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	<title>Caio Túlio Costa</title>
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	<description>Novas mídias, internet, ética, moral, jornalismo</description>
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		<title>Só o conteúdo não basta</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 12:35:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caio Túlio Costa participou de debate no oitavo congresso anual da Associação Nacional de Jornais, a ANJ, em 19 de agosto de 2010 no Rio de Janeiro.  Na ocasião, em discussão mediada por Antonio Athayde, Caio Túlio debateu com Walter de Mattos (do jornal Lance!) e com Sandra Sanches (do Globo). A oitava edição do Congresso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Caio Túlio Costa participou de debate no oitavo congresso anual da Associação Nacional de Jornais, a ANJ, em 19 de agosto de 2010 no Rio de Janeiro.  Na ocasião, em discussão mediada por Antonio Athayde, Caio Túlio debateu com Walter de Mattos (do jornal Lance!) e com Sandra Sanches (do Globo). A oitava edição do Congresso Brasileiro de Jornais teve por tema o Jornalismo e Democracia na Era Digital.</em></p>
<p>Leia a seguir texto publicado em 19/8 no site da ANJ. As observações entre colchetes são de CTC.</p>
<p><strong>Empresas devem agregar conteúdos, além de gerá-los</strong></p>
<p>Com o tema &#8220;Gestão integrada da audiência impresso + digital&#8221;, painel mediado pelo consultor da ANJ, Antonio Athayde, discutiu como lidar com um mercado no qual apenas 7% da receita vai para quem gera a informação.</p>
<p>Sendo os jornais necessariamente geradores de conteúdo, como lidar com um mercado no qual 60% da receita vai para provedores de acesso, 20% para agregadores de conteúdo (Google, E-Bay, UOL, IG, Globo.com etc.), 14% para devices e “apenas” 7% para quem gera a informação?  “Uma coisa é certa”, afirma Caio Tulio Costa, consultor da Costa &amp; Kranz. “Não obteremos receita pela simples transposição do papel para as novas mídias.”</p>
<p>Caio alertou para o fato de que muitas empresas de internet que se fundiram com grupos de mídia tradicional – casa da AOL, que se fundiu com a TimeWarner – viram seus lucros e sua expertise declinarem. “Por outro lado, o Google, que corria por fora, acreditou na própria internet e conseguiu que mais de 60% de sua receita seja obtida com links patrocinados [60% com links patrocinado em busca e o restante com link patrocinado em parceiros de conteúdo], num claro sinal de que algumas empresas entenderam a importância se agregar conteúdo, em vez de apenas gerá-lo”, diz Caio.</p>
<p>Sandra Sanches, diretora executivo da unidade “O Globo” da Infoglobo, acrescentou outras perguntas do debate: “Focar em segmentos pode ser a saída para repor receitas e audiências? Quais nichos ainda não foram explorados? Como valorizar a curadoria da informação nos meios digitais? Não há respostas prontas, mas temos uma certeza fundamental: os leitores fazem buscas com palavras e nós, veículos, devemos oferecer conteúdos por nicho”, diz Sandra.</p>
<p>Na visão de Sandra, confiança tem valor perceptível: “Essa percepção é crescente na nossa indústria, tanto que um terço da audiência considera a possibilidade de pagar por informação de qualidade. O nosso potencial cliente é multimeios, mas não haverá relevância se não soubermos o que esse cliente deseja. Sabemos que os links patrocinados levam aos grandes jornais. Sugiro então investirmos em novas funções, como jornalistas programadores, produtores de newsgames, editor de sites de relacionamentos e analistas de mídias digitais”.</p>
<p>Walter de Mattos Jr., diretor presidente e editor do Grupo Lance!, acredita que podemos nos preparar para mudanças de curto prazo tanto quanto para as macrotendências: “Uma geração nativa digital está para surgir, mas podemos lidar urgentemente com o que está ocorrendo agora. Há pouco tempo, os conteúdos eram grátis, mas não tinham qualidade. Agora que têm qualidade e continuam sendo grátis o caminho é criar uma combinação entre os modelos pago e grátis por meio de acordos com outras empresas”. (Por Sergio Vilas-Boas)</p>
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		<title>Debate sobre eleição na web</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 18:48:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NO TERRA em 12/08/2010 às 17H28
Assessores para web dizem que não dá para repetir fenômeno Obama
Por Bruna Carolina Carvalho
Os três assessores para a campanha na web dos candidatos à presidência concordaram em um ponto durante o painel sobre o uso da internet nas eleições, realizado nesta quinta-feira (12), no World Trade Center, em São [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: x-small;">PUBLICADO NO TERRA em 12/08/2010 às 17H28</p>
<p><strong>Assessores para web dizem que não dá para repetir fenômeno Obama</strong></p>
<p>Por Bruna Carolina Carvalho</p>
<p>Os três assessores para a campanha na web dos candidatos à presidência concordaram em um ponto durante o painel sobre o uso da internet nas eleições, realizado nesta quinta-feira (12), no World Trade Center, em São Paulo. Não é possível repetir, no Brasil, o que foi o fenômeno Obama no último pleito americano. &#8220;É impossível e inexequível repetir o fenômeno Obama no Brasil. Nós tivemos muito menos tempo, a campanha de fato começou dia 5 de julho e a arrecadação só pôde ser feita depois, sexta passada&#8221;, enfatizou Caio Túlio Costa, coordenador de campanha da Marina Silva (PV) para a internet, lembrando que Obama contou com mais de dez meses para fazer sua promoção online.</p>
<p>Marcelo Branco, assessor da petista Dilma Rousseff, disse que a estrutura no País não pode se comparar a da americana, porém valorizou a criatividade colaborativa do internauta brasileiro. &#8220;Repetir o fenômeno Obama é difícil, porque é diferente a estrutura política do Brasil e a americana. Nossa estrutura (de internet) é inferior. Mas sob o ponto de vista dos brasileiros, nós temos uma forma de relacionamento e uma postura muito mais colaborativa que os americanos&#8221;.</p>
<p>O coordenador de web de José Serra (PSDB), Sérgio Caruso, fez coro aos outros dois, ressaltando que talvez não seja o fenômeno Obama o que queremos no País. &#8220;Nós não somos o mercado americano, não somos os EUA e nem sei se queremos. A pergunta que deve ser feita é se queremos um (fenômeno) Obama aqui. Se quiséssemos, teríamos contratado os homens que fizeram a campanha dele&#8221;, disse Caruso, enquanto era fotografado por Branco.</p>
<p>Durante a conversa, precedida por uma montagem em vídeo em que os três candidatos dançavam o break e o rebolation, os três coordenadores explicaram qual o papel da internet em suas respectivas campanhas. &#8220;Não tem campanha mais feliz na web do que a de Marina. Ela não usa a internet para fazer ataques a nenhum outro candidato, é uma campanha muito propositiva&#8221;, afirmou Costa, aproveitando para pedir doações para a campanha da candidata, o que arrancou alguns risos da plateia formada, em sua maioria, por representantes de empresas ligadas à internet.</p>
<p>Branco valorizou o militante tradicional do PT que migrou para a internet a fim de colaborar com a campanha. &#8220;A nossa estratégia, ela não serviria para nenhuma das outras candidaturas, porque se baseou no que já temos construído na base de apoio da candidatura da Dilma, a forte militância histórica do PT, PCdoB e PMDB. Nós construímos junto com a militância voluntária a nossa estratégia&#8221;.</p>
<p>Já Caruso, falou sobre o uso do Twitter por Serra, anterior à época da campanha eleitoral. &#8220;Ele começou a tuitar há mais de ano. Ele tem mais de 350 mil seguidores. O Serra começou na frente nesse negócio de Twitter. Nossa estratégia foi baseada em fundamentos que ele mesmo criou&#8221;, disse, acrescentando que enquanto todos dormem, Serra tuita, em referência aos hábitos noturnos do candidato tucano.</p>
<p>Ao final da palestra, mediada pelo diretor de inteligência para o mercado na América Latina do Terra , Marcelo Coutinho , e com o tempo já estourado, Costa insistiu em repetir que Marina não fazia comentários negativos em relação aos adversários pela internet. Caruso, que estava a duas cadeiras do assessor verde, perguntou a ele: &#8220;você acredita que se a Marina tivesse 35% dos votos, ou se estivesse disputando mano a mano com alguém com uma chance real de ganhar no primeiro turno, ou que tivesse no segundo turno, a campanha dela ia manter essa assepsia?&#8221;.</p>
<p>Costa tomou a palavra e respondeu prontamente: &#8220;eu não tenho dúvida nenhuma que a Marina vai estar no segundo turno e vai enfrentar o que o Serra enfrenta hoje e o que a Dilma enfrenta hoje. Só que ela vai enfrentar diferente. Ela vai enfrentar de forma propositiva&#8221;, disse, prometendo uma surpresa online &#8211; assim como foi o twittaço &#8211; na campanha da candidata.</p>
<p></span></p>
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		<title>Repercussão no Tweeter</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 18:43:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ALGUNS TWEETS A RESPEITO DO DEBATE SOBRE CAMPANHA ELEITORAL NA WEB
Interactive Adverstising Bureau do Brasil &#8211; 15 anos
Auditório do WTC em São Paulo, dia 12/08/2010 das 14h às 15h30.
mcoutinho #IAB15anos Excelente resumo da discussão com Caio Tulio, @MarceloBranco @sergiocaruso em http://migre.me/14k4B
kleytonmkt RT @luizmarinho: Caio Tulio garante que Marina estara no 2o turno mas admite que controlar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: x-small;">ALGUNS TWEETS A RESPEITO DO DEBATE SOBRE CAMPANHA ELEITORAL NA WEB</p>
<p><strong>Interactive Adverstising Bureau do Brasil &#8211; 15 anos</strong></p>
<p><em>Auditório do WTC em São Paulo, dia 12/08/2010 das 14h às 15h30.</em></p>
<p>mcoutinho #IAB15anos Excelente resumo da discussão com Caio Tulio, @MarceloBranco @sergiocaruso em http://migre.me/14k4B</p>
<p>kleytonmkt RT @luizmarinho: Caio Tulio garante que Marina estara no 2o turno mas admite que controlar a militancia eh impossivel. #15iab</p>
<p>kleytonmkt RT @luizmarinho: Sergio Caruzo pergunta a Caio Tulio: se Marina estivesse de fato disputando a lideranca sua campanha continuaria sendo de alto nivel? #15iab</p>
<p>MarceloBranco Valeu! Mto bom. RT @ameneghini: @MarceloBranco @sergiocaruso Caio Tulio e @mcoutinho obrigado pela participação no #iab15anos valeu!</p>
<p>dadolance No #iab15anos Caio Tulio Costa e o @marcelotas levaram o nível da discussão lá pra cima! E como sempre, mais do mesmo!</p>
<p>danzanella Debate da politica | Celulares trazem militantes, Caio Tulio pede doaçoes http://bit.ly/crxnoa</p>
<p>ameneghini @MarceloBranco @sergiocaruso Caio Tulio e @mcoutinho obrigado pela participação no #iab15anos valeu!</p>
<p>dudafleury RT @mcavalcanti Não entendi porque o Caio Tulio nao usa algo tipo PagSeguro para receber doacoes e aceitar boleto e deposito. #IAB15</p>
<p>fsori Vamo que vamo !!! RT @atmp: olha só&#8230;. caio tulio falando de como as montadoras (algumas) sabem trabalhar bem com a rede. tks! #iab15</p>
<p>Marigiamadje Marcelo Branco (PT), Caio Tulio (PV) e Sérgio Caruzo(PSDB). Muitas informações interessantes. #iab15anos</p>
<p>colunadonene &#8220;Se a Eleição fosse só de internet, Marina estava eleita no primeiro turno, pesquisas apontam q 58% votam nela.&#8221; Caio Túlio #iab15anos</p>
<p>carlanogueira &#8220;@IABBRASIL: Caio Tulio (PV), Marcelo Branco (PT) e Sergio Caruso (PSDB) em um produtivo debate no evento 15 anos de internet #15iab&#8221;</p>
<p>luizmarinho Caio Tulio garante que Marina estara no 2o turno mas admite que controlar a militancia eh impossivel. #15iab</p>
<p>luizmarinho Sergio Caruzo pergunta a Caio Tulio: se Marina estivesse de fato disputando a lideranca sua campanha continuaria sendo de alto nivel? #15iab</p>
<p>MonaDorf #iab15anos Caio Tulio discorda de Marcelo Branco posicionamento de candidatos é diferente de marcas, produtos em termos de propaganda</p>
<p>rodrigofranca clap clap clap! RT @atmp: olha só&#8230;. caio tulio falando de como as montadoras (algumas) sabem trabalhar bem com a rede. tks! #iab15</p>
<p>atmp TAS pede anunciante&#8230; Caio Tulio pede doação para a Marina&#8230; #iab15 tá pobre&#8230;</p>
<p>andrezimmermann #iab15anos interessante painel com os coordenadores de campanha online dos presidenciaveis. Caio Tulio (Marina) mais agressivo e marketeiro</p>
<p>grazidj RT @luizmarinho: Caio Tulio: &#8220;Marina e muito mais barata que Dilma. Ela aceita contribuicoes a partir de R$5 e a Dilma so aceita R$13 ou mais, uma fortuna&#8221;</p>
<p>bluebusbr Debate da politica | Celulares trazem militantes, Caio Tulio pede doaçoes http://www.bluebus.com.br/98329</p>
<p>colunadonene Caio Túlio pede doações para campanha de Marina provocando &#8220;Nós só pedimos 5 reais, a Dilma pede 13, um absurdo&#8221; #iab15anos</p>
<p>colunadonene Caio Túlio não perde oportunidades de fazer seu merchan #iab15anos</p>
<p>mcavalcanti #IAB15 monitoramento de redes sociais é semelhante a clipagem, diz Caio Tulio</p>
<p>MonaDorf Lei eleitoral veda propaganda de candidatos na internet &#8211; absurdo p/ Caio Tulio, da campanha de @Silva—marina</p>
<p>ltelles Tô gostando desse jeito fanfarrão do Caio Túlio fazendo merchan no meio do discurso. #iab15anos</p>
<p>colunadonene &#8220;Os investimentos em internet no Brasil em campanhas eleitorais na internet giram em torno de 5%.&#8221; Caio Túlio (Marina) #iab15anos</p>
<p>luizmarinho Caio Tulio faz propaganda e pede a plateia em tom de brincadeira doacoes para a campanha de Marina #iab15</p>
<p>colunadonene #iab15anos Caio Túlio (Marina) &#8220;A campanha não tem verba para SMS porque é muito caro, acho que precisamos rever isso nas próximas eleições&#8221;</p>
<p>ameneghini o SMS é caro mas aqui no #15anos é de graça, faça a sua pergunta &#8211; @MarceloBranco Caio Tulio @sergiocaruso e @mcoutinho 30120 + RBS+texto</p>
<p>colunadonene Caio Túlio anuncia no #iab15anos que semana que vem a campanha de Marina Silva trará uma &#8220;surpresa&#8221; nunca antes vista na política mundial.</p>
<p>MonaDorf Caio Tulio anuncia aqui no debate s/ eleicao na web do #iab15anos 1 grande acontecimento na campanha de @silva_marina</p>
<p>luizmarinho Caio Tulio prometeu para semana que vem uma &#8220;surpresa&#8221; na campanha da Marina Silva na internet #iab15</p>
<p>sinconedionline RT @IABBRASIL: &#8220;Nós teremos uma surpresa fantástica, provavelmente semana que vem, na rede. Vcs nunca viram isso em nenhum lugar do mundo&#8221;, diz Caio Túlio</p>
<p>luizmarinho Caio Tulio: &#8220;Marina e muito mais barata que Dilma. Ela aceita contribuicoes a partir de R$5 e a Dilma so aceita R$13 ou mais, uma fortuna&#8221;</p>
<p>tatitosi Caio Túlio reforça sobre a falta de evangelização na #net #obama #IAB15</p>
<p>2 days ago via Mobile Web</p>
<p>IABBRASIL &#8220;Nós teremos uma surpresa fantástica, provavelmente semana que vem, na rede. Vcs nunca viram isso em nenhum lugar do mundo&#8221;, diz Caio Túlio</p>
<p>ltelles &#8220;dá gosto fazer uma campanha propositiva pela rede&#8221; Caio Túlio sem medo de ser feliz! #iab15anos</p>
<p>ltelles Caio Túlio diz que não. outro cenário. E um bom ponto. Falta banco de dados e integração para transações. #iab15anos.</p>
<p>alejung &#8220;Nao dá pra repetir o fenömeno Obama no Brasil&#8221; Caio Túlio, coord. da campanha da Marina Silva #iab15anos</p>
<p>crisbussab RT @ameneghini: Vamos começar a segunda parte do agora com @mcoutinho Caio Tulio @sergiocaruso e @MarceloBranco #iab15anos</p>
<p>penachiando RT @IABBRASIL: Acaba de entrar no auditóri Caio Túlio, estrategista da campanha da candidata Marina Silva (PV) #15iab<br />
IABBRASIL No camarim do #15iab, Marcelo Blanco, Caio Tulio Costa, Sergio Caruzo e Marcelo Coutinho se aquecem p/ falar de investimento publi digital.</p>
<p>HufflepuffBR RT @MarceloBranco: HJ 13:30 painel &#8220;Internet nas eleições&#8221;: Eu, @sergiocaruso (DEM/PSDB) @mcoutinho (Terra) e Caio Tulio (PV) http://bit.ly/bXMKVh #iab15anos</p>
<p>joaosergio RT @MarceloBranco: HJ 13:30 painel &#8220;Internet nas eleições&#8221;: Eu, @sergiocaruso (DEM/PSDB) @mcoutinho (Terra) e Caio Tulio (PV) http://bit.ly/bXMKVh #iab15anos</p>
<p>　</p>
<p></span></p>
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		<title>Duas ou três coisas sobre o Google</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 19:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NA REVISTA ÉPOCA NEGÓCIOS DE JUNHO DE 2010 
O deslumbramento da mídia com a empresa mascara seu real negócio monopolista. A crise com a china só aumentou o fascínio 
Caio Túlio Costa*
O mundo se ajoelha frente ao Google. O conglomerado que lhe dá forma conquistou em 12 anos de vida um deslumbramento geral. O fascínio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PUBLICADO NA REVISTA ÉPOCA NEGÓCIOS DE JUNHO DE 2010 </p>
<p><em>O deslumbramento da mídia com a empresa mascara seu real negócio monopolista. A crise com a china só aumentou o fascínio </em></p>
<p><strong>Caio Túlio Costa</strong>*</p>
<p>O mundo se ajoelha frente ao Google. O conglomerado que lhe dá forma conquistou em 12 anos de vida um deslumbramento geral. O fascínio se ampliou com o recente embate entre o Google e o governo chinês. Este embevecimento é mais fácil de ser percebido nos meios de comunicação, tanto na mídia clássica (televisões, jornais, revistas, rádios) quanto nos veículos da nova mídia (portais, sites, blogs, posts, comentários). Como o maniqueísmo faz parte do DNA da mídia, ambas, a clássica e a nova, trafegam numa via de mão dupla: santificam ou demonizam. No caso do Google, ele caminha para a canonização em vida.</p>
<p>O público internauta que manipula seu mecanismo de busca ou suas ferramentas de rede social tem com ele uma relação utilitária. Usa-o sem necessitar refletir acerca de seu valor como farejador de dados, documentos, pessoas, imagens, vídeos&#8230; Procurou, achou. As autoridades, democráticas ou autoritárias, têm o Google sob estrita vigilância, por conta dos problemas ligados às invasões de privacidade, pedofilia, pornografia, grupos de ódio, em especial no YouTube e no Orkut – e mais ainda no Brasil, onde este último ganhou sua maior popularidade.</p>
<p>Mas o Google não é apenas o que aparenta ser. Certa feita, questionado sobre os pilares que norteiam o concorrente Yahoo – busca, personalização, comunidade, informação – e indagado sobre os pilares do Google, o seu homem forte comercial, Omid Kodestani, saiu-se com essa: “Nós dizemos que organizamos a informação em rede mundial. Bobagem! Nós somos é uma empresa de publicidade!”</p>
<p>Caiu a ficha? Quando você entra no Google e digita a palavra “carro”, receberá uma página de resultados com várias indicações sobre carros. Atente: o primeiro resultado pode ser um “link patrocinado” em fundo colorido, um anúncio em forma de texto. Do lado direito da página vão aparecer outros anúncios empilhados, todos em forma de texto e que remetem a carros: novos e usados, lançamentos da indústria automobilística e pequenos reclames antes cativos da indústria de classificados. Se você quiser vender seu automóvel e se dispuser a pagar algum dinheirinho para o Google, o seu anúncio pode aparecer ali do lado direito da página.</p>
<p>Esta descrição é banal para quem conhece o mecanismo. O que não é banal é o ganho do Google com esses pequenos anúncios desde que passou a vender palavras-chave na sua busca, em 1999. De uma empresa nascida sem modelo de negócio, acabou catapultada à liderança do mercado de propaganda. Arrebentou com o mercado tradicional de anúncios e praticamente criou um monopólio na busca em rede. Utilizou para tanto uma extraordinária inteligência no uso da força de trabalho (gratuita!) dos internautas. Eles o ajudam a confeccionar o mais poderoso banco de dados do planeta.</p>
<p>A coisa funciona mais ou menos assim: ao pressionar em qualquer resultado de uma busca, o endereço clicado vai para um banco de dados. Assim, de clique em clique, a empresa vai formando uma lista de endereços e contabilizando automaticamente quem aparece mais, ou seja, qual tem mais relevância, quantas vezes e em quantas páginas existe aquele mesmo endereço, quantos links existem nas páginas da internet direcionam para ele. Relevância é a palavra, o coração do mecanismo. Quanto mais cliques, quanto mais links apontam para um endereço, mais este endereço tem importância e mais em cima ele vai aparecer nos resultados da busca – porque ele é mais relevante.</p>
<p>O que os meninos do Google (Sergey Brin e Larry Page) conseguiram conceber, e milhares de engenheiros contratados por eles conseguiram aperfeiçoar, foram os algoritmos capazes de revelar essa relevância e devolver resultados pertinentes. Isso é aprimorado a cada dia. Ao mesmo tempo, uma espécie de robô bate de porta em porta nos sites da rede e indexa no banco de dados do Google, formado por milhares de servidores, todas as palavras de todas as páginas abertas na rede. Simples?</p>
<p>Não. Até aqui, ninguém, nenhuma companhia que tenha investido em busca conseguiu algoritmos tão poderosos. Desde seu nascimento, o Google foi deixando para trás empresas como Excite, Lycos, AltaVista, Inktomi, AskJeeves, Overture (a criadora da busca paga), Yahoo e até o mais recente Bing (da Microsoft). Algumas dessas marcas soam hoje pré-históricas para quem conhece a internet desde o seu nascedouro comercial, nos idos de 1995. Nada dizem (exceto Yahoo e Bing) para a geração de agora e para quem o Google é o mais natural mecanismo de busca que se possa imaginar.</p>
<p>A empresa não ultrapassou apenas os competidores na indústria dos motores de busca. Também deixou para trás monumentos empresariais. Dá um trabalho danado para as agências de publicidade, tritura o mercado de classificados dos jornais (olhe como diminuiu o peso do seu jornal de domingo), destrói concorrentes na nova mídia, como a America Online, e supera de longe, em valor de mercado, tiranossauros da mídia clássica como a Time Warner, a Disney ou a News Corporation – para ficar em três das maiores empresas de mídia do planeta.</p>
<p>O Google faturou US$ 23,6 bilhões de dólares no ano passado. Há expectativas, reforçadas por analistas de mercado, de ir além de US$ 36 bilhões em 2012. Cerca de 50% desse faturamento vêm dos pequenos anúncios, dos internautas que compram palavras-chave. 15% vêm da venda direta do Google, por telefone, junto às pequenas e médias empresas. 35% vêm dos grandes anunciantes (só aqui existe uma parte de anunciantes intermediados por agências de publicidade). A esmagadora maioria dos seus anúncios é vendida diretamente, sem intermediação. Ele é ao mesmo tempo o veículo e a agência. Percebe-se fácil o quanto de descontentamento isso deve gerar no mercado de agências de publicidade.</p>
<p>Comparado à Amazon, ao eBay e ao iTunes, o Google é quem melhor tira proveito da cauda longa, aquele fenômeno no qual se vendem muitos produtos de baixa procura porque estão agrupados num mesmo local e este local consegue arrebanhar compradores para tudo. Esses produtos teriam pouca venda se não existisse a comercialização em rede cuja escala a digitalização facilita.</p>
<p>O Google comercializa anúncios digitais em forma de texto. Vende-os tanto para grandes empresas que podem lhe pagar contratos anuais de milhões de dólares quanto para um blogueiro que pode lhe pagar míseros US$ 250 num único mês. Com isso, desbaratou a indústria tradicional de classificados e dá trabalho para a indústria da propaganda.</p>
<p>Compare o faturamento do Google, sempre crescente, com o faturamento das empresas de publicidade. Um dos maiores grupos desta indústria, o Omnicom, perdeu 12% de seu faturamento no último ano. Caiu de US$ 13,3 bilhões em 2008 para US$ 11,7 bilhões em 2009. Ou seja, um grupo solidamente estabelecido, composto de empresas, como a BBDO, fundada em 1928, fatura menos da metade do que o Google conseguiu em 12 anos. O grupo WPP, outro gigante, conseguiu aumentar seu faturamento em apenas 2,7% em 2009. O Google abriu 2010 crescendo em 24% sua receita trimestral contra o primeiro trimestre de 2009.</p>
<p>No caso das empresas de comunicação, compare a receita do Google com a da Time Warner, maior empresa de mídia do planeta em receita e ativos. Ela faturou US$ 44 bilhões em 2009, quase o dobro do Google. Mas o valor de mercado da Time Warner é de US$ 33 bilhões. Atenção: isto é cinco vezes menor do que o valor de mercado do Google: US$ 167 bilhões! Um ícone da velha mídia tem valor de mercado menor do que o seu faturamento. O ícone da nova mídia multiplica por sete o seu faturamento quando se fala no valor da empresa.</p>
<p>Portanto há razões de sobra para o embevecimento em relação ao Google. O auge da carência de criticidade em relação à companhia se deu com a recente crise com a China. Aos fatos.</p>
<p>Em 2002, o Google não tinha representação na China, estava na web, normalmente. Foi quando a China, no dia 4 de setembro, bloqueou o acesso ao Google pela primeira vez. Não houve anúncio oficial nem nada. Os internautas chineses ficaram duas semanas sem conseguir usar o google.com. As autoridades já estavam trabalhando no Grande Firewall da China, o equivalente da Muralha da China para a internet. Um mecanismo capaz de bloquear qualquer endereço na internet doméstica.</p>
<p>Em novembro de 2003, as autoridades chinesas lançaram o mecanismo e conseguiram eficiência no bloqueio dos conteúdos proibidos. Esta ferramenta estreou com a ajuda de uma força-tarefa de 30 mil policiais que passava dia e noite pesquisando e analisando todo o conteúdo na rede de cunho antigovernamental. Ou seja, os programas de busca não eram censurados, eram usados para encontrar material “subversivo”. Em decorrência, aí sim com a ajuda do Grande Firewall, bloquearam os sites que apareciam nos resultados e exibiam conteúdo “suspeito”.</p>
<p>Isto posto, e muito bem entendido, o Google deflagrou a sua estratégia para conquistar o maior mercado de internet do mundo. A China tem hoje 385 milhões de internautas, nada se compara a isso. Assim, em 16 de junho de 2004, o Google adquiriu participação minoritária na Baidu, o motor de busca líder em língua chinesa, sua cópia escancarada. Em setembro, o Google News não conseguiu fazer com que sites “problemáticos” do interior do país aparecessem nos seus resultados. O Google justificou a falha como “problema técnico”. Analistas de mercado não acreditaram. O Google teria se submetido à pressão de Pequim e se deixado censurar.</p>
<p>Em 25 de janeiro de 2006, a empresa lançou a versão em chinês de sua busca, google.cn. O mecanismo nasceu censurado, conforme determinações do governo chinês. Ou seja, para conquistar mercado, o Google aceitou a censura. Enfrentou, pela primeira vez, protestos em frente à sua sede, viu-se acusado de colaborar com um “regime nazista&#8221;. Um mês depois, foi criticado no Congresso americano por ceder às pressões da China. A empresa vendeu então sua participação no Baidu, mas seguiu firme com o plano de dominar o mercado chinês.</p>
<p>No entanto, em 2007, um ano após o lançamento da versão chinesa censurada, o Google não conseguiu obter boa posição e nem conseguiu reproduzir a mesma velocidade com que foi conquistando grandes fatias de mercado no ocidente. Conseguiu apenas 19% de participação contra 63% do Baidu. Então decidiu investir em outras companhias no país. Começou a trabalhar com China Mobile, a empresa estatal de telecomunicações, para oferecer conteúdo para telefones celulares.</p>
<p>Em janeiro de 2009, o Google e mais 18 empresas foram criticadas pelo governo chinês por não se esforçarem o suficiente para barrar pornografia na rede. Dois meses depois, em 24 de março, as autoridades bloquearam o acesso ao YouTube porque o site exibiu vídeo no qual a polícia chinesa batia em manifestantes no Tibete. O bloqueio durou quatro dias. No dia 19 de junho de 2009, as autoridades mandaram desativar algumas funções de busca no google.cn. A desculpa era que elas levavam a conteúdo pornográfico e ofensivo. Além disso, o serviço de e-mail do Google, o Gmail, permaneceu inacessível por mais de uma hora.</p>
<p>Em julho de 2009, o Google conseguiu exibir uma pequena vitória. Elevou sua participação no mercado de busca doméstico chinês a 30%, mas ainda metade dos 60% do líder Baidu. Na mesma época, teria sofrido ataques vindos da China, mas sem revelá-los.</p>
<p>A situação se deteriorou rapidamente. Em 12 de janeiro de 2010, o Google tomou coragem e anunciou ter sido vítima de um ataque cibernético “altamente sofisticado e direcionado”, originário da China. O ataque visava contas de e-mail de chineses defensores dos direitos humanos. O Google anunciou “revisão” de suas operações no país, e disse “não estar mais disposto” a continuar a censurar os seus resultados. Sugeriu que isso poderia significar o fim de seus negócios no país. O governo chinês respondeu que a alegação era “infundada”.</p>
<p>Em 4 de fevereiro, três semanas após o grave anúncio, o Google anunciou ter feito &#8220;zero mudanças&#8221; na busca chinesa e que estariam sendo positivas suas discussões com Pequim. Em 12 de março, Li Yizhong, ministro da indústria e tecnologia da informação, disse que o Google estaria sendo “hostil e irresponsável”. Após dois meses de negociações, os chineses deixaram escapar a notícia de que o google.cn poderia ser fechado.</p>
<p>Em 22 de março, o Google anunciou ter transferido suas operações de Pequim para Hong-Kong, onde não se aplicariam as regras de censura. Nascia naquele momento o grande defensor da liberdade de expressão. Manifestações do governo americano exibiram-no como “exemplo para empresas e governos”. Hillary Clinton, secretária de Estado, declarou: “Esperamos que as autoridades chinesas revejam sua posição sobre as intrusões que levaram o Google a tomar a atitude que tomou”.</p>
<p>Timothy Garton Ash, cientista político e professor de Oxford, resumiu o sentimento esparramado na velha e na nova mídia: “A batalha do Google contra a China é uma história que define nossa época”. Falou da oposição entre um leão e um crocodilo: “o poder brando do Google contra o duro poder territorial do estado chinês”.</p>
<p>Nada indica que as razões do Google sejam tão moralmente defensáveis quanto parece. Para adentrar o mercado chinês, repare bem, o Google aceitou proativamente as imposições autoritárias de Pequim. Aceitou e se calou. Sua disposição para a briga cresceu na exata proporção em que sua participação de mercado não cresceu como ele queria. Imaginava conseguir capturar o poderio do Baidu, dominar o mercado como consegue fazer onde está – com exceção do Japão, onde o Yahoo é o líder, em parceria com o japonês SoftBank.</p>
<p>Nos derradeiros seis meses nos quais ainda estava baseado em Pequim, o Google vinha mostrando dificuldade em crescer. Conforme as estatísticas visíveis no Alexa, um mecanismo do próprio Google que monitora a audiência mundial na internet, o Google conseguiu crescer 48% contra 53% do Baidu. Parece muito, mas ele não conseguia “comer” a participação do Baidu. Crescia em cima dos outros concorrentes como Yahoo China, Sogou, Zhong Sou, SoSo ou NetEase Yudao. Em pouco tempo estagnaria.</p>
<p>As receitas totais de busca na China (conforme projeção possível a partir de dados trimestrais de do primeiro semestre de 2009 divulgados no site especializado eMarketer), podem ter alcançado algo equivalente a US$ 1,3 bilhão no último ano. O Baidu abocanhou 60% disso (US$ 771 milhões) e o Google US$ 385 milhões – e isso é pouco num mercado daquele porte.</p>
<p>Ou seja, não se pode desconectar a retirada da China da questão econômica. A maior empresa de publicidade do mundo abre mão de seus compromissos éticos e tolera a censura quando interessa abocanhar um mercado gigante. Não é detalhe: durante quatro anos o Google aceitou a censura, caladinho. Baixou a cabeça para tentar fazer o negócio dar certo. Não deu. Então convoquem a liberdade de expressão. Comigo não, violão!</p>
<p>*<strong>Caio Túlio Costa</strong> é jornalista, professor de jornalismo e consultor de novas mídias.</p>
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		<title>Balada</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 17:40:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
		<category><![CDATA[Balada]]></category>
		<category><![CDATA[Gláuber Rocha]]></category>
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		<category><![CDATA[poesia brasileira]]></category>
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		<description><![CDATA[ 
 
 
 
 
 
 
 
 
Balada
(Em memória de uma poeta suicida)*
Mário Faustino
Não conseguiu firmar o nobre pacto
Entre o cosmo sangrento e a alma pura
Porém, não se dobrou perante o fato
Da vitória do caos sobre a vontade
Augusta de ordenar a criatura
Ao menos: luz ao sul da tempestade.
Gladiador defunto mas intacto
(Tanta violência, mas tanta ternura)
Jogou-se contra um mar de sofrimentos
Não para pôr-lhes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_265" class="wp-caption alignnone" style="width: 474px"><img class="size-full wp-image-265" title="balada2" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/balada2.jpg" alt="Mário Faustino (à esq.) e o poeta americano Hart Crane (dir.) a quem Faustino  teria dedicado o poema Balada. Crane suicidou-se, em abril de 1932, atirando-se ao mar de um vapor em viagem de volta do México aos EUA." width="464" height="230" /><p class="wp-caption-text">Mário Faustino (à esq.) e o poeta americano Hart Crane (dir.) a quem Faustino teria dedicado o poema Balada. Crane suicidou-se, em abril de 1932, atirando-se ao mar de um vapor em viagem de volta do México aos EUA.</p></div>
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<h2>Balada</h2>
<p><em>(Em memória de uma poeta suicida)*</em></p>
<p>Mário Faustino</p>
<p>Não conseguiu firmar o nobre pacto<br />
Entre o cosmo sangrento e a alma pura<br />
Porém, não se dobrou perante o fato<br />
Da vitória do caos sobre a vontade<br />
Augusta de ordenar a criatura<br />
Ao menos: luz ao sul da tempestade.<br />
Gladiador defunto mas intacto<br />
(Tanta violência, mas tanta ternura)</p>
<p>Jogou-se contra um mar de sofrimentos<br />
Não para pôr-lhes fim, Hamlet, e sim<br />
Para afirmar-se além de seus tormentos<br />
De monstros cegos contra um só delfim,<br />
Frágil porém vidente, morto ao som<br />
De vagas de verdade e de loucura.<br />
Bateu-se delicado e fino, com<br />
Tanta violência, mas tanta ternura!</p>
<p>Cruel foi teu triunfo, torpe mar.<br />
Celebrara-te tanto, te adorava<br />
Do fundo atroz à superfície, altar<br />
De seus deuses solares – tanto amava<br />
Teu dorso cavalgado de tortura!<br />
Com que fervor enfim te penetrou<br />
No mergulho fatal com que mostrou<br />
Tanta violência, mas tanta ternura!</p>
<p>Envoi</p>
<p>Senhor, que perdão tem o meu amigo<br />
Por tão clara aventura, mas tão dura?<br />
Não está comigo nem conTigo:<br />
Tanta violência, mas tanta ternura.</p>
<p><strong>• • •</strong></p>
<p><strong>Nota de Caio Túlio Costa:<br />
</strong>*A propósito da dedicatória a “uma poeta”, este poema é retirado do livro <em>Poesia Completa, Poesia Traduzida</em> organizado por Benedito Nunes (Max Limonad, 1985) e de <em>O Homem e sua Hora e outros poemas</em>, organizado por Maria Eugenia Boaventura (Companhia das Letras, 2002). Maria Eugenia me disse que o poema “deve ser em homenagem a Hart Crane”. Tanto na edição organizada por Maria Eugênia (p. 158) quanto na edição da poesia completa estabelecida por Benedito Nunes (p. 115) consta que o poema é em homenagem a “um<span style="text-decoration: underline;">a</span> poeta suicida”. No índice da edição de Nunes (p. 6) consta, no entanto, que o poema é para “um poeta suicida”.</p>
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		<title>Poema em linha reta</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 17:30:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
		<category><![CDATA[álvaro de campos]]></category>
		<category><![CDATA[anti-herói ético]]></category>
		<category><![CDATA[fernando pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[linha reta]]></category>
		<category><![CDATA[pessoa]]></category>

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		<description><![CDATA[
Fernando Pessoa
Nunca conheci quem tivesse levado porrada. 
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, 
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo, 
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-256" title="pessoa1" src="http://caiotulio.com/blog/wp-content/uploads/2009/02/pessoa1.jpg" alt="pessoa1" width="119" height="129" /></p>
<p><span><span style="font-size: medium;">Fernando Pessoa</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Nunca conheci quem tivesse levado porrada. </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Indesculpavelmente sujo, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Que tenho enrolado os pés publicamente no tapete das etiquetas, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Que tenho sofrido enxovalhos e calado, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Para fora da possibilidade do soco; </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Toda a gente que eu conheço e que fala comigo </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: small;"><span>Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um</span> <span>enxovalho, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida&#8230; </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Quem me dera ouvir de alguém a voz humana</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia; </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Que contasse, não uma violência, mas uma covardia! </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?</span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Ó príncipes meus irmãos, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Arre, estou farto de semideuses! </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Onde é que há gente no mundo? </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Poderão as mulheres não os terem amado, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca! </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear? </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Eu, que tenho sido vil, literalmente vil, </span></span></p>
<p class="MsoNormal"><span><span style="font-size: small;">Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. </span></span></p>
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		<title>Conferência sobre Ética</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 17:15:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<category><![CDATA[caio túlio]]></category>
		<category><![CDATA[conferência sobre ética]]></category>
		<category><![CDATA[Curso de Ética]]></category>
		<category><![CDATA[darley]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[indizível]]></category>
		<category><![CDATA[wittgenstein]]></category>

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		<description><![CDATA[por Ludwig Wittgenstein
Tradução de Darlei Dall&#8217;Agnol
Antes de começar a falar sobre meu tema, permitam-me fazer algumas observações introdutórias. Tenho consciência de que terei grandes dificuldades para comunicar meu pensamentos e penso que algumas delas diminuiriam se as mencionasse de antemão.
A primeira, que quase não necessito apontar, é que o inglês não é minha língua materna. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>por Ludwig Wittgenstein</strong></p>
<p>Tradução de Darlei Dall&#8217;Agnol</p>
<p>Antes de começar a falar sobre meu tema, permitam-me fazer algumas observações introdutórias. Tenho consciência de que terei grandes dificuldades para comunicar meu pensamentos e penso que algumas delas diminuiriam se as mencionasse de antemão.</p>
<p>A primeira, que quase não necessito apontar, é que o inglês não é minha língua materna. Por esta razão, meu modo de expressão não possui aquela elegância e precisão que seria desejável para quem fala sobre um tema difícil. Tudo o que posso fazer é pedir que me facilitem a tarefa tentando entender o que quero dizer, apesar das faltas que contra a gramática inglesa vou cometer continuamente.</p>
<p>A segunda dificuldade que mencionarei é que, provavelmente, muitos de vocês vieram a esta minha conferência com falsas expectativas. Para esclarecer este ponto, direi algumas palavras sobre a razão pela qual escolhi este tema. Quando o secretário anterior honrou-me pedindo que lesse uma comunicação para esta sociedade, minha primeira idéia foi a de que deveria certamente aceitar e a segunda foi que, se tivesse a oportunidade de falar a vocês, deveria falar sobre algo que me interessava comunicar e que não deveria desperdiçá-la dando, por exemplo, uma conferência sobre lógica. Considero que isto seria perder tempo, visto que explicar um tema científico a vocês exigiria um curso de conferências e não uma comunicação de uma hora. Uma alternativa teria sido apresentar uma conferência que se denomina de divulgação científica, isto é, uma conferência que pretendesse fazer vocês acreditarem que entendem algo que realmente não entendem e satisfazer assim o que considero um dos mais baixos desejos do homem moderno, a saber, a curiosidade superficial sobre as últimas descobertas da ciência.</p>
<p>Rejeitei estas alternativas e decidi falar sobre um tema, em minha opinião, de importância geral, com a esperança de que ele ajude a esclarecer suas próprias idéias a respeito (mesmo que vocês estejam em total desacordo com o que vou dizer). Minha terceira e última dificuldade é, de fato, própria de quase todas as conferências filosóficas: o ouvinte é incapaz de ver tanto o caminho pelo qual o levam como também o fim a que este conduz. Isto é, ele pensa: &#8220;Entendo tudo o que diz, mas aonde quer chegar?&#8221; ou então &#8220;Vejo para onde se encaminha, mas como vai chegar ali?&#8221; Mais uma vez: tudo o que posso fazer é pedir que sejam pacientes e esperar que, no final, vejam não só o caminho como também onde ele leva.</p>
<p>Vou iniciar agora. Meu tema, como sabem, é a Ética e adotarei a explicação que deste termo deu o professor Moore em seu livro Principia Ethica. Ele diz: &#8220;A Ética é a investigação geral sobre o que é bom.&#8221; Agora, vou usar a palavra Ética num sentido um pouco mais amplo, um sentido, na verdade, que inclui a parte mais genuína, em meu entender, do que geralmente se denomina Estética. E para que vejam da forma mais clara possível o que considero o objeto da Ética vou apresentar antes várias expressões mais ou menos sinônimas, cada uma das quais poderia substituir a definição anterior e ao enumerá-las pretendo obter o mesmo tipo de efeito que Galton obteve quando colocou na mesma placa várias fotografias de diferentes rostos com o fim de obter a imagem dos traços típicos que todos eles compartilhavam. Mostrando esta fotografia coletiva, poderei fazer ver qual é o típico &#8211; digamos &#8211; rosto chinês. Deste modo, se vocês olharem através da série de sinônimos que vou apresentar, serão capazes de, espero, ver os traços característicos que todos têm em comum e que são característicos da Ética.</p>
<p>Ao invés de dizer que &#8220;a Ética é a investigação sobre o que é bom&#8221;, poderia ter dito que a Ética é a investigação sobre o valioso, ou sobre o que realmente importa, ou ainda, poderia ter dito que a Ética é a investigação sobre o significado da vida, ou daquilo que faz com que a vida mereça ser vivida, ou sobre a maneira correta de viver. Creio que se observarem todas estas frases, então terão uma idéia aproximada do que se ocupa a Ética.</p>
<p>A primeira coisa que nos chama a atenção nestas expressões é que cada uma delas é usada, realmente, em dois sentidos muito distintos. Vou denominá-los, por um lado, o sentido trivial ou relativo, e por outro, o sentido ético ou absoluto. Por exemplo, se digo que esta é uma boa poltrona, isto significa que esta poltrona serve para um propósito predeterminado e a palavra bom aqui tem somente significado na medida em que tal propósito tenha sido previamente fixado. De fato, a palavra bom no sentido relativo significa simplesmente que satisfaz um certo padrão predeterminado. Assim, quando afirmamos que este homem é um bom pianista, queremos dizer que pode tocar peças de um certo grau de dificuldade com um certo grau de habilidade. Igualmente, se afirmo que para mim é importante não resfriar-me quero dizer que apanhar um resfriado produz em minha vida certos transtornos descritíveis e se digo que esta é a estrada correta significa que é a estrada correta em relação a uma certa meta.</p>
<p>Usadas desta forma, tais expressões não apresentam problemas difíceis ou profundos. Mas isto não é o uso que delas faz a Ética. Suponhamos que eu soubesse jogar tênis e alguém de vocês, ao ver-me, tivesse dito &#8220;Você joga bastante mal&#8221; e eu tivesse contestado &#8220;Sei que estou jogando mal, mas não quero fazê-lo melhor&#8221;, tudo o que poderia dizer meu interlocutor seria &#8220;Ah, então tudo bem.&#8221;. Mas suponhamos que eu tivesse contado a um de vocês uma mentira escandalosa e ele viesse e me dissesse &#8220;Você se comporta como um animal&#8221; e eu tivesse contestado &#8220;Sei que minha conduta é má, mas não quero comportar-me melhor&#8221;, poderia ele dizer &#8220;Ah, então, tudo bem&#8221;? Certamente, não. Ele afirmaria &#8220;Bem, você deve desejar comportar-se melhor&#8221;. Aqui temos um juízo de valor absoluto, enquanto que no primeiro caso era um juízo relativo.</p>
<p>A essência desta diferença parece obviamente esta: cada juízo de valor relativo é um mero enunciado de fatos e, portanto, pode ser expresso de tal forma que perca toda a aparência de juízo de valor. Ao invés de dizer &#8220;Esta é a estrada correta para Granchester&#8221;, eu poderia perfeitamente dizer &#8220;Esta é a estrada correta que deves tomar se queres chegar a Granchester no menor tempo possível&#8221;. &#8220;Este homem é um bom corredor&#8221; significa simplesmente que corre um certo número de quilômetros num certo número de minutos etc.</p>
<p>O que agora desejo sustentar é que, apesar de que se possa mostrar que todos os juízos de valor relativos são meros enunciados de fatos, nenhum enunciado de fato pode ser nem implicar um juízo de valor absoluto.</p>
<p>Permitam-me explicar: suponham que alguém de vocês fosse uma pessoa onisciente e, por conseguinte, conhecesse todos os movimentos de todos os corpos animados ou inanimados do mundo e conhecesse também os estados mentais de todos os seres que tenham vivido. Suponham, além disso, que este homem escrevesse tudo o que sabe num grande livro. Então tal livro conteria a descrição total do mundo. O que quero dizer é que este livro não incluiria nada do que pudéssemos chamar juízo ético nem nada que pudesse implicar logicamente tal juízo. Conteria, certamente, todos os juízos de valor relativo e todas as proposições científicas verdadeiras que se pode formar. Mas, tanto todos os fatos descritos como todas as proposições estariam, digamos, no mesmo nível. Não há proposições que, em qualquer sentido absoluto, sejam sublimes, importantes ou triviais.</p>
<p>Talvez agora alguém de vocês esteja de acordo e invoque as palavras de Hamlet: &#8220;Nada é bom ou mau, mas é o pensamento que o faz assim.&#8221; Mas isto poderia levar novamente a um mal-entendido. O que Hamlet diz parece implicar que o bom ou o mau, embora não sejam qualidades do mundo externo a nós, são atributos de nossos estados mentais. Mas o que quero dizer é que um estado mental entendido como um fato descritível não é bom ou mau no sentido ético. Por exemplo, em nosso livro do mundo lemos a descrição de um assassinato com todos os detalhes físicos e psicológicos e a mera descrição nada conterá que possamos chamar uma proposição ética. O assassinato estará exatamente no mesmo nível que qualquer outro acontecimento como, por exemplo, a queda de uma pedra. Certamente, a leitura desta descrição pode causar-nos dor ou raiva ou qualquer outra emoção ou poderíamos ler acerca da dor ou da raiva que este assassinato suscitou em outras pessoas que tiveram conhecimento dele, mas seriam simplesmente fatos, fatos e fatos e não Ética.</p>
<p>Devo dizer agora que, se considerasse o que a Ética deveria ser realmente &#8211; se existisse uma tal ciência -, este resultado parece-me bastante óbvio. Parece-me evidente que nada do que somos capazes de pensar ou de dizer pode constituir-se o objeto. Que não podemos escrever um livro científico cujo tema venha a ser intrinsecamente sublime e superior a todos os demais. Somente posso descrever meu sentimento a este respeito mediante a seguinte metáfora: se um homem pudesse escrever um livro de Ética que realmente fosse um livro de Ética, este livro destruiria, com uma explosão, todos os demais livros do mundo. Nossas palavras, usadas tal como o fazemos na ciência, são recipientes capazes somente de conter e transmitir significado e sentido naturais. A Ética, se ela é algo, é sobrenatural e nossas palavras somente expressam fatos, do mesmo modo que uma taça de chá somente pode conter um volume determinado de água, por mais que se despeje um litro nela.</p>
<p>Disse que com relação a fatos e proposições há somente valor relativo e acerto e bem relativos. Permitam-me, antes de prosseguir, ilustrar isto com um exemplo ainda mais óbvio. A estrada correta é aquela que conduz a um fim predeterminado arbitrariamente e a todos nós parece totalmente claro que não há sentido em falar da estrada correta independentemente de tal alvo predeterminado. Vejamos agora o que possivelmente queremos dizer com a expressão &#8220;a estrada absolutamente correta&#8221;. Creio que seria aquela que, ao vê-la, todo o mundo deveria tomar com necessidade lógica ou envergonhar-se de não fazê-lo. Do mesmo modo, o bom absoluto, se é um estado de coisas descritível, seria aquele que todo o mundo, independentemente de seus gostos e inclinações, realizaria necessariamente ou se sentiria culpado de não fazê-lo. Quero dizer que tal estado de coisas é uma quimera. Nenhum estado de coisas tem, em si, o que gostaria de denominar o poder coercitivo de um juiz absoluto.</p>
<p>Então, o que temos em mente e o que tentamos expressar quando sentimos a tentação de usar expressões como &#8220;bom absoluto&#8221;, &#8220;valor absoluto&#8221; etc.? Sempre que tento esclarecer isto para mim é natural que recorra a casos nos quais, sem dúvida, usaria tais expressões, de modo que me encontro na mesma situação que vocês estariam se, por exemplo, eu desse uma conferência sobre a psicologia do prazer. Neste caso, o que vocês fariam seria tentar invocar algumas situações típicas nas quais sempre sentiram prazer, pois com esta situação na mente, chegaria a se tornar concreto e, por assim dizer, controlável, tudo o que eu pudesse dizer a vocês. Alguém poderia escolher como um exemplo típico a sensação de passear num dia ensolarado de verão. Quando trato de concentrar-me no que entendo por valor absoluto ou ético, encontro-me numa situação semelhante.</p>
<p>Em meu caso, ocorre-me sempre que a idéia de uma particular experiência se apresenta como se fosse, em certo sentido, e de fato é, minha experiência par excellence e por esta razão, ao dirigir-me agora a vocês, usarei esta experiência como meu primeiro e principal exemplo (como já disse, isto é uma questão totalmente pessoal e outros poderiam dar outros exemplos mais chamativos). Na medida do possível, vou descrever esta experiência de maneira que faça vocês invocarem experiências idênticas ou similares a fim de poder dispor de uma base comum para nossa investigação.</p>
<p>Creio que a melhor forma de descrevê-la é dizer que, quando eu a tenho, assombro-me ante a existência do mundo. Sinto-me então inclinado a usar frases tais como &#8220;Que extraordinário que as coisas existam&#8221; ou &#8220;Que extraordinário que o mundo exista&#8221;.</p>
<p>Mencionarei, em continuação, outra experiência que conheço e que a alguns de vocês parecerá familiar: trata-se do que poderíamos chamar a experiência de sentir-se absolutamente seguro. Refiro-me a aquele estado anímico em que nos sentimos inclinados a dizer: &#8220;Aconteça o que acontecer, estou seguro, nada pode prejudicar-me&#8221;.</p>
<p>Permitam-me agora considerar estas experiências visto que, segundo creio, mostram as verdadeiras características que tentamos esclarecer. E aqui está o que primeiro tenho a dizer: a expressão verbal que damos a estas experiências carece de sentido.</p>
<p>Se afirmo &#8220;Assombro-me ante a existência do mundo&#8221;, estou usando mal a linguagem. Deixem-me explicar isso. Tem perfeito e claro sentido dizer que me assombra que algo seja como é. Todos entendemos o que significa que me assombre o tamanho de um cachorro que é maior do que qualquer outro visto antes ou de qualquer coisa que, no sentido ordinário do termo, seja extraordinária. Em todos os casos deste tipo, assombro-me de que algo seja como é, quando eu poderia conceber que não fosse assim. Assombro-me do tamanho deste cachorro porque poderia conceber um cachorro de outro tamanho, isto é, de tamanho normal, do qual não me assombraria. Dizer &#8220;Assombro-me de que tal ou tal coisa seja como é&#8221; somente tem sentido se posso imaginá-la não sendo como é. Assim, alguém pode assombrar-se, por exemplo, da existência de uma casa quando a vê depois de muito tempo que não a via e tinha imaginado que ela tinha sido demolida neste intervalo. Mas carece de sentido dizer que me assombro da existência do mundo porque não posso imaginá-lo como não existindo.</p>
<p>Certamente, poderia assombrar-me de que o mundo que me rodeia seja como é. Se, por exemplo, enquanto olho o céu azul eu tivesse esta experiência, poderia assombrar-me de que o céu seja azul em oposição ao caso de estar nublado. Mas não é isto que quero dizer. Assombro-me do céu seja lá o que ele for. Poderíamos nos sentir inclinados a dizer que estou me assombrando de uma tautologia, isto é, de que o céu seja ou não azul. Mas precisamente não tem sentido afirmar que alguém está se assombrando de uma tautologia.</p>
<p>Isto pode aplicar-se à outra experiência mencionada: a experiência da segurança absoluta. Todos sabemos o que significa na vida cotidiana estar seguro. Sinto-me seguro em minha sala, já que não pode atropelar-me um ônibus. Sinto-me seguro se já tive a coqueluche e, portanto, já não poderei tê-la novamente. Sentir-se seguro significa, essencialmente, que é fisicamente impossível que certas coisas possam ocorrer-me e, por conseguinte, carece de sentido dizer que me sinto seguro aconteça o que acontecer. Mais uma vez, trata-se de um mau uso da palavra &#8220;seguro&#8221;, do mesmo modo que o outro exemplo era um mau uso da palavra &#8220;existência&#8221; ou &#8220;assombrar-se&#8221;.</p>
<p>Quero agora convencer vocês que um característico mau uso de nossa linguagem subjaz a todas as expressões éticas e religiosas. Todas elas parecem, prima facie, ser somente símiles. Assim, parece que quando usamos, em sentido ético, a palavra correto, embora o que queremos dizer não seja correto no seu sentido trivial, é algo similar. Quando dizemos: &#8220;É uma boa pessoa&#8221;, embora a palavra boa aqui não signifique o mesmo que na frase &#8220;Este é um bom jogador de futebol&#8221; parece haver alguma similaridade. E quando dizemos &#8220;A vida deste homem era valiosa&#8221;, não o entendemos no mesmo sentido que se falássemos de alguma jóia valiosa, mas parece haver algum tipo de analogia.</p>
<p>Deste modo, todos os termos religiosos parecem ser usados como símiles ou alegorias. Quando falamos de Deus e de que ele tudo vê e quando nos ajoelhamos e oramos, todos os nossos termos e ações parecem ser partes de uma grande e completa alegoria que o representa como um ser humano de enorme poder cuja graça tentamos cativar etc., etc..</p>
<p>Mas esta alegoria descreve também a experiência que acabo de aludir. Porque a primeira delas é, segundo creio, exatamente aquilo a que as pessoas se referem quando dizem que Deus criou o mundo; e a experiência da segurança absoluta tem sido descrita dizendo que nos sentimos seguros nas mãos de Deus. Uma terceira vivência deste tipo é a de sentir-se culpado e pode ser descrita também pela frase: Deus condena nossa conduta.</p>
<p>Desta forma parece que, na linguagem ética e religiosa, constantemente usamos símiles. Mas um símile deve ser símile de algo. E se posso descrever um fato mediante um símile, devo também ser capaz de abandoná-lo e descrever os fatos sem sua ajuda. Em nosso caso, logo que tentamos deixar de lado o símile e enunciar diretamente os fatos que estão atrás dele, deparamo-nos com a ausência de tais fatos. Assim, aquilo que, num primeiro momento, pareceu ser um símile, manifesta-se agora como um mero sem sentido.</p>
<p>Talvez para aquele que &#8211; como eu, por exemplo &#8211; viveu as três experiências que mencionei (e podia acrescentar outras) elas parecem ter, em algum sentido, valor intrínseco e absoluto. Mas, desde o momento em que digo que são experiências, certamente, são também fatos: aconteceram num lugar e duraram certo tempo e, por conseguinte, são descritíveis. Em continuação ao que disse há poucos minutos, devo admitir que carece de sentido afirmar que têm valor absoluto. Precisarei minha argumentação dizendo: &#8220;é um paradoxo que uma experiência, um fato, pareça ter valor sobrenatural.&#8221;</p>
<p>Há uma via pela qual sinto-me tentado a solucionar este paradoxo. Permitam-me considerar, novamente, nossa primeira experiência de assombro diante da existência do mundo descrevendo-a de forma ligeiramente diferente. Todos sabemos o que na vida cotidiana poderia denominar-se um milagre. Obviamente é, simplesmente, um acontecimento de tal natureza que nunca tínhamos visto nada parecido com ele. Suponham que este acontecimento ocorreu. Pensem no caso de que em alguém de vocês cresça uma cabeça de leão e comece a rugir. Certamente isto seria uma das coisas mais extraordinárias que sou capaz de imaginar. Tão logo nos tivéssemos recomposto da surpresa, o que eu sugeriria seria buscar um médico e investigar cientificamente o caso e, se não pelo fato de que isto causaria sofrimento, mandaria fazer uma dissecação. Aonde estaria então o milagre? Está claro que, no momento em que olhamos as coisas assim, todo o milagroso haveria desaparecido; a menos que entendamos por este termo simplesmente um fato que ainda não tenha sido explicado pela ciência, coisa que significa por sua vez que não temos conseguido agrupar este fato junto com outros num sistema científico. Isto mostra que é absurdo dizer que &#8220;a ciência provou que não há milagres&#8221;. A verdade é que o modo científico de ver um fato não é vê-lo como um milagre. Vocês podem imaginar o fato que puderem e isto não será em si milagroso no sentido absoluto do termo. Agora nos damos conta de que temos utilizado a palavra &#8220;milagre&#8221; tanto num sentido absoluto como num relativo.</p>
<p>Agora, vou descrever a experiência de assombro diante da existência do mundo dizendo: é a experiência de ver o mundo como um milagre. Sinto-me inclinado a dizer que a expressão lingüística correta do milagre da existência do mundo &#8211; apesar de não ser uma proposição na linguagem &#8211; é a existência da própria linguagem. Mas, então, o que significa ter consciência deste milagre em certos momentos e não em outros? Tudo o que disse ao transladar a expressão do milagroso de uma expressão por meio da linguagem à expressão pela existência da linguagem é, mais uma vez, que não podemos expressar o que queremos expressar e que tudo o que dizemos sobre o absolutamente milagroso continua carecendo de sentido.</p>
<p>Para muitos de vocês a resposta parecerá clara: bom, se certas experiências nos levam constantemente a atribuir-lhes uma qualidade que chamamos valor absoluto ou ético e importante, isto somente mostra que ao que nos referimos com tais palavras não é um sem sentido, que depois de tudo, o que significamos ao dizer que uma experiência tem valor absoluto é simplesmente um fato como qualquer outro e tudo se reduz a isto e que ainda não encontramos a análise lógica correta daquilo que queremos dizer com nossas expressões éticas e religiosas. Sempre que me salta isto aos olhos, de repente vejo com clareza, como se se tratasse de um lampejo, não somente que nenhuma descrição que possa imaginar seria apta para descrever o que entendo por valor absoluto, mas que rechaçaria ab initio qualquer descrição significativa que alguém pudesse possivelmente sugerir em razão de sua significação.</p>
<p>Em outras palavras, vejo agora que estas expressões carentes de sentido não careciam de sentido por não ter ainda encontrado as expressões corretas, mas sua falta de sentido constituía sua própria essência. Isto porque a única coisa que eu pretendia com elas era, precisamente, ir além do mundo, o que é o mesmo que ir além da linguagem significativa. Toda minha tendência &#8211; e creio que a de todos aqueles que tentaram alguma vez escrever ou falar de Ética ou Religião &#8211; é correr contra os limites da linguagem. Esta corrida contra as paredes de nossa jaula é perfeita e absolutamente desesperançada. A Ética, na medida em que brota do desejo de dizer algo sobre o sentido último da vida, sobre o absolutamente bom, o absolutamente valioso, não pode ser uma ciência. O que ela diz nada acrescenta, em nenhum sentido, ao nosso conhecimento, mas é um testemunho de uma tendência do espírito humano que eu pessoalmente não posso senão respeitar profundamente e que por nada neste mundo ridicularizaria.</p>
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		<title>Imprensa, estupidez, política</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 17:10:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Material Didático]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quarto capítulo do livro de aforismos <em>Ditos e Desditos</em>, de Karl Kraus (São Paulo: Brasiliense, 1988). <em>Sprüche und Widerspüche</em> em alemão, foi traduzido para o português por Márcio Suzuki e Werner Loewenberg. Alguns dos aforismos transcritos abaixo, no entanto, incorporam revisões de Caio Túlio Costa feitas com base na tradução para o inglês de Jonathan McVity, cuja numeração foi adotada. Veja também notas explicativas ao final do texto.</p>
<p><strong>Karl Kraus</strong></p>
<p>368 &#8211; Primeiro é preciso que as instituições humanas se tornem tão perfeitas que possamos ponderar sossegadamente quão imperfeitas são as divinas.</p>
<p>369 &#8211; A vida mecânica estimula, o ambiente artístico paralisa a poesia interior.</p>
<p>370 &#8211; O quê? A humanidade estupidificada em prol do progresso mecânico, e nós nem sequer deveríamos tirar proveito? Devere­mos manter diálogo com a estupidez se podemos dela fugir num automóvel?</p>
<p>371 &#8211; A arte é, para o filisteu, enfeite para a fadiga e para o tormento cotidiano. Ele abocanha o ornamento como o cão a salsicha.</p>
<p>372 &#8211; A gentalha visita locais &#8220;que merecem ser vistos&#8221;. Simplesmente continua-se a se perguntar se o túmulo de Napoleão merece ser visto pelo Sr. Schulze [equivale ao Sr. Silva no Brasil],  mas jamais se pergunta se o senhor Schulze merece vê-lo.</p>
<p>373 &#8211; O filisteu vive num presente ornado de curiosidades; o artista se empenha num passado mobiliado com todo o conforto dos tempos modernos.</p>
<p>374 &#8211; O progresso mecânico só vem em proveito da personalidade que, além dos obstáculos da vida exterior, chega mais rapida­mente a si mesma. Mas os cérebros medianos não estão à altura de tal hipertrofia. Ainda hoje não se pode fazer a menor idéia da devastação provocada pela imprensa. O dirigível é descoberto, mas a imaginação rasteja como uma diligência. Automóvel, telefone e grandes tiragens da estupidez &#8211; quem pode dizer como serão formados os cérebros daqui a duas gerações? A retração da fonte natural que opera a máquina, a repressão da vida pela leitura e a absorção de toda possibilidade artística pelo espírito factual terão concluído sua obra com uma rapidez espantosa. O despontar de uma nova era glacial só poderia ser entendido nesse sentido. Nesse meio tempo, que se permita to­da política social, que a deixem ser ativa em suas pequenas ta­refas; que lhe seja permitido lidar com a instrução do povo e outros substitutivos e opiatos. Passatempo até a dissolução. As coisas tomaram um rumo para o qual não há exemplo em ou­tras épocas historicamente observáveis. Quem não sente isso em cada nervo pode tranquilamente manter a cômoda divisão de Antiguidade, Idade Média e Idade Moderna. De repente, perceber-se-á que não se vai adiante. Pois esse moderníssimo tempo iniciou a produção de máquinas novas para fazer funcio­nar uma ética antiga. Nos últimos trinta anos aconteceram mais coisas que, antes, em trezentos. E um dia a humanidade se sacrificará pelas grandes obras que produziu para o seu alívio.</p>
<p>375 &#8211; Estávamos complicados o bastante para construir a máquina e somos demasiados primitivos para nos servirmos dela. Impeli­mos um tráfego mundial em vias cerebrais de bitola estreita.</p>
<p>376 &#8211; Política social é a decisão desesperada de efetuar num canceroso uma extração de calo.</p>
<p>377 &#8211; Quando a armação do telhado pega fogo, não adianta rezar nem esfregar o chão. Em todo caso, rezar é mais prático.</p>
<p>378 &#8211; O que a sífilis poupou será devastado pela imprensa. Nos amolecimentos cerebrais do futuro, a causa não poderá ser determinada com precisão.</p>
<p>379 &#8211; Nossa cultura consiste de três gavetas: trabalho, lazer e instrução; quando uma está aberta, as outras se fecham. Os prestidigitadores chineses dominam toda a vida com um único dedo. Terão, portanto, o jogo nas mãos. A grande esperança amarela!</p>
<p>380 &#8211; Existe um continente sombrio que envia descobridores.</p>
<p>381 &#8211; Humanidade, instrução e liberdade são bens preciosos que não foram comprados por sangue, juízo e dignidade humana a um preço suficientemente alto.</p>
<p>382 &#8211; A democracia divide os seres humanos em trabalhadores e ociosos. Ela não foi instituída para aqueles que não têm tempo para o trabalho.</p>
<p>383 &#8211; O que faz X? Mantém-se ocupado com o espírito mundial de Goethe na agitação do tear do tempo.</p>
<p>384 &#8211; Humanitarismo é uma decepção física que ocorre com inevitabilidade natural. Pois o liberalismo coloca sempre sua luz sob urna campânula de vidro e acredita que ela arderá no vácuo. Mais provavelmente arderia na tempestade da vida. Quando o oxigeno acaba, a luz se extingue. Mas felizmente a campânula se encontra na água do palavreado que sobe justamente no momen­to em que a vela se apaga. Se levantarmos a campânula, só então perceberemos as reais qualidades do liberalismo. Ele fede a hidrocarboneto.</p>
<p>385 &#8211; Toda gesticulação e palavrório dos chamados homens sérios não teria sido possível nos quartos de criança dos séculos passa­dos. Nos quartos de criança de hoje, o argumento do açoite no mínimo causa ainda impressão. Mas os direitos humanos são o brinquedo quebrável dos adultos que o querem espezinhar e que, por isso, não deixam que o tomem. Se fosse permitido chicotear, isso se faria com muito menos frequência do que se tem vontade agora. Em que, pois, consiste o progresso? Suprimiu-se o prazer de chicotear? Não, apenas o chicote. Na época da servidão, o medo do chicote era o contrapeso do seu prazer. Hoje ele já não tem contrapeso, mas, em compensação, uma espora na ufania progressista, com a qual a estupidez proclama seus direitos humanos. Bela liberdade: simplesmente não ser chicoteado!</p>
<p>386 &#8211; Quando ainda não havia direitos humanos, os favorecidos os possuíam. Isso era desumano. Depois se estabeleceu a igualda­de, privando os favorecidos dos direitos humanos.</p>
<p>387 &#8211; Quando alguém está diante do tribunal, não há por certo nenhum fato dos chamados antecedentes com o qual não se possa causar instantaneamente uma &#8220;impressão desfavorável&#8221; e proporcionar à justiça aquele &#8220;movimento&#8221; que registra o relato da sala de audiências. E inacreditável como os delitos realmente assediam uma pessoa que, alguma vez, cometeu um deles! Projetado no lapso de tempo de um processo judicial, aquilo que se repartiu em quarenta anos atua como uma ilustração viva; aquilo que passou pelo crivo do tempo alcança uma atua­lidade reforçada, como se tivesse acontecido durante a prisão preventiva. Isto não só elucida o crime, com o qual não tem nada a ver, mas também é elucidado pelo crime, e o perfil moral do acusado está sempre espelhado de dois lados. Eis o método que se adapta venturosamente ao pensamento bitolado de cabeças medíocres judicantes. Isto se chama comprimir uma pessoa perdida sob o banco dos réus.</p>
<p>388 &#8211; Quem é ela? É cega ante o Direito, fica estrábica ante o poder e sofre de exoftalmia ante a moral. E por causa dos belos olhos dessa mulher sacrificamos a nossa liberdade!</p>
<p>389 &#8211; Não basta a mera exortação para que os magistrados julguem com toda a ciência e consciência. É preciso também promulgar instruções de como a ciência pode ser pequena e a consciência, grande.</p>
<p>390 &#8211; O parlamentarismo é o aquartelamento da prostituição política.</p>
<p>391 &#8211; A política proporciona as tensões de um romance policial. As gestões da diplomacia oferecem o espetáculo de como os Esta­dos são perseguidos com mandado de prisão por uma quadrilha internacional de criminosos.</p>
<p>392 &#8211; Política é efeito cênico. Quando Shakespeare cruzava as fronteiras, para o público o barulho das armas ainda se sobrepunha aos pensamentos. A dimensão de Bismarck, o qual molda a matéria política numa forma criativa – e por que a ocorrência mais terrena não deveria resultar em criação para um artista? –, é aferida com a medida da ação teatral, dos efeitos das entra­das e saídas. E se nós alemães tememos a Deus como a nada mais no mundo, respeitamo-Lo não por Sua personalidade, mas pelo barulho de Seus trovões. Política e teatro: o ritmo é tudo; o significado, nada.</p>
<p>393 &#8211; Considero a política uma maneira de dar cabo da seriedade da vida pelo menos tão excelente quanto o jogo do tarô; e assim como há pessoas que vivem do tarô, o político profissional é também um fenômeno perfeitamente compreensível. Tanto mais que o político profissional só ganha às custas daqueles que não jogam. No entanto, é justo que o espectador político tenha de pagar se a observação paciente forma o conteúdo de sua vida. Se não houvesse política, o cidadão só teria sua vida interior, ou seja, nada que pudesse realmente ocupá-lo.</p>
<p>394 &#8211; Para se orientar em questões políticas bastam as lembranças das operetas. Aquilo que se pode dizer em detrimento do regime absolutista nos foi ensinado pela figura de um rei Bobèche, de um príncipe herdeiro Casimiro ou de um general Kantschu­koff. Se a exigência dos fraseólogos &#8211; de que a arte se ocupe com os assuntos públicos &#8211; deve ter algum sentido, este só pode se referir à produção de operetas. Esta, com razão, merece a censura de ter desprezado há decênios os únicos assuntos humanos que não devem ser levados a sério, ou seja, os assuntos públicos. Pois a forma artística da opereta é aquela que está adequada à essência de todos os desenvolvimentos políticos, já que confere à estupidez a inverossimilhança redentora. É tolo exigir que a criação artística se lance de outro modo sobre os acontecimentos recentes; e mesmo a sátira os desdenha, pois ela, sem dúvida, pode apreender o ridículo da política, mas os ridículos dentro da política se processam abaixo do nível de uma consideração chistosa, no sentido mais elevado do termo.</p>
<p>395 &#8211; Quem, além dos políticos que as cometem, lamenta as asneiras na política? Serão, pois, as sagacidades na política mais sagazes?</p>
<p>396 &#8211; &#8220;Preferimos suportar os males que já temos, a fugirmos para outros que desconhecemos.&#8221; Mas ainda não entendo como a justificativa do regime monárquico pode chegar ao entusiasmo.</p>
<p>397 &#8211; Quando um carro passa, o cão continua a fazer o seu protesto, apesar da inutilidade reconhecida há tanto tempo. Isso é puro idealismo, ao passo que a intransigência do político liberal nunca late para o carro do Estado sem fins interesseiros.</p>
<p>398 &#8211; O páthos liberal alemão é uma mistura de pesquisa sem pré-requisitos e corpo de bombeiros voluntários.</p>
<p>399 &#8211; O segredo do agitador é fazer-se tão estúpido quanto seus ouvintes para que eles acreditem ser tão inteligentes quanto ele.</p>
<p>400 &#8211; Crianças brincam de soldado. Isso faz sentido. Mas por que soldados brincam de criança?</p>
<p>401 &#8211; O Esporte é um filho do progresso e contribui já de próprio punho para a estupidificação da família.</p>
<p>402 &#8211; A missão da imprensa é a de difundir o espírito e, ao mesmo tempo destruir toda a capacidade de assimilação.</p>
<p>403 &#8211; O jornalismo serve apenas aparentemente ao dia-a-dia. Na verdade, destrói a receptividade espiritual da posteridade.</p>
<p>404 &#8211; A multiplicação só é um progresso à medida que possibilita a difusão do simples.</p>
<p>405 &#8211; Quando se pensa que a mesma conquista técnica serviu à <em>Crítica do Razão Pura</em> e ao relato de uma viagem dos Meninos Cantores de Viena, toda a discórdia se afasta da alma e louva-se a onipotência do Criador.</p>
<p>406 &#8211; Levar as pessoas a crer que um X é um U [expressão idiomática que significa lograr, enganar, ver nota ao final do texto] &#8211; onde está o jornal que confessa esse erro de impressão?</p>
<p>407 &#8211; Quando se trata de religião, conta-me um viajante do Oriente, não há nenhuma propina. No Ocidente, pode-se dizer o mes­mo em louvor da imprensa liberal.</p>
<p>408 &#8211; Com meu estreito horizonte, não li certa vez um jornal que tinha artigos com estes títulos: As negociações secretas entre Áustria, França e Itália em 1869; O movimento reformista da Pér­sia; A nomeação de chefes da seção croata; A Sublime Porta contra o metropolita de Monastir&#8230; Depois de não ter lido esse jornal, senti meu horizonte um pouco mais alargado.</p>
<p>409 &#8211; A providência de uma época ímpia é a imprensa, que elevou mesmo a crença numa onisciência e onipresença à categoria de convicção.</p>
<p>410 &#8211; Tempo e espaço se tornaram as categorias kantianas do sujeito jornalístico.</p>
<p>411- Os jornais têm mais ou menos a mesma relação com a vida que as cartomantes com a metafísica.</p>
<p>412 &#8211; O cabeleireiro conta novidades quando deve simplesmente cortar o cabelo. O jornalista é espirituoso quando deve simplesmente contar novidades. Aqui estão dois que aspiram mais alto.</p>
<p>413- Jornais humorísticos são uma prova de que o filisteu não tem humor. Eles são parte do sério da vida, como a bebida é parte da refeição. – Traga-me todos os jornais humorísticos – ordena ao garçom um imbecil cheio de cuidados e se esforça para que um sorriso surja em seu rosto. É preciso que o humor que não possui lhe chegue de todos os recantos da vida, e desdenharia mesmo uma caixa de fósforos que não trouxesse um gracejo no rótulo. Li numa dessas caixas: O aprendiz (que comprou uma salsicha embrulhada casualmente num poema): – Muito bem! Primeiro como a salsicha para nutrir o corpo, depois leio o poema para nutrir o espírito. – Tais coisas alegram o filisteu, que nem mesmo percebe o método do aprendiz como alusão.</p>
<p>414 &#8211; O espiritismo é a metafísica dos companheiros de mesa. É compreensível que se deva sacudir primeiro uma mesa de frequentadores se a meta é que o espírito se apresente. O desmascaramento de um médium é uma diversão para aqueles que, de outro modo, conseguem quando muito desmascarar um mirão. O espiritismo é o delírio dos paquidermes. Só as pessoas a quem a espiritualização está tão longe da matéria quanto o funambulismo do elefante sucumbirão com o tempo à necessidade de materializar os espíritos.</p>
<p>415. Há falta de caixeiros. Todos correm para o jornalismo.</p>
<p>416 &#8211; O descanso dominical cristão deveria pelo menos poder ser usado para reflexão. Inclusive para a reflexão sobre o descanso dominical. Daí deveria resultar o reconhecimento de como é necessária a completa automatização da vida exterior. Quem hoje goza o descanso dominical? Além dos vendedores, as mercadorias. Para os compradores, ele cria incômodos. No domingo, os charutos repousam nas tabacarias, as frutas nas quitandas e o presunto nas mercearias. Passam bem. Mas nós também queremos passar bem, e justamente no domingo nos privam dos charutos, das frutas e do presunto. Se a santificação do domingo consistisse na abstinência dos meios de prazer, o descanso dominical dos meios de prazer faria sentido. Como ela pretende apenas aliviar os vendedores, ela é antissocial, certamente não em sua tendência, mas em sua consequência. Com efeito, neste país seria até possível que as máquinas automáticas não funcionassem aos domingos, porque é precisamente descanso dominical, e nos dias úteis, porque estão avariadas.</p>
<p>417 &#8211; Que padeiros e professores façam greve é algo que tem sentido. Mas se recusar a receber o alimento corpóreo ou espiritual é grotesco. A não ser que isto ocorra porque se suspeita que o alimento esteja adulterado. A coisa mais ridícula do mundo é uma greve de fome cultural. Estou de acordo com o fechamento das universidades; mas ele não deve ocorrer por meio de greve. Tal fechamento deve ser concedido espontaneamente, não obtido à força.</p>
<p>418 &#8211; Quando um príncipe deve ser homenageado, fecham-se as escolas, paralisa-se o trabalho e interrompe-se o trânsito.</p>
<p>419 &#8211; A ortodoxia da razão estupidifica mais a humanidade que qualquer religião. Enquanto pudermos imaginar um paraíso, as coisas estarão bem melhores para nós do que se tivermos de viver exclusivamente na realidade de uma redação de jornal. Nela, podemos honrar a crença de que o homem descende do macaco. Mas seria uma pena ter curado uma loucura que também era uma obra de arte.</p>
<p>420 &#8211; Se, de repente, um padre declara que não acredita no paraíso e que jamais desmentirá tal declaração, então se entusiasma a imprensa liberal, cujos redatores, como se sabe, por nenhum preço renunciam à sua convicção. Mas será que um papa da imprensa não dispensaria imediatamente, <em>a divinis</em>, um empregado a quem ocorresse a idéia de reconhecer ante os leitores que acredita no paraíso? Este é o espetáculo mais repugnante oferecido pela modernidade: um padre possuído pelo demônio da razão cercado pelos latidos dos cães da imprensa aos quais ele lança a costela de Adão.</p>
<p>421 &#8211; É para mim enigmático como um teólogo possa ser louvado por ter conseguido, após muito esforço, não mais acreditar nos dogmas. O verdadeiro reconhecimento como herói sempre me pareceu ser mérito daqueles que conseguiram, após muito esforço, acreditar nos dogmas.</p>
<p>422- Para quem o acreditar não significa mais do que o não saber nada, é possível sacudir ostensivamente a cabeça sobre os dogmas. Mas é deplorável ter de se superar para chegar a um pon­to de vista que um professor auxiliar de física chegou há muito tempo.</p>
<p>423 &#8211; Os modernistas são os únicos católicos ortodoxos que ainda existem. Acreditam mesmo que a Igreja acredita nos dogmas que proclama e acreditam que o que importa é a crença daqueles que têm de difundi-la.</p>
<p>424 &#8211; O clericalismo é o reconhecimento de que o outro não é religioso.</p>
<p>425 &#8211; Ainda hoje em Echternach, Luxemburgo, se celebram as chamadas &#8220;procissões do salto&#8221;. Como, outrora, o gado foi acometido pela dança de São Guido, os camponeses locais fizeram então promessa de, em lugar do gado, saltar em louvor de São Willibrord. Hoje nem homens nem gado sabem as causas de tão singular cerimônia, mas aqueles se mantêm fiéis a ela e se a força do hábito se conservar entre os habitantes de Echternach, então talvez um dia será de novo a vez de o gado saltar em louvor a São Willibrord. Ainda hoje são os homens, quase quinze mil, que, por volta de Pentecostes, saltam &#8220;três passos para frente, dois passos para trás&#8221;. O clero não salta junto, mas observa. Ele não se satisfaz inteiramente com o espetáculo; pois preferiria que fossem dois passos para frente e três para trás.</p>
<p>426 &#8211; Ainda é possível se curar em Lourdes. Mas que milagre se pode esperar de um neurologista?</p>
<p>427 &#8211; O psiquiatra está para o psicólogo assim como o astrólogo para o astrônomo. O fator astrológico desde sempre desempenhou um papel na ciência psiquiátrica. Primeiro, nossas ações eram determinadas pela posição dos corpos celestes. Depois, os astros de nosso destino se encontravam em nosso seio. Depois veio a teoria da hereditariedade. Agora, os astros de nosso destino estão no seio de nossa ama-de-leite, pois se ela agrada ao lactente, isto é determinante para o resto de sua vida. Tornamos as impressões sexuais da infância responsáveis por tudo o que acontece depois. Foi louvável acabar com a crença de que a sexualidade só começa depois da maturidade. Mas não se deve exagerar. Mesmo que tenham passado os tempos em que se praticava a abstinência de conhecimentos, não é por isso que se deve se entregar desenfreadamente ao prazer da investigação sexual. – Meu pai – ironiza o bastardo de Gloucester [Em Rei Lear, de Shakespeare] – se uniu à minha mãe sob a Cauda do Dragão, a hora do meu nascimento está sob a Ursa Maior; segue-se, portanto, que tenho de ser rude e lascivo. – E, no entanto, era mais belo depender do Sol, da Lua e das estrelas do que das forças do destino do intelectualismo!</p>
<p>428 &#8211; A ciência mais antiga se negava a reconhecer o instinto sexual nos adultos. A nova ciência aceita que já o lactente experimenta a voluptuosidade no berço. A concepção antiga era melhor. Pois, ao menos, certas declarações dos envolvidos a contradiziam.</p>
<p>429 &#8211; Os novos investigadores da alma dizem que tudo deve ser atribuído a causas sexuais. Por exemplo, podíamos explicar seu método como um erotismo de confessor.</p>
<p>430 &#8211; Aos neurologistas que nos transformam em caso patológico o gênio, deveríamos quebrar a caixa craniana com as obras com as obras completas deste. Não se deve proceder de outra forma com os representantes da humanidade que deploram a vivissecção de cobaias e deixam que se usem obras de arte para fins experimentais. A todos aqueles propensos a comprovar que a imortalidade se reduz a uma paranoia, a todos os auxiliares racionalistas da humanidade normal que a tranquilizam que ela não se inclina para obras do espírito e da imaginação, pisemos-lhes o rosto com a sola do sapato onde quer que nos apoderemos deles. Sha­kespeare, um louco? Então, que a humanidade caia de joelhos e, temerosa de seu próprio estado de saúde, implore mais loucura ao Criador!</p>
<p>431 &#8211; Patologia nervosa: se não falta nada a alguém, a melhor maneira de curá-lo desse estado é lhe dizer qual doença ele tem.</p>
<p>432 &#8211; Os neurologistas modernos transformam o doente em conselheiro. O doente adquire uma autoconsciência do inconsciente que é sem dúvida elevada, mas não exatamente auspiciosa. Ao invés de ser enxotado do forno dos problemas, ele é contido para tos­tar ali; ao invés de distanciamento, cria-se uma intimidade com os seus padecimentos, uma espécie de orgulho dos sintomas que, no caso mais favorável, coloca o paciente em condições de empreender curas psíquicas em outros que não obtiveram melhor resultado. No todo, um método que, a olhos vistos, torna mais rapidamente um leigo num perito do que um doente numa pessoa sadia. Pois é como fator de cura que atua essa ob­servação de si mesmo, a qual é precisamente a doença. No en­tanto, ela não é nenhum soro para a alma.</p>
<p>433 &#8211; Com que falta de perspectiva a medicina descreve os sintomas de uma doença! Eles sempre se adéquam aos males imaginados.</p>
<p>434 &#8211; O Momo papão é um expediente pedagógico indispensável na vida fa­miliar alemã. Com adultos, o meio de amedrontá-los é ameaçar chamar o psiquiatra.</p>
<p>435 &#8211; Os loucos são sempre reconhecidos como tais pelos psiquiatras quando, depois de involuntariamente internados, exibem um comportamento exaltado.</p>
<p>436 &#8211; A diferença entre os psiquiatras e outros doentes mentais é mais ou menos a relação entre a demência côncava e a convexa.</p>
<p>437 &#8211; Os pedantes continuam só podendo ler da direita para a esquerda: vêem a vida como névoa. </p>
<p>438 &#8211; A ciência não lança pontes sobre os abismos do pensar; está à frente apenas como placa de advertência. Os infratores têm de responsabilizar a si próprios.</p>
<p>439 &#8211; Sob o signo da alucinação, cambalear pela vida – este poderia ainda ser um caminho mais íntegro que o do iniciado que segue apalpando ao longo dos abismos.</p>
<p>440 &#8211; A religião é chamada visão de mundo comprometida. Mas ela está comprometida no universo, e o liberalismo está livre no distrito.</p>
<p>441 &#8211; Se numa cidade a estupidez se alastra, que ela seja declarada contaminada. Mas então nenhum caso pode ser encoberto. Pois facilmente pode ocorrer que um imbecil entre e saia de uma casa em que habitam crianças. Em épocas como esta, recomenda-se o fechamento das escolas, não, como se poderia supor, a abertura de escolas.</p>
<p>442 &#8211; Que cultura é a essência daquilo que se esqueceu, é uma boa percepção. Além disso, cultura é uma doença e um fardo para o ambiente da pessoa educada. Uma reforma do ensino que trabalhe pela abolição das línguas mortas com a argumentação de elas justamente não servem para a vida é ridícula. Só se precisássemos delas para a vida é que elas deviam ser abolidas. Certamente, elas não nos ajudarão a perguntar um dia nosso caminho através dos monumentos em Roma ou Atenas. Mas plantam em nós a capacidade de imaginá-los. A escola não serve para o acúmulo de saber prático. A matemática, porém, purifica as vias cerebrais, e, mesmo quando temos de decorar as datas que, logo após a saída, serão esquecidas, não estamos fazendo nada de inútil. Falho é apenas o ensino da língua alemã. Mas, em compensação, a língua alemã pode ser aprendida por intermédio do latim, que ainda tem esse valor especial. Quem faz boas composições em alemão, tornar-se-á um caixeiro alemão. Quem faz más composições, mas é aprovado em latim, talvez se torne um escritor alemão. O que a escola é capaz de fazer é descartar aquela bruma das coisas vivas da qual brota a individualidade. Se, passados muitos anos, alguém ainda sabe de que drama clássico e de que ato provém uma citação, então a escola fracassou em seu objetivo. Mas se esta pessoa sente onde a citação poderia estar, então ela é verdadeiramente cultivada, e a escola alcançou integralmente seu objetivo.</p>
<p>443 &#8211; Não era a palmatória que tinha de ser abolida, mas o professor que a emprega mal. Como todo remendo humanitário, esta reforma do ensino é uma vitória sobre a imaginação. Os mesmos professores, que até aqui não foram capazes de formar uma opinião sem um livro escolar, deverão agora se concentrar afetuo­samente na individualidade do aluno. A humanidade afastou o pesadelo do medo da &#8220;convocação&#8221;, mas a vida estudantil sem perigo será ainda mais insuportável que a vida estudantil perigosa. Entre &#8220;excelente&#8221; e &#8220;inteiramente insuficiente&#8221; havia margem para vivências românticas. Não gostaria de ter de enxugar de minha recordação o suor pelos troféus da infância. Com a punição se foi também o estímulo. O colegial vive sem ambição como um filósofo sorridente e entra sem preparo no arrivismo da vida, que seu caráter outrora antecipara sem perigo, como o corpo vacinado à varíola. Ele provara todos os peri­gos da vida até o suicídio. Ao invés de expulsarem os professores que, para ele, fizeram o jogo dos perigos se tornar coisa séria, decreta-se a seriedade da vida ordenada. Antes, os alunos vivenciavam a escola; agora têm de se deixar formar por ela. Com os arrepios, expulsou-se também a beleza, e o jovem espí­rito se encontra ante a parede de cal de um céu protestante. Os suicídios de estudantes – cujo motivo era a estupidez de pais e mestres – cessarão, e o tédio permanecerá como motivo legítimo para o suicídio.</p>
<p>444 &#8211; Uma cultura extensa é uma drogaria bem provida; mas não há nenhuma segurança de que o cianeto de potássio não será dado para um resfriado.</p>
<p>445 &#8211; Se alguém é considerado possuidor de uma cultura universal, talvez ainda tenha uma grande chance na vida: não possuir, afinal, uma cultura universal, apesar disso.</p>
<p>446 &#8211; Ora, então não há garantia contra o erro de impressão que, tantas vezes quanto for preciso falar de uma erudição estúpida, a transforme  numa estupenda?</p>
<p>447 &#8211; Numa cabeça oca entra muito saber.</p>
<p>448 &#8211; A cultura pende no seu corpo como a roupa num modelo de alfaiate. Na melhor das hipóteses, tais eruditos são manequins de moda  do progresso.</p>
<p>449 &#8211; Homens da ciência! Fala-se muita coisa sobre ela, mas quase sempre sem razão.</p>
<p>450 &#8211; O valor da  cultura se manifesta mais claramente quando os homens cultos tomam a palavra para falar de um problema fora de seu domínio cultural.</p>
<p>451 &#8211; Disputa-se há muito tempo se Goethe ou Schiller é o mais popular entre os alemães. E, no entanto, com suas palavras &#8220;Franz se chama a canalha”, Schiller não exerceu nem de longe o profundo efeito que, por força de sua redação geral, estava reservada a frase que o Goetz, de Goethe, dirige ao capitão. Ora, já que há décadas não se passa um dia de audiência sem que os relatórios não se refiram ao fato de que o acusado endereçou ao queixoso a &#8220;conhecida intimação do Goetz, de Goethe&#8221;, fica claro que, entre os alemães, a fama de Goethe e mais sólida. A maneira como o povo homenageia seus intelectos não resulta apenas do fato de ter descoberto rapidamente nas obras de Goethe a passagem que parece a mais saborosa à língua alemã, mas também do fato de que hoje ninguém mais é tão inculto para utilizar a locução sem se referir a Goethe.</p>
<p>452 &#8211; Graças à lavagem normal, o elevado pensamento alemão tomou, através da unidade, o caminho da sujidade.</p>
<p>453 &#8211; Os alemães se sentam à mesa de uma cultura na qual o fanfarrão é o mestre-cuca.</p>
<p>454 &#8211; Seja manufatura ou literatura, jurisprudência ou música, medicina ou teatro: ante a onipotência do burocrata não há, no mundo do Espírito Santo, escape.</p>
<p>455 &#8211; Originalmente destinado ao comércio, dedicou-se mais tarde, com efeito, à literatura.</p>
<p>456 &#8211; O novo Siegfried. Na imensa transformação da idéia anteriormente associada a esse nome, é possível reconhecer a superioridade de seu portador atual. Sua pele não tem mais um ponto que não seja caloso, e ele conhece o caminho do tesouro melhor que o outro, pois tem o mapa.</p>
<p>457 &#8211; Chegará o tempo em que o tosão de ouro será coberto pelo bezerro de ouro.</p>
<p>458 &#8211; E se fosse o caso obter uma condecoração com a indulgência dos direitos humanos, nossos contemporâneos se esfolariam os pés. O que os prende à sociedade são galões, e os seus excluídos são mártires que não receberam nenhuma cruz. Esta é a velha lengalenga da estupidez que gostaria de ser vista se, como reconhecimento de sua contribuição para o fim do mundo, uma estrela lhe caísse sobre a cabeça.</p>
<p>459 &#8211; Com frequência as pessoas sonham que podem voar. Agora é a humanidade que sonha com isso; mas ela fala muito durante o sono.</p>
<p>460 &#8211; A Terra se mobiliza desde que os seres humanos empreendem a conquista do ar.</p>
<p>461 &#8211; A natureza exorta a uma reflexão sobre uma vida assentada sobre exterioridades. Por toda parte manifesta-se uma insatisfação cósmica; neve no verão e calor no inverno são demonstrações contra o materialismo que transforma a existência num leito de Procusto, que trata as doenças psíquicas como dor de barriga e que quer deformar o semblante da natureza onde quer que distinga seus traços: na natureza, na mulher e no artista. Um mundo que suportaria seu próprio fim, contanto que não se lhe recuse a exibição cinematográfica deste, não pode ser amedrontado com o incompreensível. Mas aqui nós aceitamos facilmente um terremoto como um protesto contra as conquistas do progresso, e não duvidamos, em nenhum instante, da possibilidade de que um excesso de estupidez humana possa enfurecer os elementos.</p>
<p>462 &#8211; Depois do fim de Messina: dá certo sossego sentir essa fúria da natureza contra a civilização como um dócil protesto contra as destruições provocadas pela civilização na natureza. O que a civilização fez das florestas, o que fez das mulheres! Por meio de uma grandiosa homenagem, a natureza se deixaria apaziguar, por meio de uma festa sacrifical da generosidade para um fim generoso. Que o amor cristão se esqueça de ser cristão! Samaritanas, aproximai-vos! Samaritanos, aproximai-vos! Aproximai-vos todos vós que só dais a contragosto! É possível substituir povos inteiros num dia. É possível acumular riquezas e erguer cidades num dia. Um dia para celebrar num mundo inteiro preenchido por lamentos fúnebres.</p>
<p>463 &#8211; A tarefa da religião: consolar a humanidade que caminha pa­ra a forca; a tarefa da política: torná-la desgostosa da vida; a tarefa do humanismo: abreviar a sua espera pela forca e envenenar a comida do carrasco.</p>
<p><strong>Notas explicativas para alguns aforismos<br />
</strong>(Com base nas notas da tradução brasileira, de Márcio Suzuki e Werner Loewenberg. e nas notas da tradução para o inglês, de Jonathan McVity)</p>
<p>388 &#8211; Exolftalmia é a projeção do globo ocular para fora de sua órbita; uma abertura exagerada dos olhos. CTC</p>
<p>392 &#8211; Otto von Bismarck (1815-1898) foi o &#8220;chanceler de ferro&#8221; que unificou a Alemanha sob a liderança da Prússia. CTC</p>
<p>394 &#8211; Conforme Jonathan McVity, alguns amantes da ópera desprezam Karl Kraus porque ele gostava da obra do prolífico compositor alemão Jacques Offenbach (1819-1880), considerado o pai da opereta francesa e um dos mais populares compositores do século XIX. As referências de Kraus neste aforismo são de operetas de Offenbach. CTC</p>
<p>396 &#8211; A frase entre aspas é de Hamlet: &#8220;And makes us rather bear those ills we have, than fly to others that we know not of&#8221;. Está na mesma fala do &#8220;Ser ou não ser&#8230;&#8221; Usei nesta adaptação a tradução de Millôr Fernandes. (Porto Alegre: L&amp;PM, 2002, p. 63). CTC</p>
<p>398 &#8211; Páthos é paixão em grego. A palavra é usada para exprimir sentimentos de dó, compaixão, simpatia, piedade ou melancolia provocados por obra literária ou artística. CTC</p>
<p>406 &#8211; No original, <em>ein X fur ein U vormachen</em>: expressão idiomática significando lograr, enganar. (Nota da edição brasileira)</p>
<p>408 &#8211; Sublime Porta é o nome dado ao governo otomano, no tempo dos sultões. (Nota da edição brasileira)</p>
<p>413 &#8211; Filisteu, conforme o Aurélio, se refere ao povo não semita e inimigo dos hebreus que habitava a Filistéia, ou Palestina, desde o século XII a.C. Pejorativamente, é usado para definir pessoas incultas e cujos interesses são estritamente materiais, vulgares, convencionais. CTC</p>
<p>420 &#8211; <em>A divinis</em> = como uma divindade. CTC</p>
<p>425 &#8211; A Dança de São Guido, também conhecida como Coréia, é uma doença nervosa e reumática que provoca movimentos involuntários e irregulares &#8211; como caretas. O monastério de Echternach foi fundado por Santo Willibrord (658-739). CTC</p>
<p>427 &#8211; O vilão e filho bastardo do Conde de Gloucester se chama Edmundo, personagens de <em>Rei Lear</em>, de Shakespeare. CTC</p>
<p>428 &#8211; Segundo McVity, depois uma aproximação inicial com Sigmund Freud, Kraus acabou se tornando um dos críticos contemporâneos mais amargos da psicanálise. Em troca, os psicanalistas ridicularizaram Kraus e seus seguidores, tachados de sádicos. CTC</p>
<p>437 &#8211; Jogo de palavras entre <em>Leben</em> (vida) e <em>Nebel</em> (névoa). (Nota da edição brasileira)</p>
<p>451 &#8211; Referências aos livros <em>Os Bandoleiros</em>, de Schiller e <em>Gotz von Berlichigen</em>, de Goethe.  A frase de Gotz, numa tradução livre do inglês, é essa:  “Diga isso ao capitão: como sempre, eu tenho todo o respeito por sua Majestade Imperial. Mas por ele,  diga a ele que ele pode me puxar o saco”. CTC</p>
<p>452 &#8211; Jogo de palavras entre <em>Einheit</em> (unidade) e <em>Unreinheit</em> (sujidade). (Nota da edição brasileira)</p>
<p>454 &#8211; Em alemão, Kommis significa também caixeiro, empregado de comércio. (Nota da edição brasileira)</p>
<p>455 &#8211; McVity diz que Kraus refere-se a Heinrich Heine (1797-1856), poeta, jornalista e satírico alemão, e que ambos, Kraus e Heine, provêm de famílias de negócios e se dedicaram às letras, mas Heine faliu como empresário antes de ir para a universidade. CTC</p>
<p>456 &#8211; Nobre teutônico da mitologia germânica, um órfão que se transformou em herói, Siegfried, entre outras façanhas, matou o dragão que guardava o tesouro dos Nibelungos. Para ficar invulnerável, untou o corpo com o sangue do dragão, exceto num ponto das costas. (Nota da edição brasileira e de CTC)</p>
<p>461 &#8211; Procusto é personagem da mitologia grega. Possuía uma cama de ferro feita em função de suas medidas. Seus hóspedes eram convidados a se deitarem nela. Se eram maiores do que a cama, Procusto amputava do hóspede o que sobrava. Se eram menores, ele esticava-os até caberem na medida. Capturado por Teseu, foi preso lateralmente na cama e perdeu a cabeça e os pés, do mesmo jeito que fazia com seus hóspedes.</p>
<p>466 &#8211; A cidade de Messina, na Sicília, foi arrasada por terremotos em 1783 e 1908.</p>
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		<title>A sociedade do espetáculo</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 17:00:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PRIMEIRO CAPÍTULO DE A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO, DE GUI DEBORD. TRADUÇÃO DE ESTELA DOS SANTOS ABREU. RIO DE JANEIRO: CONTRAPONTO, 2002.
Por Gui Debord
Capítulo I
A separação consumada
&#8220;E sem dúvida o nosso tempo&#8230; prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser&#8230; Ele considera que a ilusão é sagrada, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>PRIMEIRO CAPÍTULO DE <em>A SOCIEDADE DO ESPETÁCULO</em>, DE GUI DEBORD. TRADUÇÃO DE ESTELA DOS SANTOS ABREU. RIO DE JANEIRO: CONTRAPONTO, 2002.</p>
<p><strong>Por Gui Debord</strong></p>
<p>Capítulo I</p>
<p><strong>A separação consumada</strong></p>
<p>&#8220;E sem dúvida o nosso tempo&#8230; prefere a imagem à coisa, a cópia ao original, a representação à realidade, a aparência ao ser&#8230; Ele considera que a ilusão é sagrada, e a verdade é profana. E mais: a seus olhos o sagrado aumenta à medida que a verdade decresce e a ilusão cresce, a tal ponto que, para ele, o cúmulo da ilusão fica sendo o cúmulo do sagrado.&#8221; Feuerbach (Prefácio da segunda edição de <em>A essência do cristianismo</em>)</p>
<p>1</p>
<p>Toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de <em>espetáculos</em>. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação.</p>
<p>2</p>
<p>As imagens que se destacaram de cada aspecto da vida fundem-se num fluxo comum, no qual a unidade dessa mesma vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada <em>parcialmente</em> apresenta-se em sua própria unidade geral como um pseudomundo <em>à parte</em>, objeto de mera contemplação. A especialização das imagens do mundo se realiza no mundo da imagem autonornizada, no qual o mentiroso mentiu para si mesmo. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo.</p>
<p>3</p>
<p>O espetáculo apresenta-se ao mesmo tempo como a própria sociedade, como uma parte da sociedade e como <em>instrumento</em> <em>de unificação</em>. Como parte da sociedade,ele é expressamente o setor que concentra todo olhar e toda consciência. Pelo fato de esse setor estar <em>separado</em>, ele é o lugar do olhar iludido e da falsa consciência; a unificação que realiza é tão-somente a linguagem oficial da separação generalizada.</p>
<p>4</p>
<p>O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.</p>
<p>5<br />
 <br />
O espetáculo não pode ser compreendido como o abuso de um mundo da visão, o produto da técnicas de difusão maciça das imagens. Ele é uma <em>Weltanschauung</em> que se tornou efetiva, materialmente traduzida. É uma visão de mundo que se objetivou.</p>
<p>6</p>
<p>Considerado em sua totalidade, o espetáculo é ao mesmo tempo o resultado e o projeto do modo de produção existente. Não é um suplemento do mundo real, uma decoração que lhe é acrescentada. É o âmago do irrealismo da sociedade real. Sob todas as suas formas particulares &#8211; informação ou propaganda, publicidade ou consumo direto de divertimentos -, o espetáculo constitui o <em>modelo</em> atual da vida dominante na sociedade. É a afirmação onipresente da escolha <em>já feita</em> na produção, e o consumo que decorre dessa escolha. Forma e conteúdo do espetáculo são, de modo idêntico, a justificativa total das condições e dos fins do sistema existente. O espetáculo também é a <em>presença permanente</em> dessa justificativa, como ocupação da maior parte do tempo vivido fora da produção moderna.<br />
 <br />
7</p>
<p>A própria separação faz parte da unidade do mundo, da práxis social global que se cindiu em realidade e em imagem. A prática social, diante da qual se coloca o espetáculo autônomo, é também a totalidade real que contém o espetáculo. Mas a cisão dessa totalidade a mutila a ponto de fazer parecer que o espetáculo é seu objetivo. A linguagem do espetáculo é constituída de <em>sinais</em> da produção reinante, que são ao mesmo tempo a finalidade última dessa produção.<br />
  <br />
8</p>
<p>Não é possível fazer uma oposição abstrata entre o espetáculo e a atividade social efetiva: esse desdobramento também é desdobrado. O espetáculo que inverte o real é efetivamente um produto. Ao mesmo tempo, a realidade vivida é materialmente invadida pela contemplação do espetáculo e retoma em si a ordem espetacular à qual adere de forma positiva. A realidade objetiva está presente dos dois lados. Assim estabelecida, cada noção só se fundamenta em sua passagem para o oposto: a realidade surge no espetáculo, e o espetáculo é real. Essa alienação recíproca é a essência e a base da sociedade existente.</p>
<p>9</p>
<p>No mundo <em>realmente invertido</em>, a verdade é um momento do que é falso.</p>
<p>10</p>
<p>O conceito de espetáculo unifica e explica uma grande diversidade de fenômenos aparentes. Suas diversidade e contrastes são as aparências dessa aparência organizada socialmente, que deve ser reconhecida em sua verdade geral. Considerado de acordo com seus próprios termos, o espetáculo é a <em>afirmação</em> da aparência e a afirmação de toda vida humana &#8211; isto é, social &#8211; como simples aparência. Mas a crítica que atinge a verdade do espetáculo o descobre como a negação visível da vida; como negação da vida que <em>se tornou visível</em>.</p>
<p>11<br />
 <br />
Para descrever o espetáculo, sua formação, suas funções e as forças que tendem a dissolvê-lo, é preciso fazer uma distinção artificial de elementos inseparáveis. Ao <em>analisar</em> o espetáculo, fala-se de certa forma a própria linguagem do espetacular, ou seja, passa-se para o terreno metodológico dessa sociedade que se expressa pelo espetáculo. Mas o espetáculo nada mais é que o <em>sentido</em> de uma prática total de uma formação econômico-social, o seu <em>emprego do tempo</em>. É o momento histórico que nos contém.</p>
<p>12</p>
<p>O espetáculo se apresenta como uma enorme positividade, indiscutível e inacessível. Não diz nada além de &#8220;o que aparece é bom, o que é bom aparece&#8221;. A atitude que por princípio ele exige é a da aceitação passiva que, de fato, ele já obteve por seu modo de aparecer sem réplica, por seu monopólio da aparência.<br />
 <br />
13</p>
<p>O caráter fundamentalmente tautológico do espetáculo decorre do simples fato de seus meios serem, ao mesmo tempo, seu fim. É o sol que nunca se põe no império da passividade moderna. Recobre toda a superficie do mundo e está indefinidamente impregnado de sua própria glória.<br />
 <br />
14</p>
<p>A sociedade que se baseia na indústria moderna não é fortuita ou superficialmente espetacular, ela é fundamentalmente <em>espetaculoísta</em>. No espetáculo, imagem da economia reinante, o fim não é nada, o desenrolar é tudo. O espetáculo não deseja chegar a nada que não seja eme mesmo. <br />
 <br />
15</p>
<p>Como indispensável adorno dos objetos produzidos agora, como demonstração geral da racionalidade do sistema, e como setor econômico avançado que molda diretamente uma multidão crescente de imagens-objetos, o espetáculo é a <em>principal produção</em> da sociedade atual.<br />
 <br />
16</p>
<p>O espetáculo domina os homens vivos quando a economia já os dominou totalmente. Ele nada mais é que a economia desenvolvendo-se por si mesma. É o reflexo fiel da produção das coisas, e a objetivação infiel dos produtores.<br />
 <br />
17</p>
<p>A primeira fase da dominação da economia sobre a vida social acarretou, no modo de definir toda realização humana, uma evidente degradação do <em>ser</em> para o <em>ter</em>. A fase atual, em que a vida social está totalmente tomada pelos resultados acumulados da economia, leva a um deslizamento generali­zado do <em>ter</em> para o <em>parecer</em>, do qual todo &#8220;ter&#8221; efetivo deve extrair seu prestígio imediato e sua função Última. Ao mesmo tempo, toda realidade individual tornou-se social, diretamente dependente da força social, moldada por ela. Só lhe é permitido aparecer naquilo que ela <em>não é</em>.</p>
<p>18</p>
<p>Quando o mundo real se transforma em simples imagens, as simples imagens tornam-se seres reais e motivações eficientes de um comportamento hipnótico. O espetáculo, como tendência a <em>fazer ver</em> (por diferentes mediações especializadas) o mundo que já não se pode tocar diretamente, serve-se da visão como o sentido privilegiado da pessoa humana ­ o que em outras épocas fora o tato; o sentido mais abstrato, e mais sujeito à mistificação, corresponde à abstração generalizada da sociedade atual. Mas o espetáculo não pode ser identificado pelo simples olhar, mesmo que este esteja acoplado à escuta. Ele escapa à atividade do homem, à reconsideração e à correção de sua obra. É o contrário do diálogo. Sempre que haja <em>representação</em> independente, o espetáculo se reconstitui.</p>
<p>19</p>
<p>O espetáculo é o herdeiro de toda a <em>fraqueza</em> do projeto filosófico ocidental, que foi um modo de compreender a atividade&#8221; dominado pelas categorias do <em>ver</em>; da mesma forma, ele se baseia na incessante exibição da racionalidade técnica específica que decorreu desse pensamento. Ele não realiza a filosofia, filosofiza a realidade. A vida concreta de todos se degradou em universo <em>especulativo</em>. </p>
<p>20</p>
<p>A filosofia, como poder do pensamento separado e pensamento do poder separado, jamais conseguiu, por si só, superar a teologia. O espetáculo é a reconstrução material da ilusão re1igiosa. A técnica espetacular não dissipou as nuvens religiosas em que os homens haviam colocado suas potencialidades, desligadas deles: ela apenas os ligou a urna base terrestre. Desse modo, é a vida mais terrestre que se torna opaca e irrespirável. Ela já não remete para o céu, mas abriga dentro de si sua recusa absoluta, seu paraíso ilusório. O espetáculo é a realização técnica do exílio, para o além, das potencialidades do homem; a cisão consumada no interior do homem.</p>
<p>21</p>
<p>À medida que a necessidade se encontra socialmente sonhada o sonho se torna nece sário. O espetáculo é o sonho mau da sociedade moderna aprisionada, que só expressa afinal o seu desejo de dormir. O espetáculo é o guarda desse sono.<br />
 <br />
22</p>
<p>O fato de a força prática da sociedade moderna ter-se desligado dela e de ter-se edificado um império independente no espetáculo só pode ser explicado por um outro fato: o de faltar coesão a essa prática poderosa, que permanece em contradição consigo mesma.</p>
<p>23</p>
<p>A mais velha especialização social, a especialização do poder, encontra-se na raiz do espetáculo. Assim, o espetáculo é uma atividade especializada que responde por todas as outras. É a representação diplomática da sociedade hierárquica diante de si mesma, na qual toda outra fala é banida. No caso, o mais moderno é também o mais arcaico.</p>
<p>24</p>
<p>O espetáculo é o discurso ininterrupto que a ordem atual faz a respeito de si mesma, seu monólogo laudatório. É o autoretrato do poder na época de sua gestão totalitária das condições de existência. A aparência fetichista de pura objetividade nas relações espetaculares esconde o seu caráter de relação entre homens e entre classes: parece que uma segunda natureza domina, com leis fatais, o meio em que vivemos. Mas o espetáculo não é o produto necessário do desenvolvimento técnico, visto como desenvolvimento <em>natural</em>. Ao contrário, a sociedade do espetáculo é a forma que escolhe seu próprio conteúdo técnico. Se o espetáculo, tomado sob o aspecto restrito dos &#8220;meios de comunicação de massa&#8221;, que são sua manifestação superficial mais esmagadora, dá a impressão de invadir a sociedade como simples instrumentação, tal instrumentação nada tem de neutra: ela convém ao automovimento total da sociedade. Se as necessidades sociais da época na qual se desenvolvem essas técnicas só podem encontrar satisfação com sua mediação, se a administração dessa sociedade e qualquer contato entre os homens só se podem exercer por intermédio dessa força de comunicação instantânea, porque essa &#8220;comunicação&#8221; é essencialmente unilateral; sua concentração equivale a acumular nas mãos da administração do sistema os meios que lhe permitem prosseguir nessa precisa administração. A cisão generalizada do espetáculo é inseparável do <em>Estado</em> moderno, isto é, da forma geral da cisão na sociedade, produto da divisão do trabalho social e órgão da dominação de classe.</p>
<p>25</p>
<p>A <em>separação</em> é o alfa e o ômega do espetáculo. A institucionalização da divisão social do trabalho e a formação de classes tinham construído uma primeira contemplação sagrada, a ordem mítica de que todo poder se cerca desde a origem. O sagrado justificou o ordenamento cósmico e ontológico que correspondia aos interesses dos senhores, explicou e embelezou o que a sociedade <em>não podia fazer</em>. Todo poder separado foi, portanto, espetacular, mas a adesão de todos a tal imagem imóvel significava apenas o reconhecimento comum, na pobreza, de um prolongamento imaginário da atividade social real, ainda amplamente percebida como condição unitária. Já o espetáculo moderno expressa o que a sociedade <em>pode</em> <em>fazer</em>, mas nessa expressão o <em>permitido</em> opõe-se de todo ao <em>possível</em>. O espetáculo é a conservação da inconsciência na mudança prática das condições de existência. Ele é seu próprio produto, e foi ele quem determinou as regras; é um pseudo-sagrado. Mostra o que ele <em>é</em>: o poder separado desenvolvendo-se em si mesmo, no crescimento da produtividade por meio do refinamento incessante da divisão do trabalho em gestos parcelares, dominados pelo movimento independente das máquinas; e trabalhando para um mercado cada vez mais ampliado. Toda comunidade e todo senso crítico dissolveram-se ao longo desse movimento, no qual as forças que conseguiram crescer ao se separar ainda não se <em>encontraram</em>.</p>
<p>26</p>
<p>Com a separação generalizada entre o trabalhador e o que ele produz, perdem-se todo ponto de vista unitário sobre a atividade realizada, toda comunicação pessoal direta entre os produtores. Seguindo o progresso da acumulação dos produtos separados, e da concentração do processo produtivo, a unidade e a comunicação tornam-se atributo exclusivo da direção do sistema. A vitória do sistema econômico da separação é a <em>proletarização</em> do mundo.</p>
<p>27</p>
<p>Pela vitória da produção separada como produção do separado, a experiência fundamental, que nas sociedades primitivas estava ligada a um trabalho principal, está em vias de deslocamento em direção ao pólo de esenvolvimento do sistema, ao não-trabalho, à inatividade. Mas essa inatividade não está liberada da atividade produtora: depende dela, é uma submissão inquieta e admirativa às necessidades e aos resultados da produção; a própria inatividade é um produto da racionalidade da produção. Aí não pode haver liberdade fora da atividade, e no âmbito do espetáculo toda atividade é negada, assim como a atividade real foi integralmente subtraída para a edificação global desse resultado. Por isso, a atual &#8220;liberação do trabalho&#8221;, o aumento do lazer, não significa de modo algum liberação no trabalho, nem liberação em um mundo moldado por esse trabalho. Nada da atividade roubada no trabalho pode ser encontrado na submissão a seu resultado.<br />
 <br />
28<br />
 <br />
O sistema econômico fundado no isolamento é uma <em>produção circular do isolamento</em>. O isolamento fundamenta a técnica; reciprocamente, o processo técnico isola. Do automóvel à televisão, todos os <em>bens selecionados</em> pelo sistema espetacular são também suas armas para o reforço constante das condições de isolamento das &#8220;multidões solitárias&#8221;. O espetáculo encontra sempre mais, e de modo mais concreto, suas pró­prias pressuposições.</p>
<p>29<br />
 <br />
A origem do espetáculo é a perda da unidade do mundo, e a expansão gigantesca do espetáculo moderno revela a totalidade dessa perda: a abstração de todo trabalho particular e a abstração geral da produção como um todo se traduzem perfeitamente no espetáculo, cujo <em>modo de ser concreto</em> é justamente a abstração. No espetáculo, uma parte do mundo se representa diante do mundo e lhe é superior. O espetáculo nada mais é que a linguagem comum dessa separação. O que liga os espectadores é apenas uma ligação irreversível com o próprio centro que os mantém isolados. O espetáculo reúne o separado, mas o reúne <em>como separado</em>.</p>
<p>30</p>
<p>A alienação do espectador em favor do objeto contemplado (o que resulta de sua própria atividade inconsciente) se expressa assim: quanto mais ele contempla, menos vive; quanto mais aceita reconhecer-se nas imagens dominantes da necessidade, menos compreende sua própria existência e seu próprio desejo. Em relação ao homem que age, a exterioridade do espetáculo aparece no fato de seus próprios gestos já não serem seus, mas de um outro que os representa por ele. É por isso que o espectador não se sente em casa em lugar algum, pois o espetáculo está em toda parte.</p>
<p>31<br />
 <br />
O trabalhador não se produz a si mesmo, produz uma força independente. O <em>sucesso</em> dessa produção, sua abundância, volta para o produtor como <em>abundância da despossessão</em>. Com a acumulação de seus produtos alienados, o tempo e o espaço de seu mundo se tornam <em>estranhos</em> para ele. O espetáculo é o mapa desse novo mundo, mapa que corresponde exatamente a seu território. As forças que nos escaparam mostram-se a nós em todo o seu vigor.</p>
<p>32</p>
<p>O espetáculo na sociedade corresponde a uma fabricação concreta da alienação. A expansão econômica é sobretudo a expansão dessa produção industrial específica. O que cresce com a economia que se move por si mesma só pode ser a alienação que estava em seu núcleo original.</p>
<p>33</p>
<p>O homem separado de seu produto produz, cada vez mais e com mais força, todos os detalhes de seu mundo. Assim, vê­se cada vez mais separado de seu mundo. Quanto mais sua vida se torna seu produto, tanto mais ele se separa da vida.</p>
<p>34</p>
<p>O espetáculo é o <em>capital</em> em tal grau de acumulação que se torna imagem.</p>
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		<title>Ouvidores do mundo em BH</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 11:44:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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O jornalista, professor de jornalismo e consultor Caio Túlio Costa participou em 30 de julho de 2010, em Belo Horizonte, do 1º Congresso Internacional de Ouvidores e Ombudsman que aconteceu simultaneamente ao 13º Congresso Brasileiro de Ouvidores e Ombudsman e ao 6º Seminário Nacional de Ouvidores e Ouvidorias.
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<div><span style="font-size: small;"><span> </span></span></div>
<p><span><span style="font-size: small;"><span>O jornalista, professor de jornalismo e consultor Caio Túlio Costa participou em 30 de julho de 2010, em Belo Horizonte, do 1º Congresso Internacional de Ouvidores e Ombudsman que aconteceu simultaneamente ao 13º Congresso Brasileiro de Ouvidores e Ombudsman e ao 6º Seminário Nacional de Ouvidores e Ouvidorias.</span></span></span></p>
<p><span><span style="font-size: small;"><span>Caio Túlio foi o expositor da oficina sobre Ouvidorias de Jornais, Revistas e Emissora de Rádio e Televisão. A mesma foi coordenada por Eduardo Machado de Faria Tavares, ouvidor ambiental de Minas Gerais.</span></span></span></p>
<p>Caio Túlio debateu quesitos basilares para o exercício da função como, por exemplo, as funções do ombudsman na indústria da midia; os limites da atuação do ombudsman nesta indústria; as diferenças fundamentais entre a função do ombudsman e o serviço de atendimento ao consumidor (os polêmicos SAC); o perfil ideal do ombudsman e as barreiras para a expansão da função além de traçar um pequeno histórico do ombudsman de imprensa no Brasil e no mundo.</p>
<p>Caio Túlio também foi o relator dos resultados da oficina na sessão plenária vespertina onde os diferentes trabalhos foram apresentados. Em resumo, a oficina levou à plenária as qualidades fundamentais para o exercício da função (conhecimento profundo do negócio e/ou instituição, capacidade de comunicação, formação jurídica, formação em filosofia moral e muita paciência), contrato com mandato e funções definidos, acesso direto à mais alta instãncia da empresa ou instituição, localização física externa à empresa e/ou instituição e, finalmente, &#8221;poder de mídia&#8221;. Ou seja, usar o meio internet (na falta de qualquer outro meio clássico de comunicação) para se comunicar com o público de forma livre  e independente para pestar contas de sua atuação.</p>
<p>O Congresso, uma realização da Associação Brasileira de Ouvidores e Ombudsman numa parceria com a OAB de Minas Gerais e com o Instituto Brasileiro Pró-Cidadania, aconteceu entre 28 e 30 de julho no Hotel Ouro Minas, na capital do estado de Minas Gerais.</p>
<p>Além de Caio Túlio, estiveram presentes o 1º Ouvidor Público do Brasil, Manoel Camargo. Ele abriu o evento com a palestra Cidadania, Direitos Fundamentais e os Limites entre o Público e o Privado; Dante Negro, diretor do Departamento de Direito Internacional da OEA, com o tema O Defensor Del Pueblo e sua Atuação na América Latina; Erick David, professor da Universidade de Bruxelas, com a palestra O Ombudsman no Conselho de Segurança da ONU; Ian Willian Darling, presidente do Fórum Canadense de Ombudsman, que abordará O Papel do Ombudsman no Canadá e EUA.</p>
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