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	<title>Caio Túlio Costa</title>
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	<description>Novas mídias, internet, ética, moral, jornalismo</description>
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		<title>Manual do Candidato</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2013 19:03:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NA REVISTA DA ESPM, ANO 19, EDIÇÃO 86, NÚMERO 1 – JANEIRO/FEVEREIRO DE 2013 &#8211; págs 90-99.

 
Compare as campanhas digitais feitas pela equipe de Barack Obama durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos com a estratégia adotada por Marina Silva no Brasil. Saiba também como Gabriel Chalita e Alberto Zacharias Toron usaram as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>PUBLICADO NA REVISTA DA ESPM, ANO 19, EDIÇÃO 86, NÚMERO 1 – JANEIRO/FEVEREIRO DE 2013 &#8211; págs 90-99.<br />
</em></p>
<p><strong><em> </em></strong></p>
<p><em>Compare as campanhas digitais feitas pela equipe de Barack Obama durante as eleições presidenciais dos Estados Unidos com a estratégia adotada por Marina Silva no Brasil. Saiba também como Gabriel Chalita e Alberto Zacharias Toron usaram as redes em 2012</em></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Caio Túlio Costa</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Um dos aspectos mais comentados e, ao mesmo tempo, mais desconhecidos da vida digital, é o uso da internet em campanhas eleitorais.</p>
<p>Desde que Barack Obama obteve inquestionável sucesso em sua primeira campanha presidencial, em 2008, dezenas de livros e milhares de linhas foram escritas para tentar explicar o fenômeno inédito do uso das plataformas digitais para conquistar eleitores.</p>
<p>A cobertura jornalística, no entanto, sempre apertada pelo tempo e pela superficialidade estrutural da abordagem, pouco consegue detalhar e explicar como uma campanha eleitoral é feita no mundo digital.</p>
<p>Um grande equívoco é considerar que a campanha de Obama tenha se restringido às “redes” sociais. Sim, a campanha de Obama, tanto em 2008 quanto em 2012, usou e abusou das mídias sociais. Mas não foi esse o seu grande diferencial.</p>
<p>O diferencial se deu principalmente no uso extensivo e compartilhado de um inédito sistema de gerenciamento de contatos e manejo de vários <em>mailing lists</em> de forma jamais vista em qualquer campanha eleitoral.</p>
<p>Ao misturar um <em>call center</em> particular, disperso nos domicílios de eleitores simpatizantes (sistema conhecido como <em>outreach call</em>, quando o eleitor usa seu telefone fixo para falar com seus vizinhos e conclamá-los para uma causa ou vender algum produto), e uma plataforma de envio, conferência de recepção e respostas de e-mails, estava criado o mais sofisticado método de atrair voluntários e de arrecadar fundos on-line. Este foi o coração das duas campanhas de Obama na internet, como apontam os autores de <em>The Battle for America 2008: The Story of an Extraordinary Election </em>(Dan Balz e Haynes Johnson, Viking Adult, 2009) e <em>Renegade: The Making of a President</em><em> </em>(Richard Wolfe, Three Rivers Press, 2009).</p>
<p>Em 2010 participei, na condição de coordenador digital, da campanha de Marina Silva à presidência da República, cuja comunicação foi de responsabilidade da empresa da qual sou sócio, a MVL Comunicação.  Na época, Marina Silva conseguiu 19,6 milhões de votos, quase 20% dos votos válidos. Tanto percentualmente quanto em números absolutos, foi a maior quantidade de votos que um terceiro colocado conquistou nas urnas desde a redemocratização do país.</p>
<p>Como Marina Silva tinha pouco tempo para a campanha no horário eleitoral da televisão, apenas 1 minuto e 23 segundos, ela decidiu privilegiar a comunicação com o eleitorado via internet e mídias sociais. O que deu muito certo.</p>
<p>Em artigo publicado<em> </em>logo depois da campanha, na edição abril-junho de 2011 da revista <em>Interesse Nacional,</em> analisei a impossibilidade de se aferir com exatidão quanto desses quase 20 milhões de votos decorreu do trabalho na internet. E expliquei como os números e a análise comparativa do mapa da votação, a planilha dos acessos à internet e as audiências apuradas, sugeriam que a mensagem de Marina Silva chegou a cerca de 12,5 milhões de internautas.</p>
<p>Na ocasião, abordei também outro equívoco cometido, principalmente pelos jornais brasileiros, que ao comparar a campanha na internet de Marina com a de Obama concluíram que a dela não deu certo porque arrecadou menos recursos via web. Marina chegou ao final da corrida eleitoral com pouco mais de R$ 170 mil arrecadados via internet, evidentemente bem menos do que os US$ 500 milhões que Obama recolheu on-line, somadas as pequenas doações de pessoas físicas às doações maiores que vieram pela internet.</p>
<p>A campanha eleitoral de Obama e a estratégia de Marina têm um único ponto em comum: no início, ambos eram praticamente desconhecidos do eleitorado. Já as diferenças entre os dois projetos são inúmeras:</p>
<p>- A enorme vantagem do Partido Democrata, muito conhecido dos eleitores americanos, enquanto o Partido Verde, de Marina Silva, era praticamente desconhecido da população;</p>
<p>- A riqueza da campanha de Obama (arrecadou no total quase US$ 800 milhões) contra a pobreza da ação de Marina Silva (que recebeu o equivalente no cambio de então a US$ 15,4 milhões, 98% menos do que Obama);</p>
<p>- O fato de os americanos estarem familiarizados com doações políticas, enquanto no Brasil inexiste esse costume;</p>
<p>- Obama poderia comprar o tempo que quisesse para anunciar na TV e também na internet. No Brasil, o candidato é proibido de comprar espaço na TV e publicidade na internet;</p>
<p>- A plataforma de relacionamento com o consumidor usada por Obama (sofisticado sistema de CRM – Costumer Relationship Management) foi testada anteriormente, com sucesso, para arrecadar doações para organizações filantrópicas e organizações não governamentais. Aqui, o sistema SRM (Social Relationship Management) usado por Marina Silva foi concebido, planejado e desenvolvido em apenas três meses;</p>
<p>- Obama teve 632 dias para realizar a arrecadação on-line, enquanto Marina Silva teve apenas 58 dias;</p>
<p>- O candidato à presidência dos Estados Unidos fez uso intensivo do envio de SMS (torpedos) para os eleitores, via sistema de telefonia móvel. Marina Silva e os outros candidatos foram praticamente impedidos de usar o SMS por conta do custo abusivo cobrado pelas empresas de telecomunicações no Brasil;</p>
<p>- Obama usou o e-mail marketing de forma prioritária. Todo o ferramental de mobilização e arrecadação estava baseado no uso de endereços de e-mail adquiridos pela campanha. Já no Brasil, Marina Silva e os demais candidatos foram impedidos por lei de adquirir listas com nomes e endereços de eleitores.</p>
<p>As doações on-line também desempenharam bem em 2012. Segundo reportagem de Michael Scherer publicada no site da <em>Time</em>, no dia 11 de novembro de 2012,<em> </em>a equipe de Obama levantou cerca de US$ 690 milhões pelo método digital, 38% acima dos US$ 500 milhões arrecadados digitalmente em 2008, dos quais quase US$ 200 milhões em pequenas doações de US$ 25 até US$ 200. No total, Obama arrecadou mais de US$ 1 bilhão em 2012. Enfim, Barack Obama se reelegeu.</p>
<p><strong>Versão brasileira</strong></p>
<p>No Brasil, em 2012, campanhas para eleições municipais e estratégias de marketing criadas para instituições, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deram o prosseguimento ao desenvolvimento da propaganda eleitoral digital.</p>
<p>No ano passado, a MVL Comunicação pôde reciclar a experiência adquirida com Marina Silva ao tomar conta da comunicação da campanha de Gabriel Chalita, do PMDB, à Prefeitura de São Paulo e também do plano de marketing do advogado criminalista Alberto Zacharias Toron à presidência da OAB, seção São Paulo.</p>
<p>A primeira foi uma campanha municipal majoritária, com possibilidade de segundo turno. Já a segunda, uma campanha estadual segmentada e proporcional: ganhava quem levasse o maior número de votos, sem possibilidade de segundo turno.</p>
<p>Para os dois clientes, a MVL colocou em ação os mecanismos da assessoria de imprensa tradicional, tanto para a velha mídia (jornais e revistas impressas, TV e rádio) quanto para a nova mídia (sites, portais, blogs e mídias sociais), fez a preparação dos candidatos para participar de debates e dar entrevistas, dotou as campanhas das ferramentas básicas para monitorar toda a comunicação sobre o candidato e seus adversários, além de criar e administrar a comunicação na internet e nas mídias sociais.</p>
<p>A comunicação nas plataformas digitais se dá ao menos por meia dúzia de meios. O site da candidatura é o meio mais importante. Ele funciona como o ponto central agregador das ferramentas de manejo das redes sociais e do SRM (Social Relationship Management), a plataforma que cuida do disparo de e-mails para os mailings da campanha, para organizar os apoiadores e, se for o caso, arrecadar doações – função praticamente não usada na campanha de Chalita porque só foi ativada a menos de duas semanas do pleito, em função da burocracia junto ao sistema bancário. O site traz ainda as fotos, os vídeos e o noticiário da própria campanha, que é atualizado várias vezes por dia, janelas com os perfis da campanha nas redes sociais, o programa de governo e um formulário para o eleitor dialogar com a campanha. Em resumo, é o comitê da campanha na internet.</p>
<p>Juntos, o Twitter, o Facebook e o YouTube são os maiores instrumentos de redes para a comunicação e o compartilhamento de informações, além de servirem de manancial para o monitoramento da “saudabilidade” do nome do candidato nas redes. O Orkut, bastante usado na campanha de Marina Silva em 2010, especialmente para o diálogo com os evangélicos, em dois anos praticamente caiu em desuso, daí ter sido dispensado na campanha de Chalita.</p>
<p>Plataformas e aplicativos de mídias sociais também integram a comunicação nas plataformas digitais. Eles devem ser construídos de forma a serem intuitivamente manejáveis tanto em computadores quanto em plataformas móveis, como tablets e celulares, e em especial nos smartphones montados sobre diferentes sistemas operacionais – seja Android, iOS da Apple ou Windows.</p>
<p>Nesse tipo de campanha, os vídeos precisam estar disponíveis num canal da campanha – em geral se usa o YouTube, com links e galerias no site do candidato. As fotos da campanha precisam estar em local de fácil acesso para serem baixadas em alta definição por todos os simpatizantes, voluntários, gráficas, produtores de material promocional e servirem como banco de dados para a imprensa – isso se faz inserindo o material iconográfico no Flickr.</p>
<p>Por último, a geolocalização contribui para uma comunicação efetiva nas plataformas digitais. Uma rede pouco conhecida ainda no Brasil, o Foursquare, faz o mapeamento dos passos do candidato durante a campanha em um mapa on-line – é ela que serve de base para indicar no mapa os deslocamentos do candidato.</p>
<p>Todas essas ferramentas representam o pacote básico que deveria constar em toda campanha eleitoral. No entanto, o segredo da comunicação na internet é a experiência e a capacidade estratégica necessária para administrar, sempre de forma propositiva, os diferentes elementos de monitoramento do que se fala do candidato e de seus adversários, analisar a maneira como estes dados se distribuem e decidir a qualquer tempo como essas variáveis devem ser “agitadas” durante as 24 horas do dia. E cada dia é uma sucessão de batalhas.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Chalita para prefeito</strong></p>
<p>Gabriel Chalita não se elegeu prefeito de São Paulo. Mas obteve 14% dos votos – quando as pesquisas, até bem perto da votação, nunca lhe deram mais do que 6% das intenções de voto. No entanto, com 833 mil votos no primeiro turno, conquistou uma representatividade maior do que a que tinha tanto na política paulista quanto na nacional.</p>
<p>Se Chalita perdeu a grande batalha eleitoral na maior cidade do país, fez bonito no mundo virtual. Há várias maneiras de medir isso. Uma delas tem a ver com a velha expressão “falem mal, mas falem de mim”. Neste capítulo, o candidato “mais comentado” nas redes sociais durante a eleição municipal de 2012, em São Paulo, foi José Serra (do PSDB), com 32,61% das citações, conforme levantamento publicado pelo portal Terra, em setembro daquele ano.</p>
<p>No mesmo levantamento, Celso Russomano (do PRB) aparecia como o candidato que mais ganhara menções até aquela data, passando de apenas 4% de citações em agosto para 26% em setembro. O portal só não explicou, entretanto, que crescer mais em citações nada significa se as citações forem na sua maioria negativas, o que era o caso de Russomanno.</p>
<p>Análises de sentimento, realizadas pela equipe de Gabriel Chalita, tendo como base da busca a ferramenta Scup, durante os quatro debates televisivos ocorridos antes do primeiro turno, exibem dados negativos para Russomanno e para Serra nas redes, mas bastante positivos para Chalita. Se dependesse só dos votos dos internautas, o resultado das eleições seria outro. Durante o primeiro debate (na Band), Chalita foi o campeão com 38% de citações positivas nas redes. Serra foi o campeão de citações negativas (59%), seguido por Russomanno (53%). No segundo debate (RedeTV/Folha), Chalita ficou em segundo nas citações positivas (47%) e Fernando Haddad, do PT, em primeiro (53%). Serra e Russomanno voltaram a ocupar as piores colocações no ranking de citações negativas, com 75% e 56% respectivamente. No debate realizado pela TV Cultura e pelo Estadão, Chalita recuperou o primeiro posto (30% de citações positivas), enquanto Serra e Russomanno seguraram com firmeza o rol das citações negativas: 83% e 56% respectivamente. No quarto e último debate antes do primeiro turno (TV Gazeta), Chalita manteve o primeiro lugar (22% de citações positivas) contra desempenhos igualmente ruins de  Serra (61% de citações negativas) e Russomanno, desta vez com 25%, atrás de Soninha Francine (do PPS), que obteve 41% de citações negativas nesse dia.</p>
<p>Do ponto de vista da comunicação, há várias diferenças entre a campanha de Chalita e a de Marina Silva. A MVL começou a ajudar na campanha de Marina enquanto ela era pré-candidata, alguns meses antes de ela se tornar candidata oficial. Foram nove meses de trabalho. No caso de Chalita, os trabalhos começaram em julho, junto com o lançamento oficial da candidatura. Foram apenas 3 meses de trabalho. Mais: apesar de ter um Twitter robusto, com cerca de 140 mil seguidores em julho de 2012, o candidato não tinha presença no Facebook. Marina não tinha Twitter e nem Facebook antes da campanha.</p>
<p>Outra diferença: Marina Silva vivenciava sua causa ambientalista quando chegou à campanha, bandeira de fácil adesão, principalmente junto ao jovens. Já a causa de Chalita era a educação, que por agradar a todos, funciona de forma menos aderente na conquista de simpatizantes.</p>
<p>Durante a campanha de Marina, a equipe de comunicação se reunia diariamente com todo o comando da campanha – coordenação, marketing, financeiro, mobilização, agenda, pesquisa e programa de governo. A campanha de Chalita foi estruturada de outra forma: cada área cuidava praticamente de si mesma. No frigir dos ovos, Chalita não passou para o segundo turno, ficou em quarto lugar. Como se diz, a derrota todo mundo explica e o sucesso dispensa explicação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>A eleição da OAB</strong></p>
<p>Apesar de ser uma campanha eleitoral de uma associação privada, a eleição para a seção da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo se assemelha a uma mini-eleição para o governo do Estado. O candidato precisa percorrer as cidades que têm subseções (são 751 seções eleitorais, 535 no interior e 216 na capital), levar sua mensagem para cerca de 250 mil eleitores (215 mil aptos a votar), enfrentar os adversários igualmente na oposição e ainda lidar contra a campanha do candidato situacionista com domínio absoluto da máquina da associação.</p>
<p>Do ponto de vista da comunicação digital, a candidatura de Alberto Zacharias Toron, que visitou 198 cidades do Estado durante a campanha de 2012, foi planejada para ser propositiva, informativa e completa o suficiente para mostrar o quanto a situação aparelhara a instituição. A meta era tentar uma mudança depois de nove anos do mesmo grupo no poder. Uma pequena equipe cuidou de tudo: site, mídias sociais, imagens, assessoria de imprensa, preparação para entrevistas e debates além da consultoria estratégica.</p>
<p>Os números revelam uma corporação ainda pouco afeita ao uso da internet e das mídias sociais. Dos 250 mil advogados eleitores, cerca de 20 mil visitaram o site de Toron de julho a novembro do ano passado – e nem todos os visitantes únicos eram necessariamente advogados e votantes.</p>
<p>Contudo, quem visitava se mostrava extremamente atuante e proporcionava uma visualização média de 3,2 páginas por visita com mais de três minutos de duração em média, um tempo bem superior ao que os visitantes gastam na página virtual da OAB: 41 segundos por dia, conforme o NetView de outubro de 2012. Outro dado importante é que 88% do tráfego do site esteve dentro do Estado de São Paulo e 58% deste total na cidade de São Paulo.</p>
<p>Em relação à presença dos advogados nas redes sociais, os números no Twitter são tímidos, mas denotam um engajamento eficaz quando o Facebook é trabalhado de forma eficiente.</p>
<p>No Twitter, Toron foi quem mais cresceu. Ganhou 256 novos seguidores de agosto a novembro. Começou agosto com 245 seguidores para chegar a 29 de novembro, o dia da eleição, com 501 seguidores. Marcos da Costa, o concorrente da situação que venceu a eleição, ganhou 112 seguidores (veio de 759 para 871 seguidores) e Ricardo Sayeg, o segundo oposicionista, agregou somente 66 novos seguidores (passou de 243 para 309).</p>
<p>No Facebook, Toron finalizou a empreitada com quase cinco mil fãs. Marcos da Costa teve mais de 2 mil. Sayeg, que chegou ao fim com mais de 24 mil fãs, obteve muito mais “sucesso” no Facebook do que no Twitter.</p>
<p>Sim, “sucesso”entre aspas. Explico. Qual foi o fator de engajamento dos fãs no Facebook dos candidatos? Quantos usuários de fato repercutiram, comentaram e espalharam as mensagens de cada candidato?</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Anabolizantes</strong></p>
<p>Para responder, é preciso examinar melhor um fenômeno notável, pela sua artificialidade, ocorrido na campanha à OAB-SP. Trata-se da anabolização do Facebook no sentido de fazer crescer a quantidade de fãs de maneira espetacular, mas de forma totalmente inorgânica e artificial, para dizer o mínimo. Isso ajuda o candidato dizer que tem muitos fãs, mas não serve para nada na rede, porque os fãs, de fato, inexistem.</p>
<p>É possível conquistar fãs por meio de publicidade, o método clássico para se alavancar audiência, seja na internet ou na velha mídia. Na campanha da OAB essa prática não é regulamentada, portanto permitida, ao contrário das eleições para o executivo e legislativo no Brasil. Mas não é disso que falamos aqui e sim de um outro meio de fazer crescer a audiência, o da compra de fãs, ação absolutamente inócua, porque a base cresce sem nenhum envolvimento do usuário com a página.</p>
<p>Há várias empresas que vendem fãs e ações de curtir (o popular “like”) no Facebook. Qualquer busca na internet por “comprar fã no Facebook” exibirá vários negociantes, como, por exemplo, a <a href="http://www.icene.com.br">www.icene.com.br</a>. No dia 29 de novembro de 2012, ela comercializava mil “curtidas” por R$ 79,99. Se você comprasse dez mil “curtidas”, saía proporcionalmente mais em conta: R$ 599,99.</p>
<p>Várias empresas continuam no negócio de venda de fãs, mesmo depois que a direção do Facebook deu início ao combate dessa manipulação cortando sumariamente “likes” falsos – como o fez em setembro de 2012 ao anular 34 mil “likes” da cantoras Lady Gaga, 28 mil de Rihanna e 26 mil de Shakira.</p>
<p>A página no Facebook do candidato Ricardo Sayeg é um caso típico de saltos inorgânicos, fora dos padrões de crescimento quando se “agita” de forma profissional e estimulada as redes por meio de equipes especializadas em mídia social ou por meio de publicidade.</p>
<p><img class="alignleft" title="Grafico Sayeg" src="http://lw135412885950b65391.sitelw.com.br/files/2013/03/Grafico_Sayeg.png" alt="" width="513" height="303" /></p>
<p>Em agosto de 2012, mês do lançamento da página de Sayeg no Facebook, ele conseguiu apenas 363 fãs, uma quantidade absolutamente dentro dos padrões de uma página de advogado candidato à presidência de uma instituição segmentada. No mesmo mês, o candidato Alberto Zacharias Toron, por exemplo, ganhou 613 fãs no Facebook.</p>
<p>Foi em setembro, exatamente a partir do dia 19, que a página de Sayeg começou a exibir um crescimento anormal quando comparado à curva tradicional, mesmo às custas de publicidade. Sayeg vinha crescendo na base de dois fãs por dia. Porém, em um único dia (19/9), ele “conquistou” 1.059 fãs. Um pulo de quase 53 mil por cento! Proporcionalmente, teria muito mais força no Facebook do que a Lady Gaga.</p>
<p>E assim foi. Nos três dias seguintes, Sayeg conquistou mais 1.913 fãs. Em seguida, inexplicavelmente, despencou para meros seis novos fãs e a contagem começou a exibir comportamento um tanto esquizofrênico. Num dia subia muito, milhares; noutro dia era inexpressivo. Em 27 de setembro do ano passado voltou a crescer e, no mês de outubro, apontou dias com crescimento absolutamente desprovidos de racionalidade orgânica ou investimento publicitário: no dia 4 cresceu 2.496 novos fãs. No dia 5 teve 1.678 novos fãs. No dia 8, a página recebeu mais 2.196 fãs. No dia 14 registrou um novo crescimento: 2.084 novos fãs. No dia 15 mais 2.335 novos fãs foram adicionados. Até que no dia 25 apenas 35 novos fãs entraram no endereço. O fôlego, aparentemente, acabou em 31 de outubro quando o Facebook de Sayeg voltou ao patamar de um ou dois dígitos de crescimento por dia, que prosseguiu durante o mês de novembro. E em vários dias apontou crescimento negativo.</p>
<p>Toron chegou ao fim da campanha com quase cinco mil fãs, cinco vezes menos do que Sayeg, que não conseguiu ir muito além dos 24 mil fãs.</p>
<p>Respondendo à questão levantada, que realmente importa: o fator de engajamento entre os fãs de Toron durante a campanha foi seis vezes maior do que o fator de engajamento dos “fãs” de Sayeg, muito maiores numericamente.</p>
<p>O fator de engajamento se mede pela quantidade de fãs dividida pela quantidade de “likes” somada à quantidade de comentários e de compartilhamento de cada “post”.</p>
<p>Entre agosto e novembro de 2012, esta equação mostra que o engajamento na página de Sayeg foi de 1,38 engajamento por fã – cada fã de Sayeg comentou, gostou e compartilhou 1,38 vezes os “posts” da página. Este fator, na página de Toron, no mesmo período, foi de 8,12 por fã, quase seis vezes mais do que Sayeg. Ou seja, cada fã de Toron comentou, gostou e compartilhou conteúdos da página em média 8,12 vezes, enquanto Sayeg, que foi quem mais “conquistou” fãs, não conseguiu engajar mais do que 1,38 ação por fã.</p>
<p>Apurados os votos, Alberto Zacharias Toron perdeu a eleição por 4.951 votos para o situacionista Marcos da Costa (que obteve 59.770 votos, 38% do total válido), cujo grupo agora pode ampliar sua permanência no poder por mais três anos. Toron ficou em segundo lugar com 54.819 votos. Se a oposição tivesse se unido, ganharia folgada com mais de 55% dos votos. A soma dos resultados de ambos deu 86.683 votos.</p>
<p>Foi o poder de Marcos da Costa sobre a máquina estadual da OAB, exatamente no interior, que lhe garantiu a vitória.</p>
<p>Na capital, no entanto, Marcos da Costa perdeu para Toron. Costa teve 15.534 votos contra 17.888 de Toron.</p>
<p><strong> </strong></p>
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		<title>Os quatro cavaleiros do Infoapocalipse</title>
		<link>http://caiotulio.com/os-quatro-cavaleiros-do-infoapocalipse/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2013 12:38:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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Caio Túlio Costa 
Livro de Julien Assange discute privacidade, presente e futuro da web. 

Se você pensa que o negócio de Julian Assange é jornalismo independente, está enganado. É só a aparência. O negócio do líder do    WikiLeaks é a criptografia. Está [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>PUBLICADO NO SUPLEMENTO &#8220;SABÁTICO&#8221; DE O ESTADO DE S.PAULO DE 2/3/13, PÁG. S3.<br />
</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><strong>Caio Túlio Costa </strong></p>
<p><em>Livro de Julien Assange discute privacidade, presente e futuro da web. </em></p>
<p><em><img class="alignnone" title="Livro Assange" src="http://lw135412885950b65391.sitelw.com.br/files/2013/03/Capa_Assange.png" alt="" width="89" height="130" /></em></p>
<p>Se você pensa que o negócio de Julian Assange é jornalismo independente, está enganado. É só a aparência. O negócio do líder do    WikiLeaks é a criptografia. Está tudo muito claro no livro <em>Cypherpunks – Liberdade e o Futuro da Internet </em>(Boitempo, 200 págs, R$ 29), no qual Assange dialoga com três “companheiros de armas” com os quais forma a legião dos verdadeiros Quatro Cavaleiros do Infoapocalipse.</p>
<p>Se a palavra-chave do título atropela o leitor tanto na fonética quanto no significado, a primeira página do livro resolve a dúvida. Ela remete a cipher (escrita cifrada) que vem do grego criptografia (escrita secreta). Punk é punk mesmo. Os Cypherpunks dizem defender o uso da criptografia como meio para provocar mudanças políticas e sociais.</p>
<p>Assange e seus três interlocutores Cypherpunks estão absolutamente convencidos de que centenas de milhões de mensagens online são devoradas por órgãos de espionagem norte-americanos e armazenadas em “depósitos do tamanho de cidades”. Assange afirma que o governo norte-americano não só espiona os seus cidadãos como também os estrangeiros.</p>
<p>Mas nem tudo está perdido. A não ser, claro, que você use nas suas comunicações online um sistema de criptografia abençoado por Assange e seus Cypherpunks, construído completamente à parte das empresas tradicionais que comercializam segurança criptográfica, todas muito bem postas no establishment comercial globalizado.</p>
<p>Nesse quesito, Assange sustenta que presidentes e executivos dessas empresas são matemáticos e engenheiros da NSA, a agência de segurança norte-americana. Eles estariam “capitalizando as invenções que criaram para o Estado de vigilância”.</p>
<p>Esses sistemas estão sendo vendidos para os países latino-americanos e de outras regiões do globo desejosos de proteger seus dados e suas comunicações. Na verdade, diz Assange, estes dispositivos constituem uma maneira de “roubar” os segredos dos países que os compram. É aí que entra o negócio de Assange: “Os governos estariam mais seguros se usassem softwares criptografados feitos por cypherpunks, cujo design é aberto para todos verem que não se trata de uma ferramenta de espionagem, disponibilizados pelo preço de uma conexão com a internet”.</p>
<p>Ou seja, o software abençoado por Assange, além de baratinho, é transparente. Se o uso do design aberto pode facilitar a quebra de seu segredo, Assange não responde. No entanto, o próprio livro registra que, por ocasião da divulgação pelo WikiLeaks de 250 mil documentos diplomáticos norte-americanos, a chave para criptografia dos arquivos que estavam na rede vazou.</p>
<p><strong>Tudo, tudo</strong></p>
<p>Os dialogadores (Jacob Appelbaum, Jérémie Zimmermann e Andy Müller-Maguhn) são especialistas em criptografia, são hackers. E aqui se entenda esta expressão no seu melhor sentido, aquele que define o hacker como um expert em segurança de sistemas.</p>
<p>As conversas ocupam a maior parte da obra. No geral, são técnicas e recheadas de siglas, termos e marcas desconhecidas do grande público, nada que as notas de rodapé não resolvam bem.</p>
<p>O livro revela o quanto Assange tem razão em tentar se esquivar da possibilidade de ser processado nos Estados Unidos ou em qualquer país dele dependente. As perseguições, ameaças e ações contra ele, seus amigos e o WikiLeaks estão muito bem relatadas.</p>
<p>Os diálogos tratam das entranhas das questões da segurança, da militarização do ciberespaço (na imagem de Assange, cada cidadão tem hoje um tanque de guerra dentro do seu próprio quarto), do combate à vigilância total, da espionagem pelo setor privado (o Google sabe mais de você que você mesmo, diz Müller-Maguhn), do combate a esta vigilância, de internet e política, economia e censura, além do bordão de Assange: “Privacidade para os fracos, transparência para os poderosos”.</p>
<p>No fundo, os diálogos, por mais que pareçam persecutórios, utópicos ou apocalípticos, exibem um profundo mergulho numa das mais complexas questões da contemporaneidade: como preservar a liberdade e a privacidade num mundo em rede no qual os poderosos – sejam do Estado sejam das corporações empresariais – podem saber tudo de você. Tudo.</p>
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		<title>A comunicação está de ponta-cabeça</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2012 13:28:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Falei nesta terça-feira (6/11) no espaço dedicado aos jovens profissionais da HSM ExpoManagement 2012. O titulo da palestra, seguida de conversa, foi “Comunicação de ponta-cabeça”, na qual exploro as mudanças radicais que a interatividade em rede provocou não só nas comunicações como nos relacionamentos e na estrutura da sociedade – em especial na forma de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falei nesta terça-feira (6/11) no espaço dedicado aos jovens profissionais da HSM ExpoManagement 2012. O titulo da palestra, seguida de conversa, foi “Comunicação de ponta-cabeça”, na qual exploro as mudanças radicais que a interatividade em rede provocou não só nas comunicações como nos relacionamentos e na estrutura da sociedade – em especial na forma de apreensão do conhecimento.</p>
<p>O espaço dedicado aos jovens profissionais – nomeado Estação de Conhecimento CBN Young Professionals &#8211; é uma promoção da Rádio CBN. Conforme o site do evento, o espaço contempla duas palestras por dia, sobre gestão, carreira e negócios, com profissionais renomados do mercado, a maioria comentaristas da emissora.</p>
<p><strong>Programação da Estação em 2012, conforme o site do evento:</strong></p>
<p>A abertura, em 5 de novembro, às 15h, está a cargo do filósofo Mário Sérgio Cortella, que apresenta os programas “Academia CBN” e “Escola da Vida”. Na Estação, ele vai falar sobre um assunto que tira o sono de todos os profissionais, independentemente da idade: “Vida e carreira: um equilíbrio possível?”.</p>
<p>Na sequência, Carlos Alberto Sardenberg, jornalista e comentarista econômico, abordará os “Desafios e oportunidades para uma nova geração de brasileiros”.</p>
<p>O segundo dia começa com Max Gehringer, comentarista da CBN e do Fantástico, da TV Globo, e articulista em várias publicações. Com o humor que lhe é peculiar, sua palestra versará sobre “Carreira &amp; Emprego”.</p>
<p>“A comunicação está de ponta cabeça” será o tema apresentado pelo jornalista Caio Tulio Costa. Em tempos de redes sociais, com consumidores cada vez mais exigentes e cientes dos seus direitos, é um assunto que merece atenção especial dos futuros líderes.</p>
<p>No terceiro e último dia da Estação, o consultor e comentarista da CBN, Carlos Alberto Júlio, coloca em debate outro calcanhar de Aquiles do mundo corporativo: “Qual é o seu talento?”. Se profissionais com anos de estrada têm dificuldade para responder a esse questionamento, os jovens mais ainda, com o agravante de que o cenário atual exige decisões rápidas.</p>
<p>O encerramento, como mencionado, ficará a cargo do “Fim de Expediente”, a reprodução do programa da CBN, que vai ao ar às sextas-feiras, das 18h às 19h. “Será a cereja do bolo, para fecharmos com um clima descontraído, mas igualmente provocativo, que vai agregar informações, enriquecendo a reflexão”, diz Mariza Tavares, diretora executiva da CBN.</p>
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		<title>Na 5ª cúpula sobre Apps &amp; Tablets</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Nov 2012 14:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Falei nesta terça-feira, 30 de outubro, na World Publshing Expo 2012, em Frankfurt, sobre as relações dos jornais brasileiros com a Apple, em especial a Newsstand, e o Google, em especial o Google News.
Na palestra, intitulada &#8220;Brazilian Publishers vs. Apple Store Rules&#8221;, discorri sobre como os jornais brasileiros estão encaminhando suas negociações para participar da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falei nesta terça-feira, 30 de outubro, na World Publshing Expo 2012, em Frankfurt, sobre as relações dos jornais brasileiros com a Apple, em especial a Newsstand, e o Google, em especial o Google News.</p>
<p>Na palestra, intitulada &#8220;Brazilian Publishers vs. Apple Store Rules&#8221;, discorri sobre como os jornais brasileiros estão encaminhando suas negociações para participar da Apple Store e poder oferecer assinaturas digitais também via Newsstand, em moeda brasileira.</p>
<p>Expliquei que não há acordo fechado até este momento porque a Apple ainda não atendeu as necessidades dos jornais brasileiros. Além de questões de princípio, elas incluem a obrigatoriedade de emitir nota fiscal para o assinante dos produtos editoriais, sejam digitais ou impressos.</p>
<p>Na apresentação, contei que os jornais e a Apple ainda não chegaram a um acordo. Na mesma palestra discorri sobre o histórico da relação dos jornais brasileiros com o Google. Há mais de um ano que a grande maioria das edições digitais dos jornais está fora dos resultados do Google News.</p>
<p>No mesmo momento em que eu falava na feira em Frankfurt,  revistas e jornais europeus discutiam a possibilidade de o Google pagar pelos links dos jornais nos seus resultados, não apenas no Google News, mas também na busca orgânicos. A propósito, leia reportagem publicada pelo International Herald Tribune: <a href="http://worldnewspapersco.blogspot.com.br/2012/10/google-digs-in-its-heels-as-publishers.html" target="_blank">&#8220;Google digs in its heels as publishers seek their cut&#8221;</a>.</p>
<p>Falei no evento na condição de diretor do Comitê de Estratégias Digitais da ANJ, a Associação Nacional de Jornais. A palestra foi em 30 de outubro de 2012 do &#8220;5º Tablet and App Summit&#8221; durante a a exposição anual da indústria de jornais e notícias, a World Publishing Expo 2012, ocorrida em Frankfurt de 29 a 31 de outubro de 2012.</p>
<p>Mais de 100 pessoas, publishers e executivos da indústria de jornais de várias partes do planeta, estavam presentes. Entre os palestrantes, também falaram Stephen Pinches, do <em>Financial Times</em>; Alexandra Hardiman, do <em>New York Times</em>, David Heimburger, da revista <em>Stern</em>; Jamie Bill, da Condé Nast (<em>Vogue</em>) e Philippe Jannet, da ePresse &#8211; um concorrente da Newsstand na França.</p>
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		<title>Educação para a cidadania</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Oct 2012 18:19:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caio Túlio Costa abriu o Encontro Nacional sobre Transparência e Controle Social, em Belo Horizonte, com a palestra magna &#8220;Educação para a Cidadania&#8221;.
Nela, discorreu sobre as mudanças na forma de apreensão do conhecimento e de como a nossa escola ainda não está preparada para tanto.
Falou também sobre a revolução nas comunicações, do problema geracional entre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caio Túlio Costa abriu o Encontro Nacional sobre Transparência e Controle Social, em Belo Horizonte, com a palestra magna &#8220;Educação para a Cidadania&#8221;.</p>
<p>Nela, discorreu sobre as mudanças na forma de apreensão do conhecimento e de como a nossa escola ainda não está preparada para tanto.</p>
<p>Falou também sobre a revolução nas comunicações, do problema geracional entre os que nasceram num mundo onde as comunicações estão digitalizadas e os mais velhos, que nasceram num mundo 100% analógico.</p>
<p>A palestra de abertura ocorreu na quinta-feira, às 9h da manhã do dia 18/10, e o evento foi de 17 a 19 de outubro de 2012 no auditório Vivaldi Moreira do Tribunal de Contas em Belo Horizonte.</p>
<p>Promovido pelo Tribunal de Contas e pela Escola de Contas de Minas Gerais, o evento teve como objetivo &#8220;reunir e compartilhar informações,  ferramentas, novas metodologias, além de criar um espaço  de discussão sobre a transparência, o controle social, a ética, a  democracia e facilitar, por meio das trocas de experiência, a  implementação de mais ouvidorias públicas, bem como fomentar ações em  nível estadual e municipal para a implementação da lei de acesso à  informação&#8221;.</p>
<p>O evento teve como público alvo servidores públicos, servidores das ouvidorias públicas, conselheiros e  presidentes de tribunais de contas, auditores, procuradores do  Ministério Público de Contas, autoridades, sociedade civil  organizada, conselhos públicos e cidadãos.</p>
<p>Além de Caio Túlio Costa, houve palestras e mesas de debates com Álvaro Ricardo de Souza Cruz (Procurador da República em MG), José Eduardo Romão (Ouvidor-Geral da União), Jaime Pinsky (professor da Unicamp), Renato Janine Ribeiro (Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo) e Gustavo Costa Nassif (Diretor da Escola de Contas e Capacitação Professor Pedro Aleixo), entre vários outros palestrantes.</p>
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		<title>Analógicos versus digitais</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Aug 2012 18:01:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NA REVISTA DE JORNALISMO ESPM/COLUMBIA JOURNALISM REVIEW &#8211; 2a. Edição 2012

Caio Túlio Costa

Assim se divide o mundo pós-moderno: entre nativos digitais e nativos analógicos.
Os nativos digitais dominam de maneira intuitiva a internet e os gadgets que a manipulam. Os nativos analógicos não dominam este universo. No entanto, muitos deles se esforçam para se virar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>PUBLICADO NA REVISTA DE JORNALISMO ESPM/COLUMBIA JOURNALISM REVIEW &#8211; 2a. Edição 2012</em><br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Caio Túlio Costa<br />
</strong></p>
<p>Assim se divide o mundo pós-moderno: entre nativos digitais e nativos analógicos.<br />
Os nativos digitais dominam de maneira intuitiva a internet e os gadgets que a manipulam. Os nativos analógicos não dominam este universo. No entanto, muitos deles se esforçam para se virar no mundo digital.<br />
Os nativos analógicos são pessoas experientes, grande parte demasiado crítica. Quando buscam informação na internet, os nativos analógicos preferem as fontes conhecidas, as quais conquistaram credibilidade no mundo analógico. Na primeira hora, nunca prestam atenção nas novidades digitais, como aplicativos, redes sociais ou blogs de pessoas de quem nunca ouviram falar. Reclamam do excesso de informação, das opiniões e da bagunça informacional que o “excesso” provoca. Quando visitam um blog, eles se assustam com a maneira como as pessoas se pronunciam e abastardam a linguagem. O palavreado tosco e abreviado, os julgamentos definitivos e as opiniões gratuitas incomodam os nativos analógicos.<br />
Os nativos digitais não têm esta preocupação. No geral, são protagonistas na internet. Têm bastante público, algum público ou nenhum público, mas sempre estão à vontade na rede – conversando com os amigos, coletando informações que os satisfaz, descobrindo um aplicativo novo ou investindo numa rede social recém-lançada.<br />
No Twitter, eles se sentem em um palco. No Facebook, eles agem entre pares. No Foursquare, eles se informam sobre qualidade de serviços. No Skype, eles conversam com amigos e familiares sem pagar conta de telefone. No Drawsomething, eles trocam desenhos simplórios. No Instagram, eles se sentem artistas, fotógrafos, decoradores ou gourmets. No iPhone, eles teclam com rapidez usando apenas os dois polegares&#8230;<br />
Os nativos analógicos têm formação livresca, aprenderam com livros, tiveram aulas tradicionais, usaram papel carbono para fazer cópias de um mesmo texto, tem guardada em algum lugar da casa, carinhosamente, uma máquina de escrever. Usam o computador tanto como máquina de escrever como para ler textos na forma de arquivos PDF ou Word. Conheceram celular e e-mail já na idade adulta.<br />
Os nativos digitais apreendem o conhecimento de outro jeito. Sua formação se dá com conteúdos digitais na forma de música, cinema, videogame, histórias em quadrinhos e minisséries, além dos livros, é claro. Os nativos digitais aprendem geografia em videogames, história em documentários, inglês com as músicas, conjuntura com redes sociais e só fazem contas com calculadoras. Nasceram com endereço de e-mail, usam celular desde crianças.<br />
Estes dois tipos, caricaturados acima, estão na base de toda a confusão que a indústria de comunicação enfrenta ante as mudanças tecnológicas que viraram seu negócio de ponta-cabeça. No fundo, estes dois tipos protagonizam uma disputa geracional espraiada por toda a contemporaneidade.<br />
Os nativos analógicos tentam salvar negócios analógicos adaptando-os ao digital. Os nativos digitais correm por fora e criam negócios completamente digitais – como o do Google e o do Facebook. No caso do Facebook, seus criadores não se preocuparam em ter um modelo estável e garantido de negócio enquanto não alcançassem uma bela audiência mundial. Com quase 1 bilhão de usuários e valor de mercado inflado sem receita para sustentá-lo, o Facebook agora corre atrás de um modelo.<br />
Uma terceira figura também pode ser detectada, no meio destes dois polos: a do analógico digital – numa leitura aberta de definição cunhada pelo cientista Silvio Meira (definição explicitada em palestra no Museu da Imagem e do Som em São Paulo, em evento da Serasa-Experian em 4/6/2012). É o caso se Steve Jobs, que soube dar sentido digital inclusive ao negócio da música (iTunes), sem falar do computador pessoal, dos tablets e dos celulares.<br />
A essência do primeiro, nativo analógico, é a da solidez dos conceitos, da informação distribuída unidirecionalmente: o professor estuda e ensina, o jornalista apura e informa.<br />
A essência do segundo, nativo digital, é a da liquidez dos conceitos: ele sabe tanto quanto o professor, ele não precisa ser jornalista para informar e opinar, seus conceitos se amoldam às situações assim como os líquidos se ajustam e tomam a forma de seus receptáculos (conforme defende muito bem Zygmunt Bauman in Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.)<br />
No caso específico da imprensa, a tensão entre analógicos e digitais se resume na incerteza de como o jornalismo irá sobreviver para continuar a relatar os fatos de forma independente, fiscalizar os poderes e regar o diálogo crítico.<br />
Ao mesmo tempo em que há nativos analógicos que se digitalizaram pela necessidade de sobrevivência, ou por inteligência e capacidade de seguir o novo, o modelo de negócio da imprensa também precisa se digitalizar. No fundo, não há como “analogisar” a comunicação em rede, exatamente o que a imprensa tenta fazer – sem o perceber – quando transplanta para o ambiente digital o seu modelo de negócio analógico tradicional.<br />
Desde Gutenberg até a emergência da internet comercial &#8211; lá se vão exatos 555 anos &#8211; a indústria da informação era totalmente responsável pela cadeia de valor do seu empreendimento. Dominava 100% do seu modelo de negócio. A partir de 1995, quando a internet se tornou negócio com as facilidades da world wide web, a indústria da comunicação foi colocada à prova. Grande parte da confusão vem do fato de que os meios de informação tradicionais não dominam mais a totalidade da cadeia de valor no mundo digital.<br />
Tome como exemplo o jornal, o vetusto exemplar da mídia clássica. A empresa que o edita produz o conteúdo (“conteúdo é o rei!”), negocia e compra papel e tinta para impressão do mesmo, detém a imponente máquina impressora (ou paga pelo uso dela), arrecada dinheiro com a publicidade e domina a distribuição do seu produto seja por meio da venda avulsa dos exemplares nas bancas ou da comercialização de assinaturas. Desenvolveu três fontes distintas de receita no trato com anunciantes e consumidores: vende assinatura, vende exemplares avulsos e vende publicidade. Vale o mesmo para o negócio das revistas tradicionais.<br />
Vale o mesmo para o rádio e para a televisão – ambos produzem o conteúdo, levantam o sinal e pagam pela sua distribuição via satélite ou via torres de transmissão terrestre, seja na forma direta ou por intermédio de parceiros retransmissores. A publicidade (e suas variações como o merchandising) paga tudo na TV aberta e no rádio. Os assinantes e a publicidade pagam a conta na TV a cabo ou por satélite. Tudo dominado!<br />
O jogo muda no mundo digital. A começar pelo fim: quem domina a distribuição dos conteúdos digitais é a indústria de telecomunicações, que arrecada cerca de 60% de todo o dinheiro que circula na indústria digital – cujo total em breve ultrapassará os US$ 2,5 trilhões de dólares de faturamento por ano (os dados referentes ao mercado digital mundial vêm de estudo, não publicado, que ajudei a BCG &#8211; Boston Consulting Group &#8211; a realizar em 2010). A mídia clássica não domina a distribuição digital da mesma forma que domina a distribuição do seu conteúdo impresso ou nas ondas eletromagnéticas.<br />
Ainda na ponta da distribuição, quem domina o aparelho que recebe os conteúdos (para fazer a função do papel e do aparelho de rádio ou TV) é a indústria produtora de computadores, laptops, tablets, smartphones e celulares. 14% do faturamento digital vão para esta indústria.<br />
Contudo, além das telefônicas e dos produtores de diversificados aparelhos receptores, surgiu mais um atravessador no caminho. É o produtor de tecnologia, em geral um criador de software, que agrega e manipula conteúdos de terceiros, como o Google, o Bing, os sites de comércio eletrônico (Amazon, E-Bay), os sites de serviços em geral (Webmotors, Monster, Buscapé), as redes sociais (Facebook, Twitter, YouTube) e até mesmo novidades do mundo financeiro, como o PayPal &#8211; entre inúmeros outros. Os agregadores carregam 22% do faturamento anual digital e esse percentual só cresce.<br />
Restou à indústria tradicional de comunicação a produção do conteúdo. E ela está conformada com isso. No máximo, quer digitalizá-lo para vendê-lo aos internautas. A indústria do conteúdo, com receitas de inserção publicitária e aquelas advindas da cobrança pelo acesso ao produto informativo, fatura somente 7% do total das receitas digitais.<br />
Surge então o primeiro grande desafio da indústria da informação na era digital: como enfrentar esta mudança brutal na cadeia de valor? No fundo, ela tinha um bom negócio de distribuição, mas agora apareceram telefônicas, agregadores, fabricantes de aparelhos e de softwares para atrapalhar o velho e bom negócio da venda da informação – sem falar no público que (mal) acostumou-se a consumir informação de graça.<br />
Como vencer sem fazer apenas a transposição do modelo tradicional para o mundo digital? Como se libertar da situação de tentar cobrar por um conteúdo que os internautas conseguem de graça, mesmo de pior qualidade? Como financiar a produção online de jornalismo de qualidade? Como enfrentar tanta informação, tanto boato, tanta opinião? Como garantir o jornalismo independente na sua forma vencedora?<br />
Ponto central para acordar dormentes: o jornalista perdeu o monopólio da informação e perdeu o monopólio da opinião. Mais: os meios de comunicação perderam o monopólio da informação e da opinião. Durante os 555 anos de domínio do sistema Gutenberg, esta indústria distribuiu conteúdo de forma unilateral, despejou informação e opinião nos leitores, nos ouvintes e nos telespectadores. Isso mudou. Leitor, ouvinte e telespectador agora têm totais condições, sem nenhuma expertise ou poderio financeiro, de produzir informação e opinião. O internauta pode não ter audiência nem alcance e tampouco frequência, mas tem poder de mídia.<br />
Esta nova realidade não invalida, absolutamente, o papel do jornalista no mudo digital. Ele tem, seja por experiência ou por formação acadêmica, a capacidade técnica de produzir a informação e a opinião. As pessoas continuam a buscar essa intermediação e nada indica que ela tenha se tornado obsoleta. Os resultados de um agregador de notícias qualquer, como o Google News, mostram isso. As primeiras respostas, e mesmo a maioria delas, quando se pesquisa um tema qualquer de notícia, vêm de fontes tradicionais de informação. Os jornais, as revistas, as agências clássicas de notícia, surgem sempre com mais relevância nos resultados orgânicos da pesquisa do Google. Se eles têm mais relevância é porque têm credibilidade.<br />
No entanto, a questão persiste porque muitas vezes uma fonte não confiável pode divulgar notícias inverídicas, distorcidas e opiniões desabonadoras – sejam sobre indivíduos ou marcas. E esse resultado pode estar embaralhado nos resultados de uma pesquisa no Google. Não há como resolver ou controlar totalmente esta questão mesmo e apesar dos esforços dos buscadores com algoritmos inteligentes.<br />
No fundo, o jornalista precisa se convencer que deixou de ser o ator principal e se tornou um coadjuvante no complexo mundo digital. Essa é a nova realidade da comunicação e somente a educação, também em uma nova forma que escola nenhuma conseguiu delinear ainda, vai permitir que os usuários saibam separar o joio do trigo – e ficar com o trigo.<br />
Os desafios para o jornalismo se multiplicam. Estão na questão econômica (a mudança na cadeira de valor), na questão moral (em quem confiar no mundo online?) e na questão da produção jornalística propriamente dita (como a da transformação do velho jornalista produtor de texto em sujeito multiplataforma, pois o jornalismo na rede exige o domínio das ferramentas de captação de imagens e sons além da destreza na escrita).<br />
Faz pouco tempo, listei num livro 28 tópicos que a complexidade da nova realidade introduz (Ver “Ética e Mídia” in Cultura das Transgressões no Brasil – Visão do Presente. São Paulo: Saraiva, 2009 e disponível online conforme acessado em 23/05/2012: http://caiotulio.com/etica-e-midia/).<br />
Reforço aqui alguns deles, os mais prementes, como o da concentração econômica das empresas de mídia que só faz aumentar. Apenas oito empresas globais de comunicação faturam a metade do dinheiro que arrecada a indústria (ver lista completa in http://caiotulio.com/google-e-a-terceira-maior-empresa-de-midia-do-planeta/ conforme acessado em 8/6/2012).<br />
Ou, no caso específico da telefonia móvel, o problema das empresas de comunicação que tateiam sobre a melhor forma de inserir conteúdo informativo neste sistema e temem o poderio das telefônicas móveis.<br />
Sem falar na nova publicidade seja em rede seja no celular. Manipulados por técnicas inéditas, os conteúdos podem misturar informação, entretenimento e serviço com material publicitário de forma pouco ou nada perceptível pelo público.<br />
Nesta esteira, surgiu o “prosumer”, palavra que define o consumidor que avalia produtos e serviços e assim ajuda consumidores e empresas. Qualquer internauta pode deixar um comentário num site comercial e os consumidores poderão se orientar (ou se desorientar) em relação àqueles bens ou serviços oferecidos. Isso dá um poder inédito ao consumidor.<br />
Assim como pode haver confusão entre informação e propaganda, pode haver também entre o que é jornalismo e entretenimento. Na nova mídia, é mais difícil separar visualmente uma categoria da outra. Jogos online, shows, música, cinema, produtos e serviços diversos se confundem numa mesma plataforma de informação, exibição e comercialização.<br />
A web também não dá tempo ao jornalismo para uma pesquisa minimamente acurada quando se publica informação em tempo real. Por isso, as informações surgem inexatas. O que difere a nova mídia da comunicação tradicional é que a informação inexata pode ser corrigida e ampliada online, imediatamente depois de publicada – algo impossível na mídia impressa.<br />
Não existe saída milagrosa para os desafios expostos aqui.<br />
Do ponto de vista econômico, entre os jornais, há três correntes distintas enfrentando essa situação. Correntes dominadas, evidentemente, por nativos analógicos.<br />
Uma é liderada pelo jornal inglês The Guardian, que aposta no “open journalism” e cujas receitas principais vêm da publicidade e as secundárias da venda de produtos de valor agregado (textos de arquivo, anúncios de emprego, site de namoro).<br />
A segunda corrente é personificada por The Times, que bloqueia completamente o conteúdo para não assinantes (sejam digitais ou analógicos).<br />
Há uma terceira, capitaneada pela aposta do New York Times no chamado “paywall poroso”, uma plataforma que libera o acesso caso o internauta venha de um link de busca ou de redes sociais e permite que ele leia gratuitamente 10 textos por mês se chegar diretamente à homepage do jornal.<br />
Nenhuma dessas três correntes provou até agora que pode ser a vencedora, mormente porque todas estão requentando na forma digital seu modelo clássico de negócio. As exceções, em relação ao “requentar”, seriam os jornais que partem para a venda de produtos de valor agregado, como o Guardian tenta fazer, mas ainda sem sucesso financeiro.<br />
No entanto, a corrente que causa mais excitação entre os analógicos digitais é a do “paywall poroso”. Nada indica que esta tentativa de transpor o modelo tradicional (publicidade + conteúdo pago) para o mundo digital possa se revelar capaz de trazer receitas e lucros como o modelo clássico tem sido capaz de fazê-lo.<br />
O recado que este texto procura dar, porém, é que os nativos analógicos só irão conseguir vencer estes desafios caso respeitem o que o digital tem de revolucionário: a interação. Os nativos analógicos responsáveis pelas atuais atividades da imprensa ainda a enxergam como uma indústria de informação pura. Mas a interação em rede (seja móvel ou fixa) colocou um ponto final na comunicação exclusivamente unilateral do jornalismo clássico. E mudou, com a ajuda da tecnologia, do software, a maneira de as pessoas lidarem com a informação.<br />
A informação na era digital não é algo “complementar” ao jeito de ser da velha mídia, como ela corriqueiramente entende ser. A internet também não deve ser reduzida à condição de ferramenta de marketing ou de divulgação da imprensa tradicional. E a informação não corre solta no mundo digital. O negócio da imprensa no mundo digital é de outra natureza, muito mais complexo do que produzir conteúdo, imprimir e distribuir. Inclui capacidade de desenvolvimento tecnológico e o uso da interação para amplificar receitas.<br />
O protagonista da imprensa que quiser vencer no mundo digital, seja nativo analógico ferrenho ou analógico digital convertido, vai precisar ampliar a visão do negócio caso queira se antecipar aos nativos digitais que tomarão conta desta indústria daqui há pouco, é questão de uma ou duas gerações. Essa ampliação pressupõe seguir a vocação da rede e compreender que se está numa indústria maior do que a da informação. Ele está na indústria da comunicação. E ela está na era digital, na era interativa. Isto pressupõe não apenas produzir conteúdo de qualidade, mas também software de qualidade, ou seja, além do conteúdo, produzir tecnologia para fazer face às demandas dos novos tempos – digitais.<br />
- &#8211; -<br />
Caio Túlio Costa é jornalista, doutor em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, professor do curso de pós-graduação da ESPM-SP, diretor do Comitê de Estratégia Digital da Associação Nacional de Jornais e sócio da MVL Comunicação.</p>
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		<title>The Guardian: lição de jornalismo aberto</title>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 16:22:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NO SITE DA PROXXIMA 2012 EM 09/05/2012 ÀS 12:32
Executivo da área Digital do jornal britânico, Piers Jones mostrou à plateia do ProXXIma que abrir as portas para os leitores pode ser o segredo do sucesso para os veículos
BÁRBARA SACCHITIELLO
Digital first. Essas palavras, ditas logo no início do seminário de Piers Jones, gerente de produtos para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><span>PUBLICADO NO SITE DA PROXXIMA 2012 EM 09/05/2012 ÀS 12:32</p>
<p>Executivo da área Digital do jornal britânico, Piers Jones mostrou à plateia do ProXXIma que abrir as portas para os leitores pode ser o segredo do sucesso para os veículos</p>
<p><strong>BÁRBARA SACCHITIELLO</strong></p>
<p>Digital first. Essas palavras, ditas logo no início do seminário de Piers Jones, gerente de produtos para plataformas digitais e redes sociais do The Guardian, deram uma síntese do que o público da edição de 2012 do ProXXima pode acompanhar: um exemplo concreto de um jornal que, apesar de sua tradição de mais um centenário de existência, não teve medo de inovar de acordo com o ritmo das novas tecnologias e forma de consumo de mídia.</p>
<p>Com a presença do jornalista, sócio da MVL Comunicação, Caio Tulio Costa, o seminário de Piers Jones foi uma apresentação das estratégias do The Guardian para manter o interesse e a atenção do público, em diferentes plataformas. O representante do veiculo inglês deixou claro que todo esse exemplo de inovação reside, primeiramente, na premissa de se tratar o digital como prioridade. &#8220;Quando recebemos uma noticia ou informação importante, não existe mais a duvida de coloca-la na internet ou de guarda-la para o papel. O Digital sempre vem à frente&#8221;, resume Jones.</p>
<p>Ele aproveitou o seminário para expor exemplos dos produtos digitais do jornal, como o site, os aplicativos para smartphones e tablets e os perfis do título nas redes sociais. O destaque dessa parte da apresentação foi o aplicativo do The Guardian para o Facebook, que foi desenvolvido após dois meses de trabalho, com o objetivo de criar uma maneira diferente de dar as noticias e entrar em contato com a audiência. Desde setembro de 2011, quando foi lançado, o aplicativo já foi baixado por mais de 11 milhões de pessoas.</p>
<p>Os leitores, alias, são tratados praticamente como colaboradores diretos dos jornalistas do The Guardian. Com enquetes, sugestão de noticias, discussão de assuntos, compartilhamento de informações, participação em eventos promovidos pelo jornal e outros canais de contato, os leitores são, constantemente, estimulados a participar e a colaborar com o conteúdo do grupo de mídia. &#8220;Nosso objetivo é fazer com que as pessoas passem mais tempo conosco. Esse crescimento da audiência, consequentemente, nos dá uma maior base para trabalhar comercialmente nossos produtos e conseguir gerar receita&#8221;, esclarece Jones.</p>
<p><strong>Cabeça no futuro</strong></p>
<p>Exemplo de publicação que segue na trilha do fornecimento gratuito de conteúdo – financiado pela publicidade – o The Guardian acaba indo na contra-mão de boa parte dos grandes jornais do mundo, que vêm estruturando seu modelo de negócios com base na cobrança pelo acesso ao conteúdo digital. Esse posicionamento do jornal britânico, segundo o jornalista Caio Tulio Costa, é um exemplo claro de que o The Guardian conseguiu enxergar algo que muitos veículos ainda relutam a ver: &#8220;O jornalista não é mais o ator principal da notícia. Ele precisa dividir esse palco com os leitores, que colaboram diretamente com o conteúdo&#8221;, frisou Costa.</p>
<p>Questionado sobre a aparente contradição entre priorizar o Digital enquanto a maior parte de sua receita publicitária ainda provem do jornal impresso, Piers Jones respondeu representando a filosofia de um título que, mesmo nascido em 1821, tem os dois pés e a cabeça no futuro: &#8220;Priorizar o Digital nada mais é do que reconhecer a mudança estrutural. O impresso ainda pode ser a maior fonte de receita, mas isso não será para sempre. Não sabemos se estamos construindo um modelo correto. Considerando, porém, a rápida evolução da tecnologia e dos leitores, acredito que vale a pena arriscar&#8221;, finalizou.</p>
<p></span></span></p>
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		<title>Workshop discute o papel da educação formal para os alunos do século XXI</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 19:37:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NO SITE DO CANAL FUTURA EM 24/04/2012
Qual é o papel da educação formal em um mundo repleto de informações ao alcance do mouse? Como utilizar o conhecimento dos próprios alunos e ensiná-los a construir uma visão crítica diante da tecnologia? Estas foram algumas das questões debatidas no Workshop Futura 2012: Comunicação e Educação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><span>PUBLICADO NO SITE DO CANAL FUTURA EM 24/04/2012</p>
<p>Qual é o papel da educação formal em um mundo repleto de informações ao alcance do mouse? Como utilizar o conhecimento dos próprios alunos e ensiná-los a construir uma visão crítica diante da tecnologia? Estas foram algumas das questões debatidas no Workshop Futura 2012: Comunicação e Educação de Ponta-Cabeça, realizado no dia 19/04 na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na capital paulista. O evento contou com apresentações de Caio Túlio Costa, jornalista, doutor em Ciências da Comunicação e consultor de novas mídias e Maria Luiza Belloni, especialista em Ciências da Educação e pesquisadora do Comunic, grupo de estudos da Universidade Federal de Santa Catarina que estuda as inter-relações entre as mídias e os processos educacionais.</p>
<p>Segundo Caio Túlio Costa, embora haja grandes transformações em curso na forma como encaramos as instituições, apreendemos conhecimento e nos comunicamos, a educação formal apresenta, de forma geral, uma visão retrógrada. &#8220;Há 300 anos a escola se encontra estruturada da mesma maneira&#8221;, criticou.</p>
<p>Apesar do atraso, no entanto, a educação pode exercer um papel fundamental para ajudar as novas gerações a lidar justamente com o grande fluxo de informações e com a necessidade do aprendizado constante, lembrou Maria Luiza Belloni. &#8220;A educação tem que ser ao longo da vida, não só para as crianças. A escola precisa ensinar como aprender&#8221;. Para isso, é crucial superar a resistência à tecnologia, que muitas vezes leva a um conflito de gerações entre alunos e professores. &#8220;Podemos ter educação de qualidade apenas no papel. Mas para educar as crianças, fazer com que elas aprendam a usar as novas mídias e assumam uma postura crítica, precisamos da tecnologia&#8221;, alertou a especialista.</p>
<p>Entre as propostas discutidas no workshop, está a mudança no foco da educação, que deveria priorizar a criação de metodologias de pesquisa que motivem as crianças a buscar conhecimento em vez de se concentrar em transmitir conteúdos pré-estabelecidos. &#8220;Nesse cenário de mudança, o caminho é investir na escola básica integral e na universidade pública, gratuita e aberta a todos, com professores formados também através das tecnologias&#8221;, apostou Maria Luiza Belloni.</p>
<p>No caso específico da educação brasileira, também é necessário efetivar políticas públicas que utilizem a tecnologia com eficácia e levem a mudanças efetivas. &#8220;A mentalidade de quem dirige a escola não mudou. Não adianta comprar um monte de tablets e usar do jeito errado. A mudança é inexorável, a despeito dos educadores&#8221;, afirmou Caio Túlio Costa.</p>
<p></span></span></p>
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		<title>Google é a terceira maior empresa de mídia do planeta</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 14:25:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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Com um faturamnento de US$ 37,9 bilhões no ano passado, o Google entrou para o ranking das maiores empresas de comunicações do mundo, em terceiro lugar.
A lista das 50 maiores empresas de comunicação acaba de ser divulgada na Alemanha pelo IfM, o Institut für Medien-und Kommunikationpolitik, ou Instituto para Políticas de Mídia e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="font-size: small;"><span><strong>Caio Túlio Costa</strong></span></span></div>
<p><span style="font-size: small;"><span>Com um faturamnento de US$ 37,9 bilhões no ano passado, o Google entrou para o ranking das maiores empresas de comunicações do mundo, em terceiro lugar.</p>
<p>A lista das 50 maiores empresas de comunicação acaba de ser divulgada na Alemanha pelo IfM, o Institut für Medien-und Kommunikationpolitik, ou Instituto para Políticas de Mídia e de Comunicação.</p>
<p>O campeão da lista é o conglomerado que reúne Comcast, NBC e Universal, da Philadelphia, nos Estados Unidos, com faturamento recorde US$ 55,8 bilhões.</p>
<p>O segundo lugar é da Disney, que faturou US$ 40,8 bi.</p>
<p>O Google nunca havia entrado na lista, apesar de estar faturando alto há anos.</p>
<p>O fato mais importante é que, entre as 50 maiores, somente dez entre elas são resposáveis por 54% do faturamento global.</p>
<p>As 50 maiores empresas de mídia do planeta faturam no total US$ 563 bilhões. As dez primeiras, cada uma com receita acima de US$ 15 bilhões, faturam US$ 303 bilhões, mais da metade do todo.</p>
<p>Os montantes de faturamento compilados se referem ao ano passado.</p>
<p>Outro dado relevante, desde 2010, é o fato de que a até então primeira colocada, a Time-Warner, ter despencado para o quinto lugar.</p>
<p>A úinica empresa brasileira na lista é a Globo, com US$ 6,5 bilhões de faturamento.</p>
<p>Entre as dez maiores, as seis primeiras são americanas: Comcast, Disney, Google, News Corp., Viacom e Time Warner.</p>
<p>A sétima é japonesa, a Sony.</p>
<p>A oitava é alemã, a Bertelsmann.</p>
<p>A nona é francesa, a Vivendi; e a décima volta a ser americana, a Cox.</p>
<p>O ranking foi feito em Euros, mas veja aqui abaixo a lista completa na ordem e com o respectivo faturamento em bilhões de dólares:</p>
<p>1. Comcast/NBCUniversal, LLC (Philadelphia / USA): US$55,841 bilhões.</p>
<p>2. The Walt Disney Company (Burbank / USA): $40,893</p>
<p>3. Google Inc. (Mountain View/ USA): $37,906</p>
<p>4. News Corp. Ltd. (New York/ USA): $33,405</p>
<p>5. Viacom Inc./CBS Corp. (New York / USA): $29,160</p>
<p>6. Time Warner Inc. (New York / USA): $28,974</p>
<p>7. Sony Entertainment (Tokyo / JP ): $22,987</p>
<p>8. Bertelsmann AG (Gütersloh/GER): $21,232</p>
<p>9. Vivendi S.A. (Paris/ Frankreich): $17,381</p>
<p>10. Cox Enterprises Inc. (Atlanta / USA): $15,330</p>
<p>11. Dish Network Corporation (Englewood, CO / USA): $14,048</p>
<p>12. Thomson Reuters Corporation (New York/ USA): $13,807</p>
<p>13. Liberty Media Corp./Liberty Interactive (Englewood, CO / USA): $12,639</p>
<p>14. Rogers Comm. (Toronto / CA): $12,571</p>
<p>15. Lagardère Media (Paris/ Frankreich): $10,659</p>
<p>16. Reed Elsevier PLC (London/ GB): $9,608</p>
<p>17. Pearson plc (London / UK): $9,402</p>
<p>18. ARD (Berlin, München/GER): $8,660</p>
<p>19. Nippon Hoso Kyokai (Tokyo / Japan): $8,346</p>
<p>20. BBC (London / UK): $7,773</p>
<p>21. Bloomberg L.P. (New York / USA): $7,600</p>
<p>22. Fuji Media Holdings, Inc. (Tokyo / JP): $7,252</p>
<p>23. Charter Comm. Inc. (St. Louis/ USA): $7,204</p>
<p>24. Cablevision Systems Corp. (Bethpage, NY/ USA): $6,701</p>
<p>25. Globo Communicação e Participações S.A. (Rio de Janeiro/ BRA): $6,581</p>
<p>26. Advance Publications (Staten Island, New York / USA): $6,549</p>
<p>27. The McGraw-Hill Comp. Inc. (New York/USA): $6,246</p>
<p>28. Clear Channel Comm. (San Antonio / USA): $6,161</p>
<p>29. Mediaset SpA (Mailand / IT): $5,916</p>
<p>30. The Nielsen Company (Haarlem/ NL): $5,532</p>
<p>31. Gannett Co. Inc. (McLean, Virginia / USA): $5,239</p>
<p>32. Grupo Televisa (Álvaro Obregón / MX): $5,039</p>
<p>33. Yahoo! Inc. (Sunnyvale/ USA): $4,983</p>
<p>34. The Naspers Group (Kapstadt / ZA): $4,797</p>
<p>35. Shaw Communications (Calgary /CA): $4,795</p>
<p>36. Wolters Kluwer nv (Amsterdam / NL): $4,669</p>
<p>37. Bonnier AB (Stockholm / SWE): $4,596</p>
<p>38. Axel Springer AG (Berlin /GER): $4,434</p>
<p>39. France Télévisions S.A. (Paris/ FRA): $4,371</p>
<p>40. Discovery Communications (Silver Spring/ USA): $4,234</p>
<p>41. Tokyo Broadcasting System Holdings, Inc. (Tokyo / Japan): $4,215</p>
<p>42. The Washington Post Company (Washington D.C. / USA): $4,215</p>
<p>43. RAI Radiotelevisione Italiana Holding S.p.A. (Rom / IT): $4,193</p>
<p>44. Quebecor Inc. (Montreal/ CA): $4,079</p>
<p>45. ITV plc (London / GB): $3,900</p>
<p>46. ProSiebenSat.1 (Unterföhring/ GER): $3,836</p>
<p>47. Sanoma Group (Helsinki / FI): $3,822</p>
<p>48. The Hearst Corporation (New York/ USA): $3,800</p>
<p>49. Grupo PRISA (Madrid / ES): $3,778</p>
<p>50. TF1 S.A. (Boulogne, Cedex / FRA): $3,647</p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
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		<title>&#8216;História da Imprensa Paulista&#8217; nasce clássica</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Mar 2012 22:23:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte e Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[PUBLICADO NA FOLHA DE S.PAULO DE 24/03/2012, PÁG E-7
CAIO TÚLIO COSTA
ESPECIAL PARA A FOLHA
A universidade brasileira produz uma literatura rarefeita sobre jornalismo. Costuma perder-se em minúcias, em teses absolutamente descartáveis sobre aspectos pueris do fazer comunicação.
A boa notícia é que existem profissionais dispostos a correr por fora e produzir conhecimento sobre o jornalismo.
É o caso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: small;"><span><em>PUBLICADO NA FOLHA DE S.PAULO DE 24/03/2012, PÁG E-7</em></p>
<p><strong>CAIO TÚLIO COSTA</strong></p>
<p>ESPECIAL PARA A FOLHA</p>
<p>A universidade brasileira produz uma literatura rarefeita sobre jornalismo. Costuma perder-se em minúcias, em teses absolutamente descartáveis sobre aspectos pueris do fazer comunicação.</p>
<p>A boa notícia é que existem profissionais dispostos a correr por fora e produzir conhecimento sobre o jornalismo.</p>
<p>É o caso de Oscar Pilagallo, que dedicou anos à pesquisa resultante nesta história do jornalismo paulista, cosida completamente à margem da academia.</p>
<p>Ele produziu uma obra de fôlego, bem escrita, concisa. Vem composta por incontáveis leituras, entrevistas e documentação. É a &#8220;História da Imprensa Paulista&#8221;, publicada por Três Estrelas, novo selo editorial do Grupo Folha.</p>
<p>Nasce clássica e preenche lacunas que a &#8220;História da Imprensa no Brasil&#8221;, de Nelson Werneck Sodré, não conseguia suprir em relação ao papel da imprensa paulista no cenário nacional.</p>
<p>No fundo, é a história de uma imprensa que começou atrasada no tempo e na tecnologia, ganhou espaço e protagonismo, mas ainda não se encontrou integralmente do ponto de vista da convergência tecnológica. Não é demérito só dela, mas da maioria dos jornais mundo afora, que ainda busca se situar em relação aos desafios da comunicação em rede.</p>
<p>O primeiro jornal da então província, &#8220;O Paulista&#8221;, estreou em 1823. Ou seja, 15 anos depois do primeiro jornal impresso no Brasil, no Rio e, pior, em vez de usar os tipos móveis inventados havia quase 400 anos por Gutenberg, surgiu caligrafado por amanuenses -mesmo com tipografias em quase todas as províncias do império.</p>
<p>Pilagallo mostra como a grande imprensa paulistana, ou a dita imprensa burguesa, ganha relevância e então centraliza a produção jornalística de reconhecida qualidade editorial, em grande medida e por muito tempo lastreada no Rio, em especial nos anos dourados do &#8220;Jornal do Brasil&#8221; (anos 1950 e 1960).</p>
<p>A maioria das atitudes e movimentações políticas relatadas sobre a imprensa paulista provém da leitura dos editoriais, revisitados com acuidade pelo autor ao traçar uma linha do tempo que reflete um processo mais conservador do que liberal.</p>
<p>Há exceções, conhecidas, como &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221; contra a censura (anos 1970) ou a Folha a partir dos anos 1980 (Diretas Já).</p>
<p>É esclarecedora a divisão dos capítulos, que se amalgamam à ordem cronológica. Se de 1823 a 1889 há &#8220;Pioneiros, Panfletários e Cabriões&#8221; -os importunadores, atividade que o jornalismo paulista sempre cultivou no varejo-, de 1889 a 1930 perfila &#8220;A República Empastelada&#8221;.</p>
<p>De 1930 a 1945, a &#8220;Resistência e Cooptação sob Vargas&#8221;. De 1945 a 1964, a &#8220;Conspiração Contra o Perigo Escarlate&#8221; -o perigo comunista, cuja bandeira é de cor vermelha muito viva. De 1964 a 1984 se exibem os anos do &#8220;Jornalismo Possível na Ditadura&#8221;.</p>
<p>De 1984 a 1992, o autor vê &#8220;O Protagonismo das Redações&#8221;. Finalmente, de 1992 até 2010, a imprensa paulista está &#8220;Entre a Convergência e a Polarização&#8221;.</p>
<p>O uso do cachimbo costuma entortar a boca. Talvez por ter trabalhado tanto tempo na Folha, jornal no qual se formou, foi um dos editores e do qual foi correspondente na Inglaterra, há Folha demais e &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221; de menos, como há Diários Associados de menos.</p>
<p>Justiça seja feita, Pilagallo não foge do delicado assunto que liga a &#8220;Folha da Tarde&#8221; à ditadura militar. Também não quero bancar o cri-cri ao apontar errinhos menores, mas Pilagallo peca ao considerar que o &#8220;Suplemento Literário&#8221; de &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221; &#8220;serviria de modelo aos congêneres surgidos na grande imprensa brasileira&#8221;.</p>
<p>Apesar da extraordinária qualidade crítico-literária do caderno cultural paulistano, o modelo foi o &#8220;Suplemento Dominical&#8221; do &#8220;Jornal do Brasil&#8221;, do Rio, criado por Reynaldo Jardim no mesmo ano do paulista projetado por Antonio Candido: 1956.</p>
<p>CAIO TÚLIO COSTA é jornalista, professor na ESPM e sócio da MVL Comunicação.</p>
<p>HISTÓRIA DA IMPRENSA PAULISTA</p>
<p>AUTOR Oscar Pilagallo</p>
<p>EDITORA Três Estrelas</p>
<p>QUANTO R$ 59,90 (368 págs.)</p>
<p>AVALIAÇÃO ótimo</p>
<p> </p>
<p></span></span></p>
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