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	<title>Caio Túlio Costa &#187; Destaque 2</title>
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		<title>Ouvidores do mundo em BH</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 11:44:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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O jornalista, professor de jornalismo e consultor Caio Túlio Costa participa nesta sexta-feira, em Belo Horizonte, do 1º Congresso Internacional de Ouvidores e Ombudsman. Será o expositor na oficina sobre ouvidoria em jornais, revistas, rádio e televisões.
Caio Túlio pretende debater quesitos basilares para o exercício da função como, por exemplo, as funções do ombudsman na indústria [...]]]></description>
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<div><span style="font-size: small;"><span> </span></span></div>
<p><span><span style="font-size: small;"><span>O jornalista, professor de jornalismo e consultor Caio Túlio Costa participa nesta sexta-feira, em Belo Horizonte, do 1º Congresso Internacional de Ouvidores e Ombudsman. Será o expositor na oficina sobre ouvidoria em jornais, revistas, rádio e televisões.</span></span></span></p>
<p>Caio Túlio pretende debater quesitos basilares para o exercício da função como, por exemplo, as funções do ombudsman na indústria da midia; os limites da atuação do ombudsman nesta indústria; as diferenças fundamentais entre a função do ombudsman e o serviço de atendimento ao consumidor (os polêmicos SAC); o perfil ideal do ombudsman e as barreiras para a expansão da função além de traçar um pequeno histórico do ombudsman de imprensa no Brasil e no mundo.</p>
<p>O Congresso, uma promoção da Associação Brasileira de Ouvidores e Ombudsman numa parceria com a OAB de Minas Gerais será realizado de 28 a 30 de julho no Hotel Ouro Minas, na capital do estado de Minas Gerais.</p>
<p>A oficina sobre ouvidoria nos meios de comunicação se desenrola das 9h às 12h do dia 30.</p>
<p>Além de Caio Túlio, confirmaram presença o 1º Ouvidor Público do Brasil, Manoel Camargo. Ele abre o evento com a palestra Cidadania, Direitos Fundamentais e os Limites entre o Público e o Privado; Dante Negro, diretor do Departamento de Direito Internacional da OEA, com o tema O Defensor Del Pueblo e sua Atuação na América Latina; Erick David, professor da Universidade de Bruxelas, com a palestra O Ombudsman no Conselho de Segurança da ONU; Ian Willian Darling, presidente do Fórum Canadense de Ombudsman, que abordará O Papel do Ombudsman no Canadá e EUA.</p>
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		<title>Ética e mídia</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 13:50:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Capítulo do livro Cultura das Transgressões &#8211; Visões do presente, com prefácio de Celso Lafer e artigos de Marcílio Marques Moreira, Fábio Wanderley Reis, Caio Túlio Costa, Yves de La Taille e Içami Tiba. São Paulo: Etco/IFHC/Editora Saraiva, 2009.                                    
Caio Túlio Costa*
Dizer que a indústria da comunicação passa por uma revolução virou lugar-comum. Mas os momentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Capítulo do livro </em>Cultura das Transgressões &#8211; Visões do presente<em>, com prefácio de Celso Lafer e artigos de Marcílio Marques Moreira, Fábio Wanderley Reis, Caio Túlio Costa, Yves de La Taille e Içami Tiba. São Paulo: Etco/IFHC/Editora Saraiva, 2009.</em>                                    </p>
<div><strong></strong>Caio Túlio Costa*</p>
<p>Dizer que a indústria da comunicação passa por uma revolução virou lugar-comum. Mas os momentos de esclarecimentos se acumulam. Aos poucos, permitem que se enxergue com clareza a transformação em curso. A explosão do jornalismo-cidadão no Irã, após a eleição presidencial de junho de 2009, quando os mecanismos da nova mídia (vídeos captados por celulares, blogs, mensagens curtas) permitiram que oposicionistas iranianos furassem o bloqueio do regime autoritário e exibissem ao mundo as manifestações contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, exemplificou como o poder de mídia passa a independer dos meios tradicionais de comunicação e consegue escapar dos mecanismos da censura. Exemplo dramático ocorrera nas Filipinas em 2001, quando a população, mobilizada por meio de celulares e e-mails, derrubou a ditadura de Joseph Estrada. Ou quando os espanhóis, em 2004, também apoiados por celulares e e-mails, apearam José Maria Aznar do governo.(1) E ainda em 2008, no Tibete, quando imagens de celulares driblaram a censura das autoridades e levaram ao mundo detalhes de protestos e repressão aos monges em Lhasa, a capital do país, contra a ocupação chinesa.<br />
Essa reviravolta traz desafios, problemas regulatórios, renovações estruturais e, em especial, dilemas éticos. São questões de grande amplitude, que têm a ver com culturas, com o entendimento da rapidez com que a tecnologia promove mudanças e de como ela ajuda a virar de ponta-cabeça negócios estabelecidos e a desestabilizar regras em construção há mais de meio milênio pela indústria da comunicação.<br />
Veja o caso de outro momento-chave, agora no Brasil, que desnuda mal-entendidos, principalmente em relação à questão ética. Em meados de 2009, os leitores de jornais puderam acompanhar aquilo que, antes de significar mais um episódio da reação negativa dos grandes jornais à revolução nas comunicações, iluminou a decadência do “quarto poder”. De quebra, exibiu o quanto a questão ética necessita de aprofundamento no tocante ao fim dos limites alimentados pela mídia tradicional.<br />
Em oito de junho de 2009, a principal associação brasileira da indústria produtora de jornais, a Associação Nacional de Jornais (ANJ, presidida por uma executiva da Folha de S. Paulo, Judith Brito, e tendo como vice-presidente e responsável pelo Comitê de Liberdade de Expressão o jornalista Júlio César Mesquita, da família fundadora de O Estado de S. Paulo, além de outros vice-presidentes, entre os quais João Roberto Marinho, da família que controla O Globo), divulgou uma nota num tom revelador da incompreensão da nova realidade.<br />
A manifestação começava assim: “A Associação Nacional de Jornais manifesta seu repúdio pela atitude antiética e esquiva com que a Petrobrás vem tratando os questionamentos que lhe são dirigidos pelos jornais brasileiros, em particular por O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, que nas últimas semanas publicaram reportagens sobre evidências de irregularidades e de favorecimento político em contratos assinados pela estatal e suas controladas”.<br />
Neste parágrafo há um verbo de forte simbologia política – repudiar – e dois adjetivos – antiético e esquivo. O primeiro, antiético, é o principal para esta discussão. O parágrafo seguinte começa com adjetivo e verbo, ambos igualmente de cunho negativo: “Numa canhestra tentativa de intimidar jornais e jornalistas, a empresa criou um blog no qual divulga as perguntas enviadas à sua assessoria de imprensa pelos jornalistas antes mesmo de publicadas as matérias às quais se referem, numa inaceitável quebra da confidencialidade que deve orientar a relação entre jornalistas e suas fontes”. Prosseguia: “Como se não bastasse essa prática contrária aos princípios universais de liberdade de imprensa, os e-mails de resposta da assessoria incluem ameaças de processo no caso de suas informações não receberem um ‘tratamento adequado’. Tal advertência intimidatória, mais que um desrespeito aos profissionais de imprensa, configura uma violação do direito da sociedade a ser livremente informada, pois evidencia uma política de comunicação que visa a tutelar a opinião pública, negando-se ao democrático escrutínio de seus atos”.(2)<br />
 A nota funcionou, em parte, aos propósitos dos jornais. A Petrobras decidiu postar no seu blog as perguntas dos jornais somente na meia-noite do dia em que o assunto viesse a público, e não antes, quando elas chegassem à empresa, como havia começado a fazer. O pequeno recuo não invalida o fenômeno. E, se existem problemas éticos neste caso, eles se encontram no posicionamento da ANJ, e não na ação da Petrobras.<br />
Onde a ANJ foi buscar que os “princípios” da liberdade de imprensa impedem uma empresa de divulgar as perguntas que recebe desta mesma imprensa, não se sabe. Não existe nenhuma questão ética em jogo na atitude da empresa de abrir ao público as perguntas recebidas dos jornais, mesmo que sejam confidenciais. Se ela é a detentora da informação, ainda que solicitada a guardar sigilo, a ela cabe revelar ou não a demanda. Esta decisão lhe pertence, como pertence a qualquer fonte de informação da imprensa. Como também pertence igualmente à imprensa.<br />
Onde a ANJ foi pescar a ideia de que uma empresa não tem o direito de dizer que pode processar o jornalista se não se considerar adequadamente tratada, também não se sabe. Qualquer empresa, qualquer instituição, qualquer indivíduo, qualquer cidadão tem o direito inalienável, legítimo, de se adiantar para se defender quando considera que um órgão de comunicação pode vir a prejudicá-la ou prejudicá-lo – e tem o dever moral de informar isso ao veículo. No caso, foi o que fez a Petrobras.<br />
Onde a ANJ foi enxergar que defender direitos significa “tutelar” a opinião pública, muito menos se sabe. Qualquer um, qualquer empresa tem tanto o direito de desejar a não publicação de uma informação se aos seus olhos ela estiver errada, quanto o jornal tem o dever de publicar a informação se considerá-la dentro dos seus padrões de acuidade e confiabilidade. Negar esse direito é atuar, como sói acontecer, no terreno da moral provisória – pois a regra ética valeria para o jornal, mas não valeria para outrem. Mesmo guarnecida pela Constituição, a imprensa muitas vezes quebra o sigilo da fonte. Então o jornal pode e a fonte não? Ele pode publicar tudo o que sabe, mas a empresa está sendo antiética ao divulgar no seu site um pedido de entrevista, ainda que confidencial? Antiético é prometer e não cumprir. No caso, a empresa nada prometeu. Pode inclusive divulgar apenas o seu lado, afinal ela não é a imprensa.<br />
As assertivas da ANJ desnudam uma situação irreversível. O jornalismo tradicional perdeu poder com a nova configuração da indústria da mídia. Ele não é mais o principal ator da indústria de comunicação. Qualquer instituição, empresa ou indivíduo hoje pode ter poder de mídia.<br />
Pode não ter alcance.<br />
Pode não ter audiência.<br />
Pode não ter credibilidade.<br />
Pode não ter formação nem estar preparado para tanto.<br />
Pode não ter critérios éticos nem noções de filosofia moral.<br />
Porém pode sim ter poder de mídia.<br />
A tecnologia propiciou uma comunicação multi-interativa, multidirecional.  Destruiu a forma antiga de comunicação unidirecional. Deu aos homens o poder de levantar em rede mundial, a qualquer momento, qualquer dado, informação, imagem ou vídeo. Se a mensagem será consumida, será vista, comentada ou ignorada, é, claro, algo a ser considerado. O mais impactante, o mais estimulante, desafiante, novo e também o mais preocupante é que o mundo das comunicações mudou.<br />
Não adianta soltar nota, bater o pé, ameaçar – a liberdade de expressão ganhou foro infinito com o surgimento das novas mídias.<br />
Liberdade de expressão pressupõe responsabilidade. Portanto, a nova realidade da comunicação traz junto novos e monumentais problemas éticos, além de novas questões de fundo moral. Como lidar com privacidade, pedofilia, direitos autorais? Como saber se uma informação publicada num determinado site está correta? Como distinguir um site confiável? Como trabalhar com a enxurrada de informações ofertadas? Como lidar com fontes que agora têm poder de mídia? Como se defender da assimetria no mecanismo da comunicação? <br />
Informação e opinião não se encontram apenas nos veículos tradicionais da mídia emulados na internet. Elas estão nos sites empresariais e também nos institucionais, nos sites das agências de comunicação, nos sites individuais, nos blogs, nas redes sociais, nas pequenas mensagens do twitter&#8230; Por isso, é necessário examinar em maior profundidade os dilemas éticos que se apresentam nessa configuração.<br />
John Thompson, professor de sociologia na Universidade de Cambridge, Inglaterra, considera ter-se tornado corriqueiro para teóricos da sociedade e da cultura considerar a questão ética, e a própria reflexão sobre ela, uma preocupação do passado. Ela seria uma “expressão residual da razão legisladora que procurou – inutilmente e, em alguns casos, com desastrosas conseqüências – princípios universais e obrigatórios para a conduta humana”. Para ele, o “colapso do projeto universalista” (que se pode entender como o colapso do projeto da modernidade) teria deixado a investigação sobre a natureza e a finalidade da ética envolta numa “bruma de incerteza”.(3) O individualismo, nessa época de desintegração, teria aspirado a preocupação ética para a “estética do self”, a estética individual do eu mesmo.<br />
No que toca à mídia tradicional, num movimento relativista, não é que ela tenha “abandonado” o compromisso retórico com a razão legisladora de princípios universais. Ela vem relativizando as preocupações éticas desde sempre. A diferença é que, com o tempo, isso foi se tornando claro, transparente, aceitável, normal. O abandono foi progressivo. No entanto, continuou-se a criar códigos deontológicos para dar sentido normativo (idealístico) a uma ética no jornalismo que tem sido consistentemente detonada no dia-a-dia desse ofício. Como? A publicação de notícias unicamente de interesse imediato de pessoas, instituições ou empresas, advindas das mais diversas fontes e apresentadas sob uma única ótica e/ou enviesadas de deturpação, sem ouvir o outro lado, sem direito de resposta, sem a controvérsia, sem o contraditório – mesmo que a norma, enraizada em todos os manuais e em todos os procedimentos do jornalismo, mande reportar o contraditório.<br />
A preocupação ética, se existe formalmente e normativamente nas instruções da mídia tradicional, inexiste em inúmeras das suas práticas e, quando se fala em nova mídia, ela está no vácuo. As próprias empresas de mídia manejam com hipocrisia o uso das palavras “normas”, “ética” e “moral”. A preocupação moral se relativiza mais facilmente nesse novo sistema – seja pela falta de experiência dos seus novos atores (indivíduos sem formação humanística e/ou técnica em comunicação), seja pelo derretimento de valores sólidos ou ainda pela própria mimetização da relativização operada na pela mídia tradicional.<br />
Quando muito, agentes das novas mídias somam idealmente preocupações éticas (normativas) às já existentes, mas trazem novos problemas por conta da sua extensão, simultaneidade e possibilidade de unir numa mesma plataforma as várias formas de linguagem da comunicação (texto + imagem + movimento + áudio) para além da interatividade, o seu maior diferencial.<br />
Na nova realidade da esfera pública, o jornalista, subjugado pelos aspectos relativos da sua prática, deixou de ser o principal instrumento mediador da representação das representações. Menos pelos aspectos relativos e mais pelo desenvolvimento da técnica, que transformou a comunicação em algo participativo, interativo. As representações, individuais ou institucionais, emergem por si mesmas na mídia, sem dependência do jornalista, apesar de ele continuar existindo, continuar representando as diferentes representações que lhe permitem produzir um texto ou um vídeo e continuar a defender o uso de meios moralmente condenáveis (como gravações clandestinas, disfarces, câmeras ocultas) na busca da informação que ele considere de interesse público – e note que a definição de interesse público também pode ser contraditada, relativizada.<br />
As mudanças no comportamento do consumidor decorrentes das facilidades tecnológicas compõem a visão de que se chegou finalmente a um mundo convergente e interativo. Há a proliferação assimétrica do conteúdo. A audiência se fragmentou. A programação da televisão, inclusive, também se fragmentou. O público tem acesso a múltiplas plataformas. A publicidade se move para alvos cada vez mais definidos. As fronteiras clássicas da cadeia de comunicação são continuamente desafiadas e até os “valores” de mercado na indústria da comunicação se deslocaram. A captura e a própria manutenção do controle da informação tornaram-se críticas para essa indústria. Para o indivíduo-repórter autor de um vídeo de sucesso instantâneo e mundial, baseado no registro de imagens de uma celebridade, costuma ser irrelevante se o material foi capturado e publicado de forma legal ou ilegal – a rede vem desmantelando o conceito de legalidade.<br />
Veja a seguir em 28 tópicos(4), a maioria composta de dilemas éticos, e fartamente desdobráveis, a complexidade que a nova realidade introduz:<br />
1. Controle das redes. Apesar da percepção democratizante, há um controle da rede mundial. Ele está localizado nos Estados Unidos. Uma simples decisão desse grupo de controle pode bloquear o acesso à rede em qualquer parte do mundo. Os domínios dos sites da internet são administrados primariamente pela Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann), organização sem fins lucrativos baseada em Marina del Rey, na Califórnia. Na realidade, em várias medidas, o acesso à rede está tanto nas mãos dos Estados Unidos quanto de instituições, empresas e governos que podem mudar regras e criar barreiras tecnológicas e/ou financeiras a ela. Há mecanismos para driblar os controles locais, como aconteceu no Irã em 2009, mas, se a Icann bloquear a rede, não há o que fazer. Iniciativas como a do Digital Millennium Copyright Act, de 1998, vêm reforçar essa preocupação.(5) Um único país, por mais democrático que seja, deve deter a chave de controle da rede mundial? <br />
2. Diversidade cultural. A diversidade das culturas em rede, mesmo e paradoxalmente em tempos de homogeneização global, suportaria regras de validade universal? Quando se vê que mecanismos de busca, como o Google, são censurados localmente na China e não podem apresentar resultados idênticos aos apresentados em países democráticos (como procurar por praça da Paz Celestial e não encontrar informações sobre os conflitos entre polícia e estudantes, que aparecem normalmente numa busca global), a pergunta fica ainda mais relevante, mesmo que o exemplo seja político. Como compatibilizar, do ponto de vista ético, as diferenças culturais entre os povos conectados em rede? Ou esta seria uma falsa questão, portanto impossível produzir um código deontológico eficaz para todos os países em rede? <br />
3. Concentração. Nos anos 1980, existiam cerca de 50 empresas globais de comunicação. Este número caiu para 27 no começo dos anos 1990 e se reduziu a sete no começo do século XXI. Com o sucesso do Google, a conta fechou em oito empresas globais de comunicação, com faturamento anual superior a US$ 12 bilhões em 2009: Time Warner, Disney, Vivendi, News Corporation, Bertelsmann, Google, CBS e Viacom.(6) Juntas, representam mais de 40% do faturamento somado das 70 maiores empresas de mídia em todo o mundo. Essa enorme concentração se fundou principalmente na dispersão dos usuários dos diversos veículos da mídia tradicional e da nova mídia. A concentração se erigiu com a dispersão e a dispersão fundamentou a concentração. Esse é um movimento sem retorno?<br />
4. Profissionalização. Um dos resultados da concentração (leia tópico anterior) foi a invasão de indústrias sem tradição no negócio da comunicação (de maneira geral formado por empresas familiares). O grupo francês Vivendi (Canal +, Universal Music Group) vem da exploração e do comércio de água. O Grupo Dassault (fabricante de armas) está no jornal Le Figaro e no semanário L’Express. O grupo Lagardère, ligado à aeronáutica, à defesa e à indústria automobilística, entrou na mídia com a Hachette e com participação no Le Monde. O banqueiro Édouard Rotschild também entrou no Libération. A empresa de telecomunicações espanhola Telefonica é proprietária do portal Terra e se associou ao Grupo Abril na TVA (TV por assinatura), além de ter operação de DTH (TV por satélite). Ainda no Brasil, a Portugal Telecom, também empresa de telecomunicações, é sócia do UOL (Grupo Folha) e, em Portugal, é dona do portal Sapo. A mexicana Telmex controla a NET (TV paga, internet via cabo, telefone via internet) no Brasil. A empresa de telecomunicações Oi (de capital nacional), que lançou emissoras de rádio em 2005 e, em 2009, passou a distribuir TV em DTH, adquiriu o controle da Brasil Telecom, proprietária do Internet Group, aglutinador dos portais iG, iBest e BrTurbo. Os executivos profissionais estão mais bem equipados para comandar empresas de mídia do que as famílias tradicionais deste ramo? A decisão com base nos resultados das empresas não pode levar à censura de temas? Executivos profissionais teriam bancado, por exemplo, a publicação dos papéis do Pentágono se estivessem à frente do New York Times?<br />
5. Convergência. Tema complexo. Faz com que regras éticas de diferentes matizes se mesclem, criando situações de conflitos morais dos mais espinhosos e que se relativizam conforme as regras jurídicas de cada país. A começar pelo próprio conceito de convergência, cujo entendimento comum, simplório e equivocado é o da televisão virar computador ou do computador servir como televisão. Hoje se sabe que a convergência chega via chip, com seu poder de unir diversos aparelhos num só ponto de distribuição, seja no lar, no escritório ou na rua. Mas quem converge mesmo é o indivíduo, em um novo processo de comunicação, conforme anota Henry Jenkins.(7) É o indivíduo quem vai aceitar ou não, sentir-se confortável ou não com esse processo, que pressupõe uma comunicação móvel e pervasiva. Contribui enormemente para o alargamento do fosso presente na relação assimétrica com a informação. Os problemas morais decorrentes dessa situação de onipresença, com total conhecimento dos hábitos do consumidor por parte desta indústria e de seus satélites, se multiplicam devido à facilidade da adesão dos indivíduos aos aparelhos móveis de comunicação. O indivíduo terá consciência dessa realidade e saberá se defender dos riscos que ela implica?<br />
6. Convergência no celular. Um dos componentes menos estudados da nova mídia é o da convergência na telefonia móvel. O sentido do aparelho móvel enquanto parte da nova mídia se dá quando ele é usado para disseminar informação ou como interface de entretenimento. O celular pode funcionar como elo de comunicação e organização de criminosos em penitenciárias no Brasil e também ajudar a levar milhares de cidadãos para casa no “toque de recolher” de maio de 2006 na cidade de São Paulo. Se foi um fator chave na eleição de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, ajudou a depor um chefe de Estado nas Filipinas, em 2001. Usado não apenas como aparelho de comunicação interpessoal, o celular recebe e emite informações, fotografa, grava vídeo, alimentando a rede com dados de toda espécie. Pode convergir com os demais artefatos da mídia, em todos os lugares onde haja recepção de seu sinal. Isso exige controle?<br />
7. Redes Sociais. Tornaram-se vedetes da web pela capacidade de criar comunidades afins (seja em torno de uma pessoa, um assunto ou uma causa) que podem se expandir e procriar subcomunidades, num amplo sistema de comunicação. Barack Obama se beneficiou desse mecanismo tanto para captar dinheiro para sua campanha presidencial de 2008 quanto para levar sua mensagem aos eleitores. Empresas usam as comunidades para pesquisar sua imagem e a de seus produtos ou serviços, para bisbilhotar perfis de candidatos a emprego e fazer marketing. Apesar de existirem códigos de conduta em cada rede social, as regras são burláveis e os problemas de segurança e privacidade se mantêm de forma igual aos da internet. As mais conhecidas são Orkut, Facebook, Ning e Linkedin.<br />
8. Conteúdo participativo, colaborativo. Os sites de conteúdo produzido pelo público, com atualizações realizadas a qualquer momento de qualquer lugar do mundo – cujo maior exemplo é a Wikipédia, enciclopédia inteiramente formatada na rede e escrita por meio de colaboração gratuita de milhares de pessoas anônimas –, é um problema a mais nos quesitos clássicos de confiabilidade. Mesmo tendo colaboradores voluntários a postos para corrigirem erros e omissões, o fato de ser atualizada on-line permite inserções repetidas de verbetes falsos, caluniosos ou criminosos. No que é possível verificar, um estudo realizado em 2005 pela revista científica Nature, em 42 tópicos comuns, reportou quatro erros por verbete na Wikipédia contra três erros por verbete na vetusta Enciclopédia Britânica.(8) A boa notícia é que, na Wikipédia, assim como na web, as correções podem ser imediatas.<br />
9. Mecanismos de busca. O Google é a sua face mais popular. Existem mais buscadores de porte, como o Yahoo e o Bing, este último pertencente à Microsoft (que anunciou, em julho de 1009, acordo com o Yahoo para explorar a publicidade online); e outros capazes de fazer buscas específicas, verticais, segmentadas. Esses mecanismos misturam num mesmo resultado conteúdos de credibilidade com conteúdos sem credibilidade ou de fontes duvidosas, sem serem capazes de fazer a distinção. Que tribunal mundial deveria se ocupar da credibilidade de conteúdos na internet? Qual algoritmo avançado poderia apurar o “grau” de “verdade” numa informação ou num conjunto de informações? Mesmo considerando a rapidez dos avanços na tecnologia (caso da web semântica), é provavelmente impossível supor uma ferramenta capaz de identificar “a verdade” nos complexos reinos da linguagem, das versões e da dita objetividade.<br />
10. Trabalho não-remunerado. Quando alguém digita uma palavra ou uma expressão nos sites de busca realiza um trabalho não-remunerado. Essa digitação produzida pelo usuário permite cruzamentos instantâneos das informações requeridas por ele, de resultados capazes de lhe mostrar imediatamente informações relacionadas ao que ele solicitou, bem como apresentar, com destaque, produtos ou serviços à venda na rede ou fora dela. O mecanismo de busca transforma a navegação do indivíduo em fonte de renda. Vende o resultado da busca para empresas ou indivíduos apresentarem produtos ou serviços relacionados àquelas e levar o internauta ao seu site. O internauta não deveria ser remunerado por este serviço gratuito que presta quando clica nos links que lhe apareceram?<br />
11. Nova publicidade. Manipulados por novas técnicas, os conteúdos podem misturar informação, entretenimento e serviço com material publicitário de forma pouco ou nada perceptível pelo público. Esse procedimento, opaco em muitos sites e portais, bombardeia a clássica separação entre “Igreja” e “Estado” criada pela mídia tradicional e em vigor em parte dela. O conteúdo editorial (cuja metáfora seria a Igreja) não deve se misturar com o conteúdo publicitário (cuja metáfora seria o Estado). Há uma “muralha” destinada a separar o departamento editorial do comercial. Essa separação – enunciada normativamente em muitas empresas ditas “de qualidade” – tende a se relativizar nas novas empresas multimídia. Nelas, as áreas de conteúdo e comercial planejam, projetam e trabalham em conjunto produtos desenhados especialmente para as necessidades de mercado. Problema moral: o que na velha mídia podia ser considerado teoricamente informação “pura”, na nova mídia, se confunde com mensagens publicitárias “disfarçadas” de informação.<br />
12. Marketing contextual. É a expressão dada às técnicas de publicidade que utilizam o contexto de uma página de internet para incluir mensagens publicitárias por meio da inserção de link para um site comercial em palavra ou expressão de um texto qualquer. Por exemplo: toda vez que aparecer a palavra “automóvel” em um texto jornalístico, essa palavra será linkada – por meio de um único clique – a um site de comercialização de automóveis. Trata-se de usar o próprio conteúdo editorial como suporte para mensagens publicitárias.<br />
13. Behavior advertising (ou publicidade comportamental). Publicidade baseada nas informações extraídas durante a navegação do internauta. Parecida com a técnica usada em larga escala pelo Google que, por meio da palavra de busca, devolve informação buscada pelo internauta, este tipo de publicidade devolve informação publicitária ligada aos assuntos das páginas pelas quais o internauta navega. A indústria tem se preocupado em lidar com isso de forma a não identificar o indivíduo, mas sim os padrões de navegação de quem está no comando da navegação. Sem querer e sem autorizar, cada indivíduo deixa suas preferências pessoais disponíveis nos sites pelos quais passeia, no histórico do seu caminho na rede. Elas podem ser capturadas por um mecanismo que anota e relaciona este passeio pela web, o interesse por determinados assuntos. Como mecanismo de defesa, o público deve dominar ferramentas que impeçam o rastreamento de informações durante a navegação em rede – seja via computador ou celular. A saída, tanto pelo lado regulatório quanto individual, é exigir transparência das empresas que usam este tipo de marketing no sentido de deixar claro o mecanismo aos olhos do internauta.<br />
14. Prosumer (produtor + consumidor). A palavra define o consumidor avalia produtos e assim ajuda consumidores e empresas. Qualquer internauta pode deixar um comentário num site comercial e os consumidores poderão se orientar (ou se desorientar) em relação àqueles bens ou serviços oferecidos. Isso dá um poder inédito ao consumidor. Porém nem todos os administradores de site de comércio eletrônico permitem a publicação de críticas negativas ou reclamações. Nos sites independentes, de comparação de preços, os comentários são mais livres. Nos que representam fabricantes, os comentários podem ser filtrados e/ou mediados. Dilema: como lidar com as críticas infundadas sem tirar do consumidor esta novíssima ferramenta de análise e de feedback?<br />
15. Jornalismo e entretenimento. Assim como pode haver confusão entre informação e propaganda, pode haver também entre o que é jornalismo e entretenimento. Na nova mídia, é mais difícil separar visualmente uma categoria da outra. Informação se confunde com entretenimento e vice-versa. Jogos on-line, shows, música, cinema, produtos e serviços diversos se confundem numa mesma plataforma de informação, exibição e comercialização. Você pode receber no seu celular um torpedo para votar no herói mais corajoso de todos os tempos e acabar direcionado a um site, seja no seu próprio celular ou no seu computador, de jogos on-line gratuitos – mas patrocinados por um anunciante qualquer.<br />
16. Jornalismo inexato. Para estarem na rede justapostos aos acontecimentos que são notícias, os textos (ou vídeos) são produzidos e cosidos em alta velocidade. A web não dá tempo ao jornalismo para uma pesquisa minimamente acurada. Por isso, as informações surgem inexatas. Dilema: o jornalismo deve segurar a notícia quando inexata? Neste caso, a web demonstra na prática que não. A exatidão é a vítima da pressa, que é inerente ao processo de notícia em tempo real. O que difere a nova mídia da comunicação tradicional é que a informação inexata pode ser corrigida e ampliada on-line, imediatamente depois de publicada – coisa que não acontece com a mídia impressa. O erro só poderá ser corrigido no outro dia pelo jornal (quando o é), na outra semana pelo semanário ou no outro mês pela publicação mensal.<br />
17. Indivíduo-repórter. Trata-se de qualquer um que se aventure na rede com site próprio, blog ou participação em portais e empresas que agregam conteúdos colaborativos, mas que atua sem “preocupação social”, ao contrário do cidadão-repórter. O indivíduo-repórter produz conteúdos e interfere em conteúdos de terceiros. Em geral, opina, dá curso a boatos ou a informações factuais. Chama a atenção para assuntos que não estão na mídia ou interfere naqueles que estão em pauta. Pode aparecer sempre ou de vez em quando. Usa a rede porque ela está à sua disposição. O dilema está em como a sociedade deve lidar com quem não tem formação técnica nem ética para exercer comunicação de massa, mas a exerce.<br />
18. Cidadão-repórter (citizen journalist, na expressão em inglês – modalidade também chamada de jornalismo participativo, participatory journalism, ou de jornalismo popular, people journalism). Conforme a definição dada por Shayne Bowman e Chris Willis, o cidadão-repórter é aquele que “joga um papel ativo no processo de coletar, reportar, analisar e disseminar notícias e informações”. A intenção do cidadão-repórter seria “prover informação independente, confiável, acurada, abrangente e relevante conforme requer a democracia”.(9) Não deve ser confundido com o jornalista profissional. Em tese, teria as mesmas preocupações morais do jornalista. O cidadão-repórter seria o seu êmulo. A dificuldade, ou melhor, a impossibilidade, é a de dotar todos os indivíduos que atuam na rede de uma concepção consensual do significado de cidadania e democracia.<br />
19. Indivíduo-repórter x cidadão-repórter x jornalista. O jornalista perde a proeminência que sempre teve. Perde tanto para os indivíduos-repórteres (quando estes usam a rede para publicar informações positivas ou negativas, corretas ou erradas, sérias ou frívolas) quanto para os cidadãos-repórteres (quando estes usam a rede na defesa de ideais, para fazer política ou denunciar falcatruas). Essa competição pode incluir o uso invertido das intenções. Não apenas o jornalista, mas também o indivíduo-repórter e o cidadão-repórter podem utilizar a rede para caluniar, difamar e injuriar pessoas e instituições.<br />
20. Inexperiência do indivíduo-repórter ou do cidadão-repórter. A inexperiência não leva a erros, omissões e distorções ainda mais graves do que as protagonizadas pelo profissional experiente? Dominique Wolton toca nesse assunto quando fala que o “contexto da competência” é essencial. Para ele, “se não se tem a competência para assimilar o aprendizado, os sistemas de informação e de conhecimentos erguerão outros tantos muros intransponíveis”. Antes, havia a figura do professor ou de um pesquisador para facilitar o acesso ao conhecimento. Agora, a rede propicia a qualquer pessoa o “contato direto” com a “imensidão do saber da humanidade”.(10) O consolo é que a falta de experiência seja talvez o único dos defeitos que melhora com o tempo.<br />
21. Privacidade. Não há privacidade para pessoa de exposição pública, seja celebridade, político, artista, executivo&#8230; As invasões de privacidade multiplicaram-se geometricamente com as novas mídias, com a facilidade na coleta de informação por câmeras em celulares e aparelhos digitais diminutos, além de formas sofisticadas de gravação clandestina de conversas, não importando onde esteja o “alvo” – lugar público ou privado. A principal resolução moral para esse problema, no entanto, concerne mais à pessoa exposta do que ao agente de comunicação.<br />
22. Fontes. As fontes de informação agora podem publicar diretamente informação e opinião em seus sites pessoais ou institucionais – muitas vezes travestidos de sites independentes e informativos. Qual a transparência na publicação de dados e informações nos sites institucionais, empresariais ou políticos? Em todo caso, há transparência na publicação de dados nos relatórios, livros, revistas e house organs tradicionais?<br />
23. Limites individuais em casos de conflito de interesses. O fato de alguém usar seu próprio site ou blog em causa própria sem que o usuário sequer imagine existir interesse pessoal por trás da informação publicada é bastante comum. Veja exemplos corriqueiros na velha mídia, agravados pelas novas mídias: o crítico gastronômico almoça de graça e depois escreve a crítica do restaurante. O jornalista ou indivíduo-repórter viaja gratuitamente, a convite de uma empresa aérea, cadeia de hotel ou agência de viagem, e escreve sobre a viagem. É possível reportar a viagem com isenção? Como lidar com essa questão com transparência? Os sites de gastronomia ou de turismo não deveriam deixar isso claro quando ocorrer? Ou não se deve aceitar o convite? O mesmo problema existe na crítica musical, cinematográfica, teatral, literária, esportiva&#8230;<br />
24. Boatos. Usar a rede para dar curso a boatos, a visões parciais, fúteis, porém “saborosas”, ou usar a rede somente para publicar informações de interesse público? De novo: o que é “interesse público”? Quem o define?<br />
25. Direito autoral. Os problemas de direito autoral são provocados pela facilidade da reprodução de dados digitais (música, vídeos) e de copiar e colar (texto, imagens). São questões de direito autoral, direito de imagem, direito de arena e de preservação de direito adquiridos para divulgação de informações, obras, vídeos, material captado ao vivo ou não, com ou sem autorização, postado em vários sites, a partir de qualquer ponto do planeta, sem proteção jurídica ou norma ética de valor universal. Iniciativa como a do Creative Commons (instituição sem fins lucrativos que redigiu um conjunto de licenças para a administração livre, totalmente aberta e compartilhada de informação – copy left, em vez de copyright) mostra como a criatividade e outras formas de entendimento do direito autoral precisam ser desenvolvidas para enfrentar os desafios da distribuição de conteúdos em rede. O Creative Commons flexibiliza o uso de obras protegidas por direitos autorais. Com a licença Creative Commons um compositor autoriza outros artistas a utilizar suas composições para criar uma mistura de ritmos, por exemplo. Um escritor pode dispor um texto na rede, gratuitamente, e permitir que outros autores o republiquem, parcial ou integralmente e até modifiquem o original.<br />
26. Questões das minorias étnicas e de gênero. O entendimento e a abordagem dessas questões variam conforme as culturas regionais e nacionais e podem evidenciar sérios problemas de racismo ou de preconceito por conta da compreensão local, regional ou nacional de uma mesma informação, cujo entendimento pode variar conforme a educação e a cultura de cada povo.<br />
27. Plataforma de expressões ilegais ou “doentias”. Sites de “grupos de ódio”, conforme explica Jon Ann Oravec, crescem em número e variedade, enquanto cresce também a quantidade de informações relacionadas a preconceito e à violência, muitas das quais ensinam como seqüestrar, planejar atentados, construir bombas, reforçar vícios, simular doenças, manter comportamentos doentios&#8230;  A população em rede tem sido a maior fonte do descobrimento e da denúncia deste tipo de site.<br />
28. Sites de conteúdos sexuais e pornográficos. Quais os seus limites? E deve ter limites? Inerente a essa discussão, aparece o problema da pedofilia (crime) e todos os derivados da questão, assim como os mecanismos de exposição, de acesso e de controle, principalmente em relação ao público infantil. Assunto de polícia e para o qual está voltada a atenção das autoridades. Os provedores de acesso à internet têm cooperado ativamente no levantamento de dados capazes de levar aos criminosos – mesmo e apesar da diferença entre as leis dos diferentes países.<br />
Os exemplos capazes de revelar novos problemas éticos, além daqueles tradicionais realimentados pelas novas mídias, se acumulam. Este trabalho não daria conta de enumerá-los. Como ensina Wolton, acessar diretamente a informação e o conhecimento coloca problemas bem mais radicais do que usar a internet para comprar no supermercado, reservar passagem aérea ou consultar sua agência bancária. Não se trata mais e apenas de ter acesso a informação e conhecimento produzidos por qualquer um, mas da possibilidade de qualquer um produzir informação.<br />
As questões recolocadas em discussão expõem tanto o jornalista tradicional, o indivíduo-repórter, o cidadão-repórter, assessores de imprensa, agências de comunicação, empresas e instituições, como qualquer um que se aventure na rede, a uma responsabilidade moral, do ponto de vista da moralidade clássica, jamais suspeitada. O normativo perdeu substância porque o funcional é a conseqüência lógica de uma prática universal, que, em função das circunstâncias, simplesmente ignora ou torce preceitos definidos pela moralidade teórica tecida na modernidade.<br />
Nessa situação generalizada – na qual qualquer um pode comandar a informação, da simples notícia sobre o trânsito, passando pela informação sobre que empresas podem ter suas ações mais valorizadas na bolsa de valores e chegando à sofisticada criação de algoritmos capazes de juntar informações correlatas dispersas pelas redes –, a raiz moral vem se decompondo quando se sabe melhor, a partir de Stiglitz, das imperfeições da comunicação, mesmo sob o domínio das mais portentosas técnicas da mídia, e que elas são assimétricas na comunicação como um todo.<br />
Um lado sempre tem mais informação do que o outro no processo da comunicação. Isso vem do fato inequívoco de que pessoas diferentes sabem coisas diferentes. Não há texto em jornal, revista ou site noticioso da internet (exceção quanto aos produzidos pelas instituições especializadas), nem há reportagem radiofônica ou televisiva que resista à análise apurada de um especialista. Como não há também na internet, a menos que seja o especialista o autor. Mesmo assim, ele corre o risco de ser contraditado por um par. Assimétricas, as informações dançam conforme as necessidades – além de terem sido vulgarizadas e facilitadas para a compreensão média do público ou, para conforto dos comunicadores, para compreensão do “grande público”. O nivelamento praticado pela indústria da cultura assim o exige e assim realimenta a cadeia da informação, que vai sistematicamente se nivelando sempre a um ponto mais abaixo, numa barafunda de dados na qual se misturam informações colhidas das mais diversas fontes – confiáveis ou não.<br />
A situação é complexa porque “ser é perceber ou ser percebido”, conforme o filósofo irlandês George Berkeley esclareceu lá em 1710.  Como se diz, as coisas só existem porque são percebidas. Não há nada que embase tão bem a ideia da onipresença da mídia: o que não está na mídia não é. Porque não pode ser percebido. Não há como perceber se não for midiático, se não estiver na internet, num jornal, revista, rádio, televisão&#8230;<br />
Capazes de dar ainda mais sentido à frase de Berkeley, as formas tradicionais de comunicação e a nova mídia se amalgamaram na faina do fazer perceber. Se a questão ética sempre foi problema sério para a indústria da comunicação tradicional, as novas mídias só vieram ampliá-lo.</p></div>
<p> </p>
<p><strong>Referências bibliográficas</strong></p>
<p>ANDERSON, Chris. <em>The long tail: why the future of business is selling less of more</em>. New York: Hyperion, 2006.</p>
<p>BAGDKIAN, Ben. <em>The media monopoly. Third Edition, revised and expanded with the latest information the expansion of global communication</em>. Boston: Beacon Press, 1990.</p>
<p>BERKELEY, George. <em>Tratado sobre os princípios do conhecimento humano</em>. São Paulo: Abril Cultural, Coleção Os Pensadores, 1973.</p>
<p>BOWMAN, S. and WILLIS, C. &#8220;We media: how audiences are shaping the future of news and information&#8221;. The Media Center at the American Press Institute, 2003.</p>
<p>COSTA, Caio Túlio. <em>Ética, jornalismo e nova mídia – uma moral provisória</em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.</p>
<p>_______.<em> Ombudsman – o relógio de Pascal</em>. São Paulo: Geração Editorial, 2006.</p>
<p>DREYER, D. <em>Organizational change in the global media markets – Causes and consequences.</em> Alemanha: Westtälische Wilhelms/Universität Münster, janeiro de 2003.</p>
<p>JENKINS, Henry. <em>Convergence culture – where old and new media colide</em>. New York: New York University Press, 2006.</p>
<p>ORAVEC, Jo Ann. “On-line advocacy of violence and hate-group activity: the internet as a platform for the expression of youth aggression and anxiety” in WOLF, Mark J.P. (editor). <em>Virtual morality – morals, ethics, new media</em>. New York: Peter Lang. 2003, pp. 119-134.</p>
<p>THOMPSON, John B. <em>A mídia e a modernidade – uma teoria social da mídia</em>. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.</p>
<p>WOLTON, Dominique. <em>Internet, e depois? Uma teoria crítica das novas mídias</em>. Porto Alegre: Sulina, 2003.<br />
<strong> </strong></p>
<p><strong>Notas</strong><br />
(1) O Estado de S. Paulo, 09/06/09: p. A6.<br />
(2) Thompson, 2004: p. 224.<br />
(3) Parte dos tópicos vem do capítulo “Relativismos” de Costa, 2009.<br />
(4) Ou DMCA, lei do direito autoral dos EUA. Criminaliza a produção e a difusão de tecnologias, dispositivos ou serviços destinados a inibir o acesso aos direitos autorais.<br />
(5) Baseado nas informações de Costa, 2006; em Bagdkian, 1990 e Dreyer, 2003.<br />
(6) Jenkins, 2006.<br />
(7) Anderson, 2006: p. 69.<br />
(8) Bowman &amp; Willis, 2003.<br />
(9) Wolton, 2003: p. 135-6.<br />
(10) Oravec, 2003: p.119.</p>
<p>*Caio Túlio Costa é jornalista, professor de Ética Jornalística, doutor em Ciências da Comunicação pela USP e consultor de novas mídias. Este texto expande e atualiza dados contidos em <em>Ética, jornalismo e nova mídia – uma moral provisória</em> (Zahar, 2009).</p>
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		<title>Memórias Ecanas</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 14:26:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caio Túlio Costa deu um depoimento em 13 de outubro de 2009 para o Projeto Memórias Ecanas (2009), realizado pelos alunos de Relações Públicas da disciplina Produção Audiovisual, ministrada pelo professor Paulo Nassar, da ECA, a Escola de Comunicações e Artes da USP.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Caio Túlio Costa</strong> deu um depoimento em 13 de outubro de 2009 para o Projeto Memórias Ecanas (2009), realizado pelos alunos de Relações Públicas da disciplina Produção Audiovisual, ministrada pelo professor Paulo Nassar, da ECA, a Escola de Comunicações e Artes da USP.</p>
<p>O projeto tem o objetivo de ouvir ex-alunos da ECA.</p>
<p>O depoimento de Caio Túlio está publicado no You Tube dividido em duas partes.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=JCE6IsgegL4" target="_blank">Clique aqui para ver a primeira parte</a>.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=4GWVN7iMoUQ&amp;feature=related" target="_blank">Clique aqui para ver a segunda parte</a>.</p>
<p><strong>Caio Túlio Costa</strong> foi aluno da ECA de 1974 a 1979. Na USP, além de se graduar e se doutorar em jornalismo, Caio Túlio cursou também Filosofia na USP (sem se graduar), participou de grupo estudantil de teatro amador, foi militante da corrente política Liberdade e Luta e editou dois jornais estudantis &#8211; &#8220;Dois Pontos&#8221; e &#8220;Avesso&#8221;.</p>
<p>No depoimento, fala de sua história, de sua formação universitária e política, além de discorrer sobre partes de sua carreira &#8211; em especial sobre a criação da função de ombudsman na Folha de S. Paulo (de 1989 a 1991) e da criação do UOL &#8211; onde trabalhou de 1995 a 2002.</p>
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		<title>Moral provisória; repercussão continua</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 21:45:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Veja aqui a repercussão na imprensa de &#8221;<em>Ética, Jornalismo e Nova Mídia &#8211; uma moral provisória</em>&#8220;, livro de Caio Túlio Costa.  Editado pela Zahar, está à venda nas livrarias ou via web. Por meio dos links abaixo, você tem acesso à maioria da entrevistas e das resenhas que saíram sobre o livro &#8211; inclusive às respostas de CTC à crítica da revista da Fapesp.<br />
Trópico: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/dilemas-eticos-do-jornalismo/" target="_blank">Dilemas éticos do jornalismo</a>&#8221;<br />
Getulio: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/etica-jornalismo-e-moral-provisoria/" target="_self">Ética, jornalismo e moral provisória</a>&#8221;<br />
Último Segundo: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/qual-jornalista-nunca-contou-uma-mentira-questiona-caio-tulio-costa/" target="_self">Qual jornalista nunca contou uma mentira</a>?&#8221;<br />
Observatório da Imprensa: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/a-moral-provisoria-no-jornalismo/" target="_self">A moral provisória no jornalismo</a>&#8221;<br />
Revista da Fapesp: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/no-vacuo-da-etica/" target="_self">No vácuo da ética</a>&#8221;<br />
<a href="http://caiotulio.com/no-vacuo-da-etica/#comments" target="_self">Resposta de Caio Túlio Costa à crítica da Revista da Fapesp</a><br />
UM: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/o-jornalismo-nunca-vai-acabar/" target="_self">O jornalismo não vai acabar</a>&#8221;<br />
G1: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/o-jornalismo-como-questao-de-etica/" target="_self">O jornalismo como questão ética</a>&#8221;<br />
Diário do Nordeste: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/o-jornalismo-em-tempos-modernos/" target="_self">O jornalismo em tempos modernos</a>&#8221;<br />
Jorge da Cunha Lima:  &#8220;<a href="http://caiotulio.com/a-licao-de-caio-tulio-costa/" target="_self">A lição de Caio Túlio Costa</a>&#8221;<br />
Valor Econômico: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/uma-longa-caminhada-a-procura-da-etica/" target="_self">Uma longa caminhada à procura da ética</a>&#8221;<br />
Site da Cásper Líbero: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/provisoria-mas-muito-seria-e-atual/" target="_self">Provisória, mas muito séria e atual</a>&#8221;<br />
Estadão: <a href="http://caiotulio.com/por-uma-historia-critica-da-midia/" target="_blank">&#8220;Por uma história crítica da mídia&#8221;</a><br />
Folha: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/tese-sobre-etica-faz-o-elogio-da-controversia/" target="_self">Tese sobre ética faz o elogio da controvérsia</a>&#8221;<br />
Observatório da imprensa: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/denso-mas-agradavel/" target="_self">Denso, mas agradável</a>&#8221;<br />
Band: <a href="http://caiotulio.com/video-da-band-sobre-o-lancamento-de-moral-provisoria/" target="_self">Vídeo do Jornal da Noite, da Band, sobre o livro</a><br />
Jornal do Brasil: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/caio-tulio-costa-a-mutacao-do-jornalismo-hoje/" target="_self">A mutação do jornalismo hoje</a>&#8221;<br />
Correio Braziliense: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/abismo-separa-etica-e-pratica/" target="_self">Abismo separa ética e prática</a>&#8221;<br />
Boombust: <span style="font-size: x-small;"><a href="http://www.boombust.com.br/etica-jornalismo-e-novas-midias/" target="_self">As contradições das mídias como negócio e muito mais, por Caio Túlio Costa</a><br />
Nós da comunicação: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/as-escolas-estao-condenadas-a-incluir-a-web-nos-curriculos/" target="_self">As escolas estão condenadas a incluir a web no currículo</a>&#8220;</span><span style="font-size: x-small;"><br />
</span>Consultor Jurídico: &#8220;<a href="http://caiotulio.com/livro-revela-corda-bamba-etica-dos-jornalistas/" target="_self">Livro revela corda bamba ética dos jornalistas</a>&#8221;<br />
Meio &amp; Mensagem: <a href="http://caiotulio.com/obra-de-caio-tulio-costa-detalha-etica-no-jornalismo/" target="_blank">&#8220;Obra de Caio Túlio Costa detalha ética no jornalismo&#8221;</a><br />
iG: <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2009/03/20/etica+jornalistica+e+tema+de+livro+de+caio+tulio+costa+4955991.html" target="_blank">&#8220;Ética jornalística é tema de livro de Caio Túlio Costa&#8221;</a></p>
<p><strong>Orelha do livro: </strong></p>
<p>Este livro não apresenta um manual com listas de certo e errado nem oferece lições de conduta para os profissionais da mídia. Longe disso, o objetivo é investigar como o jor-nalismo tem sido praticado do ponto de vista da moralidade – desde seu surgimento até os dias de hoje, mar-cados por um intenso fogo cruzado de novos meios de comunicação, a nova mídia.<br />
A pedra fundamental da reflexão sobre a imprensa foi lançada em 1690, quando o alemão Tobias Peu-cer defendeu uma pioneira tese de doutorado sobre o tema. Em poucas páginas, ele já apontava questões que continuam na ordem do dia e são abordadas com impressionante senso crítico neste Ética, jornalismo e nova mídia.<br />
Entre elas destacam-se as contradi-ções do jornalismo como “negócio” e, ao mesmo tempo, atividade de interesse público; os limites da obje-tividade e da imparcialidade (seriam um mito?); a busca da precisão num cotidiano premido pela urgência; os ideais de verdade, justiça e credibi-lidade.<br />
O grande desafio do jornalismo no século XXI é manter sua identidade em uma rede saturada de informa-ções emitidas pelos mais diversos meios. Nessa rede intrincada, nunca foram tão tensas as relações entre “fonte”, jornalista, empresa de co-municação e público – e não por acaso, ética e antiética têm andado assustadoramente próximas.<br />
Ao relacionar filosofia, dramaturgia e literatura, estabelecendo surpreen-dentes ligações entre eventos distin-tos – como o julgamento de Sócra-tes, na Antigüidade, e recentes aten-tados promovidos em São Paulo pelo crime organizado –, Caio Túlio Costa sustenta que, apesar de todas as novidades na mídia, o modo de fazer jornalismo não mudou.<br />
O que tem mudado é a forma de comunicação e o grau de importân-cia atribuído ao jornalista, já que agora qualquer indivíduo pode criar e veicular produtos noticiosos, atin-gindo on-line milhões de pessoas. Essa possibilidade sim é inédita e espantosa. Mais do que nunca, por-tanto, é oportuno manter em pauta uma discussão aprofundada sobre ética, jornalismo e novas mídias.</p>
<p><strong>Quarta capa do livro:</strong></p>
<p> Jean-Paul Sartre dizia que, para conseguir administrar tantas namoradas, era obrigado a recorrer constantemente a um “código moral temporário”, que envolvia mentirinhas e meias verdades. Partindo dessa saborosa revelação do grande filósofo, o jornalista Caio Túlio Costa afirma que um “código” semelhante costuma ser utilizado no jornalismo, em situações diversas, para justificar comportamentos tidos como condenáveis.<br />
Por exemplo quando se usam gravadores e câmeras ocultos para investigar um assassinato ou fraudes no mercado financeiro. Nesse caso, vale mentir, ocultar e omitir porque a causa é nobre? Essa “moral provisória” – oportu-nista, para uns; necessária, para outros –, que se adéqua às circunstâncias, não faz parte apenas do dia-a-dia do repórter. Integra o fazer da própria in-dústria da comunicação.<br />
Num mercado saturado de informações digitalizadas, no qual o consumidor também as produz e veicula, a pergunta é: verdade, justiça e ética ainda são os pilares do jornalismo?</p>
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		<title>Curso de ética no segundo semestre</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Aug 2009 13:17:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com o adiamento do início das aulas deste segundo semestre de 2009, por conta da gripe H1N1, o cronograma do curso de Ética Jornalística, na Cásper Líbero, mudou.
Na primeira aula deste mês, em 19 de agosto, além da apresentação do conteúdo do semestre, já se fez a contraposição dos poemas de Fernando Pessoa (&#8221;Poema em linha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o adiamento do início das aulas deste segundo semestre de 2009, por conta da gripe H1N1, o cronograma do curso de Ética Jornalística, na Cásper Líbero, mudou.</p>
<p>Na primeira aula deste mês, em 19 de agosto, além da apresentação do conteúdo do semestre, já se fez a contraposição dos poemas de Fernando Pessoa (&#8221;<a href="http://caiotulio.com/poema-em-linha-reta-2/" target="_blank">Poema em linha reta</a>&#8220;) e de Mário Faustino (&#8221;<a href="http://caiotulio.com/balada/" target="_blank">Balada</a>&#8220;). O tema foi a &#8220;tensão&#8221; entre o anti-herói ético e o super-herói ético. </p>
<p>O <a href="http://caiotulio.com/roteiro-das-aulas-1o-semestre-de-2009/" target="_blank">novo cronograma </a>das aulas já está à disposição. A reposiçâo das aulas, se necessárias, será em  29 de agosto ou no começo de dezembro. O curso se estende até 16 de dezembro, para quando está marcado o exame final.</p>
<p>Recomenda-se que os alunos leiam neste semestre o livro <em>O jornalista e o assassino</em>, de Janet Malcolm, editado pela Companhia da Letras. O livro está esgotado, mas existem dez exemplares na bilioteca da Cásper Líbero. Ele também é facilmente encontrável no site <a href="http://www.estantevirtual.com.br/mod_perl/busca.cgi?pchave=o+jornalista+e+o+assassino&amp;tipo=simples&amp;estante=%28todas+estantes%29&amp;alvo=titulo" target="_blank">Estante Virtual</a>, de sebos.</p>
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		<title>O jornalismo como questão de ética</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 12:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado no G1 em 12/05/2009 às 00:24
Luciano Trigo
Não apenas aos profissionais da Comunicação é recomendada a leitura de Ética, jornalismo e nova mídia &#8211; Uma moral provisória, de Caio Túlio Costa (Zahar, 288 pgs. R$39,90). Também &#8211; e talvez sobretudo &#8211; o leitor comum terá muito a aprender com esse ambicioso ensaio, que busca na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado no <a href="http://colunas.g1.com.br/maquinadeescrever/" target="_blank">G1</a> em 12/05/2009 às 00:24</em></p>
<p><strong>Luciano Trigo</strong></p>
<p>Não apenas aos profissionais da Comunicação é recomendada a leitura de <em>Ética, jornalismo e nova mídia &#8211; Uma moral provisória</em>, de Caio Túlio Costa (Zahar, 288 pgs. R$39,90). Também &#8211; e talvez sobretudo &#8211; o leitor comum terá muito a aprender com esse ambicioso ensaio, que busca na Filosofia e na História elementos para compreender a atividade jornalística tal como ela se dá na vida real. É este leitor, afinal de contas, que consome, muitas vezes de forma acrítica, os noticiários impressos ou televisionados; é ele que determina, em última análise, as decisões de quem depende de público para sobreviver; é a ele, por fim, que a Constituição garante o direito, nem sempre respeitado, à informação de qualidade. Essa dupla natureza dos veículos de comunicação &#8211; negócio e serviço público &#8211; está na raiz de muitos dilemas enfrentados no dia-a-dia das redações. Com uma longa experiência na área, Caio admite que o jornalismo real sempre estará inevitavelmente distante dos postulados teóricos da verdade, da neutralidade e da justiça que se ensinam nas universidades. Mas nem por isso se deve abrir mão da permanente preocupação ética no exercício da profissão. Sobretudo num momento em que inovações tecnológicas criam formas inéditas de se produzir &#8211; e de se consumir &#8211; a notícia.</p>
<p><strong>G1: A convergência tecnológica traz novas formas de se fazer e de se consumir jornalismo. Que impacto esse processo pode ter na sociedade e que desafios ele apresenta aos profissionais da Comunicação?</strong></p>
<p>CAIO TÚLIO COSTA: Ela traz novas formas dentro de um ambiente de mudança revolucionária porque facilita a interatividade e a possibilidade de qualquer um – indivíduo, instituição, empresa ou corporação – produzir informação e dispô-la em rede mundial. Essa nova forma de comunicação provoca problemas – sejam éticos, regulatórios, legais ou institucionais. A sociedade reage por meio de suas instâncias. O Legislativo começa a produzir leis para controlar esse novo ambiente. A Justiça erra e acerta em julgamentos e com isso começa a criar jurisprudência, por exemplo, e os profissionais de Comunicação aderem ao novo modelo – blogs, sites, participação ativa em redes sociais – ou reagem contra explorando as “deficiências” do novo meio – mas a indústria da Comunicação nunca discutiu tanto quanto discute agora a emergência das novas mídias e a necessidade de entendê-la para transformá-la em negócio.</p>
<p><strong>G1: A imprensa chegou tardiamente ao Brasil, e sua história foi marcada por relações perigosas com o poder, e não apenas nos períodos autoritários – como revela, por exemplo, a leitura das memórias de Samuel Wainer, ou da biografia de Assis Chateaubriand. Essas especificidades tornam a imprensa brasileira mais vulnerável a deslizes éticos?</strong></p>
<p>CAIO: Não diria que a imprensa chegou tardiamente ao Brasil porque ela chegou com a vinda de D.João VI , por volta de 1808. Ou seja, ela chegou no Brasil antes de ganhar escala na Europa e nos EUA. Chegou junto com a formação da industria da Comunicação de massa. Os jornais ganharam escala, e relevância enquanto indústria da Comunicação, na primeira metade do século XIX. As relações perigosas da imprensa com o poder não são um “privilégio” nosso e nem têm a ver com a idade desta indústria. Essas relações são perigosas em todos os países, sejam eles democráticos ou autocráticos. Como sempre, há exceções – mas poder e imprensa sempre viveram relações complexas e de mútua dependência. A questão ética não é diferente para a imprensa brasileira e para a imprensa em outros países. Ela é uma só.</p>
<p><strong>G1: Estruturada desde sempre como negócio, portanto dependente do lucro e dos anunciantes, a comunicação deve atender também ao interesse público, até por previsão constitucional. Como resolver esse dilema?</strong></p>
<p>CAIO: Não há como resolvê-lo – há que se conviver com ele e com sua realidade paradoxal. É isso o que faz a imprensa. Ela diz agir em nome do interesse público, normativamente, mas vai levar em conta os interesses próprios em primeiro lugar, funcionalmente. Não há como ser diferente. E o que é interesse público? Eu problematizo essa definição.</p>
<p><strong>G1: Como você analisa o debate sobre a criação de um Conselho Federal de Jornalismo, idéia que foi muito mal recebida pela classe, apesar de defendida pela Fenaj? Que riscos e benefícios ele representaria?</strong></p>
<p>CAIO: Da maneira como se apresentou no Brasil, a idéia sugeria uma possibilidade muito concreta de controle absoluto, censura, manipulação corporativa. Não há como fugir da fúria legisferante &#8211; nem dos impostos e nem da morte, como já disse um Presidente americano. A grande questão é o excesso de regulamentação e as forças e fraquezas que lobbies empresariais, corporativos e políticos possam ter na regulamentação. Uma auto-regulamentação que levasse em conta os diferentes interesses, de forma equilibrada, seria muito bem-vinda. Mas é muito difícil equilibrar essas forças. Ou seja, ainda bem que essa idéia de Conselho Federal do Jornalismo sumiu do mapa.</p>
<p><strong>G1: Você afirma que existe um abismo entre o dia-a-dia da profissão de jornalista e os conceitos de verdade e ética que sustentam a atividade teoricamente. Mas isso não acontece em toda a sociedade? A ética, no Brasil não se tornou uma ficção, uma encenação e uma representação – a julgar pelo próprio noticiário? Seríamos o país da moral provisória?</strong></p>
<p>CAIO: Não considero os problemas morais da imprensa brasileira maiores ou menores do que os problemas morais das democracias em geral. A rigor, a nossa dita “grande imprensa” tem uma qualidade comparável à de democracias do primeiro mundo. A moral provisória é a forma pela qual se faz o jornalismo seja aqui no Brasil seja em qualquer outra democracia. Os princípios existem apenas para serem princípios. Qualquer pequena mentira &#8211; ou omissão &#8211; perpetrada por um jornalista para conquistar alguma informação desvela este abismo, esse uso temporário da moral – o recurso à moral serve para denunciar um corrupto, mas não serve para justificar uma mentirinha, por isso, provisoriamente, o jornalista deixa de ter princípios em relação à mentira e a usa para conseguir informação que ele acha relevante. Os jornalistas agem, em geral, como se os fins justificassem o uso de meios condenáveis moralmente – essa é a raiz da moral provisória.</p>
<p><strong>G1: Qual deve ser o papel do Estado em relação às políticas de Comunicação? Como você analisa o projeto da TV Pública, e por que ela ainda não decolou? E, se qualidade nem sempre dá audiência, como fazer com que as TVs comerciais, tanto as abertas quanto as por assinatura, priorizem o interesse público, cultural e educativo de sua atividade?</strong></p>
<p>CAIO: Pergunta complexa. O Estado deve ser o guardião do regulamento, da Constituição, esse é o seu papel – o Estado (executivo, legislativo e judiciário), este sim, tem uma propensão regulatória extrema, o que acaba por dificultar a própria indústria da comunicação. Mas veja que, às vezes, ele dá uma dentro, mesmo que atrasado, como quando o STF derrubou a finada Lei de Imprensa. Não sei por que a TV do governo não decolou – ela não segue o modelo clássico da TV pública, aliás. No entanto, as instituições têm o direito de criar e alimentar seus próprios meios de comunicação – isso vai ficar cada vez mais inevitável com a pervasividade da comunicação. A terceira questão é um mistério para mim – o que é qualidade? Você não acha, por exemplo, que a Rede Globo produz uma programação de qualidade? Eu acho que sim. O “mercado” internacional chancela essa afirmação quando compra os produtos da Globo. A programação da TV Futura não é muito boa? É uma rede privada. Agora, sobre o interesse público, como priorizá-lo? Quem vai definir o que é interesse público? O vizinho engenheiro? O vizinho ator? O vizinho professor? O vizinho traficante de drogas? A associação do bairro? O criminoso preso numa cela com quarenta pessoas conde cabem cinco? O prefeito? A oposição? O dono do jornal? O leitor? O jornalista? O tribunal? A escola? O deputado? O presidente da República? Todos juntos, mas como? – é muito complicado falar em interesse público, é mais complicado ainda definir o que é interesse público. É de interesse público preservar uma reserva indígena em detrimento de uma estrada que passaria por ela? Existem muitos interesses públicos, depende de como se vê o público.</p>
<p><strong>G1: A espetacularização da notícia é um fenômeno crescente, sobretudo quando envolve escândalos ou crimes hediondos. Como você analisa isso?</strong></p>
<p>CAIO: Não como um fenômeno crescente – mas como um fenômeno onipresente. Não apenas em relação a escândalos e crimes hediondos, mas relação à notícia enquanto tal. O comunicador produz o espetáculo, a sociedade consome o espetáculo, se alimenta do espetáculo e o recicla porque o produtor da comunicação também trabalha sob do domínio da idéia de espetáculo. Não há como fugir dessa aparência de realidade. A teoria crítica o consegue, mas ela mesma é um produto dessa espetacularização. Daí a necessidade cada vez maior de as pessoas se aprofundarem no estudo da filosofia moral. Não é que vá resolver a questão que você coloca – mas vai dar ferramentas de distanciamento para que, no mínimo, entendamos melhor a nossa aparente realidade.</p>
<p><strong>G1: Como você avalia o ensino na Comunicação nas nossas universidades?</strong></p>
<p>CAIO: Sou partidário de um curso de pós-graduação para formar jornalistas e comunicadores. Essa formação viria depois que o estudante tivesse cursado um curso clássico, qualquer um, mas que tenha lhe dado uma formação humana e/ou científica sólida, coisa que as escolas de comunicação – apesar de existirem algumas muitos boas e completas – não conseguem fazer de uma forma geral.</p>
<p><strong>G1: Ao longo de sua carreira como jornalista, quais foram os momentos em que a questão ética se tornou mais evidente e marcante?</strong></p>
<p>CAIO: Seguramente foi quando exerci a função de ombudsman, na Folha, porque me obrigava diariamente e semanalmente, em público, em tratar da ética na profissão. Mas a preocupação esteve e está sempre presente.</p>
<p><strong>G1: Qual a importância do fim da Lei da Imprensa? Como você analisa a legislação atual sobre a Comunicação no Brasil?</strong></p>
<p>CAIO: O fim da Lei de Imprensa é inócuo, porque ela estava em desuso. Acho que o Código Penal dá conta do problema. Tem havido reclamações segundo as quais o fim da Lei de Imprensa acabou com o direito de resposta. Não procede. A jurisprudência está aí para os juízes decidirem e darem esse direito. Mas isso também não resolve. O direito de resposta nunca foi respeitado para valer no Brasil – e sofre também nas outras democracias. Mesmo quando jornais, televisões e revistas são obrigados por decisão judicial a publicar direito de resposta, os veículos o fazem de forma quase ilegível, escondida, sem o mesmo destaque da notícia em questão – geralmente publicada meses, anos atrás. A Justiça é lenta, e não é a falta de uma lei ditatorial que vai atrapalhar ou melhorar a sua maneira de agir. Precisamos resolver, sim, a melhoria da agilidade da Justiça como um todo. Os juízes têm discernimento suficiente para julgar casos de direito de resposta – discernimento não falta, falta agilidade, falta aos veículos a humildade de cumprir o direito de resposta como ele merece ser cumprido.</p>
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		<title>Uma longa caminhada à procura da ética</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 14:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado no Valor Econômico, na seção Eu&#38;Livros, em 16/04/2009 à pág. D8
Matías M. Molina &#124; Foto de Davilym Dourado
Está aqui uma boa ajuda para se olhar por
trás das aparências e rever conseitos.
  
O autor parte do princípio de que a mudança nas comunicações que levou ao surgimento de uma nova mídia, a mídia digital, exige a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado no </em>Valor Econômico<em>, na seção Eu&amp;Livros, em 16/04/2009 à pág. D8</em></p>
<p><strong>Matías M. Molina | Foto de Davilym Dourado</strong></p>
<p><em>Está aqui uma boa ajuda para se olhar por<br />
trás das aparências e rever conseitos.<br />
</em>  <br />
O autor parte do princípio de que a mudança nas comunicações que levou ao surgimento de uma nova mídia, a mídia digital, exige a rediscussão da ética no jornalismo. Como detecta um vácuo na formação do jornalista, &#8220;no que toca à ética e à moral na perspectiva da história do conhecimento&#8221;, ele se oferece a fornecer um &#8220;instrumental teórico&#8221; e explorar &#8220;um itinerário normativo&#8221;, para &#8220;se entender funcionalmente a profissão de jornalista&#8221;. E convida o leitor &#8220;a percorrer o caminho que funda o jornalismo e a comunicação&#8221;.</p>
<p>Em sua trajetória profissional Caio Túlio Costa esteve nos dois lados do balcão do setor de comunicação. Foi o primeiro &#8220;ombudsman&#8221; da &#8220;Folha de S. Paulo&#8221;, diretor-geral do Universo Online e presidente do Internet Group. Como professor de Ética na Faculdade Cásper Líbero, tem também um pé na Academia. É uma experiência que o credencia, como a poucos, para discutir as questões éticas apresentadas neste livro, cuja origem é a tese de doutorado defendida no ano passado.<br />
 <br />
O leitor que aceitar o convite de Costa para acompanhá-lo nessa caminhada deve preparar-se para uma jornada longa e árida. Vai enfrentar uma peregrinação ao longo de citações e conceitos abstratos de filosofia, a epistemologia, a lógica e a ética, durante a qual o autor exibe enorme erudição. Ele avisa que sua intenção não é dizer como o jornalismo deve ser praticado, mas analisar como é praticado.</p>
<div id="attachment_1702" class="wp-caption alignleft" style="width: 230px"><a href="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/caionovalor.jpg"><img class="size-full wp-image-1702" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/04/caionovalor.jpg" alt="Costa convida para uma jornada em que o leitor, já exausto com o peso do arcabouço téórico, pode ficar perplexo com o que lhe é dito na reta de chegada." width="220" height="190" /></a><p class="wp-caption-text">Costa convida para uma jornada em que o leitor, já exausto com o peso do arcabouço téórico, pode ficar perplexo com o que lhe é dito na reta de chegada.</p></div>
<p>Foram convocados, para discutir a ética no jornalismo, filósofos como Descartes, Spinoza, Sócrates, Epícuro, Montaigne, Kant, Wittgenstein, Adorno. Além de Velázquez, Sófocles, Maquiavel, Balzac, Shakespeare, Janet Malcolm, Karl Kraus, Max Weber. E também Marilena Chauí, Sérgio Paulo Rouanet e Mario Sergio Cortella. E dezenas de outros nomes.</p>
<p>Costa examina temas como a representação do quadro &#8220;Las Meninas&#8221;, de Velázquez, a mitificação do julgamento de Sócrates e a ambiguidade moral de muitas situações. Mostra como a realidade pode ser enganadora sob o véu das aparências. Ao tratar da objetividade, um assunto continuamente debatido pela imprensa, ele exibe argumentos de vários lados para concluir que não é possível ser objetivo, imparcial ou neutro. O que talvez seja correto. Mas para um jornalista, na vida real, deixando de lado os conceitos abstratos, ainda valem os princípios que o jornal &#8220;Le Monde&#8221; adotou ao ser fundado: &#8220;A objetividade não existe. Mas a honestidade, sim&#8221; e &#8220;A verdade, custe o custar. Sobretudo se custar&#8221;. Talvez não seja possível ao jornalista ser objetivo, mas vale a pena tentar ser isento.</p>
<p>O peregrino, que desde o início da viagem carrega um arcabouço teórico cada vez mais pesado e que nem sempre consegue relacionar com a teoria ou a prática do jornalismo, pode sentir a tentação de desistir no meio da jornada. No final deste recorrido em busca da ética, o andarilho, além de exausto, pode ficar perplexo na reta de chegada. Costa afirma que em nenhum momento a ética se distancia do fazer jornalístico. Mas um exemplo que coloca é controvertido. Escreve que foi questionado num programa televisivo a respeito do comentarista de economia que fazia propaganda de um banco e continuava emitindo análises sobre o sistema financeiro. Não respondeu diretamente, mas indiretamente justificou essa prática. Disse que nos &#8220;laptops&#8221; dos entrevistadores estava o logotipo do fabricante, que a emissora de TV acolhia publicidade no intervalo dos programas e que não há como fugir da realidade de que todo ou parte do salário dos jornalistas provém dos anúncios. Ele deixou de avaliar, porém, até que ponto esse jornalista estava em condições de, se fosse necessário, contrariar, em suas matérias, os interesses do banco que lhe pagava para falar bem dele nos anúncios. Ou se, ao aceitar fazer diretamente a publicidade, o jornalista não estava, de maneira implícita, passando um atestado de confiança a esse banco. Há, no mínimo, nessa atitude, uma ambiguidade ética difícil de explicar.</p>
<p>O livro contém algumas imprecisões. Afirma, por exemplo, que por ocasião do atentado em várias estações de trem de Madri, o telefone celular foi usado para avisar que a velha mídia veiculava a informação falsa, dada pelo primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, de que o grupo separatista basco ETA era o autor das explosões. Pelo celular, diz Costa, os espanhóis derrubaram uma mentira, o que ajudou a derrotar o candidato favorito de Aznar nas eleições e forçou o governo a retirar as tropas espanholas do Iraque. Na verdade, o atentado se deu numa única estação de trem de Madri, a de Atocha. Os principais veículos a corrigir e difundir a falsidade da informação de Aznar, e aos quais se atribuiu na ocasião a vitória do partido socialista, faziam parte da &#8220;mídia velha&#8221;: a cadeia de rádio SER, a maior da Espanha, e &#8220;El País&#8221;, o jornal de maior circulação, que pertencem ao mesmo grupo empresarial. O papel do telefone celular foi importante, mas não decisivo. As tropas não foram retiradas do Iraque por Aznar, mas pelo governo socialista, cumprindo uma promessa da campanha eleitoral.</p>
<p>Enganos como esses são talvez inevitáveis, dada a quantidade de informação que o autor colocou no livro. A caminhada a que ele convida é longa e, com frequência, exaustiva. Mas pode ajudar a olhar por trás das aparências e a rever conceitos.</p>
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		<title>Provisória, mas muito séria e atual</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 19:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado no site de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero em 30/03/2009
Dimas Kunsch, coordenador do Programa de Pós Graduação &#8211; Faculdade Cásper Líbero
 
Livro do professor de Ética Jornalística da Cásper analisa os dilemas éticos da comunicação
 
Imaginei de início que o subtítulo tivesse a ver com a moral provisória a que se refere Descartes no Discurso do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado no <a href="http://www.facasper.com.br/jo/notas.php?id_nota=959" target="_blank">site de Jornalismo </a>da Faculdade Cásper Líbero em 30/03/2009</em></p>
<p><strong>Dimas Kunsch</strong>, coordenador do Programa de Pós Graduação &#8211; Faculdade Cásper Líbero<br />
 <br />
Livro do professor de Ética Jornalística da Cásper analisa os dilemas éticos da comunicação<br />
 <br />
Imaginei de início que o subtítulo tivesse a ver com a moral provisória a que se refere Descartes no <em>Discurso do Método</em>. Enganei-me. Aliás, nem podia ser. Lá, com efeito, em pleno século XVII, o pensador francês entendia por moral provisória algo assim como uma casa para onde se muda, por um tempo, quem aguarda a reconstrução da sua –  e quem se muda, no caso em questão, é ele mesmo, Descartes, que leva muito a sério essa reconstrução, tratando-se nada menos de renunciar ao bem enraizado pensamento da Escolástica para beber na fonte segura do pensamento científico nascente: fala em demolição, arquitetos, uma planta traçada cuidadosamente&#8230; O pai do racionalismo moderno, ao afirmar o princípio da dúvida como pilar de todo conhecimento que se pretende verdadeiro, não sofre, como diz que sofre, por coisa pouca: quer alcançar a verdade “das coisas que percebemos mui clara e distintamente”. O provisório é, portanto, passageiro. Quer certeza. Solidez. Segurança.</p>
<p>Não é exatamente o que se busca em <em>Ética, jornalismo e nova mídia: uma moral provisória</em>, mais de 350 anos depois, em tempos de “modernidade líquida” (Zygmunt Bauman), de “novas mídias”, a deixar-nos a todo momento com a impressão de que a pré-história da comunicação e da informação migrou de um passado mais ou menos longínquo para o dia de ontem. Tempos velozes. “Está em xeque a consistência de noções éticas de cunho prático-profissional solidamente estabelecida nos caminhos da modernidade”, avisa o autor. Em vez de certezas, ele assume construir “pontes e analogias com o ‘mundo real’ por meio de situações concretas nas quais seja possível enxergar os dilemas morais que podem se manifestar no cotidiano dos comunicadores e daí se extraírem lições para a profissão, independentemente da relativização dos conceitos, uma das características da polêmica pós-modernidade ou, para simplificar, uma das características da realidade atual”.</p>
<p>E, então, de onde o subtítulo moral provisória? Está lá, no décimo e último capítulo – o livro não traz conclusões, porque os tempos não são de pontos finais, mas de vírgulas, reticências, quiçá um ou outro ponto-e-vírgula, e muitas, muitas interrogações –, a história de Sartre, “um autor fora de moda”, justificando, em conversa com seu secretário particular, o ato de mentir para uma de suas várias namoradas. Agora é o autor quem fala: “A moral provisória não faz parte apenas do ser do jornalista, é parte integrante do fazer da indústria da comunicação e é esgrimida conforme aparecem as oportunidades de alguma defesa moral”, interpreta Caio Túlio Costa.</p>
<p>Aliás, o episódio envolvendo o autor de <em>O ser e o nada</em>, que fecha o livro, só se compara em leveza, graça e riqueza de significados a um outro, que o abre: o desentendimento, ou briga de verdade, segundo alguns, entre Wittgenstein e Popper, o convidado do dia, com a intervenção oportuna de Bertrand Russel, quando o primeiro, com o atiçador de fogo da lareira na mão, exigia do segundo um exemplo, um único, de regra moral. A resposta de Popper, que deixaria Wittgenstein ainda mais furioso, é de inegável conteúdo filosófico: “Não ameaçar palestrantes com o atiçador”.</p>
<p>Num texto primoroso, da primeira à última linha, que envereda com competência e epicurista prazer – “Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia”, jovem ou velho, porque não pode nunca ser vã a busca da “saúde do espírito”, ensina o sábio – pelos universos da filosofia, das ciências e das artes, Costa toma tempo para a degustação desses detalhes saborosos da vida vivida, cujo território se encontra às vezes a quilômetros de distância do mapa que dele se traça. É quando explica, por exemplo, a origem do termo sinceridade, que tinha a ver com a fabricação de móveis – o leitor poderá ele mesmo conferir –, o que leva em algum momento adiante a uma alusão à ética do marceneiro, ensinada por Cláudio Abramo e que Costa avisa que “não basta”.</p>
<p>Mas, como dito aí acima, nem de longe é só de mentiras a namoradas, ameaça com atiçador de fogo de lareira e móveis de qualidade que trata Ética, jornalismo e nova mídia. Tirado o primeiro capítulo, “Percurso”, de explicitação de conceitos e opções teóricas, os títulos dos nove restantes oferecem uma boa idéia da diversidade e importância dos temas abordados: representação, ambigüidade, razão, linguagem, objetividade, espetáculo, pós-modernidade, relativismos e, por fim, moral provisória. As mais de 400 notas de rodapé, nove páginas de referências bibliográficas, além de um bem sortido índice onomástico oferecem uma visão da amplitude do esforço empreendido, do vigor e rigor com que o autor assume a tarefa de traçar caminhos, num terreno onde a fala às vezes fácil contrasta com vazios éticos de tamanho vário, no melhor estilo do ditado de que “a língua toca onde o dente dói”. “A preocupação ética, deontológica, se existe formal e normativamente nas instruções da mídia tradicional, inexiste em inúmeras de suas práticas.”</p>
<p>Mas que fique bem claro que o autor não pretende oferecer, como afirma, “um manual de boa conduta para jornalistas e comunicadores”. O leitor irá, sim, se deparar “com um esforço de leitura crítica do jornalismo. Com uma análise de como ele é feito. Com uma decupagem de como aqueles que o fazem muitas vezes o defendem como algo moralmente defensável na teoria, mas se contradizem na prática”. Pouca coisa? Não. Muita, num ofício onde a eleição e o descarte de informações, o comentário, a edição etc. se fazem “com certa visão de mundo, por mais crítica, acrítica, informada ou desinformada. Por tudo isso, não basta o senso comum”.</p>
<p>A simples enumeração dos temas não consegue fornecer ao leitor uma idéia, ainda que vaga, do modo como Costa se aproxima dos dilemas éticos da comunicação, com o foco sempre voltado para o jornalismo. Tome-se, como exemplo, o capítulo da representação, o primeiro dos capítulos temáticos, que começa com a constatação banal, mas nem por isso de compreensão garantida, de que “o jornalismo representa e divulga acontecimentos, além de comentar, analisar, opinar” – ou seja, é representação – sempre –, porque do universo do simbólico, da linguagem. Costa, com estilo, leva o leitor à Espanha de meados do século XVII, onde um orgulhoso Velázquez se representa no ato de representar, ou pinta o pintar (em Las meninas). A viagem segue para a França de Descartes, o autor das Meditações metafísicas e do Discurso do método, que “pensa o pensar”, e para a Holanda de Baruch Espinosa, “o filósofo mais insultado em toda a história, tanto em vida, desde a excomunhão, quanto após sua morte”, que defende a “liberdade de pensar”. E termina na Alemanha de Tobias Peucer, que, em 1690, defende na Universidade de Leipzig a primeira tese de doutoramento em jornalismo. O básico do básico estava lá, surpreendentemente. “(&#8230;) a teoria do jornalismo nascia entendendo-o como negócio.”</p>
<p>A viagem de aventura e ousadia, e muito séria postura cognitiva, irá levar o leitor, ainda, à Antígona de Sófocles, ao julgamento de Sócrates, a Epicuro, Montaigne, Shakespeare com seu Hamlet, Balzac, Kant, Weber, Wittgenstein, Bakhtin, Karl Kraus, Cioran, Borges e a muitos outros. Sobre os dilemas éticos do passado e presente se projeta, do começo ao fim, a luz de valiosas metáforas explicativas, espécie de fio condutor, ou “amarração”, como expressa o próprio autor: a “modernidade líquida” (de Zygmunt Bauman), o “príncipe eletrônico” (de Octavio Ianni) e a “assimetria da informação” (de Joseph Stiglitz). Se o leitor quiser ter uma noção bastante precisa e atual de para onde esse enquadramento teórico conduz, vá dar uma olhada no capítulo 9, “Relativismos”, uma espécie de ponto de chegada da obra, onde Costa, depois de tratar do tema do “relativo na mídia tradicional”, no item seguinte, “O relativo nas novas mídias”, enumera e descreve, sem qualquer pretensão de esgotar o assunto, 26 temas que desafiam a prática e a compreensão ética neste mundo novo em expansão das novas tecnologias de informação e comunicação. É, a meu juízo, uma das sínteses mais atuais dos problemas, utopias e distopias que se levantam, agora que, no campo da produção de informações de atualidade, “a via é de mão dupla, tripla, infinita. E a possibilidade de qualquer um ter nas mãos uma ferramenta de comunicação capaz de atingir milhões de pessoas é que é inédita e por isso espantosa”.</p>
<p>Professor de Ética da Faculdade Cásper Líbero, doutor em Ciências da Comunicação e com um currículo profissional que inclui desde sua atuação como diretor geral do UOL, que ajudou a fundar, até o exercício da função de primeiro ombudsman da imprensa brasileira, na Folha de S. Paulo, autor, executivo na área de comunicação, entre outros atributos, Caio Túlio Costa, em seu livro, que está sendo lançado hoje, dia 30 de março de 2009, em São Paulo, SP, não resolve dúvidas. Com competência, experiência e, onde convém, uma certa dose de angústia, aprofunda-as. E uma boa dúvida, bem sedimentada pelo esforço de delinear-lhe os contornos, pode ser um ótimo começo para quem defende que “ética e moral, verdades e mentiras, velha mídia e nova mídia são coisas sérias demais e merecem que todos nós nos ocupemos delas”. É o que faz o autor. E muito bem feito, seguindo a máxima de Maffesoli, de que, nos tempos esses nossos, mais vale levantar questões que imaginar-se dono de respostas sobre as mesmas.</p>
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		<title>No centro do Roda Viva</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 18:10:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[Destaque 2]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de ter participado inúmeras vezes como entrevistador no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, eu enfrentei o centro da sua roda, numa noite de segunda-feira, 21 de junho de 2008.
Pela primeira vez, o programa iria discutir uma tese de doutorado.
No caso, Moral Provisória &#8211; Ética e jornalismo: da gênese à nova [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de ter participado inúmeras vezes como entrevistador no programa Roda Viva, da TV Cultura de São Paulo, eu enfrentei o centro da sua roda, numa noite de segunda-feira, 21 de junho de 2008.<br />
Pela primeira vez, o programa iria discutir uma tese de doutorado.<br />
No caso, Moral Provisória &#8211; Ética e jornalismo: da gênese à nova mídia, recém-defendida na USP.<br />
Ela dá conta das questões relativas à ética, ao jornalismo e às novas mídias.<br />
Depois do programa, a tese virou livro, em publicação da Zahar.</p>
<p><a href="http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/makingplateia.asp?programa=1127" target="_blank">Clique aqui para ver clip dos bastidores</a></p>
<p>Logo no início do programa, a apresentadora, jornalista Lillian Witte Fibe, me questionou sobre jornalistas que usam a sua própria imagem para fazer propaganda, como, por exemplo, um comentarista de economia se propor a fazer publicidader de banco e continuar emitindo análises sobre o sistema financeiro.<br />
Ela condenou fortemente essta prática.<br />
Respondi que ali mesmo, nos laptops usados pelos entrevistadores, havia o logotipo de uma empresa de computadores (Itautec) e os entrevistadores (aparentemente) não estavam (e nem deveriam estar) comprometidos com o anunciante.<br />
Acrescentei que uma televisão pública, como a TV Cultura, acolhia publicidade nos intervalos de seus programas. <br />
Expliquei que o jornalismo é um negócio desde seu nascimento e que o mais importante é que o jornalista que faz propaganda que o faça de maneira transparente, de forma que a publicidade nunca se confunda com o material editorial.<br />
Não há como fugir da realidade de que parte ou a totalidade do salário dos jornalistas é paga com recursos captados junto aos anunciantes.<br />
Disse também (em resposta ao jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva) que meu trabalho na então tese, e agora no livro, não era o de dizer como o jornalismo deve ser praticado, mas sim de analisar como ele é praticado – independentemente do que consideramos ser o jornalismo ideal.<br />
Neste trabalho, não foi meu intuito fazer mais um manual de boas maneiras para o jornalismo.<br />
Mesmo que eu diga como ele deve ser, isso não vai mudar em nada a maneira como ele é praticado, porque de manuais de boa conduta os jornalistas e comunicadores estão bem servidos e a imprensa tradicional continua a mesma de sempre.</p>
<p>[Aqui cabe uma digressão além do programa:<br />
[No fundo, a  moral no jornalismo, é sempre a moral provisória, aquela moldada para caber em cada momento e em cada necessidade - argumentos idênticos costumam ser usados para condenar ou glorificar um personagem.<br />
[Os veículos de comunicação cobram de pessoas ou de instituições aquilo que eles próprios não praticam.<br />
[Exemplos corriqueiros:<br />
[Os jornais e as televisões são vigilantes em relação ao nepotismo nas instituições - enquanto vige o nepotismo, por exemplo, nas próprias empresas de comunicação.<br />
[A Folha cobrou há pouco tempo a presença de modelos negras na passarela dos desfiles da São Paulo Fashion Week - mas o jornal escolhe as fotos que publica em função da presença de negros nas fotos? O jornal escolhe suas fontes igualmente entre negros, brancos, índios e pardos? Quantos negros existem nas redações?]</p>
<p>Enfim, em qualquer profissão existem os que a exercem corretamente e os que fazem o contrário – e esste contrário carece de análise.<br />
Separei também um pequeno diálogo do programa o qual, espero, sintetize o espírito das discussões:<br />
<strong>Mario Sergio Cortella:</strong> Isto é o simulacro. A idéia de que a realidade aí está, que o jornalismo a captura na sua múltipla face, seleciona o que entende ser aquilo que precisa ou pode ser exposto e publica, divulga, apanha as imagens&#8230; mas simula.<br />
<strong>Caio Túlio Costa:</strong> E usa recursos que são entendidos como moralmente defensáveis e, ao mesmo tempo, dependendo de como você aborda a questão, são entendidos como moralmente indefensáveis – e isto faz parte do jornalismo.<br />
<strong>Cortella:</strong> Mas você recorre à filosofia no seu trabalho – eu o li com gosto, muito bom na estrutura, na condição –, você recorre à filosofia e menos ao jornalista, isto é, aos clássicos do jornalismo, aqueles que produziram. Está a discussão ética do jornalismo fora do jornalismo? Isto é, os jornalistas não são aptos a falar de ética?<br />
<strong>Caio Túlio:</strong> Absolutamente, eles o são. O livro é um livro de comunicação que usa a filosofia no sentido de pretender dar alguma solidez às reflexões que tentam entender o fazer jornalístico.</p>
<p>Participaram do programa como entrevistadores, além da âncora Lillian Witte Fibe; o jornalista e acadêmico Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de S. Paulo; Luiz Garcia, colunista do jornal O Globo; Lia Rangel, jornalista resposável pela área de web da TV Cultura, além de Mário Sérgio Cortella, professor titular do departamento de Teologia e Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.<br />
Quem cuidou das perguntas dos telespectadores foi Laís Duarte.<br />
A Cobertura do Roda Viva na Internet com usuários do comunicador Twitter, no estúdio, foi feita por André Deak, jornalista (twitter.com/andredeak); Elisandela Roxo, jornalista do jornal O Estado de S. Paulo (twitter.com/roxo) e Marcelo Soares, jornalista &#8211; (twitter.com/msoares).</p>
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		<title>Sobre a web semântica e o Facebook</title>
		<link>http://caiotulio.com/sobre-a-web-semantica-e-o-facebook/</link>
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		<pubDate>Fri, 06 Feb 2009 19:47:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaque 2]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Mídia]]></category>

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		<description><![CDATA[Encontro sobre Web 2.0 revela caminhos da internet
Participei em São Francisco, na Califórnia, do quarto evento anual especializado em unir empresas e profissionais engajados no que se convencionou chamar de web 2.0 – ou seja, todo o poder ao usuário.
O nome do encontro é Web 2.0 Summit e havia mais ou menos 900 pessoas nesta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_479" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-479" title="simit" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/simit-300x249.jpg" alt="Participantes do Web 2.0 Summit em recepção que deu início ao evento" width="300" height="249" /><p class="wp-caption-text">Participantes do Web 2.0 Summit em recepção que deu início ao evento</p></div>
<p>Encontro sobre Web 2.0 revela caminhos da internet</p>
<p>Participei em São Francisco, na Califórnia, do quarto evento anual especializado em unir empresas e profissionais engajados no que se convencionou chamar de web 2.0 – ou seja, todo o poder ao usuário.</p>
<p>O nome do encontro é Web 2.0 Summit e havia mais ou menos 900 pessoas nesta edição, em outubro e 2007. A delegação brasileira era a terceira entre as estrangeiras, com nove pessoas, atrás da Inglaterra e do Canadá. Além do iG, estavam lá a Globo.com, o UOL, o IDG e o Buscapé.</p>
<p>A expressão da moda é web semântica (semantic web), que define máquinas ajudando na leitura e na identificação das informações dentro de uma lógica própria para, numa busca, conectar nomes, substantivos relacionados. Ou melhor, na visão de Tim O&#8217;Reilly: “A web semântica tem a ver com desenvolver linguagens; com a codificação de documentos para que eles sejam mais acessíveis aos computadores”.</p>
<p>A web semântica já é uma realidade. Tem muito a ver com os sites colaborativos, coração da web 2.0. Nos últimos quatro anos, vários sites conquistaram colaboradores e audiência. Projetos como o da Wikipedia ou dos sites de relacionamentos como Orkut, Facebook e MySpace.</p>
<p>O mundo também descobriu que qualquer indivíduo pode publicar notícia (Ohmynews), pode distribuir sua voz em áudio (podcasts) e pode levantar vídeo na rede (You Tube).</p>
<p>Surge agora uma segunda onda de serviços especialmente arquitetados para funcionar dentro das plataformas criadas pelas estrelas da web 2.0.</p>
<p>O Facebook, por exemplo, o site mais comentado no evento, já ostenta mais de seis mil “aplicativos” – como, por exemplo, aquele que facilita o encontro dos amigos, outro para responder a questões de qualquer ordem, um que compara pessoas ou o iLike, de música, que dragou um milhão de usuários em apenas uma semana.</p>
<p>As cobranças sobre rentabilização dos sites e a necessidade de um correto modelo de negócio deram o tom do evento.  A primeira cobrança veio para cima do jovem Mark Zuckerberg, 23 anos, fundador do Facebook e na luta por achar o seu modelo de negócio.</p>
<p>Ouça o diálogo entre o animador John Battelle e Zuckerberg:</p>
<p>Battelle: “Como vão as finanças?”</p>
<p>Zuckerberg: “Estão indo bem, quase prontas”. (&#8230;)</p>
<p>Battelle: “Quanto tempo você dedica ao seu modelo de negócios?”</p>
<p>Zuckerberg: “Gasto muito tempo com o desenvolvimento do produto”.</p>
<p>Battelle: “Não foi isso que perguntei&#8230;”</p>
<p>Zuckerberg: “Eu não quero focar no meu modelo de negócio”. (&#8230;)</p>
<p>Battelle: “Você pretende inserir ad words e ad senses [ou seja, anúncios na forma de linhas de texto baseados em busca] no site?”</p>
<p>Zuckerberg: “Daqui a três meses eu poderei responder”.</p>
<p>Ou seja, Zuckerberg manteve firme a sua imagem de menino que não liga a mínima para os negócios. Uma semana depois foi anunciado que a Microsoft iria gerir seus anúncios.</p>
<p>Battelle voltou ao assunto Facebook num jantar o qual reuniu o mega-empresário das comunicações Rupert Murdoch (News Corporation) e Chris DeWolfe, criador e comandante do MySpace, concorrente do Facebook.</p>
<p>A pergunta desagradável de Battelle para DeWolfe: “Como é vender 100% da companhia por US$ 580 milhões [vendida para Murdoch] enquanto o Facebook negocia apenas 5% da empresa por US$ 500 milhões?” [A Microsoft, no fim, conforme anunciado no final de outubro, acabou adquirindo 1,6% do Facebook por US$ 240 milhões e se transformou na parceira exclusiva de publicidade do site – operação que por si justifica o montante investido e também elimina o concorrente Google na exploração de anúncios no Facebook.]</p>
<p>DeWolfe (cujo MySpace desembarca em breve no Brasil) enrolou muito bem o anfitrião, não respondeu objetivamente, e deixou as luzes da noite para o patrão Murdoch, 76 anos, que se manteve impassível durante o ato de constrangimento.</p>
<p>Convidado a dar três exemplos do que vai fazer com o recém-adquirido <em>The Wall Street Journal</em> (que ele declarou ainda não ter pago), explicou pretender torná-lo um jornal mais geral e não focado apenas em economia.</p>
<p>“Você quer matar o <em>New York Times</em>?”, perguntou Battelle.</p>
<p>“Seria legal isso”, retrucou Murdoch.</p>
<p>Enfim, a web 2.0 é um sucesso e as pessoas aderiram em massa às possibilidades infinitas de protagonizar qualquer coisa na internet. Então, como as empresas vão conseguir rentabilizar tudo isso? O Google, talvez a empresa que mais entendeu como trabalhar com o internauta em todo o mundo, sabe. Quem sabe o Yahoo (cuja receita no último trimestre, de US$ 1,2 bilhão excedeu a previsão dos analistas e mostrou um crescimento de 11% em relação ao mesmo trimestre do ano passado) também saiba. E a Microsoft seguramente vai saber (questão de tempo). O resto é silêncio.</p>
<p><em> *Caio Tulio Costa é jornalista, presidente do Internet Group (que reúne os portais iG, iBest e BrTurbo). Texto originalmente publicado no Meio &amp; Mensagem de 5/11/07 à pág. 10.</em></p>
<p><em></em> <strong>Veja mais fotos do Web 2.0 Summit <a href="http://www.flickr.com/photos/pinarozger/1812897886/in/set-72157602475743654/" target="_blank">clicando aqui</a></strong></p>
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