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	<title>Caio Túlio Costa &#187; obrigatoriedade</title>
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		<title>Sobre o diploma de jornalismo</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Jun 2009 14:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Caio Túlio Costa
Quero registrar considerações a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal (em 17/06/2009) de derrubar a exigência de diploma de jornalista para o exercício da profissão.
1. O estudo universitário, a formação acadêmica, é fundamental para qualquer um exercer a profissão de jornalista.
2. Para ser bom jornalista ninguém precisa de diploma específico fornecido pela escola de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Caio Túlio Costa<br />
</strong>Quero registrar considerações a respeito da decisão do Supremo Tribunal Federal (em 17/06/2009) de derrubar a exigência de diploma de jornalista para o exercício da profissão.<br />
1. O estudo universitário, a formação acadêmica, é fundamental para qualquer um exercer a profissão de jornalista.<br />
2. Para ser bom jornalista ninguém precisa de diploma específico fornecido pela escola de jornalismo. Por conta da maneira precária como se estruturou a maioria crescente e galopante dos cursos de jornalismo no Brasil, eles não conseguem dar conta das quatro habilidades imprescindíveis para o ofício, além da vocação:<br />
  a. sólida formação humanística,<br />
  b. sólida formação em filosofia moral,<br />
  c. distanciamento crítico e<br />
  d. domínio da técnica.<br />
3. A formação nas escolas de jornalismo, em geral, é tão insuficiente que muitas empresas de comunicação criaram cursos de treinamento para trazer os recém-formados às necessidades da profissão. Em São Paulo, por exemplo, Abril, <em>Estadão</em> e <em>Folha</em> mantêm programas de treinamento.<br />
4. É importante dizer que existem boas escolas. Eu me formei numa delas, ECA-USP (mas fui cursar filosofia porque senti falta de uma formação mais específica). Dei aula em outra muito boa, a PUC-SP. Dou aula em outra escola também excelente, a Cásper Líbero. Há exceções. Condeno aquelas escolas que formam jornalistas a rodo, todos os que chegam ao mercado incapacitados não só de escrever, mas de ler.<br />
5. A não obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão pode ser benéfica. As escolas terão que rever seus cursos para formar melhor os profissionais, fazê-los disputados pelo mercado de comunicação. (Este, a propósito, enfrenta uma profunda mudança, uma revolução no que toca às conquistas da tecnologia e da multidirecionalidade da comunicação, da inclusão de novos atores com poder de mídia, da revisão de modelos de negócio em decadência e do aparecimento de novos modelos – como o da própria internet, o da comunicação sem fio e o que mais vier no rastro das transformações que exigem cada vez mais profissionais bem formados, críticos, eticamente capacitados e com perfeito domínio das ferramentas de trabalho.)<br />
6. Se alguém tem vocação para o jornalismo, poderá exercer a profissão com competência se vier bem formado em qualquer área do saber – seja mais genérica seja mais específica. Um egresso de letras terá melhor domínio da linguagem que um formado em jornalismo; quem vem da economia terá melhor domínio da questão econômica que um formado em jornalismo; um engenheiro de produção terá mais condições de tratar da logística de uma edição, dos fatos que requerem conhecimento de matemática e de processos do que um formado em jornalismo; um advogado seguramente não confundirá mandado com mandato e não escreverá que juiz dá “parecer”&#8230;<br />
7. Para os que defendem a necessidade de formação específica em jornalismo (edição, ética, tratamento dos fatos, técnica jornalística&#8230;), há a possibilidade cada vez mais próxima de que se possa adotar no Brasil uma espécie de curso de educação seqüencial no qual o egresso de qualquer curso universitário possa se especializar em jornalismo. Sem falar nos já existentes cursos de pós-graduação, tanto lato senso quanto stricto senso. As escolas podem desde já planejar cursos de jornalismo no nível da pós-graduação. Estes cursos deverão estar baseados no estudo da filosofia moral e das técnicas da profissão.<br />
8. As técnicas da profissão também podem ser aprendidas nos cursos específicos providos por empresas de comunicação. Ou então aprendidas na prática – como sempre foi e era antes de o governo militar tornar obrigatório o diploma para o exercício da profissão e, com isso, ter incentivado a proliferação de inúmeras escolas de jornalismo que acabaram se enrolando num insuficiente bê-á-bá de introduções, na má formação de profissionais e na criação da uma vergonhosa indústria de diploma de jornalismo.<br />
9. Quanto às boas escolas de jornalismo, não há o que temer. Elas se fortalecerão.<br />
10. Em tempo: a obrigatoriedade do diploma é contestada desde o início dos anos 80. A <em>Folha de S. Paulo</em>, de certa forma, liderou este movimento. Vários de seus profissionais defenderam em público a não exigência do diploma. Há um artigo importante de Boris Casoy, então editor responsável da <em>Folha</em>, publicado em <em>Veja</em>. Eu era secretário de redação da <em>Folha</em>, escrevi artigo contra a obrigatoriedade publicado no próprio jornal e defendi a idéia em encontros com jornalistas em várias cidades do país.</p>
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		<title>&#8216;As escolas estão condenadas a incluir a web nos currículos&#8217;</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 02:04:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Caio Túlio Costa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<description><![CDATA[Publicado no portal Nós da Comunicação em 24/3/2009
CICLO COMUNICAR EDUCAÇÃO
Marcos Moura
O portal Nós da Comunicação recebeu na manhã desta terça-feira o jornalista e consultor Caio Túlio Costa para um chat sobre ‘Ética, jornalismo e nova mídia’, título do livro que acabou de lançar pela Jorge Zahar Editor. O bate-papo é parte do Ciclo Comunicar Educação, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Publicado no portal <a href="http://www.nosdacomunicacao.com/panorama_interna.asp?panorama=401&amp;tipo=A" target="_blank">Nós da Comunicação</a> em 24/3/2009</p>
<p>CICLO COMUNICAR EDUCAÇÃO</p>
<p>Marcos Moura</p>
<p>O portal Nós da Comunicação recebeu na manhã desta terça-feira o jornalista e consultor Caio Túlio Costa para um chat sobre ‘Ética, jornalismo e nova mídia’, título do livro que acabou de lançar pela Jorge Zahar Editor. O bate-papo é parte do Ciclo Comunicar Educação, que durante esta semana está esmiuçando as iniciativas educacionais e o impacto no cotidiano do profissional de comunicação e nas empresas.</p>
<p>Caio foi ombudsman do jornal Folha de S. Paulo e diretor dos portais UOL e IG. Segundo o jornalista, &#8220;o livro, ‘Ética, jornalismo e nova mídia &#8211; uma moral provisória’, trata da questão moral da mídia como um todo. Tenta mostrar o quão relativas são as questões éticas na mídia, investiga o abismo que existe entre o normativo e o funcional, entre a teoria e a prática, no jornalismo &#8211; seja na sua maneira tradicional seja na nova mídia&#8221;.</p>
<p>Caio falou sobre ética, internet, jornalismo participativo, mídia impressa, sensacionalismo, cursos de comunicação, sem esquecer da educação como pano de fundo das ações.</p>
<p>Os três internautas que fizeram as perguntas mais relevantes durante o chat receberão livros, ofertados pelas editoras: Illynne e Nandinha ganharam ‘Ética, jornalismo e nova mídia’, de Caio Túlio; e Vany, ‘Hábitos de consumo’, de Neale Martin, publicado pela Campus-Elsevier.</p>
<p>Abaixo, você confere o melhor do chat com Caio Túlio Costa.</p>
<p><strong>INTERNET</strong></p>
<p>Marcos: A internet não deveria ser mais usada para educar as pessoas, ao invés de, na maioria das vezes, se ocupar de futilidades das celebridades instantâneas?</p>
<p>Caio Túlio Costa: A web é tanto um canal de futilidades quanto um meio de educação. Ela tem este poder e esta capacidade de não se tornar apenas um veículo enquanto mensagem (que é o caso da televisão). A internet tem profundidade e nela cabe tanto a fofoca quanto o mais profundo dos ensaios acadêmicos.</p>
<p>Rodrigo Textual: Na linha do que o Marcos perguntou, o que a humanidade pode esperar de positivo da Internet e o que você acha que já é destrutivo hoje em dia?</p>
<p>Caio Túlio Costa: De positivo a internet une as pessoas, possibilita a comunicação em rede, dá poder de mídia ao cidadão e ao indivíduo. É um receptáculo sem limite de espaço para a informação, para o conhecimento, para o saber, é instrumento de cidadania, de política e, de quebra, agrega toda a forma de entretenimento digital.</p>
<p>Marcos: Qual era a expectativa que você tinha em relação à web em meados dos anos 90 no início dos portais?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Por incrível que pareça, eu tinha toda a expectativa do mundo. Eu via que a possibilidade de colocar as pessoas em rede era algo definitivo e que isto iria mudar a comunicação. Tinha lido o livro do Nicholas Negroponte (Being digital) e estava encantado com a possibilidade de transmissões digitais. Mas o mundo andou mais devagar do que eu imaginava. No meu métier, as indústrias tradicionais fizeram um esforço enorme para atrasar o desenvolvimento dessa mídia digital. Por isso foram atropeladas pelo Google.</p>
<p>Christina: Você acha que os educadores estão sabendo aproveitar todas as potencialidades da internet?</p>
<p>Caio Túlio: Não, não e não. Os educadores conhecem pouco a internet e o seu potencial. Todos nós conhecemos muito pouco desse potencial. É tudo muito novo.</p>
<p>Nandinnha: Acho que não apenas os educadores, mas os alunos deveriam ser instruídos a usar corretamente a internet para que tirassem todo proveito dela. A educação que se recebe nos dias atuais é muito superficial. Até mesmo nas faculdades, os alunos não têm o propósito de estudar a fundo.</p>
<p>Então, além de ser tudo muito novo, falta vontade e incentivo a todos.</p>
<p>Caio Túlio Costa: Não adianta. O mundo é assim desde o seu nascimento. A gente deseja instruir, tolher, educar &#8211; e a educação tem que ser respeitada. Mas não é isso que vai fazer com que só se use a internet &#8220;corretamente&#8221;. O que é correto para você, pode não ser correto para outrem. Não adianta tentarmos organizar o inorganizável.</p>
<p>Elisa: De que maneira podemos aproveitar as redes sociais para a educação?</p>
<p>Caio Túlio Costa: As redes sociais são uma benção e devem ser muito bem aproveitadas. Precisamos usar nosso potencial de comunicação para trazer as pessoas às redes.</p>
<p>Rodrigo Textual: E o abismo entre escolas que já abordam a internet em várias cadeiras e as demais que ignoram completamente, por preconceito, falta de investimentos etc. Isso vai criar castas entre os jornalistas, como os que &#8220;entendem disso&#8221; e os que não entendem nada?</p>
<p>Caio Túlio Costa: As escolas estão condenadas a incluir internet e disciplinas multiplataformas nos currículos. Condenadas. Mais cedo ou mais tarde elas incluirão.</p>
<p>Marcos: O que o profissional de comunicação pode fazer para se capacitar, se reciclar, se nem sempre o veículo/empresa que trabalha tem a preocupação em aproveitar o potencial criativo de seu colaborador?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Se a empresa não colabora, ele tem a obrigação de buscar formas de capacitação nas horas possíveis e ao custo possível. Precisa ser criativo. Taí a web com sua infinita capacidade de nos dar informação.</p>
<p><strong>ÉTICA</strong></p>
<p>Christina: Ética não é ética em qualquer tempo ou mídia? Existe uma ética específica para as novas mídias?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Boa pergunta. Existe uma concepção de ética ligada ao bom senso. Esta é uma das questões do livro: para o comunicador não basta o bom senso. Ele precisa ter formação em filosofia moral. No jornalismo, no fazer jornalístico, não basta o senso comum. Portanto, precisamos ir fundo na questão ética e com muito mais do que bom senso.</p>
<p>Lammel: Os códigos de ética de jornalistas e de empresas têm alguma validade prática? Já que não são garantidas como lei pelo Estado, então quem fiscaliza o cumprimento destes códigos?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Esse é o problema: a gente está sempre buscando quem fiscalize. Kant diria que a fiscalização é algo muito bonito que está dentro de você. O livro mostra exatamente que do ponto de vista do código ético, a indústria da comunicação vai muito bem e tem seus códigos. Mas é um código provisório, que serve apenas para defesa teórica e normativa. No dia-a-dia esse código é sistematicamente violado. Por isso, provisório, temporário. Isso vale para as empresas e para os indivíduos.</p>
<p>Vany: Ir a fundo na questão ética, não começa nos próprios veículos de Comunicação? Sabemos que não são exceção os pedidos de demissão de repórteres pensantes, opinativos e questionadores pela contratação de outros mais maleáveis, sorridentes e até &#8216;baba-ovos&#8217;. E, isso não é ético por parte dos contratantes dos jornalistas. Como resolver este imbróglio?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Não sei como resolver. Tento mostrar como as coisas são. Não tento e nem saberia dizer como devem ser dada a complexidade do problema da comunicação que envolve essa moral provisória, os problemas da linguagem, a tensão com as fontes e a desagregação da esfera pública. Vocês viram como ela chegou de forma mais palpável com a crise mundial?</p>
<p>Christina: Qual o papel das faculdades de Comunicação/Jornalismo na formação moral do jornalista?</p>
<p>Caio Túlio Costa: O papel das faculdades na formação moral é FUNDAMENTAL. Precisamos de mais disciplinas de ética e de formação moral do que apenas disciplinas sobre legislação.</p>
<p>Reis: Como fica a imagem ética do jornalista diante da sociedade quando os burburinhos de Brasília falam que muitos jornalistas usam passagens da cota de políticos? Em geral, bem sabemos que em todo burburinho sempre tem um fundo de verdade&#8230;</p>
<p>Caio Túlio Costa: É isso aí. Esse seu exemplo é mais um dos infindáveis exemplos de moral provisória. O jornalista denuncia o senador que espalha passagem, mas não diz que seus colegas recebem passagens.</p>
<p>Melissa: Mudando um pouco a conversa, como a web 2.0 vai se inserir no contexto da ética jornalística? Como você descreveria o cenário atual?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Eu acho que a questão fundamental da web 2.0 é a da comunicação multidirecional, do compartilhamento, da comunicação participativa &#8211; e acho que cada vez mais a humanidade precisa estudar filosofia moral. Mas isso é impossível. Nesse sentido, vamos continuar vendo o bom senso derrubando a solidez da moral.</p>
<p>Mauro Ramos: Gostaria de sua opinião sobre a apresentadora Sonia Abrão, que entrevistou ao vivo o sequestrador da Eloah, no episódio ocorrido em São Paulo. A jornalista, realmente, atrapalhou as negociações com Lindemberg? Faltou ética nesse caso?</p>
<p>Reis: Reforçando a pergunta do Mauro, poderíamos dizer que a ganância dos veículos, sobretudo das TVs abertas, por audiência seriam impulsionadoras de comportamentos que eu chamaria de imorais como o da entrevista da Sonia Abrão no episódio da Eloah?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Eu não vejo problema no jornalista ter conseguido entrevistar o sequestrador. O problema está na autoridade policial que não tomou providências para que isso fosse evitado. Do ponto de vista do jornalista, está certa a Sonia Abrão em tentar entrevistar quem está no centro da notícia. O problema nunca é o fazer a entrevista &#8211; o problema está em como ela será usada e manipulada.</p>
<p>Lammel: As novas mídias apresentam uma produção e publicação cada vez mais acelerada. Você considera isso um risco à quebra de procedimentos éticos no jornalismo? Já percebeu algum caso real em decorrência deste novo ritmo de produção?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Você coloca a ética como algo estanque e que deva ser seguido. O fato é que ela, a ética, não é estanque, não existe em algum lugar independente de nós. Os procedimentos éticos estão sendo quebrados desde o primeiro momento em que se fala de jornalismo. Há, de novo, um abismo entre a ética normativa e os procedimentos práticos.</p>
<p>Vany: Você acha que o que aconteceu nos Estados Unidos foi falta de ética dos jornalistas, que eventualmente não fizeram seu papel de investigar a fundo sinais de que a economia lá fora não ia bem? A mando dos donos dos jornais?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Acho que uma parte do problema atual, sim, é de responsabilidade da mídia que em vez de investigar sempre adulou os &#8220;gênios&#8221; do mercado financeiro.</p>
<p>Thiara: O Conselho de Jornalismo é uma iniciativa interessante e positiva para a categoria?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Não. Qualquer tentativa de nortear, aconselhar que venha do Estado precisa ser vista com desconfiança. Esse tipo de Conselho pode acabar em censura, em micro-poderes, em corrupções&#8230;</p>
<p>Thiara: Mas essa reforma na legislação, que já começa a ser pensada e discutida, vai impactar na formação e no conceito de ética dos profissionais de comunicação?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Espero que sim e que a filosofia moral ganhe todas as faculdades de comunicação.</p>
<p> <strong>MÍDIA IMPRESSA</strong></p>
<p>Fefa: Mudando um pouco para mídia impressa. Na semana passada, analisamos na aula de Ética da faculdade o caso de Jayson Blair, jornalista do NY Times, acusado em 2003 de falsificações e plágios, desde fontes até imagens e lugares supostamente visitados. O jornal fez uma matéria de capa se desculpando por todas as mentiras que Jayson havia contado durante os meses que ficou na redação. Você acha que a imprensa brasileira seria capaz de assumir a &#8220;mea culpa&#8221;?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Acho que uma parte da imprensa brasileira começa a assumir erros. No caso da Escola Base todos os errados assumiram a culpa (que os unia à autoridade policial na fabricação de uma notícia completamente falsa). Mas acho que temos veículos que precisam de uma revolução interna para chegar à grandeza de um NYT, por exemplo.</p>
<p>Vany: Você acredita que teremos de volta Pasquins e outros veículos que sejam efetivamente independentes e jornalísticos, uma vez que a dita grande imprensa é esta que adula porque é a que paga os salários dos jornalistas? Você acredita que os jornalistas possam ser seus próprios empresários e, por isso independentes?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Quem disse que o Pasquim era independente? Ele era dependente de um estilo de vida, de uma visão contrária à ditadura. Existem veículos que hoje fazem um pouco o papel do Pasquim &#8211; como Caros Amigos, como Piauí, como alguns jornais alternativos&#8230;</p>
<p> <strong>JORNALISMO PARTICIPATIVO</strong></p>
<p>Vany: Minha preocupação é saber se haverá como o povo saber quem é jornalista e quem é repórter cidadão. O jornalista é identificado pelo seu ofício, ou seja, é a natureza de sua função que o define no mundo. Mas a sua atividade também é aparentemente ambígua e difícil de ser identificada e até conceituada. Como você acredita que ficará agora esta conceituação ou diferenciação de sua função com a cada vez maior entrada do ‘repórter – cidadão’ nas novas mídias? O senhor acredita que a população terá condições de reconhecer os verdadeiros jornalistas entre estes novos profissionais da mídia?</p>
<p>Caio Túlio Costa: A complexidade da situação atual é exatamente essa. Cada vez mais nós vamos ver misturadas informações confiáveis com informações não-confiáveis. A credibilidade vem da marca (seja pessoal, seja empresarial). Mas um indivíduo qualquer, falando qualquer coisa, pode ganhar ressonância mundial em rede. Cada vez teremos mais dificuldade em reconhecer a informação confiável da informação não-confiável.</p>
<p>Rodrigo Textual: Os veículos agora dependem do &#8220;leitor&#8221; para conseguir imagens e testemunhos de acontecimentos. Você enxerga um futuro com pessoas atuando como jornalistas pela prática constante, sem o preparo da faculdade?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Sim, isso já está acontecendo. Mas de forma embrionária, pequena, com enorme reação da mídia tradicional. Eu vejo um futuro &#8220;colaboracionista&#8221; (a palavra não é boa), um futuro participativo entre leitor e jornalista e um jornalista sem nenhuma formação para tanto atuando na rede &#8211; como já atua hoje fortemente lastreado em opinião, apenas opinião e sem nenhuma preocupação ética &#8211; que, em tese, define o jornalista.</p>
<p>Ademir: Interessante falar de repórter-cidadão, que tem muito a contribuir. Mas, nos novos tempos de discussões em rede, tanto ele como o jornalista só terão longevidade por meio da credibilidade conquistada pela ética, cada vez mais valorizada. Deverão passar pelo crivo do &#8220;grande público&#8221;, agora participativo e atento a diferentes fontes de informações. A maior dificuldade que eu percebo, é a de leitura crítica, quando as pessoas se confundem com a mistura jornalismo e entretenimento. Qual sua opinião sobre esse problema. Como resolvê-lo?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Esse problema só se resolve com educação, com boa educação. Leitura crítica só se consegue em escola boa e escola boa não é bem uma realidade brasileira. Está certo: o país consegue colocar hoje quase 100% das crianças na escola. Urge, agora, discutir a qualidade desse ensino e a necessidade de a escola apresentar ferramentas de intelecção crítica da realidade aos alunos.</p>
<p> <strong>CURSOS DE COMUNICAÇÃO</strong></p>
<p>Verônica: O que você acha da obrigatoriedade do diploma para jornalistas por formação?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Acho a obrigatoriedade do diploma ruim para a indústria. Mas acho que o jornalista precisa, obrigatoriamente, de uma formação humanista. O melhor neste caso é ter um curso técnico de formação de jornalista (dois anos mais ou menos) para qualquer um fazer DEPOIS de ter feito uma faculdade específica. Qualquer faculdade &#8211; inclusive a de graduação em jornalismo. Temos grandes jornalistas que vieram da engenharia, da medicina, da biologia, da filosofia, da história, da administração&#8230;</p>
<p>Ademir: A educação para os meios deve continuar partindo de iniciativas isoladas da Academia e de alguns veículos ou deve integrar a necessária reforma curricular? Quanto essa vertente pode potencializar a ética na mídia a longo prazo?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Deve ser, sim, objeto de reforma curricular. No nosso caso, tem uma Comissão estudando uma grande reforma no ensino de comunicação e espero que ela crie o curso de extensão, de formação em jornalismo, para quem vier de outra faculdade que não a de comunicação.</p>
<p> <strong>COBERTURA JORNALÍSTICA</strong></p>
<p>Rodrigo Textual: Por que os veículos dão matérias sobre um escândalo por cinco, seis dias, e depois aceitam o acordão que se faz dentro do Congresso, por exemplo, para abafar o caso? O que não faltam são denúncias entregues de graça por leitores, inimigos etc. Ou seja, até que pontos os grandes veículos são independentes hoje?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Boa pergunta. Eu também queria saber por que se esquece tão cedo e tão facilmente determinados assuntos. Sempre me dizem que é porque acabou a curiosidade do público. Não sei não. Sobre a independência dos veículos &#8211; eis aí outro problema de moral provisória. A independência é apenas normativa, teórica, retórica. Não existe independência, imparcialidade e objetividade.</p>
<p>Mauro Ramos: Gostaria que você falasse um pouco do sensacionalismo em matérias de violência em grandes cidades, como é feito nos noticiários vespertinos da Band e da Record.</p>
<p>Caio Túlio Costa: O sensacionalismo é um ramo do jornalismo, faz parte do espetáculo da comunicação, da sociedade do espetáculo. É fruto desse mecanismo e se alimenta totalmente dele e o realimenta. Esse é um dos problemas básicos da indústria cultural, da nossa indústria da comunicação. Não é fenômeno brasileiro, é fenômeno universal. Se encaixa sobremaneira na moral provisória. É feio? Sim. Mas nós precisamos mostrar porque as pessoas adoram ver isso, vai dizer sempre o jornalista que alimenta essas pautas sensacionalistas.</p>
<p>Illynne: Mas é inadmissível isso. Matérias muito boas são publicadas sem que precisem de sensacionalismo&#8230;</p>
<p>Caio Túlio Costa: Sim. Você tem razão. Por isso são boas.</p>
<p><strong>DIREITOS AUTORAIS</strong></p>
<p>Zahar: Como você vê a questão de direitos autorais no mercado editorial? Músicos fazem shows para multidões e vendem camisetas, dentre outros produtos, mas autores de livros não têm todo esse apelo. Qual será a saída comercial? Conteúdo patrocinado?</p>
<p>Caio Túlio Costa: Acho difícil falar em conteúdo patrocinado no mercado livreiro. A publicidade só paga a conta em TV aberta por conta do seu alcance, do alcance de fato de massa. Nas outras mídias a conta é paga pela publicidade apenas pela metade. Teremos que reinventar o mercado editorial na sua face digital. Não tenho a resposta.</p>
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