explica detalhada mente estas coisas com grande paixão)&#8221;. E depois ilustra esta sentença com um duplo sentido, um extraído dos jardins e outro dos convites. Diz-se que é bem sim­ples se um, deixando de lado a rosa, se aplica mais prontamente a contemplar com acurácia os espinhos que surgissem perto da raiz ou se em um jantar muito suntuoso, alguém achasse conveniente colocar juntos um peixe vulgar e um prato de carne. Quando se está mais pronto para não fazer nenhuma das duas coisas. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XIII. Relaciono com a vontade do escritor de periódicos a credibilidade e o amor ã verdade: não seja o caso que, preso por um afã partidário, misture ali temerariamente alguma coisa de falso ou escreva coisas insuficientemente exploradas sobre temas de grande importância. &#8220;Já que, quem ignora, diria Cícero, livro II </span><em>De oratore, </em><span>que a primeira lei da história é que não se ouse dizer nada de falso; depois, que não lhe falte coragem para dizer o que seja verdade, que não tenha nenhuma suspeita de parcialidade nem aversão alguma em escrever? </span>É <span>manifesto que estes fundamentos são conhecidos de to­dos.&#8221; E Estrabó, no livro XII da sua </span><em>Geogr. </em><span>Considera uma invenção o que se explica sobre as Amazonas, acrescenta: &#8220;A história quer o que é vero, seja antigo ou novo; E o que é insólito, ou não se narra ou o faz muito raramente.&#8221; Por isso, Polibi, um escritor muito rigoroso da antigüidade, quando decidiu escrever sobre as gestas de Escipio da Espanha, foi até àqueles países distantes para que nada de falso borrasse a sua história. Cícero, no livro I </span><em>De Legibus, </em><span>afirma que falta esta laboriosidade em Heródoto e em Teopomp. Quintiliano, no livro </span><span>II, </span><em>De institutione oratoria, </em><span>c. </span><span>11, </span><span>parece negar a credibilidade aos gregos quando escreveu que os gregos normalmente usam para a história as mesmas licenças que usam para a poética. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XIV. </span><span style="font-size: 11pt;">É <span>certo que sob este aspecto se pode pensar que os compiladores de notícias têm maior licença que os historiadores mais rigorosos, quando eles mesmos não intervêm nos fatos nem podem obter facilmente documentos fidedignos de países distantes ou dos arquivos dos príncipes, e a maioria das coisas, muitas delas incertas, são recolhidas de cartas de amigos ou da voz pública; E, enquanto isso alimentam a curiosidade humana com alguns relatos. Da mesma forma, não se pode mentir nem dizer coisas falsas de sorte que o outro forme uma opinião falsa ou seja enganado, em tais casos, o autor trabalhará mais retamente, abstendo-se em transmitir coisas abertamente falsas ou se, em caso sejam incertas, ajunte a elas aquela precaução que Sêneca ofereceu no livro IV das </span><em>Na tu rales questiones: </em><span>&#8220;Caberá confiar nos autores&#8221;. Seguir uma opinião incerta e enganar os leitores em coisas de relativa importância é muito temerário. O que cabe atribuir aos rumores e à fama pública pode ser compreendido pelas palavras dirigidas por Alexandre Magno aos soldados, no livro IX de Curci: &#8220;Não é nenhuma novidade para vocês os exageros dos mentirosos. A fama jamais deixa alguma coisa ser transparente. Tudo o que ela nos traz é maior que a verdade. A nossa própria glória, sólida como é, é ainda maior pelo nome que pelas nossas obras.&#8221; E por isso é preciso averiguar se quando um fato acontecido recente­mente é anunciado imediatamente em locais diversos, é confirmado pelo testemunho de muitos. Quando estes não concordam, conferem uma credibilidade provável às coisas narradas, de sorte que afinal ao mais sério, pode suceder-lhe que algumas vezes se lhe misture coisas falsas com coisas verdadeiras sem culpa sua. Com efeito, Flávio Vopisc, em seu </span><em>Aurelianus </em><span>não se ruboriza em confessar que ele mesmo havia dito Juni Tiberiá que não havia historiador algum que, pelo que faz à história, não mentisse em alguma coisa; havia deixado claro afinal que alguns pontos eram refutados por testemunhos ma­nifestos de Lívio, Salustiano, Camélia Tácito e Trogus. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XV. Feitas estas observações, quanto ao autor, podemos nos ocupar agora da matéria dos periódicos. Esta (como a da história escrita), são as coisas singulares, fatos realizados ou por Deus através da natureza, ou pelos anjos, ou pelos homens na sociedade civil ou na Igreja. Pois bem, como estes fatos são quase infinitos, cabe esta­belecer uma seleção de modo que seja dado preferência aos </span><em>axiomnemóneuta, </em><span>ou seja, àqueles que merecem ser recordados ou conhecidos. São desta natureza, em primeiro lugar, os prodígios, as monstruosidades, as obras ou os feitos maravilhosos e insólitos da natureza ou da arte, as inundações ou as tempestades horrendas, os terremotos, os fenômenos descobertos ou detectados ultimamente, fatos que têm sido mais abundantes que nunca neste século. Depois, as diferentes formas dos impérios, as mudanças, os movimentos, os </span><span>afazeres da guerra e da paz, as causas das guerras, os planos, as batalhas, as derrotas, as estratégias, as novas leis, os julgamentos, os cargos políticos, os dignatários, os nascimentos e mortes dos prínci­pes, as sucessões em um reino, as inaugurações e cerimônias públicas que parecem se instituir novamente ou que parecem mudar ou que são abolidas, o óbito de varões ilustres, o fim de pessoas ímpias, e outras coisas. Finalmente os temas eclesiásticos e literários: como a origem desta ou daquela religião, seus autores, seus progressos, as novas seitas, os preceitos doutrinais, os ritos, os cismas, a perseguição que sofrem, os sínodos celebrados por motivos religiosos, os decretos, os escritos mais notáveis dos sábios e doutos, as disputas literárias, as obras novas dos homens eruditos, as instituições, as desgraças, as mortes e centenas de coisas mais que façam referência ã história natural, ã história da sociedade, da Igreja ou da literatura: tudo isto costuma ser narrado de forma embaralhada nos periódicos, como uma história confusa, para que a alma do leitor receba o impacto de uma amena variedade. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XVI. Aqui, porém, ao escolher a matéria digna dos novos relatos jornalísticos, cabe algumas precauções que a prudência comum sugere. A primeira é esta: que aí não se ponha coisas de pouco peso ou as ações diárias dos homens; ou as desgraças humanas, das quais há uma fecunda abundância na vida comum. Tais podem ser as tem­pestades que acontecem regularmente de acordo com a diversidade de estações e clima; os atos privados dos príncipes, como fazer uma caçada, celebrar um banquete, assistir a uma comédia, fazer uma excursão a esta ou àquela montanha, passar em revista alguns bata­lhões. Igualmente, o trato aos cidadãos, entre eles, os castigos dos malfeitores, as conjecturas sobre afazeres públicos que ainda não são conhecidos e outras coisas desta natureza que são mais próprias de um diário particular que de uma resenha pública. Pode-se encontrar a cada passo muitos exemplos dessas coisas nas crônicas dos monges, e nas gravuras nos livros dos escritores. Esta mesma falta de capaci­dade de julgamento foi enfatizada em outros tempos por Capitólio em sua </span><em><span style="font-size: 11pt;">Macrini vita, </span></em><span style="font-size: 11pt;">c. 1, a propósito do historiador Juni Cordus porque ele perseguia os mínimos detalhes: como se de Trajano, de Pius, de Marco tivesse que saber quantas vezes iriam sair, quando iriam mudar a dieta alimentar, e quantas vezes trocariam de roupas. O mesmo escritor, no livro </span><em><span style="font-size: 11pt;">Gordiani tres, </span></em><span style="font-size: 11pt;">c. XXI, censura este Cordus. &#8220;Estas, dizia, são as coisas que acham dignas de recordar de Gordiã, o jovem. Nós, com efeito, negamos a divulgar tudo aquilo que Juni Cordus irá escrever de maneira ridícula e estúpida sobre as diversões domésticas </span><span style="font-size: 11pt;">e outras coisas mais baixas; Quem quiser saber sobre elas, que leia o próprio Cordus, que falou de cada imperador quantos escravos teria, quantos amigos, quantos capas, quantos clámides.&#8221; Não serviria nada a ninguém saber tudo isto. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XVII. Depois, a segunda precaução é esta: que não se expli­quem indiscriminadamente aquelas coisas dos príncipes que não querem que sejam divulgadas. Porque é coisa perigosa escrever sobre aquilo que pode lhe mandar ao degredo. Assim então, as pessoas prudentes aconselham que cabe esperar até que aqueles tenham desaparecido dentre os vivos ou que já não lhe possa causar danos. Assim advertiu Arrià na história de Alexandre descrita fielmente com base em Ptolomeu e em Arstóbulo; Isto foi também observado por Cornélio Tácito, </span><em><span>Annales I, </span></em><span>1. Raramente foram ditas coisas verdadeiras sobre os príncipes que ainda vivem dado que os escritores esperam por uma adulação crescente e, por isso, com o relato das coisas acontecidas, falta a verdade de muitos modos: primeiramente por desconhecimento do modo como uma coisa sucedeu, depois, pelo desejo de dar consentimento ou ainda, por ódio aos que governam. Assim, entre inocentes e culpados, nenhum deles tem preocupação alguma com a posteridade. Segundo Tácito, </span><em><span>Historiae, </span></em><span>livro </span><strong><span>I, </span></strong><span>c. 1. Por isso, num estado bem organizado não há de ser concedido a quem quer que seja difundir periódicos entre a multidão. Segundo Besold, </span><em><span>Thesaurus pract. </span></em><span>Na expressão </span><em><span>neue Zeitungen; </span></em><span>e do célebre jurista Ahsver-Fritsch, o </span><em><span>Discursum de novellarum hodierno usu et abusu, </span></em><span>capo </span><strong><span>III, </span></strong><span>publicado em Jena em 1676. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XVIII. Eis a terceira precaução: que não se insira nos periódi­cos nada que prejudique os bons costumes ou a verdadeira religião, tais como coisas obscenas, crimes cometidos de modo perverso, expressões ímpias dos homens que sejam graves para os ouvidos piedosos. Quando se explicam estas coisas, tal como disse Plínio, é como se as estivesse ensinando. </span>É <span>por isso que em algumas cidades se estabeleceu com uma prudente decisão que não seja permitido imprimir periódicos sem que estes tenham sido aprovados pela cen­sura. Dá-se, com efeito, a honesta disciplina, para que os espíritos inocentes não sejam ofendidos com esta espécie de páginas impuras espalhadas aqui e ali, ou que, por outro lado, os que são propensos ao mal, não venham a ser incitados por esse tipo de escritos. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.8pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XIX. Por outro lado, no que diz respeito a coisas de pouca importância, que constituem a maior parte de alguns periódicos, os que os produzem podem ter mais licença que os historiadores, porque aqueles escrevem quase precipitadamente, não tanto para a posteridade, </span><span>mas para satisfazer a curiosidade do povo, ávido de coisas novas. Para satisfazer esta curiosidade, faltam coisas de peso, e ocupam-se com coisas amenas, leves, e às vezes fúteis. Por isso, fica bem fazer aqui de certa maneira alguma concessão aos costumes do século. Júlio César, </span><em><span>De bello gallico, </span></em><span>livro </span><span>IV, </span><span>c. 5, já em outros tempos deu constância a esta curiosidade entre os gauleses: &#8220;Os gauleses, disse Júlio Cesar, têm por costume aturar os viajantes para seu próprio desagrado, e lhes fazem perguntas sobre tudo o que ouviram ou observaram das coisas que acontecem, e assim, rodeiam os viajantes e os fazem dizer de que terras vêm e de que coisas estão informados; e então, preocupados pelos rumores e pelo que ouviram dizer, normalmente tomam decisões em afazeres dos mais graves, dos quais todos normalmente hão de se arrepender por ter se fiado demais e por ter falado de todo mundo. posto que a maioria dos informadores lhes respondem com falsos elogios. Portanto, quando alguns narram coisas amenas, leves, pode suceder que estejam se acomodando ao desejo de coisas novas que também já invadiu os ânimos do povo, pode que estejam imitando Dió Cassi, que, depois de rebaixar-se a resenhar umas minúcias, logo em seguida apresentou um tipo de desculpa porque não percebeu que havia faltado por imprudência ou por incapacidade. Dado que quem conhece a superficialidade humana pode pensar sem esforço o quanto é fácil errar em todas estas coisas que ouve dos outros em uma con­versa ou em um rumor incerto. Aquelas coisas que acontecem a cada dia, muitos, induzidos pelos sentimentos ou traídos pela negligência, explicam-nas de .uma forma completamente diversa do que realmente aconteceu. Por isso, se se trata da veracidade de um fato, poder-se-á fazer uso daquela fórmula de precaução que se encontra em Curci, livro </span>IX: <span>&#8220;Com efeito, transcrevi mais coisas que não acredito. Dado que não posso afirmar sobre aquilo de que duvido, nem posso ocultar o que ouvi.&#8221; Agindo assim, o escritor de periódico salvaguardará a sua credibilidade, já que assim permite ao prudente leitor fazer o seu juízo. Por isso, o já mencionado Dr. Fritsch, no </span><em><span>Discursum </span></em><span>citado, c. </span>IV, <span>adverte que não se há de crer temerariamente nos periódicos. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 22.55pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XX. A forma deste tipo de relatos, se é que alguém se pergun­ta sobre isto, é vária. Porém, falando de modo geral, a forma é ba­seada na economia </span><em><span style="font-size: 11pt;">(oikonomía) </span></em><span style="font-size: 11pt;">e na expressão (léxis); porque aquilo que constitui o corpo da história </span><span style="font-size: 11pt;">(<em>tó </em></span><em><span style="font-size: 11pt;">soma tés historías) </span></em><span style="font-size: 11pt;">freqüen­temente encontra-se em um outro lugar. A economia </span><em><span style="font-size: 11pt;">(oikonomía) </span></em><span style="font-size: 11pt;">se refere à ordem e disposição do fato histórico; a expressão </span><em><span style="font-size: 11pt;">(léxis) </span></em><span style="font-size: 11pt;">indica a maneira de dizer e o estilo adequado aos fatos. Em continu­ação direi alguma coisa de cada uma destas partes. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XXI. No que se refere à economia </span><em><span>(oikonomía) </span></em><span>e disposição, parece claro que depende da natureza do tema de que se trata. Dado que ou se resenha diversas coisas de variada índole, ou alguma coisa simples. Na recensão daquelas, a ordem é arbitrária, atestando que não há nenhuma conexão entre coisas acontecidas em lugares diversos, em tempos diferentes e de maneira variada. Por isso, é costume preservar a ordem com que os acontecimentos se apresentam. Em contra partida, quando se trata de uma coisa simples e singular, aí sim que cabe pre­servar/guardar uma ordem que enquadre ao tema. Por exemplo, se alguém quer reconstituir o sítio de Mogúncia que aconteceu no ano passado e a sua conseqüente conquista, este alguém terá que dispor tudo de sorte que primeiro fale dos seus autores, depois do motivo, em seguida dos aparelhos e instrumentos, logo em seguida do local e da maneira de agir, finalmente da ação mesma e dos acontecimentos e do valor dos valentes heróis que resplandeceu de maneira especial no sítio e na ocupação da cidade. Assim, se alguém quer preparar um relato que para ser impresso sobre a expedição à Britânia por Guillerme, príncipe de Aurênia, agora rei da Grã-Bretanha, terá que ordenar o relato do mesmo modo e com a mesma ordem. Igualmente nas outras narrações caberá ater-se àquelas circunstâncias já conhecidas que se costuma ter sempre em conta em uma ação tais como a pessoa, o objeto, a causa, o modo, o local, e o tempo. Segundo Franz Patricius, </span><em><span>De bist. dialog., </span></em><span>VII e VIII. Em outras coisas que não são da vida civil, o critério é, de certo modo, diferente. Porque nem todas as circunstân­cias podem ser encaixadas sempre da mesma maneira quando não houver constância suficiente da causa, ou do tempo, ou do local ou do modo pelo qual o fato foi realizado. Por enquanto é suficiente anunciar os fatos de forma superficial, segundo os rumores, sem ordem alguma. Veja Plinius, </span><em><span>Epist., </span></em><span>livro IV, n. 11. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XXII. A expressão </span><em><span>(léxis) </span></em><span>ou modo de dizer, ou estilo dos periódicos, não há de ser nem oratório nem poético. Porque aquele distancia o leitor desejoso de novidade; e este lhe causa confusão além de não expor as coisas com clareza suficiente. Em compensação, o narrador, se quer agradar, precisa seguir antes o fato como ele sucedeu. Veja Cicero, livro lI, </span><em><span>De oratore. </span></em><span>Pois bem, para este fim o narrador se faz servir uma linguagem por um lado pura, mas por outro, clara e concisa. Isto é asseverado por Cícero no seu </span><em><span>Brutus: </span></em><span>&#8220;Não há nada, disse, que seja tão agradável na história como a bre­vidade pura e clara.&#8221; Por isso cabe evitar as palavras obscuras e a confusão na ordem sintática. Assim também advertiu Lúcia na obra </span><em><span>De scrib. bist.: </span></em><span>&#8220;Que a sua palavra (a do escritor) tenha este único objetivo: mostrar os fatos claramente e torná-los compreensíveis da ma­neira mais diáfana, com palavras não obscuras e fora de uso, nem tampouco com palavras próprias dos mercados e dos botecos, de tal modo que a maioria as entenda e que os eruditos as respeitem&#8221;.(5) Não cabe analisar aqui mais coisas sobre o estilo da história, que convém empregar também nos periódicos, pois já foi falado sobre isto em um outro lugar. Veja Fabio Quintiliano, livro X, e o </span><em><span>De art. hist. </span></em><span>Do doutíssimo Voss. Ainda que o estilo seja áspero e bárbaro, como nas crônicas antigas, da mesma forma, a amenidade da narração é pouco ressentida. Porque, segundo Plínio, </span><em><span>Epistulae, </span></em><span>livro V, n. 8, &#8220;a história deleita seja qual for a maneira como tenha sido escrita. Porque os homens são curiosos por natureza e eles se sentem fascinados por qualquer conhecimento nu das coisas, de modo que se deixam até mesmo levar por erros e fábulas. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XXIII. A finalidade interna e própria da história é a conserva­ção do registro dos fatos acontecidos. Se não fosse pela história, as coisas acontecidas antes dos nossos tempos esvaneceriam ou seriam todas apagadas. Porque as coisas singulares são praticamente infinitas e, se não fossem registradas pela história ou nos anais, por displicên­cia ou por deficiência da memória humana seriam finalmente sepul­tadas pelo silêncio ou não poderiam ser transmitidas integralmente ã posteridade. Que aos novos relatos jornalísticos não se pode designar igualmente esta finalidade, pode ser inferido do que já dissemos acima. Pelas causas acima comentadas fica claro que os relatos jornalísticos não costumam escrever tendo em vista a posteridade senão tendo em vista a curiosidade humana. Da mesma forma, se acontece que a partir deles as coisas narradas passam também ã his­tória estritamente dita, há de se compreender que nem todos, mas somente de uns poucos, os que foram registra dos com uma certa acurácia e aplicação é que passam ã história. Porém, a maior parte deles, por ter sido escrita de forma precipitada a partir de rumores e de cartas pouco certas, não chega a superar os anos. E bem certo que não podem ser considerados entre os documentos confiáveis e podem obscurecer a memória da posteridade. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XXIV. Eu diria que a finalidade dos novos periódicos é mais própria para o conhecimento de coisas novas acompanhadas de um certa utilidade e atualidade. Foi por esta causa que começaram por primeiro lugar a serem escritos e divulgados os periódicos, como já </span><span style="font-size: 11pt;">insinuei acima, ao ocupar-me de suas origens. Com efeito, o afã de saber coisas novas é tão grande que cada vez que os cidadãos se encontram em encruzilhadas e nas vias públicas perguntam: &#8220;o que há de novo?&#8221; A fim de satisfazer esta curiosidade humana tem se imprimido de todo modo novos relatos jornalísticos em diversos idi­omas. E os que os lêem podem satisfazer assim a sede de novidades dos companheiros e dos grupos de amigos. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XXV. A esta finalidade se ajuntam a utilidade e a amenidade que costuma acompanhar estes periódicos. Já que, assim como Lúcia, <em>De scrib. hist. </em>Estabelece como finalidade da história a utilidade </span><span style="font-size: 11pt;">(fá </span><em><span style="font-size: 11pt;">chrésimon) </span></em><span style="font-size: 11pt;">e de outras a amenidade <em>(tá terpnán), </em>assim nós não erraríamos se os colocássemos como efeito e conseqüência do fim já exposto. Dado que tanto uma coisa como a outra aparece nos ânimos dos leitores quando alguém tira uma notícia de um relato jornalístico. </span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ </span><span style="font-size: 11pt;">XXVI. Não afirmaria absolutamente que a utilidade dos peri­ódicos seja tão grande como a da história escrita com bom senso, dado que os autores daqueles se encontram quase desprovidos daqui­lo que é necessário para estabelecer a história estrita, com conheci­mentos dos fatos, competência, juízo elevado, documentos autênticos obtidos de arquivos não suspeitos e, finalmente, a linguagem e o estilo adequados ã história. Da mesma forma, não se pode negar que haja neles alguma utilidade que afeta a vida tanto privada como pública dos homens. A exposição de suas peculiaridades a empreen­deu faz mais de treze anos um homem preclaro, Christian Weise, no seu <em>Schediasma curiosum </em>no qual, assim como cabe ressaltar a genialidade de um homem tão famoso, assim mesmo acontece que o leitor curioso de periódicos preste absoluta atenção àquelas aplicações que ele assinala, sobretudo aquelas que fazem referência ao conhe­cimento da geografia, da genealogia, da história e da política. Mostra, com efeito, como a pessoa pouco versada no estudo da geografia, graças </span><span style="font-size: 11pt;">à <span>leitura de periódicos se sente como que atraída, ou, se já não é um especialista, sente-se confirmada com um reclame perpétuo. E o mesmo pode ser afirmado quanto </span>à <span>genealogia. Quanto à história de nosso tempo, não há necessidade de demonstrar que a leitura de periódicos a faz especialmente precipitada, se se levar em conta seu objetivo. Finalmente, quanto </span>à <span>utilidade política, o insigne Weise defendeu que esta é geralmente a mais importante nos periódicos por que nesta se pode conhecer os direitos entre os príncipes, discutidos por uma e outra parte, juntamente com as deliberações, os artifícios e os costumes que são freqüentes às cortes; da mesma forma, o leitor de bom senso terá que discernir aí as coisas sem fundamentos das </span><span>verdadeiras e sólidas. Porque os que crêem que ali podem ampliar um conhecimento acurado dos afazeres cívicos, estariam muito equi­vocados. Finalmente faz ver também outras utilidades para os letrados e para os iletrados, sobretudo para os comerciantes. Por tudo isso não há que acrescentar aí senão que, para se extrair estas utilidades, requer-se um conhecimento da geografia, dos negócios civis e sobre­tudo das coisas de palácio. Dado que isto são poucos os que tem a sorte de conseguir, é claro que estas utilidades não as pode explicar quem quer que seja. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XXVII. A amenidade dos periódicos, assim como a de toda a história, ninguém que não seja obtuso não a negará. Segundo palavras de Cícero, livro V, Ep.12 </span><em><span>ad famil., </span></em><span>não há nada mais apto para o deleite que as mutações dos tempos e as vicissitudes da sorte, que, apesar de não poder escolhê-las no momento de vivê-las, do mesmo modo, serão agradáveis de ler. O registro sem necessidade da dor passada é um deleite; e para os que se escaparam sem nenhuma moléstia pessoal vêem os dramas dos outros sem nenhuma dor, pois também a compaixão em si mesma é agradável. De fato, a ordem mesma dos anais não é que eles atraiam tanto, pelo que têm de sim­ples enumeração cronológica. Em troca, as situações incertas e vari­adas de uma personagem muitas vezes destacada, contêm admiração, expectativas, alegria, moléstia, esperança, temor, e se terminam com um sucesso notável, o espírito sacia-se do prazer de uma leitura al­tamente amena.&#8221; Isso acontece sobretudo na história recente dado que toca sempre o ânimo do leitor curioso e o diverte. Como disse Plínio mais acima, &#8220;os homens são curiosos por natureza e eles se deixam fascinar por qualquer conhecimento nu das coisas, de maneira que se deixam levar até erros e fábulas.&#8221; Antônio, o Panormita, disse sobre o Rei Alfonso de Aragão, em um livro sobre as suas gestas que sentiu tanto prazer em ler a história de Curci que acabou sendo curado da doença que o afetava. </span>É <span>dito que recuperou de uma vez a saúde e disse. &#8220;Tiau, tudo de bom para o Dr. Aviccenna, para Hipócrates, e aos outros médicos. Viva Curci, pois foi ele o meu salvador.&#8221; </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XXVIII. </span>É <span>ainda maior o prazer encontrado na leitura dos periódicos pelos eruditos: aqueles que gozam do conhecimento da geografia, da genealogia e dos afazeres cívicos. Porque todo relato é mais agradável se se conhece o local, as pessoas notáveis que fo­ram autoras de um feito, ou as causas pelas quais se empenharam. Quem ignora que estas circunstâncias dos fatos sejam tiradas das partes do conhecimento mencionadas? E os que isto ignoram se assemelham àqueles que em um dado quadro observam a face das pessoas sem fixar-se na estatura e nas linhas do corpo e por fim abandonam tal quadro. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23.75pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">§ <span>XXIX. Porém, tendo já uma certa idéia dos periódicos, cabe-­nos agora falar de seus variados gêneros. Dado que alguns periódicos específicos contêm coisas literárias, sua natureza, seus temas certamen­te variados e sua publicação na França, Inglaterra, Bélgica, Alemanha e Itália são coisas bastante conhecidas, eis porque os havemos de expor aqui. Alguns prometem ao leitor coisas sobretudo singulares e elegantes estampando na frente algum título certamente curioso, como são os que se escrevem em Paris e Amsterdam, </span><em><span>Le nouveau Mereure Galant, eontenant tout ee qui s&#8217;est passé de eurieux ete. </span></em><span>Outros se ocupam dos feitos cívicos como </span><em><span>Histoire abregé de I &#8216;Eu rope, ou Relation exaete de ee qui se passe de considerable dans les Estats, dans les Al-mées, ete., </span></em><span>como os publicados em Amsterdam por Claudius Jordanus. Outros, por sua vez, se ocupam de coisas de diversos gêneros tal como se apresentam a cada dia. Estes, impressos em diversos locais, com periodicidade semanal, ou mensal, ou até mesmo semestral, costumam ser divulgados em diversos idiomas. Entre estas publicações periódicas merecem ser destacadas as de Leipzig, em alemão, até agora curiosamente reunidas, e as de Frankfurt, em latim, impressas com o apoio econômico dos herdeiros Latomici, porque têm uma certa seleção das coisas que se explicam, prescindindo de banalidades e de coisas que escampam aqui e ali por rumores incer­tos. Porém, falar mais extensamente com o fim de dar um juízo sobre cada um deles, poderia parecer tedioso, dado que o critério da nossa investigação não permite assinalar aqui ninguém com uma censura inoportuna. Ao contrário, deixando o juízo em mãos dos seus leitores assinantes, rezem a Deus que de agora em diante, para escrever periódicos, disponham somente de temas que sejam motivo de alegria para a Alemanha e para a nossa Pátria. </span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-indent: 23.75pt; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">Glória seja dada ao nome de Deus! </span></p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"> </p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;"><strong>Notas</strong></span></p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 8pt;">(1) <span>Fontes usadas para a tradução: original em latim &#8211; PEUCER, Tobias. De relationibus novellis. In: KURTH, Karl Corg.). </span><em><span>Die iiltesten Schriftenfür und wider die Zeitung </span></em><span>Brünn: Rudolf M. Rohrer VerIag, 1944. p. 163-184; edição catalã &#8211; CASASUS GURI, ]osep Maria. Sobre eIs relats periodistics. </span><em><span>Periodística. </span></em><span>Barcelona: Societat Catalana de Comunicació, n. 3, p. 31-47, 1990.</span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText"><span style="font-size: 8pt;">(2) A capa da tese traz os seguintes dados: no alto, o titulo, De relationibus novellis; na parte central, os dizeres: sob a orientação de L. Adam Rechenberg, professor público e mag­nífico reitor da Universidade de Leipzig, em 8 de março de 1690, dissertará publicamente Tobias Peucer, de Görlitz (Lausitz); na base, a menção à tipografia de Wittigau, acompa­nhada da exclamação &#8220;Cristo Senhor seja bendito!&#8221; No sumário, o autor relaciona os seguintes tópicos: Atualidade do tema; Significado e uso do termo &#8220;novellae&#8221;; As diversas formas dos relatos históricos e as atribuídas aos periódicos; Descrição dos periódicos; Exposição de suas origens e suas causas; Expõe-se sobre a origem dos relatos históricos entre alguns povos, em especial entre os alemães: Os primeiros fundadores de periódicos e qual foi a ocasião para escrevê-Ia; Duas causas impulsoras: a curiosidade humana e o afã do lucro; Causa eficiente dos periódicos; Seu primeiro requisito (sobre o intelecto) é o conhecimento; O segundo requisito é o juízo; O juízo geralmente falta aos narradores; Sobre a vontade exige-se credibilidade e amor à verdade; O que às vezes se encontra em falta nos redatores de notícias; A matéria dos periódicos: coisas singulares que são de diversos tipos ou classes; A primeira precaução quanto à seleção de matérias; A segunda; A terceira; A curiosidade humana desculpa de certa maneira as coisas fúteis que contém; </span><span style="font-size: 8pt;">Em que se baseia a forma das reportagens; O seu primeiro aspecto é a economia <span>(oikonomía) ou disposição; O segundo aspecto é a expressão (léxis), ou dicção que assim determina; O ser humano se interroga sobre a finalidade dos periódicos; O que é a notícia de coisas novas; Segue-se a utilidade e a atualidade; Afirmação das diversas utilidades; Explicação da atualidade; A sua delimitação; Faz-se a distinção entre os periódicos e se põe fim à dissertação. (<em>Nota do tradutor</em>). </span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText"><span style="font-size: 8pt;">(3) Ao mesmo tempo, muitos se <span>alegravam com a &#8220;nova </span>comunicação&#8221; <span>de que Constantino, </span><span>batizado por Silvestre, bispo da cidade de Roma, havia sido purificado da lepra etc. </span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText"><span style="font-size: 8pt;">(4) <span>O padre estava na cela quando surgiu aquela notícia.</span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText"><span style="font-size: 8pt;">(5) O<span> </span><span>autor reproduz o texto de Lucia em grego, seguido da tradução em latim.</span></span></p>
<p class="Estilo" style="text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;">PEUCER, T. Os relatos jornalísticos. In: <strong>Revista Comunicação &amp; Sociedade.</strong> Universidade Metodista de São Paulo, n. 33. São Bernardo do Campo: Umesp, 2000, p. 199-214.</span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/os-relatos-jornalisticos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Príncipe Eletrônico</title>
		<link>http://caiotulio.com/o-principe-eletronico/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/o-principe-eletronico/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 20:39:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
		<category><![CDATA[Gramsci]]></category>
		<category><![CDATA[maquiavel]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Octavio Ianni]]></category>
		<category><![CDATA[Príncipe Eletrönico]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://caiotulio.com/?p=2496</guid>
		<description><![CDATA[Publicado in IANNI, Octavio. Enigmas da modernidade-mundo. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003
Na história da política, vista como teoria e prática, há muitos “prín­cipes”. Sucedem-se e convivem nas mais diversas situações, épocas e regiões: na monarquia e na república, na democracia e na tirania, na guerra e na paz, na revolução e na contra-revolução. Podem ser [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado in IANNI, Octavio. <em>Enigmas da modernidade-mundo</em>. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2003</p>
<p>Na história da política, vista como teoria e prática, há muitos <em>“</em>prín­cipes<em>”</em>. Sucedem-se e convivem nas mais diversas situações, épocas e regiões: na monarquia e na república, na democracia e na tirania, na guerra e na paz, na revolução e na contra-revolução. Podem ser líder, caudilho, patriarca, ditador, presidente ou dirigente, civil, militar, religioso, intelectual. Há também mulheres, ainda que, em sua maio­ria, tenham sido homens. Mas podem ser brancos, amarelos, negros, mestiços, ocidentais, orientais, africanos, latino-americanos. Em ge­ral, inspiram-se em modelos teóricos ou práticos, reais ou imaginá­rios, ocidentais, europeus ou norte-americanos. Em muitos, predomi­na algo de ocidentalismo, sempre mesclado com localismo, tribalismo ou nacionalismo. Todos batalham o público e o privado, a ordem e o progresso, a tradição e a modernidade, a vocação e a missão, a sobe­rania e a hegemonia, a biografia e a história, o literal e o metafórico. Sim, o <em>“</em>príncipe<em>”</em> tem sido uma figura importante na teoria e prática da política. Sob diferentes denominações e adquirindo distintas figu­rações, aparece em toda a história dos tempos modernos.</p>
<p>O <em>príncipe </em>de Maquiavel, com o qual se inaugura no século XVI o pensamento político moderno, é a sua expressão mais conhecida, notável, influente e controvertida. São muitos os pensadores que dia­logam aberta ou veladamente com esse <em>“</em>tipo ideal<em>”</em> ou <em>“</em>arquétipo<em>”</em> da teoria e da história. Ou então, há muitos textos de política que foram e continuam a ser lidos e discutidos tendo-o como referência. Sem esquecer que têm sido numerosos os governantes e candidatos a governantes que tomam o livro de Maquiavel como leitura ocasional ou freqüente. Provavelmente todos, pensadores e governantes, bus­cam esclarecer o enigma do contraponto <em>fortuna </em>e <em>virtù. </em>Buscam criar, desenvolver ou inventar a sua <em>virtù, </em>simultaneamente ao empe­nho de descobrir como se constituem, formam e transformam as con­dições político-econômicas e socioculturais, ou os jogos das forças sociais que constituem a fortuna. Em todos os casos, estão em causa as figuras e as figurações possíveis e impossíveis do príncipe, como dirigente, governante, tirano, presidente, monarca ou patriarca. Na medida em que se realiza como príncipe, este se mostra preparado para pensar e decidir, negociar e dirigir, administrar e agir, conciliar e dividir, premiar e punir, constituindo-se simultaneamente como sím­bolo ou emblema, para uns e outros, indivíduos e coletividades, popu­lação e povo, setores sociais e sociedade, nacionais e estrangeiros.</p>
<p>Muito tempo depois, no século XX, Gramsci formula a teoria do <em>Moderno príncipe, </em>isto é, do partido político como intérprete e con­dutor de indivíduos e coletividades, grupos e classes sociais. O moder­no príncipe é, simultaneamente, <em>“</em>intelectual coletivo<em>”</em>, capaz de inter­pretar tanto os seguidores do partido como os outros setores da socie­dade, indiferentes e adversários. Nesse sentido, o moderno príncipe se revela capaz de construir, realizar e desenvolver a hegemonia de um projeto de Estado-Nação, envolvendo a organização, o desenvolvi­mento ou a transformação da sociedade.</p>
<p>Tanto no que se refere a O <em>príncipe, </em>de Maquiavel como a O <em>mo­derno principe, </em>de Gramsci, estão em causa figuras e figurações fun­damentais da política. Tudo o que pode ser específico da política neles se polariza, sintetiza ou galvaniza. Nesse sentido é que, em última instância, esses tipos ideais ou arquétipos estão referidos à capacidade de construir hegemonias, simultaneamente à organização, consolidação e desenvolvimento de soberanias.</p>
<p>Sim, é possível encontrar ressonâncias do príncipe maquiavélico no moderno príncipe gramsciano. Mas é inegável que os dois <em>“</em>tipos ideais<em>”</em> ou <em>“</em>arquétipos<em>”</em> apanham aspectos fundamentais da política como teoria e prática. Respondem a diferentes desafios histórico-sociais, próprios de cada época. Implicam diferentes avaliações sobre o dirigente e as condições de sua atuação, vistos em suas especificida­des e em suas inter-relações, tensões e acomodações, contradições e dissociações. Mas sintetizam algo da essência da política, ao ressaltar como fundamentais as categorias <em>hegemonia </em>e <em>soberania. </em></p>
<p>O dilema que se coloca, no entanto, é o de se saber se no fim do século XX continuam convincentes os emblemas, tipos ou arquétipos formulados por Maquiavel e Gramsci; sem esquecer que essas figuras e figurações ocorrem em outros autores, ainda que em outras lingua­gens e diferentes perspectivas teóricas. Reconhecendo-se que são outros os desafios histórico-sociais da globalização em curso no fim do século XX, cabe perguntar se hegemonia e soberania, compreen­dendo líder e seguidores, dirigentes e subalternos, aliados e adversá­rios, ou <em>virtù </em>e fortuna, ainda têm algo, muito ou nada a ver com um, outro ou ambos os príncipes. Nesse sentido, cabe perguntar se a crise que parece atingir duramente um e outro príncipe não acaba por colo­car em causa o que se poderia entender por hegemonia e soberania, tanto quanto <em>virtù </em>e fortuna, bem como outras categorias <em>“</em>clássicas<em>”</em> da política.</p>
<p>No fim do século XX, há sérios indícios de que os <em>“</em>príncipes<em>”</em> de Maquiavel e Gramsci, assim como outros teóricos da Política, enve­lheceram, exigem outras figurações ou simplesmente se tornaram ana­crônicos. Na época da globalização, alteram-se quantitativa e qualita­tivamente as formas de sociabilidade e os jogos das forças sociais, no âmbito de uma configuração histórico-social da vida, trabalho e cultura na qual as sociedades civis nacionais se revelam províncias da sociedade civil mundial em formação. Nessa época, as tecnologias ele­trônicas, informáticas e cibernéticas impregnam crescente e generalizadamente todas as esferas da sociedade nacional e mundial; e de modo particularmente acentuado as estruturas de poder, as tecnoestruturas, os <em>think-tanks, </em>os <em>lobbies, </em>as organizações multilaterais e as corporações transnacionais, sem esquecer as corporações da mídia. Esse pode ser o clima em que se forma, impõe e sobrepõe O <em>príncipe eletrônico, </em>sem o qual seria difícil compreender a teoria e a prática da política a na época da globalização.</p>
<p>Já não se trata mais apenas do <em>“</em>quarto poder<em>”</em>, do qual se come­çou a falar no século XIX. Trata-se de um desenvolvimento novo, intenso e generalizado, abrangente e predominante da mídia no âmbi­to de tudo o que se refere à política. Um predomínio que desafia os clássicos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, assim como o partido político, o sindicato, o movimento social e a corrente de opi­nião pública.</p>
<p>Na época da globalização, modificam-se mais ou menos radical­mente as condições sob as quais se desenvolve a teoria e a prática da política. Em primeiro lugar, a globalização do capitalismo, como modo de produção e processo civilizatório, propicia o desenvolvimen­to de relações, processos e estruturas de dominação política e apro­priação econômica de alcance mundial. Alteram-se as formas de socia­bilidade e os jogos das forças sociais, no âmbito de uma vasta, comple­xa e contraditória sociedade civil mundial em formação. Isto significa a emergência e dinâmica de grupos sociais, classes sociais, estruturas de poder, acomodações, tensões e lutas em escala mundial. Em segun­do lugar, no bojo desse mesmo processo de globalização político-eco­nômica e sociocultural, desenvolvem-se tecnologias eletrônicas, infor­máticas e cibernéticas que agilizam, intensificam e generalizam as arti­culações, as integrações, as tensões, os antagonismos, as fragmenta­ções e as mudanças socioculturais e político-econômicas, pelos quatro cantos do mundo. Em terceiro lugar, e simultaneamente a todos os desenvolvimentos, nexos, contradições e transformações em curso, desenvolve-se uma nova configuração histórico-social de vida, traba­lho e cultura, desenhando uma totalidade geoistórica de alcance glo­bal, compreendendo indivíduos e coletividades, povos, nações e nacio­nalidades, culturas e civilizações. Esse é o novo e imenso palco da his­tória, no qual se alteram mais ou menos radicalmente os quadro sociais e mentais de referência de uns e outros, em todo o mundo.</p>
<p>Esse é o novo, imenso, complexo e difícil palco da política com teoria e prática. Aí as instituições <em>“</em>clássicas<em>”</em> da política estão sendo desafiadas a remodelar-se, ou a ser substituídas, como anacronismos, já que outras e novas instituições e técnicas da política estão sendo criadas, praticadas e teorizadas. Em lugar de O <em>príncipe </em>de Maquiavel e de O <em>moderno príncipe </em>de Gramsci, assim como de outros <em>“</em>prínci­pes<em>”</em> pensados e praticados no curso dos tempos modernos, cria-se O <em>príncipe eletrônico, </em>que simultaneamente subordina, recria, absorve ou simplesmente ultrapassa os outros.</p>
<p>Para Maquiavel, o príncipe é uma pessoa, uma figura política, o líder ou <em>condottiere, </em>capaz de articular inteligentemente suas qualida­des de atuação e liderança <em>(virtù) </em>e as condições sociopolíticas <em>(fortu­na) </em>nas quais deve atuar. A <em>virtù </em>é essencial, mas defronta-se todo o tempo com a fortuna, que pode ser ou não favorável, podendo ser tão adversa que a <em>virtù </em>não encontra possibilidades de realizar-se. Mas a fortuna pode ser influenciada pelo descortino, a atividade e a diligên­cia do príncipe.</p>
<p><em>“</em>Nos principados inteiramente novos, onde haja um novo prínci­pe, se encontra dificuldade maior ou menor para mantê-los, conforme tenha mais ou menos predicados <em>(virtù) </em>aquele que os conquista. E como o fato de passar alguém de particular a príncipe pressupõe valor <em>(virtù) </em>ou fortuna, é de crer que uma ou outra dessas duas coisas ate­nue em parte muitas dificuldades &#8230; Os estados rapidamente surgidos, como todas as outras coisas da natureza que nascem e crescem depres­sa, não podem ter raízes e as aderências necessárias para a sua conso­lidação. Extingui-Ios-á a primeira borrasca, a menos que, como se dis­se acima, os seus fundadores sejam tão virtuosos <em>(virtùosi), </em>que sai­bam imediatamente preparar-se para conservar o que a fortuna lhes concedeu e lancem depois alicerces idênticos aos que os demais prín­cipes construíram antes de tal se tornarem&#8230; Para que não se anule o nosso livre-arbítrio, eu, admitindo embora que a fortuna seja dona da metade das nossas ações, creio que, ainda assim, ela nos deixa senho­res da outra metade ou pouco menos. Comparo a fortuna a um daqueles rios, que quando se enfurecem, inundam as planícies, derri­bam árvores e casas, arrastam terra de um ponto para pô-la em outro: diante deles não há quem não fuja, quem não ceda ao seu impulso, em meio algum de lhe obstar. Mas, apesar de ser isso inevitável, nada impediria que os homens, nas épocas tranqüilas, construíssem diques e canais, de modo que as águas, ao transbordarem do seu leito, cor­ressem por estes canais ou, ao menos, viessem com fúria atenuada, produzindo menores estragos. Fato análogo sucede com a fortuna, a qual demonstra todo o seu poderio quando não encontra ânimo <em>(virtù) </em>preparado para resistir-lhe e, portanto, volve os seus ímpetos para os pontos onde não foram feitos diques para contê-la&#8230; Creio que isto é suficiente para demonstrar, em tese, a possibilidade de nos opormos à fortuna&#8230; Concluo, por conseguinte, que os homens prosperam quando a sua imutável maneira de proceder e as variações da fortuna se harmonizam, e caem quando ambas as coisas divergem.<em>”</em> (1)</p>
<p>Para Gramsci, o moderno príncipe já não é uma pessoa, figura política, líder ou <em>condottiere, </em>visto como personificação, síntese e gal­vanização da política, mas uma organização. É o partido político, no qual se combinam e fertilizam-se as capacidades de uns e outros, líde­res e seguidores, de tal modo que a interpretação e atividade inteligen­tes, diante do jogo das forças sociopolíticas, cabe a ele. Enquanto moderno príncipe, já que se cria no âmbito da sociedade de classes, burguesa, capitalista, o partido político pode realizar a metamorfose essencial das inquietações e reivindicações sociais, em sentido amplo, em política, como programa de organização, atuação, conquista do poder e preservação deste. Cabe ressaltar aqui que a teoria de Gramsci diz respeito ao partido político empenhado em expressar as inquietações e as reivindicações dos seus seguidores; mas, simultanea­mente, capaz de interpretar as inquietações e reivindicações dos outros setores da sociedade. Quando se trata de luta pela conquista do poder, no entanto, seu objetivo principal, mais ambicioso, é o desafio de construir hegemonia alternativa, na qual se expressam as classes e os grupos sociais subalternos em luta para realizar sua von­tade coletiva nacional-popular, alcançando a soberania.</p>
<p><em>“</em>O moderno príncipe, o mito-príncipe, não pode ser uma pessoa real, um indivíduo concreto; só pode ser um organismo; um elemento complexo da sociedade no qual já tenha se iniciado a concretização de uma vontade coletiva reconhecida e fundamentada parcialmente na ação. Este organismo já é determinado pelo desenvolvimento históri­co, é o partido político: a primeira célula na qual se aglomeram ger­mes de vontade coletiva que tendem a se tornar universais e totais&#8230; É preciso também definir a vontade coletiva e a vontade política em geral no sentido moderno; a vontade como consciência atuante da necessidade histórica, como protagonista de um drama histórico real e efetivo&#8230; A formação de uma vontade coletiva nacional-popular é impossível se as grandes massas dos camponeses cultivadores não irrompem <em>simultaneamente </em>na vida política&#8230; Uma parte importante do moderno príncipe deverá ser dedicada à questão de uma reforma intelectual e moral, isto é, à questão religiosa ou de uma concepção do mundo&#8230; Estes dois pontos fundamentais: formação de uma vontade coletiva nacional-popular, da qual o moderno príncipe é ao mesmo tempo o organizador e a expressão ativa e atuante, e reforma intelec­tual e moral, deveriam constituir a estrutura do trabalho&#8230; Uma refor­ma intelectual e moral não pode deixar de estar ligada a um progra­ma de reforma econômica. E mais, o programa de reforma econômi­ca é exatamente o modo concreto através do qual se apresenta toda reforma intelectual e moral. O moderno príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, na medida em que seu desenvolvimento significa de fato que cada ato é conce­bido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso&#8230; O fato da hegemonia pressupõe indubitavelmente que se deva levar em con­ta os interesses e as tendências dos grupos sobre os quais a hegemonia será exercida; que se forme certo equilíbrio de compromisso, isto é, que o grupo dirigente faça sacrifícios de ordem econômico-corpora­tiva. Mas também é indubitável que os sacrifícios e o compromisso não se relacionam com o essencial, pois se a hegemonia é ético-políti­ca também é econômica; não pode deixar de se fundamentar na função decisiva que o grupo dirigente exerce no núcleo decisivo da atividade econômica.<em>”</em> (2)</p>
<p>Além de outros aspectos teóricos também importantes, é inegável que Maquiavel e Gramsci trabalham principalmente as categorias <em>hegemonia </em>e <em>soberania. </em>Em linguagens diversas, estas categorias rea­firmam-se como essenciais da política, em dois momentos particular­mente notáveis da história dos tempos modernos. Esses, e muitos outros criados ao longo dessa história, são príncipes da modernidade.</p>
<p>O <em>príncipe eletrônico, </em>no entanto, não é nem <em>condottiere </em>nem partido político, mas realiza e ultrapassa os descortinos e as atividades dessas duas figuras clássicas da política. O príncipe eletrônico é uma entidade nebulosa e ativa, presente e invisível, predominante e ubíqua, permeando continuamente todos os níveis da sociedade, em âmbito local, nacional, regional e mundial. É o <em>intelectual coletivo e orgânico </em>das estruturas e blocos de poder presentes, predominantes e atuantes em escala nacional, regional e mundial, sempre em conformi­dade com os diferentes contextos socioculturais e político-econômicos desenhados no novo mapa do mundo.</p>
<p>É óbvio que o príncipe eletrônico não é nem homogêneo nem monolítico, tanto em âmbito nacional como mundial. Além da com­petição evidente ou implícita entre os meios de comunicação de mas­sas, ocorrem freqüentes irrupções de fatos, situações, relatos, análises, interpretações e fabulações que pluralizam e democratizam a mídia. Sem esquecer que são inúmeros os intelectuais de todos os tipos, jor­nalistas, fotógrafos, cineastas, programadores, atores, entrevistado­res, redatores, autores, psicólogos, sociólogos, relações públicas, espe­cialistas em eletrônica, informática e cibernética e outros &#8211; que diver­sificam, pluralizam, enriquecem e democratizam a mídia. Há jornais, revistas, livros, rádios, televisões e outros meios que expressam for­mas e visões alternativas do que vai pelo mundo, desde o narcotráfico e o terrorismo transnacionais às guerras e revoluções, dos eventos mundiais da cultura popular aos movimentos globais do capital espe­culativo. Assim se enriquece o príncipe eletrônico, tornando-o mais sensível ao que vai pelo mundo, desde a perspectiva das classes e gru­pos sociais subalternos até a perspectiva das classes e grupos sociais predominantes.</p>
<p>Em geral, no entanto, o príncipe eletrônico expressa principalmen­te a visão do mundo prevalecente nos blocos de poder predominantes, em escala nacional, regional e mundial, habitualmente articulados.</p>
<p><em>“</em>Todo indivíduo, mesmo o que desfruta menor autonomia, acre­dita-se soberano nos domínios da sua consciência&#8230; A consciência foi, desde o princípio, produto da sociedade e continuará a sê-lo enquan­to existam homens, segundo Marx&#8230; A indústria da manipulação das consciências é uma criação dos últimos cem anos. Seu desenvolvimen­to tem sido tão rápido e tão diversificado que sua existência permane­ce ainda hoje incompreendida e quase incompreensível&#8230; Enquanto se discute com paixão e detalhadamente acerca dos novos meios técnicos &#8211; rádio, cinema, televisão, disco, CD, fax, internet e outros; enquan­to se estuda o poder da propaganda, de publicidade e das relações pú­blicas, a indústria da manipulação das consciências continua sem ser considerada em seu conjunto, como um todo&#8230; A indústria da mani­pulação das consciências nos vai constranger, em futuro muito próxi­mo, a que a consideremos uma potência radicalmente nova, em cres­cente desenvolvimento, impossível de ser medida com base nos parâ­metros disponíveis. Estamos ante a indústria chave do século XX.<em>”</em>(3)</p>
<p>No âmbito da mídia em geral, enquanto uma poderosa técnica social, sobressai a televisão. Trata-se de um meio de comunicação, informação e propaganda presente e ativo no cotidiano de uns e outros, indivíduos e coletividades, em todo o mundo. Registra e inter­preta, seleciona e enfatiza, esquece e sataniza o que poderia ser a reali­dade e o imaginário. Muitas vezes transforma a realidade, seja em algo encantado seja em algo escatológico, em geral virtualizando a realida­de em tal escala que o real aparece como forma espúria do virtual.</p>
<p><em>“</em>O predomínio dos papéis e do poder da televisão pode ser obser­vado desde a sua emergência, na era da comunicação global, como um <em>participante ativo nos eventos que ela empenhadamente &#8216;cobre&#8217;. </em>A televisão não pode mais ser considerada (se alguma vez o foi) mera observadora e repórter de eventos. Está intrinsecamente encadeada com estes eventos e tem se tornado claramente parte integral da reali­dade que noticia&#8230; As relações da imprensa, rádio e televisão com o sistema político são governadas, em cada país, pela natureza do siste­ma político e das normas que caracterizam sua cultura política. A estrutura sociopolítica e econômica das diferentes sociedades também determina a estrutura interna de seu sistema de mídia, os métodos de financiamento deste e, consequentemente, das relações intersistêmicas das diferentes organizações da mídia.<em>”</em> (4)</p>
<p>Um capítulo fundamental da <em>“</em>democracia eletrônica<em>”</em> envolve a convergência e a mobilização de mercado e <em>marketing, </em>mercadorias e idéias, opiniões e comportamentos, inquietações e convicções. São dimensões psicossociais, socioculturais e político-econômicas que podem polarizar-se em atividades e imaginários de indivíduos e cole­tividades. Traduzem-se também em opções, convicções e ações políti­cas, em geral influenciadas pela mídia eletrônica e impressa, destacan­do-se a televisiva.</p>
<p>Esse o contexto no qual também estão presentes as corporações transnacionais. Interessadas no comércio de mercadorias e na publici­dade, bem como na expansão dos mercados e no crescimento do con­sumo, elas se tornam agentes importantes, freqüentemente decisivo, do modo pelo qual se organizam, funcionam e expandem as novas tecnologias da comunicação. Sem esquecer que grande parte da mídia se organiza em corporações e, muitas vezes, faz parte de conglomerados também transnacionais. Há, portanto, toda uma vasta e comple­xa rede de articulações corporativas envolvendo mercados e idéias, mercadoria e democracia, lucratividade e cidadania.</p>
<p><em>“</em>A luta na qual estamos engajados é de natureza política e em âmbito político, mas ainda não está claro se o futuro será de liberda­de econômica, social, individual e política&#8230; O sucesso na política não é mágico. Nossos inimigos não são mais inteligentes do que nós e não são super-homens. Se formularmos uma interpretação política, deve­ríamos eleger alguns objetivos políticos&#8230; Sinto que é essencial que as firmas multinacionais que estão sendo criticadas criem um grupo organizado de profissionais talentosos e experientes. Assim, quando necessário, consultores especiais, alheios às relações públicas cotidia­nas da firma, podem concentrar seus esforços em questões políticas enfrentadas pelas multinacionais. Na busca de uma receptividade pública e na eliminação da atitude crítica, as firmas multinacionais têm uma arma valiosa a seu dispor: a publicidade e a movimentação de pessoal em campo&#8230; Precisamos reativar nossas tradicionais asso­ciações profissionais, ou olhar além delas, por novos aliados, em asso­ciações de camponeses, trabalhadores e proprietários de pequenos negócios, muitos dos quais têm sido suspeitosos do capitalismo mul­tinacional, com boas razões. Precisamos afirmar o interesse comum de todas as instituições que criam riqueza: grandes e pequenas, priva­das e governamentais, nacionais e multinacionais. Em síntese, precisa­mos afirmar o pluralismo e a diversidade da condição humana, um exemplo que é dado pela democracia tanto quanto pelo livre mercado de mercadorias e idéias. O capitalismo multinacional nunca deve apa­recer como um rival dominador, relativamente aos interesses locais, nacionais ou tribais.<em>”</em> (5)</p>
<p>O que singulariza a grande corporação da mídia é que ela realiza limpidamente a metamorfose da mercadoria em ideologia, do merca­do em democracia, do consumismo em cidadania. Realiza limpida­mente as principais implicações da indústria cultural, combinando a produção e a reprodução cultural com a produção e reprodução do capital; e operando decisivamente na formação de <em>“</em>mentes<em>”</em> e <em>“</em>cora­ções<em>”</em> em escala global.</p>
<p><em>“</em>As mudanças que abalam o mundo criam insegurança. Elas exi­gem que o povo reavalie e mude de atitude, de modo a administrar as novas mudanças. O povo busca orientação e informação, mas tem também uma forte necessidade de entretenimento e recreação. Para fazer face a essas diversas necessidades, uma corporação global da mídia tem responsabilidades especiais. A comunicação é um elemento básico de qualquer sociedade. A mídia torna essa comunicação possí­vel, ajuda a sociedade a compreender as idéias políticas e culturais e contribui para formar a opinião pública e o consenso democrático. Hoje, a sociedade usa a mídia para exercer uma forma de autocontro­le. Com estas responsabilidades como pano de fundo, os executivos da mídia devem permanecer conscientes das suas obrigações, respei­tando princípios éticos em suas atividades.<em>”</em> (6)</p>
<p>São muitos os caminhos, assim como as redes, que conduzem à política eletrônica, à democracia eletrônica, à tirania eletrônica ou ao príncipe eletrônico. Há poderosos e predominantes interesses corpo­rativos impondo-se mais ou menos decisivamente às instituições <em>“</em>clássicas<em>”</em> da política, que compreendem partidos políticos, sindica­tos, movimentos sociais, correntes de opinião pública e governos, em seus poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.</p>
<p>No âmbito da <em>“</em>democracia eletrônica<em>”</em>, dissolvem-se as frontei­ras entre o público e o privado, o mercado e a cultura, o cidadão e o consumidor, o povo e a multidão. Aí o programa televisivo de debate e informação política tende a organizar-se nos moldes do programa de entretenimento. Aos poucos, o político, o partido, a opinião públi­ca, o debate sobre problemas da realidade nacional e mundial, as opções dos eleitores e a controvérsia sobre planos alternativos de governo, tudo isso tende a basear-se nas linguagens, recursos técnicos, teatralidade e encenação desenvolvidos pelos programas de entreteni­mento. São programas multimídia, coloridos, sonoros, recheados de surpresas, movimentados, combinando assuntos diversos e díspares, alternando locução, diálogo, depoimento, comportamento, auto-aju­da, conjuntos musicais, cantores etc. Esse é o clima no qual a política tem sido levada a inserir-se, como espetáculo semelhante a espetáculo dentro do espetáculo. Modificam-se signos e significados, figuras e figurações, de tal maneira que ocorre a dissolução da política na cul­tura eletrônica de massa, na qual se dissolvem ou se deslocam territó­rios e fronteiras envolvendo os espaços público e privado, o consumis­mo e a cidadania, a corrente de opinião pública e o comportamento de auto-ajuda, a realidade e a virtualidade.</p>
<p><em>“</em>Estamos diante de complexas transformações da esfera pública, em grande parte determinadas principalmente pelo modo como evo­lui o sistema dos meios de comunicação. A esfera pública, portanto a política, era distinta, ao menos em termos de princípios, não só da esfera privada mas da atividade empresarial. Esta fronteira tem sido continuamente suprimida, principalmente pelo modo como tem evo­luído o sistema televisivo, que determina uma espécie de unificação das diversas esferas, em especial da política, comércio, espetáculo. Ainda que continue a existir uma distinção formal entre programas de informação, espetáculo e publicidade, ocorre freqüentemente que os políticos preferem comparecer aos programas mais populares, nos quais a política se mistura logo com outros gêneros. E criam-se pro­gramas televisivos de informação política cada vez mais freqüente­mente modelados em esquemas de programas de entretenimento. Assim, o político não deve apenas adequar-se às regras deste outro tipo de programa mas, principalmente, é percebido pela opinião pública como parte de um mundo que lhe é mais familiar, no qual aquelas atividades se revelam indistinguíveis. O político aparece como um produto entre outros, é avaliado com critérios que se aproximam bastante dos vigentes no mundo do consumo. Assim, esta mudança dos parâmetros é a real transformação, mais do que o papel prepon­derante que a televisão adquiriu no jogo político. E uma confirmação desta tendência vem do fato de que a tecnopolítica é constituída cada vez mais amplamente pelos instrumentos que vêm diretamente do mundo da produção, do comércio, da publicidade.<em>”</em> (7)</p>
<p>Este é um problema fundamental da relação entre a mídia televi­siva e a política: muito do que é a política se revela espetáculo, entre­tenimento, consumismo, publicidade. Grande parte das linguagens das instituições políticas <em>“</em>clássicas<em>”</em> da modernidade dissolve-se, transforma-se ou simplesmente anula-se no âmbito das linguagens televisivas. Modificam-se ou apagam-se territórios e fronteiras, atro­pelando problemas fundamentais e curiosidades, política e novela, democracia e tirania, de par com realidade e virtualidade.</p>
<p>Nesse mundo virtual, criado por meio da manipulação de tecnolo­gias eletrônicas, informáticas e cibernéticas, forma-se a mais vasta <em>mul­tidão solitária. </em>Espalhada pelas diferentes localidades, nações e regiões, em continentes, ilhas e arquipélagos, são muitos os que se transformam em criações da mídia televisiva, na qual muito do que ocorre no mun­do se revela entretenimento, publicidade, consumismo, espetáculo.</p>
<p><em>“</em>Na &#8216;ágora eletrônica&#8217;, indivíduos isolados, anônimos, mas pre­sumivelmente bem informados, podem reunir-se sem o risco de vio­lência ou infecção, engajando-se em debates, troca de informações ou meramente não fazendo nada.<em>”</em> (8)</p>
<p>O príncipe eletrônico é o arquiteto da <em>“</em>ágora eletrônica<em>”</em>, na qual todos estão representados, refletidos, defletidos ou figurados, sem o risco da convivência nem da experiência. Aí, as identidades, alterida­des ou diversidades não precisam desdobrar-se em desigualdades, ten­sões, contradições, transformações. Aí, tudo se espetaculiza e estetiza, de modo a recriar, dissolver, acentuar e transfigurar tudo o que pode ser inquietante, problemático, aflitivo.</p>
<p>Se queremos compreender a crescente importância das tecnolo­gias eletrônicas, informáticas e cibernéticas no mundo da mídia, o que é fundamental para compreendermos a crescente importância da mídia em todas as esferas da sociedade nacional e mundial, é impor­tante começar pelo reconhecimento de que o século XX está profun­damente impregnado, organizado e dinamizado por <em>técnicas sociais. </em>São inúmeras as inovações tecnológicas que adquirem o significado de poderosas e influentes técnicas sociais. </p>
<p>Assim, o que parece neutro, útil, positivo, logo se revela eficiente, influente ou mesmo decisivo, no modo pelo qual se insere nas relações, processos e estruturas que articulam e dinamizam as diferentes esferas da sociedade, em âmbito local, nacional, regional e mundial. Tomados em seu devido tempo e contexto, esse pode ser o caso do telefone, telégrafo, rádio, cinema, televisão, computador, fax, correio eletrônico, internet, ciberespaço e outras inovações e combinações de tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas. São organizadas, mobilizadas, dinamizadas e generalizadas como técnicas de comuni­cação, informação, propaganda, entretenimento, mobilização e indução de correntes de opinião pública, mitificação ou satanização de eventos, figuras, partidos, movimentos e correntes de opinião, colabo­rando mais ou menos decisivamente na invenção de heróis ou demô­nios, bem como na fabricação de democracias ou tiranias. (9)</p>
<p>Note-se que as tecnologias da mídia e das suas articulações sistêmicas, tomadas em si, sem quaisquer aplicações, podem ser considera­das inocentes, neutras. Quando inseridas nas atividades sociais, nas formas de sociabilidade, ou melhor, nos jogos das forças sociais, nes­ses casos se transformam em técnicas sociais. Passam a dinamizar, intensificar, generalizar, modificar ou bloquear relações, processos e estruturas sociais, econômicas, políticas e culturais ativas em todas as esferas da sociedade nacional e mundial. Nesse sentido é que adqui­rem a presença, força e abrangência de técnicas sociais de organiza­ção, funcionamento, mudança, controle, administração das formas de sociabilidade e dos jogos das forças sociais.</p>
<p><em>“</em>As práticas e as agências que têm como objetivo principal mode­lar o comportamento humano e as relações sociais, eu as descrevo como técnicas sociais. Sem elas e as invenções tecnológicas que as acompanham, as vastas e radicais mudanças do mundo contemporâ­neo jamais teriam sido possíveis.<em>”</em> (10)</p>
<p>No século XX, muitos são desafiados a reconhecer a crescente importância das tecnologias da comunicação, informação, processa­mento e difusão, sempre envolvendo decisão, como poderosas técni­cas sociais. À medida que se multiplicam os descobrimentos científi­cos e as suas traduções em tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas, multiplicam-se as faculdades e as capacidades políticas, econômicas e culturais das técnicas sociais, isto é, dos intelectuais, téc­nicos, profissionais, gerentes, empresários, governantes, proprietários e outros que dispõem das aplicações e dos usos sociais, econômicos, políticos e culturais das técnicas.</p>
<p>Como as tecnologias de comunicação, informação e propaganda não são transparentes, em suas significações explícitas e implícitas, as avaliações dos intérpretes e usuários oscilam do otimismo ao pessi­mismo, passando pela idéia de inocuidade ou de efeitos deslumbran­tes. Fala-se até em contribuição para o desenvolvimento da democracia &#8211; assim como da tirania. Em todos os casos, está sempre em cau­sa a implicação da tecnologia eletrônica, informática e cibernética, em geral articuladas sistemicamente como técnicas sociais devido ao modo pelo qual se inserem no jogo das forças sociais.</p>
<p>As guerras mundiais, o nazifascismo, o crescimento dos trustes e cartéis, a formação de corporações transnacionais e os desenvolvi­mentos das tecnologias da mídia modificaram as condições e as possi­bilidades da comunicação, informação, entretenimento e cultura de indivíduos e coletividades, povos e multidões, por todo o mundo. Forma-se e expande-se a <em>indústria cultural, </em>influenciando mais ou menos decisivamente o mundo da política. Algumas dessas tendências já se anunciavam na década de 1930, com a formação da <em>“</em>máquina<em>”</em> de informação e propaganda do nazismo, combinando o rádio, a imprensa, os cartazes, o cinema, os eventos patrióticos, as iniciativas culturais e a ênfase na <em>“</em>missão civilizatória do povo ariano<em>”</em>. Nessa época, era o nazismo que se apresentava como o portador e missioná­rio da civilização ocidental e cristã, algo que posteriormente ressoa na máquina de informação e propaganda do neoliberalismo.</p>
<p>Sim, nos anos trinta já se percebiam algumas das influências deci­sivas que as novas tecnologias de comunicação começavam a provocar nas diferentes esferas da sociedade e na política em especial. Foi o nazismo que tomou a dianteira do uso das novas tecnologias e da mídia em geral, sendo que simultaneamente, e em outros momentos, também outros regimes políticos desenvolveriam políticas de comuni­cação, informação e propaganda nos mesmos termos e com sofistica­ção crescente, inclusive pela aquisição de novas tecnologias e novos arranjos sistêmicos. Assim se iniciou um deslocamento radical do lugar da política e do modo de construir hegemonias e soberanias em todo o mundo; sempre a partir das raízes e inspirações emanadas dos centros europeus e norte-americanos, da <em>“</em>civilização ocidental e cristã<em>”</em>.</p>
<p>Ao dispor das novas tecnologias, os líderes, os políticos, os geren­tes, as organizações, as empresas, as agências governamentais, as organizações multilaterais, as igrejas ou organizações religiosas e outros, indivíduos e entidades, direta e indiretamente empenhados na política, passam a atuar além dos partidos políticos, sindicatos, movi­mentos sociais e correntes de opinião pública. Estas instituições <em>“</em>clás­sicas<em>”</em> da política são instrumentalizadas, transformadas, mutiladas ou simplesmente marginalizadas. Em escala crescente, predominam as novas tecnologias da comunicação, informação e propaganda, às vezes com objetivos democráticos, mas em outras e muitas vezes com objetivos autoritários. Sim, porque as novas tecnologias estão organi­zadas em empresas, corporações ou conglomerados, como empreen­dimentos capitalistas articulados com grupos, classes ou blocos de poder predominantes em escala nacional ou mundial.</p>
<p><em>“</em>A democracia está entrando em uma nova fase, mas com uma diferença. Em lugar do antigo grupo local, no qual predominavam os contatos face a face, forma-se uma nova coletividade nacional e mes­mo mundial, comunicando-se por meio de imagens e sons desincorpo­rados. Imagens flutuantes produzidas por máquinas estão deslocando a riqueza dos contatos imediatos. O estranho é que a corrente da comunicação se organiza principalmente em direção única. O ouvinte<em>, </em>ou espectador, não tem escolha, a não ser manter-se passivo. Não há o dar-e-receber, nenhuma oportunidade de discussão com a voz do rádio ou a silhueta na tela. A despeito das facilidades sem precedentes para a comunicação, os membros da nova coletividade parecem para­doxalmente condenados à passividade, ao anonimato e ao isolamen­to, maiores do que nunca, sem precedentes.<em>”</em> (11)</p>
<p>Quando se trata da mídia organizada em empresas, corporações e conglomerados, atuando em âmbito local, nacional, regional e mundial, logo se coloca sua importância na organização sistêmica em que se baseia grande parte da integração social prevalecente no mundo. As condições e as possibilidades de organização, funcionamento, dinami­zação e generalização das formas de vida, trabalho e cultura baseiam-­se, em larga medida, no modo pelo qual a mídia exerce as suas ativi­dades, presenças e influências. Ao lado do mercado e planejamento, das agências governamentais, das organizações multilaterais, das em­presas, corporações e conglomerados transnacionais, a mídia impres­sa e eletrônica, da qual se destaca a televisiva, exerce uma influência acentuada ou preponderante nas relações, processos e estruturas de integração social, desde cima, espalhando-se pelas diferentes esferas da vida social. Ao lado das suas atividades pluralistas e democráticas, que favorecem o debate, a controvérsia e a mudança social em geral, é inegável que a mídia também influencia mais ou menos decisiva­mente a integração, isto é, a articulação sistêmica de uns e outros, coi­sas, gentes e idéias, em escala local, nacional, regional e mundial. (12)</p>
<p>De par com os desenvolvimentos das tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas, desenvolvem-se as redes, o fax, o e-mail, a internet, a multimídia, o hipertexto, a realidade virtual, o ciberespa­ço, a sociedade informática, o mundo sistêmico. De com o mundo geoistórico, desenhado pela modernidade, emerge o mundo virtual, tecido sistemicamente, desenhado pela pós-modernidade. Um e outro parecem distintos, separados, autônomos, umas vezes justapostos, outras dissonantes, estridentes. É como se a <em>experiência </em>e a <em>consciênc­ia </em>se dissociassem, da mesma maneira que as palavras e as coisas, a linguagem e a imagem, o real e o virtual, o ser e o devir, o dito e a desdita. São muitos, muitíssimos, os que navegam no ciberespaço sideral, levitando aquém e além da realidade geoistórica, político-econômica e sociocultural, desterritorializados, volantes, indeléveis, flutuantes. Esse pode ser o palco da pós-modernidade, onde parecem dissolver-se o espaço e o tempo, a história e a memória, a lembrança e o esquecimento, as façanhas e as derrotas, as ideologias e as utopias. Tudo está navegando no presente presentificado, petrificado. Aí parece predominar a multiplicidade, descontinuidade, fragmentação, simula­cro, desconstrução; como em uma festa caleidoscópica e babélica permanente.</p>
<p>Esse mundo da pós-modernidade, no entanto, está amplamente articulado em moldes sistêmicos. Ele se sustenta no ar, desenraizado, volante, virtual e sideral, em toda uma vasta, complexa e eficaz rede sistêmica, por meio da qual se articulam mercados e mercadorias, capitais e tecnologias, força de trabalho e mais-valia. Aliás, o conjun­to das tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas, com as suas redes e virtualidades, hipertextos e ciberespaços, tece e retece ininter­ruptamente uma vasta, complexa e lucrativa rede sistêmica, na qual são situados e significados uns e outros, coisas, gentes e idéias, povoando continentes, ilhas e arquipélagos, por todo o mundo. (13)</p>
<p>Mas esse mundo sistêmico não está pronto, consolidado, cristali­zado. Ainda que muitos procurem defini-lo em termos evolucionistas, como o clímax da história, inclusive naturalizando-o, subsistem mul­tiplicidades, divergências, desigualdades, tensões e antagonismos entre agências, organizações, corporações e outras instituições do capitalismo globalizado. O mundo virtual também está atravessado por tensões e antagonismos, fissuras e estridências, inovações e obso­lescências. Ainda que a maioria dos seus dirigentes e beneficiários afirme e reafirme o fim da geografia, o fim da história, a formação da aldeia global e a primazia do pensamento neoliberal, não só subsistem como também multiplicam-se atritos, contradições e conflitos.</p>
<p>Simultaneamente, por dentro e por fora da sociedade informática, virtual e sideral, são muitos, muitíssimos, muitos mais, multidões, os que continuam situados, enraizados, territorializados, geoistóricos. Dedicam-se aos trabalhos e aos dias, podendo estar empregados ou desempregados, conscientes ou inconscientes, resignados ou desespe­rados. Para viver, precisam comer, beber, vestir-se, abrigar-se, mover­-se, reproduzir-se; desenvolvem meios e modos de organizar formas de sociabilidade, jogos de forças sociais; dedicam-se a pensar, sentir, compreender, explicar, fabular; empenham-se em juntar e desconjun­tar o passado e o presente, a biografia e a história, a parte e o todo, a aparência e a essência, o singular e o universal, a existência e a cons­ciência, o esclarecimento e a utopia.</p>
<p>O príncipe eletrônico pode ser visto como uma das mais notáveis criaturas da mídia, isto é, da indústria cultural. Trata-se de uma figu­ra que impregna amplamente a política, como teoria e prática. Impregna a atividade e o imaginário de indivíduos e coletividades, grupos e classes sociais, nações e nacionalidades, em todo o mundo.</p>
<p>Em diferentes gradações, conforme as peculiaridades institucionais e culturais da política em cada sociedade, o príncipe eletrônico influen­cia, subordina, transforma ou mesmo apaga partidos políticos, sindi­catos, movimentos sociais, correntes de opinião, Legislativo, Executi­vo e Judiciário. Permanente e ativo, situado e ubíquo, visível e invisí­vel, predomina em todas as esferas da política, adquirindo diferentes figuras e figurações, segundo a pompa e a circunstância.</p>
<p>A <em>fortuna </em>e a <em>virtù, </em>das quais falava Maquiavel, tornaram-se atri­butos do <em>príncipe eletrônico. </em>Uma parte fundamental da <em>virtù </em>de líde­r, governantes, partidos, sindicatos, movimentos sociais e correntes de opinião pública tem sido construída cada vez mais pela mídia, como uma poderosa e abrangente coleção de técnicas sociais. A comunicação, informação e propaganda podem transformar, da noite para o dia, um ilustre desconhecido em uma figura pública notável, literalmente ilustre, com perfil, programa, compromisso, senso da res­ponsabilidade pública, conhecimento dos problemas básicos da socie­dade e até mesmo com linguagem própria, diferente de outras, origi­nal. O <em>marketing </em>político, secundado por diferentes programas da mídia eletrônica e impressa, bem como pelos artifícios das técnicas de montagem, colagem, mixagem, bricolagem, desconstrução e simula­cro, pode realizar o milagre da criação. Pouco a pouco, muitos são levados a crer que essa pode ser a criatura indispensável para fazer face à fortuna, às condições político-econômicas e socioculturais res­ponsáveis pela questão social, pelas carências do povo, pelas reivindi­cações de indivíduos e coletividades, grupos e classes sociais. Em alguns casos, a criatura produzida pela mídia aparece como a única solução, para o indivíduo, povo, sociedade, país, Estado-Nação, região ou até mesmo o mundo como um todo. Desde que se satanizem maliciosa e impiedosamente os outros, líderes, dirigentes, partidos, sindicatos, movimentos sociais, correntes de opinião, setores sociais e outros, inclusive criminalizando amplos setores da sociedade civil, logo muitos, muitíssimos, multidões, serão induzidos a buscar a salva­ção. Sim, a metamorfose da crítica em satanização e da satanização em intimidação, medo e aflição logo provoca a reorganização e o redi­recionamento de expectativas e opiniões. Essa pode ser a estrada onde é tangida a <em>multidão solitária </em>no seio da qual o príncipe eletrônico constrói hegemonias e exerce soberanias.</p>
<p>O <em>“</em>processo catártico<em>”</em>, por meio do qual as inquietações, carências, frustrações, reivindicações e ambições de indivíduos e coletividades, grupos e classes sociais sintetizavam-se no <em>príncipe </em>e no <em>moderno príncipe, </em>agora passa a ser predominantemente um atributo do <em>príncipe eletrônico. </em>Uma parte fundamental do entendimento e des­cortino do moderno príncipe, assim e como do príncipe, passa a ser realizada pela mídia eletrônica e impressa, capaz de comunicação, informação e propaganda; combinando ênfase e gradação, impacto e esquecimento, linguagem e imagem, videoclipe e multimídia, tudo isso em um vasto espetáculo sem fim. Sim, o príncipe eletrônico é capaz de realizar a metamorfose de tudo o que pode ser social em urna síntese de tudo o que pode ser político; realizando, simultaneamente, a mágica de pasteurizar a política propriamente dita, como teoria e prática. Quando realizado pelo príncipe eletrônico, o processo catár­tico revela a política como uma esfera na qual se manifestam também desentendimentos, desencontros e inadequações, tanto quanto inten­ções, propostas e soluções; mas em geral uma esfera destituída de ten­sões e contradições, alimentadas por desigualdades e alienações.</p>
<p>O príncipe eletrônico é uma figura política nova e diferente de todas as outras, passadas e presentes. Convive com as outras, tanto o príncipe maquiavélico como o moderno príncipe gramsciano, sem esquecer as instituições <em>“</em>clássicas<em>”</em> da política, tais como os partidos políticos, os sindicatos, os movimentos sociais, as correntes de opi­nião pública, os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Revela-se simultaneamente diferente e original, tanto quanto surpreendente, fascinante e inquietante.</p>
<p>Um dos segredos do príncipe eletrônico é atuar diretamente no nível do virtual. Beneficia-se amplamente das tecnologias e linguagens que a mídia mobiliza para realizar e desenvolver cotidianamente a virtualização. Tudo o que é social, econômico, político e cultural, com­preendendo as diversidades e desigualdades de gênero, étnicas, religiosas, linguísticas e outras pode ser taquigrafado, traduzido e decantado em signos, símbolos e emblemas, ou figuras e figurações, que as linguagens da mídia elaboram e desenvolvem. Essa vasta, complexa e ininterrupta atividade mobiliza a montagem, colagem, mixagem, bricolagem, desconstrução, simulacro e pastiche, entre outras linguagens da pós-modernidade. A notícia, o comentário, a fotografia, o documentário, a palavra, a imagem, o som, a cor, a forma, o movimento, o ângulo, o <em>close-up, </em>a panorâmica, o impacto, o espetacular, o terrificante e outros recursos narrativos permitem tanto registrar e divulgar como enfatizar e esquecer, ou relembrar e enervar. Em todos os casos, trata-se de taquigrafias, traduções, exorcismos, sublimações ou estetizações da realidade, experiência ou existência. Daí a emergência de outras e novas, diferentes e surpreendentes, formas de consciência, envolvendo outras condições e possibilidades de entendimento, escla­recimento, imaginação, mitificação. Há todo um imenso e intrincado universo de signos, símbolos e emblemas, compreendendo figuras e figurações; universo por meio do qual a mídia decanta o real, o acon­tecer, o devir e outras modulações da realidade, transformando-os em manifestações espúrias do virtual.</p>
<p>Está em curso, ao acaso ou deliberadamente, um surpreendente, fundamental e inquietante processo de dissociação entre existência e consciência; ou condições e possibilidades da existência e condições e possibilidades da consciência. Quando se desenvolvem e se aplicam as tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas, agilizando e gene­ralizando os meios de comunicação, informação e propaganda, as condições e as possibilidades da consciência passam a descolocar-se contínua ou reiteradamente da experiência, realidade ou existência.</p>
<p>Simultaneamente à dissociação entre existência e consciência, desenvolvem-se outros, novos e muito diferentes significados do espa­ço e tempo, ser e devir, pensar e sentir, explicar e imaginar. Torna-se possível utilizar metáforas como as seguintes: mundo sem fronteiras, Terra-Pátria, aldeia global, fim da geografia, fim da história. Esse é o clima mental, isto é, virtual, em que se formulam expressões destina­das a taquigrafar aspectos desse mundo virtual: multimídia, interface, internet, hipertexto, ciberespaço, desterritorialização, miniaturização, mundialização, globalização, planetarização.</p>
<p>Nesse mundo virtual, modificam-se as articulações e desarticula­ções estabelecidas pela modernidade acerca de dado e significado, parte e todo, passado e presente, história e memória, compreensão e explicação, singular e universal. Simultaneamente, modificam-se os contrapontos <em>“</em>eu<em>”</em> e <em>“</em>outro<em>”</em>, <em>“</em>nós<em>”</em> e <em>“</em>outros<em>”</em>, <em>“</em>nacional<em>”</em> e <em>“</em>estrangeiro<em>”</em>, <em>“</em>ocidental<em>”</em> e <em>“</em>oriental<em>”</em>. Quando se desenvolvem, agi­lizam e generalizam as aplicações das tecnologias eletrônicas, infor­máticas e cibernéticas, transformadas em técnicas sociais, redese­nham-se ou mesmo se dissolvem as linhas demarcatórias de territórios e fronteiras, formas de governo e regimes políticas, culturas e civiliza­ções. No âmbito do mundo virtual, as coisas, as gentes e as idéias, tan­to quanto as identidades, alteridades, diversidades e desigualdades, parecem mudar de figura e figuração. Como parecem descoladas da experiência, realidade ou existência, aparecem como fantasias do imaginário. Podem ser criações prosaicas ou originais, mais ou menos elaboradas com base na estética eletrônica, de tal modo que muitos, muitíssimos, multidões, são levados a visões do mundo destituídas de tensões e contradições.</p>
<p>Sim, o príncipe eletrônico pode ser visto como o <em>intelectual orgâ­nico </em>dos grupos, classes ou blocos de poder dominantes, em escala nacional e mundial. Em alguma medida, esses grupos, classes ou blo­cos de poder dispõem de influência mais ou menos decisiva nos meios de comunicação, informação e propaganda, isto é, na mídia eletrôni­ca e impressa, sempre funcionando também como indústria cultural.</p>
<p>É claro que o príncipe eletrônico não é harmonioso, homogêneo ou, muito menos, monolítico. Está sempre atravessado por divergên­cias, concorrências e influências. Além das suas disputas e competi­ções <em>“</em>internas<em>”</em>, refletem as solicitações e obstruções de setores sociais diversos, nos quais proliferam diferentes e contraditórias avaliações sobre a mídia, sem ter idéia da formação e atividade do príncipe ele­trônico. Há desacordos e acomodações, convergências e tensões, no âmbito da sociedade, suscitando o pluralismo e até mesmo quebran­do monolitismos.</p>
<p>Em linhas gerais, no entanto, o modo pelo qual se desenha e movimenta o príncipe eletrônico permite defini-lo como o intelectual orgânico dos grupos, classes ou blocos de poder dominantes em esca­la nacional e mundial. Um <em>intelectual orgânico coletivo, </em>já que sinte­tiza a atividade, o descortino e as formulações de várias categorias de intelectuais &#8211; jornalistas e sociólogos, locutores e atores, escritores e animadores, âncoras e debatedores, técnicos e engenheiros, psicólog­os e publicitários -, todos mobilizando tecnologias eletrônicas, informáticas e cibernéticas como técnicas sociais de alcance local, nacional, regional e mundial.</p>
<p>Essa é, em larga medida, a fábrica da <em>hegemonia </em>e da <em>soberania, </em>que teriam sido prerrogativas do <em>príncipe </em>de Maquiavel e do <em>moderno príncipe </em>de Gramsci. Agora é o <em>príncipe eletrônico </em>que detém a faculdade de trabalhar a <em>virtù </em>e a fortuna, a hegemonia e a soberania; ou o problema e a solução, a crise e a salvação, o exorcismo e a sublimação. Assim se instaura a imensa <em>ágora eletrônica, </em>na qual muitos navegam, naufragam ou flutuam, buscando salvar-se.</p>
<p> <strong>Notas</strong></p>
<p>(1) Maquiavel; O <em>príncipe, </em>trad. de Mario Celestino da Silva, 2ª ed., Vecchi, Rio de Janeiro, 1946, pp. 37,43, 156-157 e 160-161. Nesta edição encontram-se a notas de Napoleão e Cristina da Suécia.</p>
<p>(2) Antonio Gramsci, <em>Maquiavel, A política e </em>o <em>estado moderno, </em>trad. de Luiz Mario Gazzaneo, Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1968, pp. 6,7, 8, 9 e 33.</p>
<p>(3) Hans Magnus Enzensberger, <em>Detalles, </em>trad. de N. Angochea Miller, Editorial Anagrama, Barcelona, 1969, pp. 7-10; cito de <em>“</em>La manipulación industrial de las conciencias<em>”</em>, pp. 7-17.</p>
<p>(4) Michael Gurevitch, <em>“</em>The Globalization of Electronic Journalism<em>”</em>, James Currau e Michael Gurevitch (orgs.), <em>Mass Media and Society, </em>Edward Arnold, Londrc , 1991, pp. 185 e 188.</p>
<p>(5) Rafael D. Pagan Jr., presidente da Nestlé Coordination Center for Nutrition, <em>“</em>Porter la lutte sur le terrain des détracteurs du capitalisme multinational<em>”</em>, em <em>Vers un Dévèloppement Solidaire, </em>no 66, Lausanne, maio de 1983; citado por Cynthia Schneider e Brian Wallis, <em>“</em>Introduction<em>”</em> em Cynthia Schneider e Brian Wallis, <em>Global Television, </em>Wedge Press, Nova York, 1988, pp. 30-31.</p>
<p>(6) Mark Wossner, <em>“</em>Success and Responsabiliry<em>”</em>, publicado em: Bertelsmann, <em>Annual Report 1992/93, </em>Gutersloh, <em>s/d, </em>pp. 4-7; cito da p. 4. Consultar também: Lyn Krieger Mytelka (org.), <em>Strategic Partnership, </em>Pinter Publishers, Londres; Le Monde Diplomatique, <em>Medias et controle des esprits, </em>Maniêre de Voir, no 27, Paris, 1995; Le Monde Diplomatique, <em>Les Nouueaux maitres du monde, </em>Maniêre de Voir, no 28, Paris, 1995; David C. Kerten, <em>Quando as corporações regem </em>o <em>mundo, </em>trad, de Anua Terzi Giova, Futura, São Paulo, 1996.</p>
<p>(7) Stefano Rodotà, <em>Tecnopolitlca (La democrazia e le nuoue tecnologie della comu­nicazione), </em>Editori Laterza, Roma-Bari, 1997, p. 12.</p>
<p>(8) Julian Stallabrass, <em>“</em> Empowering Technology: The Exploration of Cyberspace<em>”</em>, <em>New Left Review, </em>n~ 211, Londres, 1995, pp. 3-32; cito das pp. 4-5.</p>
<p>(9) Armand Martelart, <em>Comunicação-mundo, </em>trad. de Guilherme J. de Freitas Teixeira, Vozes, Perrópolis, 1994; Anthony Smith, <em>La geopolitica de Ia Informa­ciôn, </em>trad. de Juan José Utrilla, Fondo de Cultura Econômica, México, 1984.</p>
<p>(10) Karl Mannheim, <em>Man and Society in an Age of Reconstruction, </em>Roucledge &amp; Kegan Paul, Londres, 1949, p. 247. Também: Norbert Elias, <em>“</em>Technization and Civilization<em>”</em>, <em>Theory, Cultura </em>&amp; <em>Society, </em>vol. 12, n~ 3, Londres, 1995, pp. 742.</p>
<p>(11) M. Swabey, <em>Theory of tbe Democratic State, </em>Harvard University Press, Cambridge, 1939, pp. 129-130. Cito por Brian D. Loader (org.), <em>The Gouernance of Cyberspace (Politics, Technology and Global Restructuring), </em>Routledge, Londres, 1997, p. 173-174. Consultar também: Ben H. Bagdikian, O <em>monopólio da midia, </em>trad. de Maristela M. de Faria Ribeiro, Scrirta Editorial, São Paulo, 1993; Wilson Bryan Kay, A <em>era da manipulação, </em>trad. de Iara Biderman, Scritta Editorial, São Paulo, 1993; Denis de Moraes (org.), <em>Globalização, mídia e cultura contemporânea, </em>Letra Livre, Campo Grande, 1997, Eugenio Bucci, <em>Brasil em tem­po de TV, </em>Boitempo Editorial, São Paulo, 1996.</p>
<p>(12) Niklas Luhmann, <em>“</em>The Word Sociery as a Social System<em>”</em>, <em>lntemational [oumal of Systems, </em>vol. 8, 1982, pp. 131-138; Octavio Ianni, <em>Teorias da globalização, </em>5a ed., Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 1998, esp. capo IV: <em>“</em>A interdependênia das nações.<em>”</em></p>
<p>(13) Sherry Turkle, <em>Life on the Screen (Identity in the Age of the Internet), </em>Weidenfeld &amp; Nicolson, Londres, 1996; Manuel Castells, <em>The lnformation Age: Economy, Society and Culture, </em>3 vols. Blackwell Publihsers, 1996·1998; Pierre Lévy, <em>A inteligência coletiva (Por uma antropologia do ciberespaço), </em>trad. de Luiz Paulo Rouanet, Edições Loyola, São Paulo, 1998; Adam SchaH, <em>A sociedade informática, </em>trad. de Carlos E. J. Machado e Luiz Arturo Obojes, Editora Unesp, São Paulo, 1990; Norbert Wiener, <em>Cibernética </em>e <em>sociedade </em>(O <em>uso humano de seres humanos), </em>trad. de José Paulo Paes, Cultrix, São Paulo, 1968.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/o-principe-eletronico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Atividade complementar</title>
		<link>http://caiotulio.com/atividade-complementar/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/atividade-complementar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 18:40:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Programa]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[atuvidade complementar]]></category>
		<category><![CDATA[Cásper]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[janet malcolm]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://caiotulio.com/blog/?p=839</guid>
		<description><![CDATA[Atividade Complementar – 1º semestre de 2012
A atividade complementar do curso de Ética Jornalística no 1º semestre (três horas no primeiro bimestre e duas horas no segundo) consiste em produzir um Relatório – 50 linhas no máximo – que atenda aos seguintes requisitos:
Contenha o depoimento de um jornalista profissional sobre o impacto que lhe causou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Atividade Complementar – 1º semestre de 2012</strong></p>
<p>A atividade complementar do curso de Ética Jornalística no 1º semestre (três horas no primeiro bimestre e duas horas no segundo) consiste em produzir um Relatório – 50 linhas no máximo – que atenda aos seguintes requisitos:</p>
<p>Contenha o depoimento de um jornalista profissional sobre o impacto que lhe causou, na profissão, a leitura do livro As Ilusões Perdidas, de Balzac.</p>
<p>A atividade consiste em procurar e encontrar um jornalista que tenha lido o livro e que tenha sido impactado por esta leitura de alguma forma.</p>
<p>Os alunos devem se organizar para evitar depoimentos repetidos. Depoimentos de um mesmo jornalista – mesmo colhidos em classes diferentes – não serão aceitos.</p>
<p>O Relatório deve conter, além do depoimento, um breve currículo do jornalista depoente no sentido de mostrar qual é (ou foi) a sua atuação na profissão.</p>
<p>O depoente deve ser experiente e ter exercido a profissão por dez anos, no mínimo.</p>
<p><strong>Atividade Complementar – 2º semestre de 2012</strong></p>
<p>A atividade complementar do curso de Ética Jornalística no 2º semestre (quatro horas ao todo, duas horas por bimestre) consiste em produzir um Relatório – 50 linhas no máximo – que atenda aos seguintes requisitos:</p>
<p>Contenha o depoimento de um jornalista profissional sobre o impacto que lhe causou, na profissão, a leitura do livro O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm.</p>
<p>A atividade consiste em procurar e encontrar um jornalista que tenha lido o livro e que tenha sido impactado por esta leitura de alguma forma.</p>
<p>Os alunos devem se organizar para evitar depoimentos repetidos. Depoimentos de um mesmo jornalista – mesmo colhidos em classes diferentes – não serão aceitos.</p>
<p>O Relatório deve conter, além do depoimento, um breve currículo do jornalista depoente no sentido de mostrar qual é (ou foi) a sua atuação na profissão.</p>
<p>O depoente deve ser experiente e ter exercido a profissão por dez anos, no mínimo.</p>
<p><span style="font-size: small;"><span> </span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/atividade-complementar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sistema de avaliação</title>
		<link>http://caiotulio.com/sistema-de-avaliacao/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/sistema-de-avaliacao/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 18:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Programa]]></category>
		<category><![CDATA[avaliação]]></category>
		<category><![CDATA[avaliação objetiva]]></category>
		<category><![CDATA[caio cásper]]></category>
		<category><![CDATA[caio túlio]]></category>
		<category><![CDATA[Cursos de Ética]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[nota bimestral]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://10.128.5.207/wordpress/?p=105</guid>
		<description><![CDATA[CURSO DE ÉTICA JORNALÍSTICA
FACULDADE CÁSPER LÍBERO &#8211; Graduação em Jornalismo
Como são feitas as avaliações bimestrais
A avaliação bimestral é a média de duas notas. A primeira parte da nota (de zero a dez) vem da prova escrita bimestral. A outra metade vem de nota (de zero a dez) atribuída a cada aluno(a) em função da avaliação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>CURSO DE ÉTICA JORNALÍSTICA</strong></p>
<p>FACULDADE CÁSPER LÍBERO &#8211; Graduação em Jornalismo</p>
<p><strong>Como são feitas as avaliações bimestrais</strong></p>
<p>A avaliação bimestral é a média de duas notas. A primeira parte da nota (de zero a dez) vem da prova escrita bimestral. A outra metade vem de nota (de zero a dez) atribuída a cada aluno(a) em função da avaliação do professor relativa à participação do(a) mesmo(a) em classe.</p>
<p><strong>Prova escrita bimestral</strong></p>
<p>As provas na disciplina de Ética Jornalística são um convite à reflexão. Os alunos que lêem os textos e participam ativamente das aulas geralmente não encontram problemas com a avaliação escrita. O professor costuma indicar um tema e o desenvolvimento do mesmo. Na prova, o aluno deve usar as idéias dos textos discutidas em classe e fazer inter-relações dos temas e conceitos. O aluno precisa tomar cuidado com a gramática. Erros de português afetam a avaliação. As provas são manuscritas e recomenda-se que o aluno capriche na caligrafia para não ser punido por falta de entendimento, por parte do professor, do que estiver ilegível ou confuso. Durante a prova, o aluno pode consultar as anotações feitas em classe, os textos e os livros em pauta, mas deve fazer a prova sozinho e não conversar com colegas ou mesmo com o professor. O professor não explica a prova. O entendimento correto da proposição é parte da avaliação.</p>
<p><strong>Avaliação do professor</strong></p>
<p>Todo bimestre o professor atribui uma nota (de zero a dez) relativa à participação do aluno em classe. É observada a presença ativa nas aulas, a profundidade e o domínio das leituras dos textos e a participação no curso como um todo. O critérios são os seguintes:<br />
a) Leitura do texto indicado para a aula (testada com base em exercício escrito no início da aula ou em questionamento oral);<br />
b) Comportamento em classe (o professor avalia e registra as participações ativas, as intervenções, os atrasos, as conversas paralelas, o sono, o hábito de comer lanches na aula, o uso do celular, as maquiagens em classe, as entradas e saídas constantes&#8230;);<br />
c) Assiduidade (o comparecimento regular e as faltas às aulas).<br />
Para avaliar cada aluno, o professor observa a presença física, a leitura, o interesse, o espírito crítico e a criatividade no trato dos assuntos relativos ao curso.<br />
O professor verifica a presença em aula por meio de chamada quando anota no diário a participação ativa, ou não, de cada aluno em cada aula. Também há aulas em que a presença é anotada em função da participação do alunos em exercícios escritos.</p>
<p><strong>Prova substitutiva</strong></p>
<p>A prova em segunda chamada &#8211; realizada no final do ano para quem perdeu alguma prova &#8211; costuma propor temas relativos aos quatro bimestres. O aluno deve desenvolver as questões relativas ao bimestre no qual perdeu a prova. A mecânica da prova costuma ser a mesma das provas regulares.</p>
<p><strong>Exame final</strong></p>
<p>Para o Exame Final, o aluno terá que rever tudo o que foi visto no curso. O exame costuma requerer inter-correlação dos temas discutidos. Recomenda-se que o aluno releia os textos indicados durante o primeiro e o segundo semestre bem como os dois livros de leitura obrigatória – conforme consta no Programa do curso. A mecânica é a mesma das provas regulares.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/sistema-de-avaliacao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A covardia é a mãe da crueldade</title>
		<link>http://caiotulio.com/a-covardia-e-a-mae-da-crueldade/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/a-covardia-e-a-mae-da-crueldade/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 12:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
		<category><![CDATA[caio túlio]]></category>
		<category><![CDATA[Covardia]]></category>
		<category><![CDATA[Crueldade]]></category>
		<category><![CDATA[curso ética]]></category>
		<category><![CDATA[Montaigne]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://caiotulio.com/?p=1691</guid>
		<description><![CDATA[Texto de Michel de Montaigne &#8211; &#8220;A covardia é a mãe da crueldade&#8221; &#8211; publicado em Ensaios, Coleção Os Pensadores, da Abril, em tradução de Sérgio Milliet, págs. 321 a 324. São Paulo: 1972
Clique aqui para baixar o texto em PDF
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Texto de Michel de Montaigne &#8211; &#8220;A covardia é a mãe da crueldade&#8221; &#8211; publicado em Ensaios, Coleção Os Pensadores, da Abril, em tradução de Sérgio Milliet, págs. 321 a 324. São Paulo: 1972</p>
<p><a href="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/michel-de-montaigne-covardia1.pdf">Clique aqui para baixar o texto em PDF</a><a href="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/michel-de-montaigne-covardia.pdf"></a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/a-covardia-e-a-mae-da-crueldade/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Soneto 121</title>
		<link>http://caiotulio.com/soneto-121/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/soneto-121/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Jan 2011 12:20:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://10.128.5.207/wordpress/?p=177</guid>
		<description><![CDATA[
O  soneto (abaixo) é usado no curso de Ética Jornalística como introdução à Trágica História de Hamlet, Príncipe da Dinamarca (conforme fac-símile da capa da edição original). A tradução do soneto é de Caio Túlio Costa.
Soneto 121
Antes ser vil do que vil ser considerado
Quando, mesmo sem sê-lo, esta culpa te imputam
E então perdes um prazer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-full wp-image-204  alignnone" title="hamlet" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/hamlet.jpg" alt="hamlet" width="79" height="114" /></p>
<p>O  soneto (abaixo) é usado no curso de Ética Jornalística como introdução à <em>Trágica História de Hamlet, Príncipe da Dinamarca (conforme fac-símile da capa da edição original)</em>. A tradução do soneto é de Caio Túlio Costa.</p>
<p><strong>Soneto 121</strong></p>
<p>Antes ser vil do que vil ser considerado<br />
Quando, mesmo sem sê-lo, esta culpa te imputam<br />
E então perdes um prazer verdadeiro, dado<br />
Que tua alma não, mas os demais condenam.<br />
Então, por que os olhos espúrios dos outros<br />
Hão de julgar meu sangue quente?<br />
Ou espiar minhas fraquezas os mais frouxos<br />
E considerar ruim o que considero um presente?<br />
Não, eu sou o que eu sou; e os preocupados<br />
Com meus desmandos, eles próprios se expõem:<br />
Eu sou franco enquanto eles são dissimulados,<br />
E que seus juízos podres não sujem minhas ações.<br />
A não ser que esta máxima eles mantenham:<br />
Todos os homens são maus e na maldade reinam.</p>
<p><strong>Sonnet 121 (original em inglês)</strong></p>
<p>&#8216;Tis better to be vile than vile esteem&#8217;d,<br />
When not to be receives reproach of being,<br />
And the just pleasure lost which is so deem&#8217;d<br />
Not by our feeling but by others&#8217; seeing:<br />
For why should others false adulterate eyes<br />
Give salutation to my sportive blood?<br />
Or on my frailties why are frailer spies,<br />
Which in their wills count bad what I think good?<br />
No, I am that I am, and they that level<br />
At my abuses reckon up their own:<br />
I may be straight, though they themselves be bevel;<br />
By their rank thoughts my deeds must not be shown;<br />
Unless this general evil they maintain,<br />
All men are bad, and in their badness reign.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/soneto-121/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Balada</title>
		<link>http://caiotulio.com/balada/</link>
		<comments>http://caiotulio.com/balada/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 17:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
		<category><![CDATA[Balada]]></category>
		<category><![CDATA[Gláuber Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Hart Crane]]></category>
		<category><![CDATA[Mario Faustino]]></category>
		<category><![CDATA[poesia brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Terra em Transe]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://caiotulio.com/blog/?p=237</guid>
		<description><![CDATA[ 
 
 
 
 
 
 
 
 
Balada
(Em memória de uma poeta suicida)*
Mário Faustino
Não conseguiu firmar o nobre pacto
Entre o cosmo sangrento e a alma pura
Porém, não se dobrou perante o fato
Da vitória do caos sobre a vontade
Augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mas intacto
(Tanta violência, mas tanta ternura)
Jogou-se contra um mar de sofrimentos
Não para pôr-lhes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_265" class="wp-caption alignnone" style="width: 474px"><img class="size-full wp-image-265" title="balada2" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/balada2.jpg" alt="Mário Faustino (à esq.) e o poeta americano Hart Crane (dir.) a quem Faustino  teria dedicado o poema Balada. Crane suicidou-se, em abril de 1932, atirando-se ao mar de um vapor em viagem de volta do México aos EUA." width="464" height="230" /><p class="wp-caption-text">Mário Faustino (à esq.) e o poeta americano Hart Crane (dir.) a quem Faustino teria dedicado o poema Balada. Crane suicidou-se, em abril de 1932, atirando-se ao mar de um vapor em viagem de volta do México aos EUA.</p></div>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<p> </p>
<h2>Balada</h2>
<p><em>(Em memória de uma poeta suicida)*</em></p>
<p>Mário Faustino</p>
<p>Não conseguiu firmar o nobre pacto<br />
Entre o cosmo sangrento e a alma pura<br />
Porém, não se dobrou perante o fato<br />
Da vitória do caos sobre a vontade<br />
Augusta de ordenar a criatura<br />
Ao menos: luz ao sul da tempestade.<br />
Gladiador defunto mas intacto<br />
(Tanta violência, mas tanta ternura)</p>
<p>Jogou-se contra um mar de sofrimentos<br />
Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim<br />
Para afirmar-se além de seus tormentos<br />
De monstros cegos contra um só delfim,<br />
Frágil porém vidente, morto ao som<br />
De vagas de verdade e de loucura.<br />
Bateu-se delicado e fino, com<br />
Tanta violência, mas tanta ternura!</p>
<p>Cruel foi teu triunfo, torpe mar.<br />
Celebrara-te tanto, te adorava<br />
Do fundo atroz à superfície, altar<br />
De seus deuses solares – tanto amava<br />
Teu dorso cavalgado de tortura!<br />
Com que fervor enfim te penetrou<br />
No mergulho fatal com que mostrou<br />
Tanta violência, mas tanta ternura!</p>
<p>Envoi</p>
<p>Senhor, que perdão tem o meu amigo<br />
Por tão clara aventura, mas tão dura?<br />
Não está comigo nem conTigo:<br />
Tanta violência, mas tanta ternura.</p>
<p><strong>• • •</strong></p>
<p><strong>Nota de Caio Túlio Costa:<br />
</strong>*A propósito da dedicatória a “uma poeta”, este poema é retirado do livro <em>Poesia Completa, Poesia Traduzida</em> organizado por Benedito Nunes (Max Limonad, 1985) e de <em>O Homem e sua Hora e outros poemas</em>, organizado por Maria Eugenia Boaventura (Companhia das Letras, 2002). Maria Eugenia me disse que o poema “deve ser em homenagem a Hart Crane”. Tanto na edição organizada por Maria Eugênia (p. 158) quanto na edição da poesia completa estabelecida por Benedito Nunes (p. 115) consta que o poema é em homenagem a “um<span style="text-decoration: underline;">a</span> poeta suicida”. No índice da edição de Nunes (p. 6) consta, no entanto, que o poema é para “um poeta suicida”.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://caiotulio.com/balada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

